Biodiversidade

Tópico em 'Biosfera e Atmosfera' iniciado por psm 15 Nov 2008 às 20:50.

  1. Loureso

    Loureso
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    Cumulus

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    Olá frederico :(
    Já vi uma reportagem em que um ex-presidiário por este motivo, declarou descaradamente ou então era louco, que sentia prazer ao ver um incêndio florestal e que não colocava de parte a sua reincidência por causar novos incêndios!
    Dito isto, que mais há a dizer? :huh:
    O mundo anda louco, não façam pouco! :wacko:
     
  2. Kodiak

    Kodiak
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    Cumulus

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    A Mata de Albergaria não esteve em perigo iminente de desaparecer. Seria muito difícil desaparecer dada a área abrangida e o facto de muitas das suas parcelas apresentarem um grau muito auto de humidade.
    Independentemente desta questão a Mata continuava a arder hoje ao príncípio da noite.
    Sobre as consequências deste fogo creio que não serão piores que as verificadas nos último incêndios das décadas de setenta e oitenta. A Mata tem uma enorme capacidade de regeneração. Já vi parcelas ardidas que recuperaram em quatro ou cinco anos. A grande questão é que estamos ainda no mês de Março e o Verão ainda nem começou. E depois, tempo seco e eleições não são uma boa combinação.
    Sobre as causas atrevo-me a dizer que, neste caso, partiu de uma queimada propositada efectuada um a dois dias antes.
    Mas existem muitas outras motivações: queimadas que se descontrolam, vinganças, provocações, necessidade de ver a "terrinha" surgir nas notícias do jornal diário ou na televisão, fogueiras, piromania, foguetório etc, já para não falar de certos negócios, nas áreas da silvicultura e equipamentos.
    Não creio que o povo português seja pirómano, antes pelo contrário. A questão é que basta uma pequena percentagem de pessoas mal intencionadas para por em causa todo, ou parte, do nosso património colectivo.
    E depois somos um povo de brandos costumes, desleixado, conformado. Indignados, assistimos pela televisão, à destruição das nossas florestas. Mas somos incapazes de protestar colectivamente. Finalmente, temos a Justiça que temos. Os incendiários são libertados, ou porque nada se prova, ou porque são vítimas da sociedade.
     
  3. psm

    psm
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    Nimbostratus

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    Do que pouco sei deste parque, é que havia grandes divergencias entre o antigo director do parque e a população, isto foi o que li no jornal publico. Estou a levantar uma suspeita sem fundamento, mas que é estranho lá isso é nestes incendios pois não há nenhum interesse material por detrás neste parque e nesta parte a arder.
     
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  4. MSantos

    MSantos
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    Eu tenho a coleção completa de documentários em VHS:)
    São muito interessantes, pois estão centrados quase só na fauna da Peninsula Ibérica.

    Infelizmente Félix Rodrigues de la Fuente já não está entre nós:(
     
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  5. Kodiak

    Kodiak
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    Cumulus

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    Os habitantes das montanhas do Norte e em particular do Noroeste acreditam na renovação "eterna" das pastagens pelo fogo. Daí a origem da maioria dos incêndios. Para além disso usam o fogo para dar largas a vinganças e como represália. É um hábito criminoso e detestável. Mas é uma realidade dificil de ultrapassar. Nestes casos, e no caso presente, a solução ideal seria ter uma equipa permanente bem preparada (helitransportada) para proceder rapidamente à extinção do foco inicial. Por outro lado seria desejável que a Justiça funcionasse. Como nada disto existe assistimos permanentemente e perante a indiferença da maioria à destruição do nosso património natural, que em alguns casos levou séculos a evoluir.
    Gasta-se muito dinheiro com a manutenção do exército, da marinha e da aviação. Compram-se aviões, helicópteros e submarinos. Mas nem ao menos existe um esforço para colocar esses meios à disposição da sociedade civil.
    Abro aqui duas excepções: o SEPNA, Serviço de Protecção da Natureza, da GNR, e os sapadores, também, da GNR, altamente treinados e disciplinados no combate aos fogos florestais.
    Quanto a divergências é natural que as haja. Nas questões do ambiente e da conservação da natureza é dificil por vezes chegar a um acordo, sobretudo nestes tempos, quando os caciques locais misturam os interesses partidários com os interesses particulares.
     
  6. Dan

    Dan
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    O combate, por si só, não me parece que seja a solução. Nas últimas décadas tem aumentado imenso a despesa com o combate a incêndios e a área ardida não parou de crescer.
    Estes pequenos incêndios, ao provocarem alguma descontinuidade no coberto vegetal, até poderão servir para evitar maiores catástrofes nos meses de Verão. Claro que seria preferível que todo esse processo fosse controlado.
     
