A Economia das Alterações Climáticas

Vince

Furacão
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23 Jan 2007
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Achei este cartoon provocador e divertido bastante interessante relativamente a este tema da economia, da energia e das alterações climáticas.


oilplansr4.gif



Por um lado há muita verdade nele, quando chega a hora de pagar a conta ninguém quer saber do ambiente para nada. Por outro lado será que a alta de preços dos combustiveis fosseis com tendencia sempre crescente não acabará só por si resolver pelo menos em parte alguns dos problemas ambientais pois viabiliza e massifica outras formas de energia menos prejudiciais ?
 

José M. Sousa

Cumulus
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16 Mai 2008
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Achei este cartoon provocador e divertido bastante interessante relativamente a este tema da economia, da energia e das alterações climáticas.


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Por um lado há muita verdade nele, quando chega a hora de pagar a conta ninguém quer saber do ambiente para nada. Por outro lado será que a alta de preços dos combustiveis fosseis com tendencia sempre crescente não acabará só por si resolver pelo menos em parte alguns dos problemas ambientais pois viabiliza e massifica outras formas de energia menos prejudiciais ?


:):thumbsup: Estou de acordo. No entanto, poderá haver alguns efeitos perversos, mais fugas em frente. A lógica das empresas, ou do capitalismo se se quiser, é mesmo tramada. Por exemplo:

«Anyone who was hoping that constraints on oil supply would be a good thing for fighting climate change should think again: Eni this week announced a tar sands project in the Congo; Gulf states are turning to coal as natural gas supplies in countries like UAE and Dubai are strained; and in the UK the energy companies met to coordinate on how to protect their coal expansion plans from the efforts of environmental demonstrators.» em http://odac-info.org/newsletter/2008/05/23
 

Paulo H

Cumulonimbus
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Por um lado há muita verdade nele, quando chega a hora de pagar a conta ninguém quer saber do ambiente para nada. Por outro lado será que a alta de preços dos combustiveis fosseis com tendencia sempre crescente não acabará só por si resolver pelo menos em parte alguns dos problemas ambientais pois viabiliza e massifica outras formas de energia menos prejudiciais ?


É inerente ao ser humano, gostamos de pagar mais barato além de que também somos "adversos" à mudança. Somos mesmo assim e na hora de mudarmos os hábitos temos de ser muito bem esclarecidos para nos convencermos a pagar 1 centimo a mais da nossa carteira.

Qualquer que seja a energia alternativa aos combustíveis fósseis, ela terá que ter um preço competitivo, ou então, ser incorporada na nossa economia com meios de financiamento específicos que amortizem os custos iniciais de desenvolvimento tecnológico, de fabrico das infraestruturas, de montagem destas e de outros gastos gerais de fabrico indirectos. Essa amortização competitiva dos custos deveria ser financiada pelo estado, pelos bancos ou por um subsídio para o desenvolvimento na União Europeia tratando-se a questão da energia como uma questão global mas interna à União Europeia, assim haveria um desenvolvimento integrado como uma rede sem fronteiras, com um controlo das taxas de execução e eliminando quaisquer barreiras colocadas por lobbies neste segmento de mercado. Deveria haver pelo menos uma entidade reguladora do mercado, e deveria assegurar-se para cada região pelo menos 2 entidades concorrentes de forma que nunca houvesse monopólio e possível formação de cartéis!

Não é por acaso, que eu já em algum post referi o interessante que seria termos uma rede de painéis solares, em vez de telhados teriamos uma cobertura também por páineis que seriam produzidos em grande escala em Portugal, reduzindo-se os preços dada a economia de escala gerada. Teriamos capacidade competitiva para exportar dados os preços que conseguiriamos. E assim evitavamos usar solos destinados a agricultura, a reservas biológicas, ao turismo, à caça, à pequária! Era giro ver que os nossos telhados também servem para algo mais que ser um telhado!

O aumento dos preços das energias fósseis levará um dia à viabilização e massificação de outras formas de energia menos prejudiciais, mas ainda estamos a uma distância enorme disso acontecer, teriamos muito a investir para podermos substituir uma energia por outra, trata-se de haver capacidade produtiva ou não. As energias limpas são ainda muito reduzidas, insuficientes.

Eu penso que com a subida dos combustíveis fósseis, levará a que se torne competitivo extrair outros combustíveis fósseis em locais não rentáveis, ex: Portugal! Talvez não fosse rentável extrair petróleo em Portugal a menos de 100 dolares/barril, e agora já o seja!

