Biodiversidade

Tópico em 'Biosfera e Atmosfera' iniciado por psm 15 Nov 2008 às 20:50.

  1. Pedro1993

    Pedro1993
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    Super Célula

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    Os insectos polinizadores, pricipalmente os abelhões(bombus terrestris), que desempenham um papel muito importante na polinização, aqui encontrei este talude, que é a sua "casa natural", claro, não esquecendo também os restantes polinizadores, que são muitos, e que muitas pessoas ainda desconhece.

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    Aqui uma coisa simples de fazer, e que ajuda muito este tipo de insectos solitários, e que fica sempre bem numa horta, ou num pomar, nem é preciso gastar dinheiro, pode-se reutilizar uma tábuas velhas, e dar uso também á imaginação.

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    Créditos da foto:
    “Hotéis de insetos” no Parque Hortícola do Vale da Amoreira

    https://www.cm-moita.pt/pages/970?news_id=5109
     
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  2. frederico

    frederico
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    Super Célula

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    Não sabia da criação dessa área protegida.

    Fugindo um pouco ao tópico. Estive na barrinha de Esmoriz pela primeira vez em 2001 ou 2002 com pessoas da Quercus e da Católica, ainda era aluno do Básico. Havia quem defendesse a necessidade de ser reserva natural. Vi como no pinhal a Sul se faziam moradias ilegais. Terão sido demolidas? Duvido.

    Isto é algo que nunca deveria ser aprovado naquele local. Quem observa aves sabe que a presença humana é incompatível com a nidificação de algumas espécies. Jamais, repito, jamais, este passadiço deveria ter sido colocado. É uma futilidade cara para o contribuinte que põe em causa a preservação da lagoa como área de nidificação. Um dos maiores retrocessos em termos de preservação dos habitats e valores naturais em Portugal tem sido a abertura de caminhos e percursos pedonais pela autarquias em áreas sensíveis e a colocação de passadiços. As pessoas não circulam em cima da areia, logo é bom para o ambiente. Errado! As pessoas vão caminhar para as dunas, deixam lixo, fazem barulho, perturbam as aves que querem nidificar. Pior que um passadiço dunar paralelo à linha da costa é um passadiço a atravessar uma área húmida.

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    Aristocrata e "Charneca" Mundial gostaram disto.
  3. frederico

    frederico
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    Super Célula

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    Como é que o ICNF autoriza que se meta um passadiço de madeira em cima das dunas numa mata nacional que também é área protegida? A saber: a Mata de Monte Gordo tem das únicas populações de camaleão viáveis em território nacional. Não faz sentido nenhum pôr passadiços paralelos à linha da costa entre Monte Gordo e a Goz do Guadiana, na zona onde os camaleões vivem e se reproduzem, as dunas. Ainda por cima estamos a falar de uma área onde a pressão humana é enorme no mês de Agosto, o mês em que esta espécie acasala...

    Eu ainda sou do tempo em que estas coisas geravam grande polémica e não avançavam. Agora parece que há uma anestesia geral. Mas afinal quem é que manda na Mata Nacional? A presidente da câmara de Vila Real de Santo António, a Reserva Natural do Sapal, o ICNF, o Ministério do Ambiente? Ainda gostaria de saber quem decidiu e quem deu ordem para abrir a barra em frente a Cacela Velha. Houve estudo de impacto ambiental? E quem decidiu o corte de pinheiros na mata? A rarefacção é evidente. Estão a ser plantadas novas árvores para substituir as que têm sido abatidas? Para onde está a ir o dinheiro da venda da madeira?

    Ainda por cima tudo com contratos por ajuste directo que cheiram muito mal.

    https://www.publico.pt/2019/09/03/politica/noticia/doze-contratos-vrsa-olhao-1884938

    Os passadiços são as novas rotundas das autarquias e se esta moda não for denunciada o desperdício de dinheiro dos contribuintes vai continuar. Ainda por cima estamos a falar da instalação de passadiços em áreas muito sensíveis (dunas, lagoas, sapais) onde a presença humana não deve ser incentivada, muito pelo contrário.

