Como se formam os fenómenos meteorológicos

tonítruo

Nimbostratus
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23 Nov 2021
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Tem a ver com a latitude do nosso país... À nossa latitude, temos um período bem curto de pouca radiação, intercalado com meses e meses de radiação solar elevada, o que faz com que o período quente seja mais prolongado (e, por isso, que demore mais tempo a aquecer até se atingir o pico de calor anual) e o período frio mais curto. A maior proximidade ao trópico de Câncer do que ao Círculo Polar Ártico também ajuda a que os verões sejam mais prolongados e os invernos mais curtos. Isto, contudo, tem uma enorme divergência entre regiões. Em Trás-os-Montes, o período frio é bem maior porque, devido ao clima continental, a temperatura demora muito mais tempo a aquecer (ou pelo menos no caso das mínimas). :)

Para além de tudo isto, a latitudes acima dos 42ºN, o mês mais quente deixa de ser agosto e passa a ser julho, essencialmente porque a radiação solar diminui bastante mais depressa que a sul. Isso explica o porquê de algumas zonas do extremo norte do país terem como mês mais quente julho e não a regra geral, que seria agosto. Acima do paralelo 50ºN, o mês mais quente é junho, essencialmente por ser o mês com maior radiação solar. É por esta razão que se convencionou que o verão meteorológico no Hemisfério Norte vai de junho a agosto, apesar de, na prática, não ser isso que acontece cá no burgo. Um pouco mais abaixo da latitude de Portugal, ali no paralelo 30ºN, o conceito de "mês mais frio" e "mês mais quente" começa a ser um bocadinho mais impreciso... :unsure:
Obrigado pelo esclarecimento!
Então é análogo ao facto de se levar mais tempo a atingir a temperatura mínima do dia do que se leva a atingir a temperatura máxima (porque durante a noite são horas e horas de radiação solar nula o que faz com que o período frio seja mais prolongado)...
 


"Charneca" Mundial

Super Célula
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28 Nov 2018
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Obrigado pelo esclarecimento!
Então é análogo ao facto de se levar mais tempo a atingir a temperatura mínima do dia do que se leva a atingir a temperatura máxima (porque durante a noite são horas e horas de radiação solar nula o que faz com que o período frio seja mais prolongado)...
Se a radiação solar durante o dia for suficiente para colmatar as horas de radiação solar nula, sim, é análogo, e é isso que acontece por cá (e sobretudo é o que acontece nos trópicos). :D
 
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leofe

Cumulus
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6 Set 2021
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Boas,
Não sei se é o tópico certo, mas mesmo assim escrevo aqui.

Alguém me consegue explicar porque é que durante a madrugada a temperatura sobe e desce?
Dou um exemplo:
- na noite passada á meia noite a temperatura era de 3,7°C.
- desceu um pouco até aos 2,3°C (00:25) e manteve-se estável até às 00:50.
- entretanto começou a subir até aos 3,7°C, ficando assim entre a 01:25 e a 01:50.
- a partir daqui começou a descer bem até às 02:45, quando chegou aos 1,3°C.
- subiu um pouco até às 03:05 (1,8°C) e voltou a descer posteriormente até às 03:50, quando estava nos 0,7°C.
- a partir daqui começou a subir de forma significativa até às 04:20 (2,4°C), altura em que estabilizou, voltando a descer a partir das 04:55, até ficar estável nos 0,5°C a partir das 05:25.
- entre mais algumas subidas e descidas pouco significativas, acabou por ser mínima às 08:15, quando estavam -0,4°C.
- de reparar que a maioria das subidas da temperatura corresponde a períodos em que o vento começou a soprar um pouco.

Alguem me esclarece esta dúvida?

Obrigado!
 
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Thomar

Cumulonimbus
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19 Dez 2007
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(....)
- de reparar que a maioria das subidas da temperatura corresponde a períodos em que o vento começou a soprar um pouco.

Alguem me esclarece esta dúvida?


Obrigado!
Está respondido!
Sempre que sopra vento e neste caso em noites de inversão térmica a temperatura sobe sempre um pouco (basta veres históricos de estações meteo no wunderground e vais ver que todas as estações em noites destas, sempre que sopra vento a temperatura sobe), mesmo que a sensação térmica provocada pelo vento faça parecer que está mais frio do que efetivamente está.
ex: Indices biometeológicos IPMA, ou windchill.
 
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leofe

Cumulus
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6 Set 2021
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Está respondido!
Sempre que sopra vento e neste caso em noites de inversão térmica a temperatura sobe sempre um pouco (basta veres históricos de estações meteo no wunderground e vais ver que todas as estações em noites destas, sempre que sopra vento a temperatura sobe), mesmo que a sensação térmica provocada pelo vento faça parecer que está mais frio do que efetivamente está.
ex: Indices biometeológicos IPMA, ou windchill.
Acho que já respondeste, é mesmo o vento. Uma ligeira brisa é suficiente para fazer subir a temperatura durante a noite.
Então a minha teoria estava certa. Muito obrigado por me esclarecerem!
 

leofe

Cumulus
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6 Set 2021
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Boa noite,
Ontem e hoje a humidade andou baixinha. Aqui ás 23:11 a humidade está nos 30% (se não fosse pela temperatura diria que era verão :lol:).