Mas também acredito que tudo isto vá acalmar dentro de 2 ou 3 anos, trata-se de especulação, stocks a crescer e falta de capacidade de distribuição. Não falta petróleo, falta é meios de o levar para as refinarias.
 

Paulo H

Cumulonimbus
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Às vezes perguntamo-nos, como é possível no ano 2008 com toda a tecnologia e apesar das lições da história com as crises do petróleo nos anos 20, 40? e 70 a levar as economias ao fundo, que ainda tenhamos 5-10% de energias limpas?

Posso dar 4 razões:

1. Custos de desenvolvimento tecnológico demasiado elevados para energias alternativas.

2. Falta de empenho dos governos, no que respeita à regulamentação do mercado e incentivo ao desenvolvimento tecnológico.

3. Barreiras à entrada de concorrência para o mercado da energia

4. Mercado monopolista ou em oligopólio organizado em cartel.

4.1. Num mercado monopolista protegido com barreiras à entrada, é fácil entender porque não se investe em novas alternativas energéticas! Também por causa da má regulamentação e incentivo do mercado por parte dos governos, o que é que faria uma empresa distribuidora e produtora de energia gastar dinheiro em investimentos? Ora se o petróleo sobe, então o consumidor paga, o que importa é manter ou ampliar a margem de lucro!

4.2. Num mercado regido por poucas empresas concorrentes, é sempre fácil encontrar um entendimento, não digo que seja em cartel, pois seria facilmente ilegalizavel, mas de outras formas escondidas! Numa economia cada vez mais global, as empresas tornam-se participadas umas nas outras, de forma que embora concorrentes, deixem de competir no sentido de encontrar sinergias entre elas e poderem assim garantir o seu bem estar. O resultado de tudo isto é a falta de interesse em investir em energias alternativas, pois somos nós que pagamos afinal de contas!

Podem dizer que mesmo assim, seria de todo o interesse investir-se em alternativas que lhes proporcionassem maiores margens de lucro, mas a verdade é que o mercado é mesmo global e quando as empresas decidem participar, ser accionistas de outros segmentos de mercado podem facilmente debater-se com certos paradigmas como sejam o receio de substituir os convencionais motores a gasolina, a gasóleo ou a gás por motores eléctricos. Facilmente se entende que se estariam prejudicando a elas próprias, ora porque gastariam o seu capital em investigação, ora porque veriam os seus investimentos (acções) perderem valor noutras empresas (ramo automóvel e refinarias). Esta forma de pensamento decorreu durante décadas, talvez agora se apercebam que com a crise do petróleo, se a economia entrar numa crise bem forte, também o sector de energias vá perder, pois a crise de uma forma ou de outra irá reflectir-se também no consumo de energia.

E o futuro não é nada animador, vejam o crescimento de países como a China e a India! O consumo de carvão, petróleo, de cobre não irá cessar! Nestes países a economia está crescendo no mínimo 10% ao ano e são biliões de habitantes. A ver vamos..
 

Vince

Furacão
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23 Jan 2007
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«Anyone who was hoping that constraints on oil supply would be a good thing for fighting climate change should think again: Eni this week announced a tar sands project in the Congo; Gulf states are turning to coal as natural gas supplies in countries like UAE and Dubai are strained; and in the UK the energy companies met to coordinate on how to protect their coal expansion plans from the efforts of environmental demonstrators.» em http://odac-info.org/newsletter/2008/05/23


Eu penso que com a subida dos combustíveis fósseis, levará a que se torne competitivo extrair outros combustíveis fósseis em locais não rentáveis, ex: Portugal! Talvez não fosse rentável extrair petróleo em Portugal a menos de 100 dolares/barril, e agora já o seja!

Pois, pensando melhor não é de facto expectável haver diminuição de emissões por via do preço, é impossível, mesmo que por exemplo o barril de petroleo chegue aos 200 ou 300$, pois a par da viabilização de energias alternativas até aqui inviáveis isso irá estar sempre acompanhado pela exploração de energia fóssil até aqui inviável e o exemplo de Portugal é um bom exemplo pois já foram adjudicados vários contratos recentemente. Pelo menos será assim durante muitas décadas.

