Ciclone de 15 Fevereiro 1941 em Portugal

Tópico em 'Eventos Meteorológicos' iniciado por remy 9 Fev 2007 às 19:44.

  1. Vince

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    Furacão

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    Chingula, haverá a possibilidade destas pressões serem as reais e não as ajustadas ao nível do mar ?
     
  2. rozzo

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    Eu sinceramente penso que terão mesmo de ser, até porque ajustando todas ao nível do mar, ficam não só razoáveis, como semelhantes entre si para locais pouco distantes..
    ;)
     
  3. Chingula

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    Cumulus

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    Os valores dos Intitutos Geofísicos (Lisboa, Coimbra e Porto) merecem-me toda a credibilidade e por convenção (só se pode comparar o que estiver, à partida, nas mesmas condições) a pressão atmosférica (para efeitos sinópticos) é medida e calculada, em relação ao nível médio do mar. Nas estações de altitude o nível de referência já será outro...por exemplo para as Penhas Douradas será o nível dos 850 hPa, utilizando-se então o geopotencial da estação.
     
  4. rozzo

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    Eu ao dizer que penso ser os valores ao nível da estação e não ao nível do mar não estou a tirar credibilidade aos Institutos Geofísicos. Longe disso! ;)

    Então a pressão num local é um valor concreto que é medido. A pressão ao nível do mar é uma conversão feita logo na altura utilizando a formula hipsométrica, simples, com a altitude do local, densidade do ar, e temos a pressão reduzida ao nível do mar, e como foi bem dito, utilizada para termos uma comparação "justa" entre estações a altitudes diferentes claro, visto em dezenas de metros haver logo variações de vários hPa.

    Neste caso de 1941, para os valores atrás mencionados, eu fiz a conta para experimentar converter ao nível do mar (supondo que não estão) e utilizando a altitude dos locais mencionados, e sinceramente continua-me a parecer muito mais lógico que sejam valores da pressão não reduzidos ao nível do mar.
    Por vários motivos:

    1) A diferença entre eles, avassaladora.
    2) O facto de fazendo essa conta, locais próximos terem valores coerentes.
    3) Esses valores já fazerem mais sentido com a carta de reanálise, embora esta deva ser vista com cautela óbvio, mas dos 970 até aos 930 é um erro muito grande mesmo para uma reanálise penso eu...

    Seja como for, eu não acho estranho o facto de aparecerem valores não convertidos ao nível do mar. Ainda no outro dia em conversa com o Vince acerca de uma depressão em forte cavamento nas Baleares, se teve essa dúvida por ver em Synops valores altamente diferentes à mesma hora na mesma estação, e depois se reparou que era por isso mesmo, um estava reduzido ao nível do mar, e outro não.

    Mas claro, não vou jurar isto a pés juntos, posso estar errado e ser mesmo a pressão reduzida ao nível do mar, mas então nesse caso a reanálise é muito má, e fico simplesmente assim com os valores:
    :surprise:

    Mas mantenho a opinião que aquele recorte com valores de pressão se refere a valores não convertidos ao nível médio do mar! :)
     
  5. Chingula

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    Cumulus

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    Académicamente, a minha opinião é que a variação dos valores da pressão registados em 15 de Fevereiro de 1941, por várias entidades sem estar interligadas numa perspectiva comum, como existe actualmente (observações à mesma hora por exemplo) se deve mais ao cavamento rápido da pressão próximo da região Centro ao largo da Figueira da Foz (Coimbra registou o valor mais baixo) e, posteriormente, em paralelo com o deslocamento da depressão para nordeste deu-se o seu enchimento também rápido...quanto à questão da conversão do valor da pressão da estação para o nível do mar, nessa época, já havia indicações nesse sentido, embora não tendo a certeza, me apoie na maior credibilidade das observações dos Institutos Geofísicos...pois são as entidades no País que têm as séries mais longas...embora nos últimos anos tenha havido alguns problemas que não cabem neste comentário.
     
