Floresta portuguesa e os incêndios

Concordo parcialmente: o que se quer impedir é que os carvalhos desapareçam, ou sejam arrancados, não que sejam simplesmente cortados, porque essa é uma forma de os tratar, tal como se faz com os eucaliptos, os salgueiros, os choupos, etc., etc.

Os carvalhos rebrotam bem após o corte (o sobreiro também!), e a lenha que dão é muito boa (e o seu preço alto), pelo que esse seria um incentivo para os proprietários manterem os carvalhos - podendo uma parte deles ser cortada periodicamente para lenha, e outra parte mantida para crescer e dar boas peças de madeira (ou para paisagem e biodiversidade). Assim se conjugava as duas necessidades (do proprietário e da sociedade em geral).

Eu falo por mim, se tivesse um pequeno bosque de carvalhos no meu terreno, a minha prioridade era mante-los, simplesmente para criação de um habitat, e um nicho de biodiversidade.
Fui ontem dar aqui uma volta para ver como estão a reagir uma grande mancha de carvalhos, alguns centenários, e depois de um fogo bastante severo, em que muitas oliveiras foram devoradas na totalidade, os cavalhos, mesmo os mais pequenos já estão a rebentar, nos toncos mais grossos, pois os mais finos estão secos.
De salientar que o incendio foi no inicio de Agosto.
 
É um pouco discutível se se justifica a protecção dada ao sobreiro em alguns distritos, especialmente Viana do Castelo, Braga, Porto e Aveiro. Por outro lado sou totalmente favorável à protecção do carvalho-roble.

Na zona de Pedrogão havia carvalhos em barreiras do Zêzere e a crescer debaixo dos eucaliptos, aquela região é terra de carvalho e muita gente não sabe disto. E aqueles carvalhos do ponto de vista genético são um pouco diferentes, por isso qualquer repovoamento deve ser sempre feito com bolotas locais.
Por ali é o cerquinho que domina, a serra do Sicó ainda tem belos, mas poucos, carvalhais. Aqui há coisa de um ano fiz a A13 entre Coimbra e Tomar pela primeira vez e fiquei agradavelmente surpreendido por os ver a despontar à beira da estrada, tal como se vê o alvarinho aqui no litoral norte :)
 
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Por ali é o cerquinho que domina, a serra do Sicó ainda tem belos, mas poucos, carvalhais. Aqui há coisa de um ano fiz a A13 entre Coimbra e Tomar pela primeira vez e fiquei agradavelmente surpreendido por os ver a despontar à beira da estrada, tal como se vê o alvarinho aqui no litoral norte :)
Aqui no Alqueidão da Serra é a maior mancha de Carvalho cerquinho da Europa...
 
Aqui no Alqueidão da Serra é a maior mancha de Carvalho cerquinho da Europa...

Olha que por acaso não sabia, á umas semanas tive para ir aí a uma caminhada guiada, com partida na Rexaldia, e o percurso era de uns 10 km, até a uma bonita zona da serra.
Consegues-me mandar a localização pelo Google Maps.
 
Sardoal | Mulher morre carbonizada em incêndio florestal em Tojeira, Alcaravela

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Uma mulher com cerca de 80 anos morreu esta manhã de segunda-feira carbonizada num incêndio que deflagrou em Tojeira, freguesia de Alcaravela, concelho de Sardoal, numa zona de povoamento florestal, disse ao mediotejo.net o 2º Comandante dos Bombeiros Municipais de Sardoal, Pedro Curado.

“O incêndio florestal derivou de uma queima de sobrantes que se descontrolou, devido à intensidade do vento e por decorrer num terreno com declive acentuado, e à chegada dos bombeiros foi encontrado o corpo carbonizado de uma senhora com cerca de 80 anos”, referiu aquele responsável.