Alguém me consegue elucidar sobre o que está a provocar isto? É normal?

Atentamente,
leofe
 
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tonítruo

Nimbostratus
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23 Nov 2021
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Boa noite,
Ontem e hoje a humidade andou baixinha. Aqui ás 23:11 a humidade está nos 30% (se não fosse pela temperatura diria que era verão :lol:).

Alguém me consegue elucidar sobre o que está a provocar isto? É normal?

Atentamente,
leofe
Não sou de todo um perito nisto e estou mais de dois meses atrasado mas, recuando nos registos, imagino que fosse simplesmente a manifestação à superfície da massa de ar seco que estava sobre a península ibérica, visto que à altitude onde a pressão é de 850hPa, a humidade relativa estava apenas nos 12%.
00bf2125c4f1e74e.jpg

URL do mapa.
 

leofe

Cumulus
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6 Set 2021
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Boa noite! Decidi "ressuscitar" este tópico porque o inverno está aí e com ele novamente as inversões térmicas. No ano passado perguntei sobre o porquê de a temperatura subir rapidamente quando há uma pequena brisa, e fui esclarecido. A minha versão assenta no facto de o vento fazer com que as camadas de ar se "misturem", acabando por fazer subir a temperatura. No entanto, quando o vento abranda, a temperatura começa a descer rapidamente, para valores mais baixos do que aqueles que estavam antes da subida devido ao vento. Por exemplo, acabo de verificar isso, pois em apenas 18 minutos a temperatura veio de 4,4°C (depois da subida) para 1,3°C, e antes disso não tinha baixado dos 2,3°C. A questão é... Porquê?
 

StormRic

Furacão
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23 Jun 2014
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Boa noite,
Ontem e hoje a humidade andou baixinha. Aqui ás 23:11 a humidade está nos 30% (se não fosse pela temperatura diria que era verão :lol:).

Alguém me consegue elucidar sobre o que está a provocar isto? É normal?

Atentamente,
leofe
Em situação de altas pressões, o ar frio que desce dos níveis altos é mais seco do que à superfície.
 

tonítruo

Nimbostratus
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23 Nov 2021
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Boa noite! Decidi "ressuscitar" este tópico porque o inverno está aí e com ele novamente as inversões térmicas. No ano passado perguntei sobre o porquê de a temperatura subir rapidamente quando há uma pequena brisa, e fui esclarecido. A minha versão assenta no facto de o vento fazer com que as camadas de ar se "misturem", acabando por fazer subir a temperatura. No entanto, quando o vento abranda, a temperatura começa a descer rapidamente, para valores mais baixos do que aqueles que estavam antes da subida devido ao vento. Por exemplo, acabo de verificar isso, pois em apenas 18 minutos a temperatura veio de 4,4°C (depois da subida) para 1,3°C, e antes disso não tinha baixado dos 2,3°C. A questão é... Porquê?
Se calhar já teria baixado de 1,3ºC caso o vento não tivesse aparecido, imagino... :intrigante:
 

Mr. Neves

Cumulonimbus
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22 Jan 2013
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Boa noite! Decidi "ressuscitar" este tópico porque o inverno está aí e com ele novamente as inversões térmicas. No ano passado perguntei sobre o porquê de a temperatura subir rapidamente quando há uma pequena brisa, e fui esclarecido. A minha versão assenta no facto de o vento fazer com que as camadas de ar se "misturem", acabando por fazer subir a temperatura. No entanto, quando o vento abranda, a temperatura começa a descer rapidamente, para valores mais baixos do que aqueles que estavam antes da subida devido ao vento. Por exemplo, acabo de verificar isso, pois em apenas 18 minutos a temperatura veio de 4,4°C (depois da subida) para 1,3°C, e antes disso não tinha baixado dos 2,3°C. A questão é... Porquê?
Se calhar já teria baixado de 1,3ºC caso o vento não tivesse aparecido, imagino... :intrigante:
Não sou certamente a pessoa com mais conhecimento de causa do assunto, mas vou tentar explicar o que se passa. Começando pela questão do vento, de facto este pode misturar a camada de inversão com camadas de ar mais quente adjacentes, embora que tudo dependa do quão extensa é esta camada de inversão e até da intensidade do vento nas várias fatias desta camada. Na verdade o vento para além de permitir a mistura de camadas de ar, impede por um lado a descida de ar mais frio e por outro a subida e perda de calor para fora da camada de inversão. Para além disso e isto aplica-se mais àquelas estações próximas de casas o vento arrasta consigo calor das próprias infraestruturas, acentuando mais a subida de temperatura.