  6. Vince

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    Furacão

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    As reanálises não tem de facto fidedignidade muito grande, penso que devem ser encaradas como esboços gerais da atmosfera, com algumas reservas. As das décadas seguintes já parecem mais consistentes com mais dados. Lembro-me que quando foi a depressão do Oeste a mesma ficou classificada em várias análises como tendo uns 980 quando na verdade teve 969, e se calhar lá vai aparecer nos arquivos para o futuro com esses valores e não os reais. Não sei....

    Mas isso também pode ser contrabalançado com os modelos, falando do que vem aí, nós quando vemos um modelo global como o GFS ou ECM a indicarem 970 por exemplo, a pressão mesmo no centro pode ser uns bons 10 hPa's a menos, mum mesoescala é sempre mais baixo que no global que o inicializou, e mesmo o mesoescala pode subestimar ainda um pouco mais. Na depressão do Oeste penso que houve uma rara oportunidade de um cavamento profundo passar exactamente sobre uma estação meteorológica, uma coisa que não acontecerá todos os dias pois não se andam a largar sondas no centro dum ciclone como os americanos fazem por exemplo com os ciclones tropicais no Atlântico.

    Em relação aos dados de 1941, eu também não ponho de parte essa hipótese, como são coisas antigas, podem ter sido registadas de várias formas e por qualquer razão os dados que sobreviveram até hoje não serem os ajustados ao nível do mar. Mas claro, é apenas especulação. Mas como compreender algumas dessas pressões nesta latitude? Complicado não é ?
     
  7. irpsit

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    Em princípio se ajustarmos os valores ao nível do mar, daria qualquer coisa como:
    Porto 959mb
    Coimbra 952mb
    Lisboa 953mb
    Évora 982mb
    Tavira 985mb

    (usei a regra aproximada de 10mb por cada 100 metros de altitude)

    Mesmo assim a pressão mínima deveria andar nos 950mb, caindo 50mb em algumas horas, o que é algo recorde!
     
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  8. stormy

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    é o que dá estarmos numa area com oceanos amenos, facilidade tanto em advecções tropicais fortissimas como em advecções polares maritimas intensas e ocorrencia de ondulações do jet favoraveis...
    no dia em que toda a "poção" se junta as condições para estas depressões explosivas ( "shapiro-keyser", "seclusoes quentes", etc) tornam.-se basicamente perfeitas:shocking::)
     
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  9. David sf

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    O melhor relato que encontrei desta situação, principalemente da vertente meteorológica:

    daqui:

    http://www.divulgameteo.es/uploads/Febrero-1941.pdf
     
  10. Chingula

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    Li o artigo e parece que só a Espanha foi afectada pela ciclogénese de 15 de Fevereiro de 1941...
    Em Ciência o que acontece não tem fronteiras...
     
  11. Chingula

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    Na próxima Terça-feira dia 15 de Fevereiro "comemoram-se" 70 anos do chamado ciclone de 1941...que em termos espaciais, toda Península Ibérica, deve ter sido a situação meteorológica, em que a pressão atmosférica, à superfície, atingiu o seu valor mais baixo e o vento foi mais intenso...desde que há registos...
     
  12. irpsit

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    Aqui na Islandia tenho experienciado depressoes muito cavadas este inverno.

    Tive uma vez em Janeiro uma pressao minina de 958mb (nivel do mar)
    E tenho tido várias vezes ventos a ultrapassaram os 110km/h.

    Portanto acho perfeitamente razoavel o cenário duma depressão dessas a atingir Portugal em 1941 e novamente no futuro.
     
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  13. algarvio1980

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    Excelente artigo. Não podia faltar a referência ao fórum:thumbsup:
     
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  14. algarvio1980

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    Super Célula

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    Factos impressionantes que não deixam ninguém indiferente. :shocking::surprise:
     
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  15. Aurélio

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    Ondas de 50 metros de altura???

    E já agora porque não 200 ou 300 metros de altitude, caramba que esta gente exagera sempre imenso .... no que toca a contar factos !!
     

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