“O corpo foi consumido pelas chamas, dentro do perímetro do incêndio, e à nossa chegada a senhora já não apresentava sinais de vida”, acrescentou Pedro Curado.

http://www.mediotejo.net/sardoal-mu...-em-incendio-florestal-em-tojeira-alcaravela/

É preciso muito cuidado, quando se vai sozinho, realizar qualquer tipo de queima, principalmente em locais mais isolados, pois os materiais mais finos, tem pouca humidade, e depois com o vento moderado que se tem feito sentir neste últimos dias, a situação descontrola-se.
Ainda agora esta tarde, vi um senhor com mais de 70 anos, a queimar sobrantes de sobreiros que andava a desramar, dentro de povoamento florestal denso, composto por eucaliptal, montado, e muito mato.
E nunca queimar grandes quantidade de cada vez, nestes locais mais perigosos.
 
Cientista de Coimbra lidera estudo pioneiro sobre efeito do eucalipto em riachos
07.01.2019 às 11h41

“Um estudo internacional sem precedentes avaliou o impacto de plantações de eucaliptos no funcionamento dos ribeiros em diferentes regiões do mundo”, revela a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra

LUSA

Uma investigadora do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE) de Coimbra liderou um estudo internacional pioneiro sobre o impacto do eucalipto no funcionamento dos ribeiros em diversas regiões do mundo, foi anunciado esta segunda-feira.

“Um estudo internacional sem precedentes avaliou o impacto de plantações de eucaliptos no funcionamento dos ribeiros em diferentes regiões do mundo”, revela a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), numa nota enviada esta segunda-feira à agência Lusa.

A investigação foi liderada por Verónica Ferreira, do MARE da FCTUC, e envolveu 18 cientistas de várias instituições ibéricas, sul-americanas e africanas.

As plantações de eucaliptos ocupam uma “área total de mais de 20 milhões de hectares em todo o mundo”, mas os seus efeitos no “funcionamento dos ribeiros têm sido estudados essencialmente na Península Ibérica”, o que “limita o real conhecimento sobre o impacto” que a cultura desta árvore pode ter em linhas de água de outras regiões onde o clima, a vegetação nativa e as comunidades aquáticas diferem, sublinha a FCTUC.

Com o estudo, “foi esta lacuna que se tentou colmatar”, afirma Verónica Ferreira, citada pela FCTUC, adiantando que os investigadores avaliaram, por isso, “o funcionamento de ribeiros em plantações de eucaliptos por comparação com ribeiros semelhantes, mas que atravessavam florestas de espécies nativas, em diferentes regiões na área de distribuição das plantações de eucaliptos de modo a expandir o conhecimento sobre os efeitos das plantações nos ribeiros”.

Para a realização da investigação, os cientistas utilizaram a decomposição das folhas como indicador do funcionamento do riacho, uma vez que – explica a FCTUC – as mudanças neste processo sugerem um impacto negativo.

“Os ribeiros que atravessam as florestas são ensombrados pela copa das árvores e é por isso que os organismos aquáticos dependem fortemente das folhas da vegetação ribeirinha”, refere Verónica Ferreira, destacando que, “na água, essas folhas libertam nutrientes que estão disponíveis para outros organismos, como algas, bactérias, fungos e invertebrados”.

Estudar o impacto dos eucaliptos nos ribeiros é particularmente relevante, porque “mudanças na floresta podem levar a mudanças na quantidade de folhas e nas suas características, o que pode criar desequilíbrios nas comunidades aquáticas e comprometer a capacidade dos rios de fornecer serviços para as populações humanas, como água de boa qualidade ou peixe”, clarifica a investigadora do MARE.

As experiências, realizadas em sete regiões da Península Ibérica, da África Central e da América do Sul, permitiram aos investigadores concluir que “o efeito das plantações de eucaliptos varia entre regiões e depende do tipo de organismos decompositores”.

Não é possível “fazer generalizações sobre o efeito das plantações desta espécie no funcionamento dos ribeiros, uma vez que têm de ser considerados fatores climáticos, o tipo de vegetação nativa e o tipo de comunidade aquática”, salienta Verónica Ferreira.

