Central Nuclear em Portugal - realidade ou utopia?

Paulo H

Cumulonimbus
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Energia nuclear exige uma agência de segurança excepcional, de elevada competência técnica e cientifica, independente e incorruptível. É uma coisa que para ser bem feita tem elevados custos que num país pequeno como Portugal não deve fazer muito sentido. Construir toda uma infraestrutura de estudos, fiscalização, gestão, controlo, etc, só para uma central ? Uma coisa é um país como a França que gere dezenas de centrais, outra é um país pequeno como Portugal. Faz mais sentido uma empresa portuguesa ter activos por exemplo numa empresa francesa ou espanhola que detêm muitas centrais , do que construir uma central isolada aqui. E se um dia mais tarde essa necessidade se tornar inevitável, faz mais sentido a tal agência de segurança e a empresa ser transnacional.

E uma agência em Outsourcing, porque não?

Desde que não fosse mais uma parceria público-privada.. Porque outsourcing de serviços até já nos vamos habituando, aliás, estamos no caminho do e-government (versão ângela merckel) uma versão beta do FMI! :)

Ps: apenas uma possibilidade, nada que eu deseje ter para Portugal!
 

Knyght

Cumulonimbus
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Ex-secretário de Estado aconselha Portugal a investir em energia nuclear disse:
Pedro Sampaio e Nunes, antigo secretário de Estado da Ciência, defende que, apesar do que está a acontecer no Japão, um eventual investimento de Portugal em energia nuclear podia resolver muitos dos problemas relacionados com “a competitividade da economia”.



Sampaio e Nunes aconselha Portugal a investir em energia nuclear

O ex-membro do Governo de Santana Lopes, que é especialista em energia nuclear, considera que “para podermos dispor de energia limpa e barata, faz todo o sentido pensar no investimento nuclear”, o qual, na sua opinião, acaba por "não ser" tão pouco seguro como se tem falado.

“Podemos ver que, no Japão, dos 15 postos da central de Fukushima, apenas quatro entraram em grandes dificuldades e isto depois do maior sismo possível. Com os reactores de nova geração nada disto teria acontecido”.



"Situação no Japão é muito grave mas tem de ser relativizada"

Em declarações à Renascença, Pedro Sampaio e Nunes reconhece, no entanto, que a situação japonesa “ é muito grave”, mas lembra que “tem de ser relativizada e posta em contexto". "Não nos podemos deixar embarcar por uma alarmismo excessivo."

O Governo japonês tem desenvolvido esforços, ao longo dos últimos dias, para evitar consequências maiores e, na opinião do ex-secretário de Estado, “tem feito tudo o que deveria ser feito". "Isto é, fizeram a evacuação das pessoas para um perímetro de segurança: inicialmente de 10, depois passou para 20 e depois para 30. Distribuíram tabletes de iodo e aconselharam as pessoas a manterem-se em casa."

O especialista em energia nuclear destacou ainda uma outra medida do Executivo japonês, que passou “pela preparação da população para a pior das hipóteses possível, que era uma explosão do tipo Chernobyl”.



Explica o que está a acontecer na central nuclear de Fukushima

Segundo a Agência Internacional de Energia Atómica, durante o dia de hoje não houve quaisquer sinais de agravamento da situação na central de Fukushima. Pedro Sampaio e Nunes explica que “o que tem acontecido são libertações de gases no interior dos reactores, quer seja hidrogénio, quer sejam substâncias radioactivas e vapor, no sentido de aliviar a pressão para evitar que os reactores cheguem a uma situação que poderia arriscar a explosão”.

Ao longo das últimas horas, as autoridades japonesas têm estado numa verdadeira luta contra o tempo, no sentido de diminuir as temperaturas que se fazem sentir nos reactores.
Perderemos competitividade com energia cara!
 

Vince

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Ex-secretário de Estado aconselha Portugal a investir em energia nuclear

Com os reactores de nova geração nada disto teria acontecido”.

Eu não entendo como é que alguém pode afirmar isto sem ser com alguma ligeireza. Mantemos-nos ainda em plena crise, não sabemos sequer a dimensão exacta dela, de como estão na verdade os reactores, primeiro tem que resolver o problema, depois a investigação e inquérito ao que aconteceu levará meses ou mesmo anos. Até é um bocado de mau gosto para não dizer pouco inteligente (para os próprios interessados na industria) nesta altura em que o Japão ainda vive o drama disto estar a levantar-se o tema da central em Portugal.

Como pode alguém afirmar que nas centrais de 3ª geração isto não aconteceria ? Que eu saiba o que falhou até foi uma coisa secundária, o sismo afectou o fornecimento de energia e o tsunami afectou os geradores diesel de emergência, e isso nada tem a ver com o design dos reactores de 3ª geração. Pode especular-se que nesta 3ª geração não teria havido explosão de hidrogénio, ou que caso os reactores tenham fundido parcialmente, essa fuga seria contida por baixo, mas sem geradores diesel os reactores aqueceriam na mesma e as consequências seriam as mesmas ou outras quaisquer.
O problema com os acidentes é que nunca conseguimos prever tudo o que pode acontecer. Se conseguíssemos prever tudo, o mundo era muito lindo, não haveria acidentes de avião, acidentes de spaceshuttle, etc,etc.