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  7. frederico

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    Super Célula

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    Algumas causas de incêndios no Algarve:



    - pastores: acreditam que o pasto nasce mais viçoso após um incêndio e que o fogo ajuda a fertilizar os solos;

    - interesses cinegéticos: alguns caçadores poderão atear fogos por vingança, ou por não terem sido incluídos numa reserva de caça associativa, ou então por um proprietário não ter permitido que algum dos seus terrenos fosse integrado numa reserva de caça;

    - interesses imobiliários e turísticos;

    - queimadas para limpeza do mato;

    - destruição de lixo: até há pouco tempo atrás não existia recolha de lixo na maior parte das aldeias da serra algarvia. O lixo era acumulado num terreno próximo das habitações e depois ao fim de algumas semanas queimado. Actualmente, mesmo existindo recolha regular de lixo, esta prática manteve-se, sendo perigosa quando efectuada nos meses mais quentes próximo de zonas com mato. Surpreendemente, ainda vejo esta prática cá nos arredores do Porto, mesmo em áreas quase dentro da cidade!

    - vinganças de índole pessoal (heranças, por exemplo).
     
  8. psm

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    Nimbostratus

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    O ponto 2 era o contrario na associativa onde moram os meus pais. Era o não deixar cultivar terrenos com aveia para as predizes andarem a comer(proprietarios já velhos não queriam que andasse alguem lá nas terras deles) e num ano houve 5 incendios a partir dai nunca mais houve incendios.
     
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  9. belem

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    Cumulonimbus

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  10. Dan

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  11. Kodiak

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    Cumulus

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    Por si só o combate não chega, mas é fundamental sobretudo se for rápido. Nos últimos anos gastou-se muito dinheiro, mas algum dele tem sido bem aplicado. Refiro-me, sobretudo, às brigadas de sapadores da GNR. Os membros da GNR são disciplinados. não vacilam no ataque ao fogo e sabem o que fazem, ao contrário dos voluntários, que por vezes só atrapalham.
    Este fogo do Gerês, em Albergaria, não foi um fogo pequeno. O fogo percorreu cerca de 500 hectares da reserva biogenética. Mas não foi um drama. A maioria das áreas estava revestida por carvalhal maduro, ou faial. O faial (o coberto arbóreo) não foi danificado em nenhum local. Quanto ao carvalhal aguentou-se também muito bem e vai recuperar em poucos anos. Arderam tambem áreas de urzal e o incêndio tocou a vegetação de muitas escarpas graníticas.
    Isto para dizer que para além de um combate pronto é necessário que se invista na prevenção e a prevenção passa sobretudo pela utilização de espécies autóctones nas florestas.
     
  12. AnDré

    AnDré
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    Arroja, Odivelas (140m); Várzea da Serra (900m)
    É um tema que me causa alguma revolta.
    Custa-me a crer que em Portugal tenhamos sempre mais área ardida que, por exemplo, Espanha. Um pais 5 vezes maior que o nosso, e com um clima e vegetação tão propícios a incêndios quanto os nossos.

    Terão eles mais meios preventivos que nós?
    Não creio.
    Acho que é tudo uma questão de educação e respeito pela natureza que nos rodeia. Falta essa educação a quem todos os anos queima por queimar.
    Falha a punição e o castigo que simplesmente não existem.
    E gastam-se milhões em prevenir, algo que sem educação, está condenado à partida. :disgust:
     
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  13. Dan

    Dan
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    Bragança (675m)
    Por falar em castigo.

    http://faunaiberica.blogspot.com/
     
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  14. Kodiak

    Kodiak
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    Cumulus

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    Os galegos e os asturianos, e de uma forma geral os espanhóis do noroeste, têm os mesmos hábitos culturais dos portugueses, no que diz respeito ao uso do fogo. São hábitos com séculos e séculos. São detestáveis e revoltantes porque levam à destruição do património. Vale a pena comparar no "rapidfire" a ocorrência de fogos na Peninsula Ibérica em determinadas épocas. O padrão repete-se; fogos no noroeste português, na Galiza e nas Astúrias, ligados também à acumulação de combustível na floresta (muita humidade...muita vegetação). Acontece que em Espanha não são tão condescendentes e os meios de combate são mais eficazes.
    Independentemente desta questão a melhor aposta passa, sem dúvida, pela educação (para além da transformação da nossa da floresta). Mas como os resultados só são visíveis a longo prazo, o problema nunca é colocado na agenda dos governantes, mais interessados no imediato.
     
  15. Dan

    Dan
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    Não me parece que no passado tenha havido tantos problemas com incêndios como existem nos dias de hoje. Actualmente temos, na maior parte do território, mais vegetação e menos pessoas, factores que têm potenciado a ocorrência de grandes incêndios.

    Relativamente aos meios, é só ver os exemplos da Califórnia ou da Austrália, quando os incêndios são em tão grande número e atingem uma determinada dimensão, por mais meios que existam nunca são suficientes.
     
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