Como eram e quem eram os Portugueses nativos?

Tópico em 'Biosfera e Atmosfera' iniciado por belem 26 Jan 2013 às 20:40.

  1. frederico

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    Tavira também teve uma importante comunidade judaica, que dominou a economia da cidade até à expulsão dos judeus. Curiosamente, o início do declínio de Tavira começa com a expulsão deste povo. Tavira chegou a ser a terceira cidade mais importante do país no reinado de D.Manuel I. A minha família é de Tavira e tem apelido de origem judaica. Quem sabe, talvez descenda de cristãos-novos. Na região diz-se que os tavirenses «guardam na gaveta», a origem desta expressão é muita antiga e está relacionada com a comunidade judaica que existiu na cidade, os judeus tinham fama de ser usureiros e «forretas».

    O Algarve foi um ponto fantástico de cruzamento de diferentes povos:

    - berberes
    - árabes
    - fenícios
    - cartagineses
    - tartessos
    - cinetes (celtas)
    - gregos
    - romanos
    - povos germânicos
    - judeus
    - francos

    Fez ainda parte do Império Bizantino durante um curto período de tempo.

    Não há região portuguesa com tanta mistura quanto o Algarve.
     
  2. belem

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    Primeiro subtipo: Berid.





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    Nadal



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    Cláudia Vieira
     
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    #62 belem, 15 Mar 2013 às 18:04
    Última edição: 3 Out 2015 às 00:38
  3. belem

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    Na Sardenha, também existem Berid:

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    «Measurements and indices of the head and face related the Sardinians to the smaller Berber groups and to the Portuguese, and this resemblance is confirmed by the study of modern Sardinian crania, which show that the Sardinians are low-vaulted dolichocephals and mesocephals, with short faces and skeletally mesorrhine noses. Among Sardinian crania are a number which show a combination of prognathism, a primitive condition of the lower border of the nasal aperture, and extreme dolichocephaly. Regional studies within the island show that among the living population the inhabitants of the more remote mountain villages are shorter-statured, longer-headed, and more purely brunet than are those living nearer the coast. The relatively great antiquity of the most primitive small Mediterranean type is indicated, while at the same time the Nordic nucleus found in Corsica seems to be lacking here.»

    Carleton Coon
     
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    #63 belem, 18 Mar 2013 às 15:07
    Última edição: 4 Out 2015 às 22:22
  4. belem

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    Outro subtipo Atlanto-Mediterranean:




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  5. Paulo H

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    Era interessante se houvesse um método, que nos permitisse identificar com um ou mais sub-tipos.. Tipo chave dicotomica para identificação de plantas.
     
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  6. belem

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    E existem, mas agora seria complicado, pôr aqui tudo.

    Mas pode-se colocar alguma coisa (sobre o Atlanto Med, por exemplo):

    «Tall, straight-nosed and strongly dolichocephalic Mediterranid type, the living equivalent of the skeletal Megalithic type (in the typology of Coon). It is markedly taller and more robust than the Gracile-Mediterranean type, by which it is outnumbered, and with which it is often mixed. The Atlanto-Mediterranid type is an important population element in the Iberian peninsula (prevailing in Catalonia and Valencia), in Italy, and northward along the western European coast, reaching the British Isles in mixed form (cf. North-Atlantid).»
     
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  7. belem

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    Berid/Ibero-Insular (?)


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    #67 belem, 19 Mar 2013 às 12:13
    Última edição: 17 Mar 2016 às 23:04
  8. belem

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    Interessante esta opinião: «Cro-Magnon" is a type of Upper Paleolithic man who mostly lived in Western Europe. In my mind their descendents in typology are the Atlanto-Meds who have the same contours to the skull but shorter with the face and skull more elongated. Wherever you find Atlanto-Meds today, there once existed Cro-Magnons in that same area.

    Cro-Magnons in the Pleistocene had long skulls, short faces, beaky noses, square jaws, orignathous faces. They were tall. They would be recognized today if they walked around among as as being of European ancestry.»

    Estudo baseado nos restos mesolíticos de Muge:
    «Denise Ferembach (1974) could only inventory 136 "more or less complete" individuals from Cabeço da Arruda and Moita do Sebastiãoo: 25 percent were under fifteen years of age (two-thirds of those were under five), and among the adults of all ages, from eighteen to over fifty, that could be sexed, men (sixteen) predominated over women (nine). Ferembach's study's main concern was still the establishment of a "racial diagnosis." It was concluded that the "protomediterranean" type predominated and that there were also small and gracile "cromagnoids," ... " and "mixed protomediterranean-cromagnoid" people. Since this mix still exists in modern-day Portugal, a large degree of population continuity until the present was inferred
     
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    #68 belem, 26 Mar 2013 às 22:02
    Última edição: 4 Out 2015 às 22:52
  9. frederico

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    Tenho uma amiga, natural da Pampilhosa, que é claramente Berid.