Perderemos competitividade com energia cara!

E qual é o custo da nuclear ? É que há números para todos os gostos, não sou eu que sei qual é a verdade e duvido que tu também saibas, cada lobby puxa os números para onde lhe dá jeito. Custos baixos numa central isolada num país pequeno para mim devem ser mito. Já li contas em que o nuclear ficava até mais caro que as subsidiadas eólicas. E nesses custos não vem o risco como expliquei anteriormente. O Japão se tudo correr bem, conseguirá mitigar a situação, mas mesmo que o problema não se torne grave, os custos de tratar daquilo vão ser enormes e a central está perdida.

Mas sobre custos, vamos a alguns factos concretos que nos dizem respeito a nós por exemplo.
A central que algumas pessoas querem construir em Portugal é o chamado ERP, European Pressurized Reactor, uma central nuclear de 3º geração.

As duas primeiras em construção (early adopters) são a Olkiluoto 3 na Finlandia e Flamanville 3 em França.
Uma das coisas que não gosto é logo ser nova tecnologia. É bom ter a última tecnologia, supostamente mais segura, mas em actividades de alto risco nunca é assim tão bom, prefiro tecnologia amadurecida. Sabiam que por exemplo os sistemas aviónicos que são usados na industria espacial são bastante "desactualizados", e não coisas muito recentes ? Precisamente porque confiam mais em tecnologia com bastantes anos do que em coisas muito recentes.

Regressando ao ERP, no caso da Finlândia, a central começou a ser construída em 2005, era para estar finalizada em 2009, mas as últimas previsões apontam apenas para 2013. De um custo previsto de 3,3 mil milhões € já derrapou até agora para os 6 mil milhões € !

Em França a situação é idêntica, derrapagem de 3,3 para 5 mil milhões, entrada em funcionamento adiada para 2014, custos provavelmente a derrapar ainda mais até lá.

Com o acidente do Japão, é natural que os custos aumentem ainda mais, mais investigação, mais regras, mais fiscalização, etc,etc.

Eu nem sequer sou fundamentalista anti-nuclear, como referi antes, se não houver grandes progressos na energia nos próximos 20 anos provavelmente o nuclear será inevitável mesmo cá. Mas também disse que só acho isso viável com economia de escala, de entidades que fiscalizam e gerem dezenas de centrais, e não uma ou duas isolada.




Para Portugal além da dimensão do país em gerir tudo isso o meu receio é este, nós temos na nossa história um destes excepcionais sismos que a Terra é capaz de produzir. E não sabemos se não podemos voltar a ter, seja já daqui a bocado, seja daqui a mil anos. E se um dia tivermos que lidar com isso já teremos problemas que cheguem para resolver para além duma crise nuclear. Há muitos países onde esse risco é muito menor, não é o caso de Portugal.

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http://en.wikipedia.org/wiki/Megathrust_earthquake

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http://www.ngdc.noaa.gov/hazard/tsu_travel_time_events.shtml
 

Knyght

Cumulonimbus
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E qual é o custo da nuclear ? É que há números para todos os gostos, não sou eu que sei qual é a verdade e duvido que tu também saibas, cada lobby puxa os números para onde lhe dá jeito. Custos baixos numa central isolada num país pequeno para mim devem ser mito. Já li contas em que o nuclear ficava até mais caro que as subsidiadas eólicas. E nesses custos não vem o risco como expliquei anteriormente. O Japão se tudo correr bem, conseguirá mitigar a situação, mas mesmo que o problema não se torne grave, os custos de tratar daquilo vão ser enormes e a central está perdida.

Se existir um terramoto em Lisboa de 9 achas que alguma coisa irá se manter de pé? Hoje!?
Uma coisa é certa se existir uma central nuclear em Portugal vai ter se ser construída com os mais altos standarts impostos pela agência internacional de energia atómica e não por algum engº de fim-de-semana como o Sócrates

Muito sinceramente Vince...
Eu coloquei um texto de alguém que parece ser mais competente do que eu e tu, agora imaginem quanto não estamos a perder para a Espanha por estamos a ser idealistas.
Não estou para mais pm's de posts apagados...

P.S:. Foi uma entrevista transcrita da renascença
 

Vince

Furacão
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23 Jan 2007
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:huh:
Eu comentei umas declarações do senhor, tens algo a dizer ou a discordar ? Parece que não.
E comentei uma fase tua sobre o custo ? Tens algo a dizer ? Parece que não.
O resto é para encher chouriços.
 