    Sonho com o dia em que a pressão pública e política obrigue à remoção de muitos desses passadiços.
     
  4. Illicitus

    Illicitus
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    Cirrus

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    A Lagoa dos Salgados encaixa bem nesta temática. Infelizmente, se a memória não me está a atraiçoar, será em breve sujeita ainda a mais pressão, pois há mais construção a caminho.
     
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  5. Pedro1993

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    Já me tinha apercebido dessa frágiil situação, pois cada vez mais tenho visto, os municipios a colocarem passadiços de madeira, em locais de grande fragilidade de fauna e flora, desde o impacto destas obras, até depois á pressão humana, que cada vez mais é maior. Acho que este tipo de obras deveria de ter alguma legislação especial, regulada claro, porque quem de direito, nãp podemos colocar sempre em 1º lugar, o turismo, em muito casos é bom, mas tem de ser com moderação.
     
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  6. Pedro1993

    Pedro1993
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    Desconhecia completamente esta situação, não sei o que vai na cabeça destas pessoas quando aprovam este tipo de projectos, eu faço observação de aves, com muita regularidade, mas a partir de observatórios, ou mesmo mais escondido debaixo, de uma copa de árvore.
    É surreal, criar um passadiço, literalmente a atravessar toda uma zona húmida, extremamente importante, para as aves e anfíbios também, os fundos comunitários(PEDU), também tem sido uma machadada, em centros históricos das cidades, ou mesmo em zonas de importancia como esta.
     
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  7. Crazyrain

    Crazyrain
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    Cirrus

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    Os passadiços podem ser um excelente meio promotor da ligação entre as pessoas e os meios naturais , um bom fator de educação ambiental .

    Não se quer proteger aquilo que se desconhece .

    Outra coisa é a localização dos passadiços . Não se pode pôr passadiços a atravessar reservas naturais e a perturbar a fauna e a flora , acho que isso é mesmo a antítese da criação dos passadiços .

    Há que estudar bem a criação dos percursos antes de avançar .
     
  8. Pedro1993

    Pedro1993
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    Super Célula

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    Claro, os passadiços pode contirubuir muito para a economia local, para o turimo, agricultura e desenvolviemnto rural,não tenho nda contra, apenas devem de ser instalados no local correcto, os passadiços do paiva, veio ajudar muito ao desenvolviemnto de toda a região, isto é a minha opinião, claro que quem está lá mais perto, pode não ter a mesma, e seja ela positiva ou negativa.
     
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  9. frederico

    frederico
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    Exacto. Mas não devem ser colocados em áreas sensíveis, de nidificação. As lagoas, os sapais, não devem ter presença humana. Senão as aves não nidificam. Ainda há uns tempos li que querem fazer um percurso novo na ribeira de São Lourenço, no Ludo. Aquilo é das zonas mais sensíveis para a avifauna. já tem um aeroporto ao lado e ainda vão pôr um percurso que vai aumentar ainda mais a presença humana, desnecessariamente. Não basta ter de um lado um aeroporto e do outro uma mega urbanização, a Quinta do Lago.

    A Lagoa dos Salgados e a Ria de Alvor deveriam ser pequenas reservas naturais, como há no litoral espanhol para preservar pequenas zonas húmidas.

    Em 10 anos o Algarve vai estar recheado de casas vazias e abandonadas. As novas gerações não são adeptas de comprar casa na região, preferem as escapadelas em low cost a cidades europeias. Há uma geração que comprou casa no Algarve nos anos 70, 80, 90, que estão agora a morrer e os herdeiros estão a começar a vender para não pagarem IMI nem contadores. Os franceses vão desaparecer para outras paragens com o fim dos benefícios fiscais. Com o fim dos vistos gold e com o Brexit, os ingleses também vão desaparecer para outros países. Bem podem começar essas urbanizações mas nem sei se as vão terminar, e que não falta no Algarve são projectos falidos e parados.
     