    Adiante.

    Andei a ler um livro sobre o sotavento algarvio e apanhei uns pormenores interessantes.

    Em primeiro lugar parece que no sotavento houve producção de castanha, pelo menos no século XVIII havia. É estranho, hoje em dia não conheço nenhum castanheiro na zona mencionada, a aldeia do Faz Fato. Mas a Serra de Aracena tem condições climáticas idênticas à serra de Tavira, e actualmente ainda tem muitos e belos soutos. A aldeia do Faz Fato tem uma precipitação média anual próxima dos 700 mm, aos 200 metros de altitude, mas bem perto há zonas com mais de 800 mm. Perguntei a alguns locais se tinham conhecimento da presença de castanheiros na zona, no passado. Nunca ouviram falar de tal coisa.

    No entanto a vegetação destas serras desapareceu com as campanhas do trigo, ficaram apenas algumas árvores isoladas em vales mais inacessíveis, portanto é bem possível que com os incêndios e as campanhas do trigo a producção de castanha tenha desaparecido das serras de Tavira e Cacela.

    Ora outro dado que me surpreendeu pela análise de documentos históricos diz respeito à carne de porco. Hoje em dia o porco é um importante elemento da dieta da serra algarvia, e é provavelmente a principal fonte de proteínas dos mais carenciados. Contudo parece que no passado a carne de porco não fazia parte da dieta dos locais, que ingeriam carne de cabrito, vaca, javali, veado, lebre, perdiz, coelho ou borrego. Provavelmente são reminiscências dos tempos em que os árabes dominavam a região e havia uma enorme comunidade judaica, e que ficaram até há 100 ou 200 anos!

    Pude ainda confirmar o local de avistamento do último lobo na zona, segunda uma senhora com perto de 90 anos. Ocorreu entre a aldeia do Pego dos Negros e os Cintados, num ribeiro que desagua na ribeira do Beliche, há mais de 70 anos...
     
  10. João Pedro

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    Interessante. Serão daí as minhas origens? :D Sempre me interroguei de onde viriam os genes da minha mãe, loirinha e de olhos azuis e nascida no coração do Alentejo! E eu saí quase igual à minha mãe, salvo as óbvias diferenças! :lol:
     
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  11. belem

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    Também conheço pessoas que são Berid e por vezes, também vejo na rua pessoas deste género (ainda que sejam raras). Mas tenho visto mais desta gente, nas zonas rurais.
    Como também tenho boas influências deste subtipo, uma mulher Berid para mim, é muitas vezes atraente.
    Talvez isso explica a persistência deste fenótipo até aos dias hoje.


    É engraçado que já vi pessoas acharem que os «Berid» não eram portugueses e sim «produto» oriundo de alguma paragem exótica.
    Mas as análises genéticas e fenotípicas, falam-nos de uma linhagem nativa pré-histórica.

    PS: Atenção que os portugueses nativos, não eram todos «Berid».
    Havia alguma variação entre os nossos Cro-magnon, mas não tinha muito a haver com a variação que vemos nos dias de hoje. Mas dos grupos pré-históricos, têm sido identificados, na população portuguesa: Protomediterraneans, Coarse-Mediterraneans (alguns com possível e visivel contribuição do Neanderthal), Small Mediterraneans (alguns gráceis, outros apenas mais pequenos) e um subtipo de desenvolvimento mais lateral (cromagnoid?) com afiliação ainda por definir.
    Estive a ver fotos de gentes das nossas serras, de pastores e de gentes do campo, e realmente pode-se ver que ainda persistem algumas linhagens nativas. Aquela mulher robusta de ar rude e expressão forte, afinal pode ter feito parte de um grupo de caçadores da pré-história. :)
    Parece-me que as invasões não foram sempre e necessariamente um genocídio para os locais. Parece certo que alguns caçadores/recoletores, passaram a agricultores e pastores, ou seja aprenderam a cultivar e a criar/domesticar animais e por isso eram importantes na sociedade neolítica, não havendo razões para os exterminar.
    Durante o Neolítico, também surgiram muitas mutações/alterações, derivadas de uma vida mais sedentária, baseada na agricultura. A própria resistência à lactose, é uma adaptação com poucos milhares de anos e não com dezenas de milhares de anos.
    Olhos castanhos/verdes e os cabelos castanhos (indo de claro a escuro). deviam ocorrer na P. Ibérica, já no Paleolítico.
    Os cabelos ruivos, sabe-se que existiam em alguns grupos de Neanderthais, por isso também deve ter ocorrido em alguns cro-magnon (mas aqui preciso de fazer uma pesquisa para confirmar, se ocorriam na P. Ibérica).