Mas de qualquer forma eu não tenho ilusões no homem e nas suas políticas. O preço será sempre o maior aliado das energias alternativas mais limpas, ou seja, se mesmo com preços das fósseis muito caros a situação provavelmente não melhora, quer dizer quanto a mim que nunca melhoraria de qualquer forma, continariamos todos a usá-las fossem quais fossem as consequências, se não for no país A será no país B, e o custo é de facto o único mecanismo realmente eficaz que fala todas as linguas e que afecta de igual modo todos os países que competem entre si. Fossem as fosséis inesgotáveis e para sempre baratas e teriamos um futuro ainda mais negro.
 

Vince

Furacão
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23 Jan 2007
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A lógica das empresas, ou do capitalismo se se quiser, é mesmo tramada.

Artigo de Mário Crespo no Jornal de Notícias:
Por que não nacionalizar?, a propósito dos combustíveis:
http://jn.sapo.pt/2008/05/26/opiniao/por_nao_nacionalizar.html

Mas também acredito que tudo isto vá acalmar dentro de 2 ou 3 anos, trata-se de especulação, stocks a crescer e falta de capacidade de distribuição. Não falta petróleo, falta é meios de o levar para as refinarias.

Sobre mercados, capitalismo, etc, eu não sou socialista, acredito no mercado mas não sou também um defensor do mercado selvagem e desregulado. As empresas, os empresários e o lucro são saudáveis e necessários, e cabe ao Estado garantir alguma regulação e controlo nos mercados.
Sobre o artigo do Mário Crespo, sinceramente li e reli e achei um disparate, não vi nada que resolvesse qualquer problema que fosse para além de ajudar a preencher uma coluna de jornal, pois o maior problema não é interno, é a escassez e agora a especulação, algo que nós não controlamos internamente, fosse a Galp privada ou pública. A nacionalização não é solução porque como também vimos nestes e noutros casos (BCP por exemplo), nacionais e internacionais, os diversos Estados falharam de várias formas nalgumas destas crises na tarefa de regulação que lhe era exigida. Se falham aí falhariam muito mais detendo e controlando todo o mercado. Mercados nacionalizados e na mão dos Estados são mercados como o Angolano ou Russo e todos sabemos como isso funciona na prática.

Seja qual for a filosofia, socialista ou liberal (económico) eu não confio na concentração de poder , seja económico seja político, quer sejam grandes corporações económicas privadas, quer sejam grandes empresas públicas ou nacionalizadas, ambos tratam-se de concentração de poder e eu não confio nem numa nem noutra, sejam do Estado sejam privadas, pois o homem quando detêm imenso poder serve-se dele da mesma forma num lado e noutro e quanto a mim quem pensa o contrário, seja de que lado for, está a ser utópico pois está a ignorar a natureza humana.

Portanto se acredito no mercado, a questão a resolver é limitar os excessos desse mercado e como temos visto recentemente com várias crises (alimentar, crédito suprime, combustiveis) há limites que estão a ser ultrapassados e há que começar a resolver esses problemas por aí. Se até a OPEP, organização com um longo historial de oligopólio se queixa que o mercado está "louco" e infestado de especulação, alguma coisa tem que ser feita nessa área. Crises especulativas são cíclicas, e é possível que esta passe, embora no caso dos combustíveis seja mais complicado e lento porque é um bem escasso. Mas tal como o Paulo pensa, eu também penso que mesmo contando com a escassez a especulação vai dar um estoiro mais tarde ou mais cedo e as coisas vão acalmar um pouco.
 

José M. Sousa

Cumulus
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Se até a OPEP, organização com um longo historial de oligopólio se queixa que o mercado está "louco" e infestado de especulação, alguma coisa tem que ser feita nessa área. Crises especulativas são cíclicas, e é possível que esta passe, embora no caso dos combustíveis seja mais complicado e lento porque é um bem escasso. Mas tal como o Paulo pensa, eu também penso que mesmo contando com a escassez a especulação vai dar um estoiro mais tarde ou mais cedo e as coisas vão acalmar um pouco.