Apesar de tudo, estando o céu limpo a perda energética da superfície por arrefecimento radiativo existe sempre ainda que de forma muito mais limitada e residual em contexto de vento. Mais que uma inversão térmica anticiclónica de subsidência (em que surge um aquecimento adiabático da camada superior por compressão), nessa região a inversão deverá estar também relacionada com a orografia visto Vila Real ser rodeada de acidentes orográficos como seja o Marão, Alvão e o ar frio descer pelas encostas.
TH4C9ok.jpg


Suponhamos então que se forma uma camada de inversão (pelos mecanismos que referi acima) e que essa camada seria de uma espessura de 300m acima da superfície, existindo imediatamente justaposta outra camada de 200m de ar mais quente (que funciona como um tampão para aprisionar o ar frio da camada de inversão) e que entretanto por algum mecanismo (às vezes por simples brisas marítimas) surge vento. A camada de inversão começa a sofrer intrusões de ar mais quente da camada tampão e começa a reter calor irradiado pela superfície visto se perder em parte os movimentos verticais do ar que permitem estas transferências. Se o vento for muito intenso a camada de inversão desfaz-se completamente. Mas admitindo que o vento é temporário, enquanto decorrem estes fenómenos que limitam o arrefecimento radiativo e perda de calor à superfície, nas montanhas acima do limite superior da camada tampão a proximidade a ar ainda mais frio que o que se encontra na camada de inversão juntamente com algum arrefecimento radiativo que possa ocorrer promovem continuamente perda de calor neste pontos. Assim os cumes das montanhas vão acumulando ar frio que depois quando o vento pára no sistema de inversão, desce avidamente pelas encostas ainda mais frio que no momento em que se tinha iniciado o vento, obtendo-se por isso uma temperatura mais baixa que aquela existente no momento em que se iniciou o vento.

No fundo o que quero dizer, é que embora esteja vento, o "motor do frio" continua a trabalhar e acumular ar frio em altitude e mesmo dentro da camada de inversão ainda que de forma diminuta neste último caso.

Quanto maior for a duração e velocidade do vento nestes cenários de inversão, mais calor fica retido e mais ar frio se acumula em altitude o que explica que quando o vento pára a taxa de transferência de calor (que é proporcional à diferença de temperatura entre as camadas) seja elevada, resultando por isso um arrefecimento acentuado e rápido.
 
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leofe

Cumulus
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Não sou certamente a pessoa com mais conhecimento de causa do assunto, mas vou tentar explicar o que se passa. Começando pela questão do vento, de facto este pode misturar a camada de inversão com camadas de ar mais quente adjacentes, embora que tudo dependa do quão extensa é esta camada de inversão e até da intensidade do vento nas várias fatias desta camada. Na verdade o vento para além de permitir a mistura de camadas de ar, impede por um lado a descida de ar mais frio e por outro a subida e perda de calor para fora da camada de inversão. Para além disso e isto aplica-se mais àquelas estações próximas de casas o vento arrasta consigo calor das próprias infraestruturas, acentuando mais a subida de temperatura.

Apesar de tudo, estando o céu limpo a perda energética da superfície por arrefecimento radiativo existe sempre ainda que de forma muito mais limitada e residual em contexto de vento. Mais que uma inversão térmica anticiclónica de subsidência (em que surge um aquecimento adiabático da camada superior por compressão), nessa região a inversão deverá estar também relacionada com a orografia visto Vila Real ser rodeada de acidentes orográficos como seja o Marão, Alvão e o ar frio descer pelas encostas.
TH4C9ok.jpg


Suponhamos então que se forma uma camada de inversão (pelos mecanismos que referi acima) e que essa camada seria de uma espessura de 300m acima da superfície, existindo imediatamente justaposta outra camada de 200m de ar mais quente (que funciona como um tampão para aprisionar o ar frio da camada de inversão) e que entretanto por algum mecanismo (às vezes por simples brisas marítimas) surge vento. A camada de inversão começa a sofrer intrusões de ar mais quente da camada tampão e começa a reter calor irradiado pela superfície visto se perder em parte os movimentos verticais do ar que permitem estas transferências. Se o vento for muito intenso a camada de inversão desfaz-se completamente. Mas admitindo que o vento é temporário, enquanto decorrem estes fenómenos que limitam o arrefecimento radiativo e perda de calor à superfície, nas montanhas acima do limite superior da camada tampão a proximidade a ar ainda mais frio que o que se encontra na camada de inversão juntamente com algum arrefecimento radiativo que possa ocorrer promovem continuamente perda de calor neste pontos. Assim os cumes das montanhas vão acumulando ar frio que depois quando o vento pára no sistema de inversão, desce avidamente pelas encostas ainda mais frio que no momento em que se tinha iniciado o vento, obtendo-se por isso uma temperatura mais baixa que aquela existente no momento em que se iniciou o vento.

No fundo o que quero dizer, é que embora esteja vento, o "motor do frio" continua a trabalhar e acumular ar frio em altitude e mesmo dentro da camada de inversão ainda que de forma diminuta neste último caso.

Quanto maior for a duração e velocidade do vento nestes cenários de inversão, mais calor fica retido e mais ar frio se acumula em altitude o que explica que quando o vento pára a taxa de transferência de calor (que é proporcional à diferença de temperatura entre as camadas) seja elevada, resultando por isso um arrefecimento acentuado e rápido.
Foste muito esclarecedor! Que boa dose de informação e conhecimentos :D
Obrigado :)