    Os Neanderthais sabe-se que chegaram a navegar no Mediterrâneo, que tinham uma linguagem, que tinham religião, que tinham instrumentos musicais, e que tratavam dos enfermos.
    Há várias teorias sobre o que aconteceu aos últimos Neanderthais. Depois podemos falar um pouco sobre isso.

    Quanto aos dados sobre o Algarve que nos trazes, obrigado, pois são muito interessantes.
    Eu tenho também especial interesse, pelas plantas medicinais e comestíveis, que os nossos antepassados utilizavam. Já descobri uma lista com dezenas senão mesmo centenas de plantas com elevado valor nutricional, medicinal e gastronómico (baseada em plantas silvestres da P. Ibérica).
    Quem sabe, muitas destas plantas, não tenham hoje uma aplicação bastante útil.
     
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    #71 belem, 12 Abr 2013 às 13:50
    Última edição: 4 Out 2015 às 22:54
  12. Shimmy

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    Tópico fascinante. Sempre tive interesse pelo percurso humano na pré-história, especialmente na Europa. Como eram, como viviam, como se relacionavam...? Estou a gostar muito de ler sobre Portugal/Península Ibérica em específico.

    Sobre os subtipos europeus não sabia nada mesmo. Há algum site-guia para que possa aprender mais sobre isso? Só encontro descrições muito vagas. Como posso saber o meu?
     
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  13. belem

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    As descrições científicas existem, mas é preciso andar a esgravatar aqui e acolá, para se chegar a alguma conclusão.
    Se alguém tiver alguma dúvida em particular, pode apresentá-la aqui e quiçá eu consiga ajudar (e posso também colocar mais referências).

    Quanto à tua última questão, vou enviar pm.
     
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  14. Paulo H

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    Tenho uma questão.. É assim tão fácil ou óbvio, identificar alguém como sendo de um determinada linhagem? Ou há pessoas com um misto de vários fenótipos, que impossibilita a classificação?

    As fotos que colocam, são personagens populares.. Fica estranho imaginar que elas descendem de algum tipo de cro-magnon! Faz-me confusão imaginar, mas sei que é devido ao meu desconhecimento nestas matérias! :)

    Ficaria mais fácil identificar, se colassem imagens de pessoas desconhecidas, com aspecto mais rude, ou melhor dizendo, com características mais vincadas.. :)

    No fundo o que eu queria era identificar-me a mim próprio! :)
     
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  15. belem

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    Nem sempre é fácil fazer a identificação, mas normalmente sim (só para quem é experiente).
    Usualmente, até é possível identificar quais as principais linhagens involvidas num fenótipo. E qual a predominante. Até se podem usar fórmulas matemáticas, para vários detalhes.
    As linhagens paleolíticas, não eram muito numerosas, mas no Neolítico e com a expansão da agricultura, houve uma explosão populacional e apareceram diversas mutações e novas linhagens genéticas.


    Mas fica estranho porquê, não compreendo (as pessoas terão uma imagem demasiado «simiesca» do Homo sapiens?)... Acho que é até facilmente perceptível a coincidência que existe, mesmo entre pessoas de nacionalidades diferentes.
    E as pessoas têm que se lembrar, que haviam mulheres cro-magnon capazes de envergonhar muitas mulheres dos dias de hoje. Em praticamente todos os aspetos! :)
    O homem moderno, está a perder faculdades rapidamente, os seus musculos e ossos estão a atrofiar, pois o seu corpo ainda carrega com milhares de anos de evolução a exercitar-se ao ar livre e a viver da caça e recoleção, mas agora passa largas horas sentado e pouco ou nada se move. E há quem acredite que também está a perder capacidades mentais (que me parece absolutamente verdadeiro).
    Claro que a solução não será recuar a uma vida baseada na caça e recoleção, mas deve-se optar pela prática de exercicio e uma alimentação saudável.
    Eu já coloquei aqui imagens de pessoas desconhecidas, mas posso pôr mais.


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    Mulher com forte expressão «cro magnon» da Tunísia.


    Reconstrução «hiper-realista» baseada nos ossos de uma mulher cro-magnon que viveu em França há 14.000 anos atrás:

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    Agora outros cro-magnon (reconstruções):


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    Reconstrução de um cro-magnon da Argélia com 25.000 anos (baseada no crânio, claro).


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    Arte:

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