Quanto às empresas públicas vs regulação isso é pano para mangas. Mas vou dizendo que a Noruega tem uma empresa petrolífera (tinha duas, que se fundiram há pouco) chamada StatoilHydro que, como o nome indica, é do Estado:

«After the merger with Hydro's oil- and gas activities the state ownership is currently 62.5 per cent.The ownership interest is managed by the Ministry of Petroleum and Energy. » in http://www.statoilhydro.com/en/InvestorCentre/Share/Shareholders/Pages/StateOwnership.aspx

Este blog tem muita matéria interessante sobre este assunto:

http://ladroesdebicicletas.blogspot.com/search?q=chang+empresas+públicas

Quanto à especulação, não é um fenómeno ciclíco, veio para ficar porque o petróleo está a ficar curto para as encomendas. Essa queixa da OPEP é conversa fiada! Não estou a dizer que a especulação no mercado internacional não existe, mas que tem fundamento em algo de muito sério: a escassez. E não me admiraria nada que o petróleo chegasse aos 200 dólares ainda este ano! Aliás, a Goldman Sachs estima um preço médio de mais de140 dólares para o 2º semestre. Isso é sensivelmente o dobro de 2007:

http://tonto.eia.doe.gov/dnav/pet/hist/rbrteA.htm

Recomendo a leitura de entrevista ao economista-chefe da Agência Internacional de Energia: [é reveladora a mudança de discurso da AIE em apenas um ano, ano meio]

http://futureatrisk.blogspot.com/2008/05/os-alertas-de-fatih-birol-aie-2-parte.html

http://futureatrisk.blogspot.com/2008/05/o-preo-do-petrleo-e-especulao.html

Por fim, este post sobre a crise energética:

http://oam.risco.pt/blogger.html
 

José M. Sousa

Cumulus
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Seja qual for a filosofia, socialista ou liberal (económico) eu não confio na concentração de poder , seja económico seja político, quer sejam grandes corporações económicas privadas, quer sejam grandes empresas públicas ou nacionalizadas, ambos tratam-se de concentração de poder e eu não confio nem numa nem noutra, sejam do Estado sejam privadas, pois o homem quando detêm imenso poder serve-se dele da mesma forma num lado e noutro e quanto a mim quem pensa o contrário, seja de que lado for, está a ser utópico pois está a ignorar a natureza humana.

P.

Mas já agora, um comentário adicional. Eu não ponho as coisas dessa forma : socialista vs liberal. A questão é que se uns poucos (Amorim, etc.) lucrarem à custa de todos, para pôr as coisas simples, quer se queira quer não vai haver bronca, porque a energia é de facto um bem estratégico. Escassez numa área como esta exige planeamento a nível macro e esse só o Estado tem capacidade para fazer (se o faz bem ou mal, isso é outra coisa). Alías já se vêem os nossos liberais de pacotilha a pedirem a intervenção do Estado quando as coisas começam a correr mal (para os respectivos interesses, está claro)!
 

José M. Sousa

Cumulus
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É notório o interesse dos Estados Unidos em soluções energéticas de transição, falíveis, que ajudem a concluir que afinal, a solução está no nuclear.

[YOUTUBE]http://www.youtube.com/watch?v=Ij8rUPoTzPo&eurl=http://5dias.net/[/YOUTUBE]

«Energy experts agree that efficiency and renewable energies can handle near-term needs for energy
growth in the United States. New coal plants are being built only because coal is cheap (as long as
it receives government subsidies and is not forced to pay for environmental and health damages),
because utilities make more money if they sell more energy, and because the political clout of King
Coal stymies adoption of national energy policies in the public interest.»


http://columbia.edu/~jeh1/mailings/20080529_DearGovernorGreenwash.pdf


Sobre o nuclear como alternativa, segundo alto funcionário da Agência Internacional de Energia:

«Para limitar o aquecimento global a 2º C temos que alterar o nosso sistema de produção de energia. Há quatro formas de o fazer de maneira neutra do ponto de vista climático: através da eficiência energética, energias renováveis, captura e sequestração de CO2 e energia nuclear. Se distribuirmos a redução do CO2 de forma equitativa por estas quatro alternativas, teríamos que construir todos os anos 30 novas centrais nucleares em todo o mundo. Isso é praticamente impossível. Presentemente estamos a construir 1,5 novas centrais por ano.»

http://docs.google.com/Doc?id=dckws285_10d3pgm3rs

Quanto à sequestração do CO2, o problema é que a tecnologia ainda não está madura

http://www.monbiot.com/archives/2008/03/18/burnt-out-2/

http://www.monbiot.com/archives/2008/03/18/burnt-out-2/ (dois interessantes artigos de George Monbiot sobre a insistência no carvão como fonte energética)



e mesmo que o venham a fazer poderá haver fugas que resultem em envenenamento por monóxido de carbono, como o que aconteceu por razões naturais no lago Nyos:

http://en.wikipedia.org/wiki/Lake_Nyos
 

José M. Sousa

Cumulus
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Um vídeo, "The Denial Machine", da TV canadiana CBC sobre como as empresas petrolíferas e a Casa Branca, e também o governo canadiano (sobretudo mais recentemente) ignoraram a ciência e lançaram uma campanha de desinformação sobre as Alterações Climáticas.