  10. frederico

    frederico
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    Plantar árvores no sotavento não é a mesma coisa que plantar noutras regiões de Portugal. Devem ser plantadas sempre em Outubro ou Novembro após as primeiras chuvas, para que as raízes tenham tempo de crescer até ao Verão. É indicado dar alguma sombra às àrvores jovens nos primeiros anos e estar sempre atento às regas, pois com a redução da precipitação pode ser necessário regar a partir de Março, pelo menos nos primeiros anos. Já fiz algumas experiências e folhosas como tílias ou faias não se aguentam sequer com rega, a insolação no Verão é muito forte. O castanheiro no sotavento só se aguenta em vales frescos da serra, onde apanhe a sombra dos montes. Para quem está no sotavento algarvio e Algarve Central recomendo estas espécies para uso em jardinagem pois são nativas ou da nossa latitude e adaptam-se bem aos solos e clima do litoral e barrocal:

    - freixo
    - choupo
    - álamo
    - Lódão-bastardo
    - Carvalho-cerquinho
    - Amoreira (só em solos profundos)
    - Nogueira (só em solos profundos)
    - pinheiro-manso
    - pinheiro-marítimo
    - pinheiro-de-Alepo
    - plátano
    - azinheira
    - sobreiro
    - cipreste-mediterrânico
    - medronheiro
     
  11. frederico

    frederico
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    Um exemplo do que não deve ser feito e de como estoirar dinheiro é a sede da Reserva do Sapal da Reserva do Sapal de Castro Marim. Feita no meio da reserva, sem acesso por transportes públicos, um edifício com uma volumetria exagerada que aumentou a presença humana numa área muito sensível. O dinheiro que deveria ter sido utilizado para recuperar áreas de sapal secas pelo Homem e salinas artesanais foi enterrado neste elefanto branco. Faria muito mais sentido a sede estar no centro da vila de Castro Marim.

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  12. Pedro1993

    Pedro1993
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    É aqui mesmo neste local, que os nosso governantes teimam em construir o novo aeroporto do Montijo, será que eles já pensaram na sua importancia, e no perigo que as mesmas representam á aviação.

     
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    Dan, belem, Thomar e 3 outras pessoas gostaram disto.
  13. algarvio1980

    algarvio1980
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    Super Célula

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    21 Mai 2007
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    Olhão (24 m)
    Sabes, que em Portugal, a moda é quando fazem "marosca" muda-se o nome e as coisas ficam abafadas. Agora tens a APA (Agência Portuguesa do Ambiente) que antes era conhecida por ARH (Administração da Região Hidrográfica), ora no Algarve sabemos quem era presidente era a Valentina Calixto. :D Também, a Polis da Ria Formosa é outra entidade que não serviu para nada, destruiu a barra da Fuzeta que o mar abriu naturalmente, fechou e abriu outra que está sempre assoreada na baixa-mar e em Cacela Velha fez o mesmo, são tudo engenheiros da batata porque de dinâmica costeira não percebem nada.

    Não te esqueças, que a Quinta de Marim também tem camaleões lá, por enquanto estão protegidos no futuro não sei, no tempo do Sócrates aquilo era para fazer um valente PIN desde daí até à rotunda na EN125 que dá acesso para o Nó da A22. :D.

    Bendita crise que parou com os disparates senão mais parecia uma selva, mas não tarda precisamos de outra crise para parar mais disparates que se vão vendo por aí.
     
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  14. trovoadas

    trovoadas
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    Cumulonimbus

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    3 Out 2009
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    loule-caldeirao
    Subescrevo o que referes.
    A Febre é tanta agora que acho que já se esqueceram do passado... Também não sei onde vai haver gente para tanto "barraco" para além da ameaça climática, diga-se seca, que é bem real e pode fazer fugir muita gente. Em vez de fazerem projetos sustentáveis e não caírem nos erros do passado, como tanto se falou durante a crise continuamos com o mesmo paradigma. Bom parecemos uns "Velhos do Restelo"... Profetas da desgraça e anti-progresso...
    Salvo projetos isolados o Algarve anda a adiar a sustentabilidade e a meu ver já nem tem hipótese de recuperar. Já se falou tanto e nada foi feito. Já agora porque não pode haver sustentabilidade sem ser "Lux"?...
     

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