Agreste

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Pânico em Almaraz por falso alarme nuclear

Guarda Civil Espanhola investiga sabotagem no sistema de alerta:

Eram quase 10 horas da manhã quando a Presidente da Câmara de Almaraz, Sabina Hernandez, que estava no seu gabinete, ouviu a pior mensagem que poderia imaginar - "Alarme Nuclear!! - Dirijam-se aos pontos de encontro!! - Alarme Nuclear!! "- surgiu repetidamente no sistema de alerta à população, que existe para o caso de a pequena aldeia se poder tornar algum dia numa pequena Fukushima. Mas não era o caso. Uma falha ou possível sabotagem provocou o disparo do alarme. O pânico gerado na população, foi enorme.

"Foi um alarme social e não um alarme nuclear. Evidentemente todas as pessoas saíram à rua", disse Hernandez. Almaraz de 1400 habitantes tornou-se imediatamente numa colmeia. Felizmente, explica, "as crianças estavam num acampamento de verão". O Director das Relações Institucionais da Central Nuclear esteve na praça principal da pequena localidade para garantir que não tinham nenhum problema. Um dos reactores estava parado para receber combustível e o outro estava a funcionar a 100%.

O alarme tocou durante 15 minutos até ser desligado. O que tinha acontecido? A “alcaldesa” fala apenas "numa falha", mas a Guarda Civil e a Polícia estão a investigar a sabotagem. O alarme só pode ser activado a partir da sub-delegação do Governo ou de uma empresa em Madrid contratada para gerir o Serviço de Protecção Civil da população.

Hernandez insiste que o dispositivo de alarme funcionou perfeitamente, como se fosse real. Os responsáveis da Central demarcam-se do problema: "O sistema, a manutenção e a gestão que são alheios à Central Nuclear de Almaraz, reproduziram uma mensagem de apelo à população para que se concentrassem nos pontos estabelecidos". Embora falso, de todos os níveis de alarme, aquele que foi activado foi o mais grave.

O responsável da campanha anti-nuclear - Ecologistas em Acção, Francisco Castejon, disse que “o pânico que se viveu em Almaraz mostra como os planos espanhóis sobre o nuclear são mal aplicados e que os presidentes de câmara não conhecem os níveis de alarme nem sabem bem o que fazer. Além disso, em sua opinião, tornou-se evidente a falta de coordenação entre os Municípios, Protecção Civil, Guarda Civil e Conselho de Segurança Nuclear: Os exercícios não são levados a sério e vemos agora que as pessoas não estão preparadas e não sabem o que fazer."

Os Municípios têm vindo a exigir há anos melhorias na infra-estrutura nuclear e até coisas básicas, como boa cobertura de telefonia móvel em caso de um acidente nuclear.
 

Lousano

Cumulonimbus
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12 Out 2008
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Lousã/Casais do Baleal
Números assustadores:

Custo do acidente nuclear de Fukushima pode chegar aos 100 mil milhões de euros

A Tepco, empresa gestora da central nuclear de Fukushima atingida pelo terramoto e tsunami que abalaram o Japão a 11 de Março de 2011, diz que poderão ser precisos 100 mil milhões de euros para reparar os estragos. Este valor, o dobro do estimado inicialmente, inclui a descontaminação da zona e as indemnizações às vítimas.

Segundo a imprensa japonesa, a empresa prepara-se para pedir ao Governo que cubra parte dos custos. Esse pedido deverá ser feito nesta quarta-feira, dia em que a Tepco apresenta o plano de gestão para os próximos dois anos.

“Precisamos de discutir com o Governo as necessidades tendo em conta os vários cenários”, disse o presidente da Tepco, Kazuhiko Shimokobe, quando questionado por um jornalista sobre o risco de duplicação dos custos previstos inicialmente pelo grupo.

“Neste momento ainda não sabemos qual será o custo total, porque os valores necessários para a descontaminação e as compensações às vítimas são calculados por trimestre, mas se ultrapassar os cinco mil milhões de ienes (48,5 mil milhões de euros), a empresa vai ter problemas”, disse Kazuhiko Shimokobe, citado pela AFP.

A Tepco foi nacionalizada no Verão, com o Estado japonês a injectar mais de dez mil milhões de euros. Nessa altura, a empresa estimava que os custos totais da catástrofe rondassem os 48,5 mil milhões de euros, mas agora admite que este montante não é suficiente.

“É inevitável que tenhamos de rever o actual modelo de apoio financeiro”, disse o presidente da Tepco numa conferência de imprensa, nesta quarta-feira. De acordo com o plano de gestão apresentado em Maio, a empresa terá de reembolsar o Estado pelos fundos recebidos.

Mesmo assim, os 100 mil milhões de euros não cobrem os custos relacionados com o desmantelamento dos quatro reactores nucleares danificados na central de Fukushima Daiichi. Esta operação vai durar cerca de 40 anos e exige o desenvolvimento de novas tecnologias e a formação de milhares de técnicos especializados.

A catástrofe nuclear de Fukushima, considerada a mais grave desde Tchernobyl, na Ucrânia, em 1986, libertou radioactividade para o ar, para a água e os solos da região. Cerca de 150 mil pessoas, que moravam a 20 quilómetros da central ou em localidades contaminadas, foram forçadas a abandonar as suas casas devido aos riscos para a saúde.

Fonte: Público