[GVIDEO]http://video.google.com/videoplay?docid=-8012901811669462665[/GVIDEO]
 

psm

Nimbostratus
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25 Out 2007
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estoril ,assafora
A que explicar qual a razão, que o Canada tem tanto interesse em desinformar sobre o tema das alterações climaticas.Vou fazer uma pergunta versus resposta:Será que tem haver com as areias no norte,noroeste do Canada?

Pois essas areais neste momento ,estão com um bom proveito para quem as explora.
 

José M. Sousa

Cumulus
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A que explicar qual a razão, que o Canada tem tanto interesse em desinformar sobre o tema das alterações climaticas.Vou fazer uma pergunta versus resposta:Será que tem haver com as areias no norte,noroeste do Canada?

Pois essas areais neste momento ,estão com um bom proveito para quem as explora.

Sim, o governo canadiano actual regrediu em relação ao passado nas suas posições sobre a urgência de combater as alterações climáticas. O actual governo parece estar mais preocupado em explorar as areias betuminosas de Alberta.

http://www.ags.gov.ab.ca/activities/cbm/alberta_oil_sands.html

O Canadá é, salvo erro, o primeiro fornecedor de petŕoleo dos EUA.
 

Vince

Furacão
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Achei este cartoon provocador e divertido bastante interessante relativamente a este tema da economia, da energia e das alterações climáticas.


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Por um lado há muita verdade nele, quando chega a hora de pagar a conta ninguém quer saber do ambiente para nada. Por outro lado será que a alta de preços dos combustiveis fosseis com tendencia sempre crescente não acabará só por si resolver pelo menos em parte alguns dos problemas ambientais pois viabiliza e massifica outras formas de energia menos prejudiciais ?



Ainda a propósito deste cartoon, hoje li uma posta num dos blogues portugueses mais neoliberais que conheço, o Insurgente. Sendo as grandes causas ambientais quase um património exclusivo da esquerda, sobretudo da esquerda mais à esquerda que é profundamente anti-liberal, como é que as pessoas de esquerda e ambientalmente preocupadas reagem a textos destes que abaixo transcrevo ? José, chegue-se à frente no comentário que já eu percebi que é um homem de esquerda :)

Kyoto, prioridades ambientais da UE e outras historinhas para boi dormir
João Luís Pinto

Todos estes recentes desenvolvimentos relativos à questão dos combustíveis e aos pescadores e transportadores, e concretamente a reacção do nosso governo, demonstra toda a hipocrisia e wishful thinking que rodeiam os ambiciosos planos e as urgentes metas em termos de emissões.

No momento em que a pressão dos preços dos combustíveis cria uma oportunidade ímpar para forçar ao aumento da racionalidade do consumo de combustíveis fósseis, no fundo dando aos agentes do mercado um relance daquilo que os espera no futuro, quer pela pressão crescente da procura sobre as reservas disponíveis de petróleo, quer pela própria expressão da vontade dos nossos governantes, quer a nível interno quer a nível externo, de que se deve caminhar nesse sentido, o nosso governo, presidido por um Sócrates que, lembre-se, já teve responsabilidades na tutela do Ambiente, demonstra a vontade de vacilar e criar mecanismos de excepção exactamente em dois dos sectores de maior dependência desses combustíveis e intensidade energética.

Ou seja, aqueles que são dos principais responsáveis pelo crescendo da procura, e um dos principais agentes do consumo desses combustíveis, vão ser exactamente os primeiros a beneficiar de um regime de discriminação positiva. A mensagem não é portanto de consumir menos, de redimensionar a oferta desses serviços (o que teria até a óbvia consequência do aumento dos preços e, como tal, dos rendimentos operacionais dos intervenientes) para se adequar às contingências do mercado, mas sim para se continuar a consumir o mesmo (ou mais), imunizando à conta dos contribuintes esses agentes do mercado da realidade.

Lembremo-nos que estamos a falar de camiões e de barcos de pesca que consomem, num frete ou numa ida ao mar, milhares de litros de gasóleo, sendo que os primeiros já beneficia até, injustamente, de um regime mais que discriminatório em relação aos demais no que toca ao preço desses combustíveis.

Num tom mais ligeiro, poder-se-ia até dizer que a solução para muitos dos transportadores deveria ser a de encostarem os camiões e passarem a fazer os fretes em traineras.

A evolução que se regista no mercado já não é fácil de encaixar pelos agentes económicos, ou seja, o encaixe dos aumentos dos custos operacionais nos preços de forma directa ou por intermédio da diminuição da oferta dos serviços já não será fácil de digerir. As tais prioridades, e metas ambientais (completamente irrealistas - mas isso é outra conversa), que terão obviamente que apontar para os sectores de maior intensidade energética, essas então vão ser o fim da macacada.

Isto tudo, naturalmente, partindo do princípio (negado flagrantemente pelas actuações recentes do governo) que existe uma vontade efectiva e que esses objectivos são algo mais que soundbytes e powerpoints para encher cimeiras e mandar umas “bocas” ao Bush.
 

José M. Sousa

Cumulus
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Ainda a propósito deste cartoon, hoje li uma posta num dos blogues portugueses mais neoliberais que conheço, o Insurgente. Sendo as grandes causas ambientais quase um património exclusivo da esquerda, sobretudo da esquerda mais à esquerda que é profundamente anti-liberal, como é que as pessoas de esquerda e ambientalmente preocupadas reagem a textos destes que abaixo transcrevo ? José, chegue-se à frente no comentário que já eu percebi que é um homem de esquerda :)

Por enquanto estou de facto inscrito num partido de esquerda :) No entanto, sempre achei que essa divisão esquerda/direita, embora exista e seja marcada, por vezes é um bocado simplista. Suponho que há muita gente de direita genuinamente preocupada com as questões ambientais. Acho que tudo depende um pouco da sua formação, se sabem distinguir o que é ciência do que é ideologia pura.

Quanto ao texto do Insurgente, acho que tem uma boa dose de razão. No entanto, parece desvalorizar o problema ambiental. Não é porque Sócrates não leve a sério o problema, que o problema deixa de existir. Como vimos, a necessidade de reduzir as emissões não é um problema de esquerda ou de direita. É-nos dito que é vital por Academias de Ciências de todo o mundo. É uma recomendação com base na melhor avaliação científica existente. Que alguma direita não entenda isso, é problema dela.
 

Vince

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Por enquanto estou de facto inscrito num partido de esquerda :) No entanto, sempre achei que essa divisão esquerda/direita, embora exista e seja marcada, por vezes é um bocado simplista. Suponho que há muita gente de direita genuinamente preocupada com as questões ambientais. Acho que tudo depende um pouco da sua formação, se sabem distinguir o que é ciência do que é ideologia pura.

Quanto ao texto do Insurgente, acho que tem uma boa dose de razão. No entanto, parece desvalorizar o problema ambiental. Não é porque Sócrates não leve a sério o problema, que o problema deixa de existir. Como vimos, a necessidade de reduzir as emissões não é um problema de esquerda ou de direita. É-nos dito que é vital por Academias de Ciências de todo o mundo. É uma recomendação com base na melhor avaliação científica existente. Que alguma direita não entenda isso, é problema dela.

Sim, concordo inteiramente que hoje essas divisões ideológicas são muito limitadas e numa questão como esta ainda menos sentido fazem.
Embora penso que concorde comigo, elas na prática existem infelizmente. E era um pouco nisso que estava a pensar depois de hoje ter visto algumas intervenções de líderes políticos à esquerda e à direita e de ter lido este texto no Insurgente. Dum lado pode haver uma despreocupação irresponsável mas do outro lado também me parece que existe muita preocupação mas não genuína, mais ideológica e aparente do que verdadeiramente preocupada com os problemas.
E em momentos destes como os actuais, de crise, caem se calhar algumas máscaras e aparecem muitas contradições. Ou seja, regressamos à conversa de há uns tempos atrás, quando a coisa começa a pesar no bolso todos se estão a lixar para o ambiente, mesmo os sectores tradicionalmente mais preocupados com estas questões.