Foi verificada uma inibição da decomposição total das folhas nas regiões temperadas (Portugal, Espanha, Sul do Brasil e Uruguai), já que nestas regiões os invertebrados trituradores são naturalmente importantes e são afetados negativamente pelas plantações.

As conclusões deste estudo, já publicado na revista Ecosystems, “realçam a necessidade de se avaliar os efeitos das plantações dos eucaliptos nos ribeiros tendo em conta as características locais”, indica a investigadora, sustentando que “deve ser feito um esforço para conservar a vegetação ribeirinha nativa junto aos ribeiros para mitigar os efeitos das plantações”.

Além da UC, o estudo teve a participação das universidades do País Basco (Espanha), de Brasília (Brasil), Regional Integrada do Alto Uruguai e da República (Uruguai), de Temuco e de Concepción (Chile) e de Egerton (Quénia) e das Missões e Universidade Comunitária da Região de Chapecó (Brasil).
https://expresso.sapo.pt/sociedade/...re-efeito-do-eucalipto-em-riachos#gs.OlkPw28m
 
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Cientista de Coimbra lidera estudo pioneiro sobre efeito do eucalipto em riachos
07.01.2019 às 11h41

“Um estudo internacional sem precedentes avaliou o impacto de plantações de eucaliptos no funcionamento dos ribeiros em diferentes regiões do mundo”, revela a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra

LUSA

Uma investigadora do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE) de Coimbra liderou um estudo internacional pioneiro sobre o impacto do eucalipto no funcionamento dos ribeiros em diversas regiões do mundo, foi anunciado esta segunda-feira.

“Um estudo internacional sem precedentes avaliou o impacto de plantações de eucaliptos no funcionamento dos ribeiros em diferentes regiões do mundo”, revela a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), numa nota enviada esta segunda-feira à agência Lusa.

A investigação foi liderada por Verónica Ferreira, do MARE da FCTUC, e envolveu 18 cientistas de várias instituições ibéricas, sul-americanas e africanas.

As plantações de eucaliptos ocupam uma “área total de mais de 20 milhões de hectares em todo o mundo”, mas os seus efeitos no “funcionamento dos ribeiros têm sido estudados essencialmente na Península Ibérica”, o que “limita o real conhecimento sobre o impacto” que a cultura desta árvore pode ter em linhas de água de outras regiões onde o clima, a vegetação nativa e as comunidades aquáticas diferem, sublinha a FCTUC.

Com o estudo, “foi esta lacuna que se tentou colmatar”, afirma Verónica Ferreira, citada pela FCTUC, adiantando que os investigadores avaliaram, por isso, “o funcionamento de ribeiros em plantações de eucaliptos por comparação com ribeiros semelhantes, mas que atravessavam florestas de espécies nativas, em diferentes regiões na área de distribuição das plantações de eucaliptos de modo a expandir o conhecimento sobre os efeitos das plantações nos ribeiros”.

Para a realização da investigação, os cientistas utilizaram a decomposição das folhas como indicador do funcionamento do riacho, uma vez que – explica a FCTUC – as mudanças neste processo sugerem um impacto negativo.

“Os ribeiros que atravessam as florestas são ensombrados pela copa das árvores e é por isso que os organismos aquáticos dependem fortemente das folhas da vegetação ribeirinha”, refere Verónica Ferreira, destacando que, “na água, essas folhas libertam nutrientes que estão disponíveis para outros organismos, como algas, bactérias, fungos e invertebrados”.

Estudar o impacto dos eucaliptos nos ribeiros é particularmente relevante, porque “mudanças na floresta podem levar a mudanças na quantidade de folhas e nas suas características, o que pode criar desequilíbrios nas comunidades aquáticas e comprometer a capacidade dos rios de fornecer serviços para as populações humanas, como água de boa qualidade ou peixe”, clarifica a investigadora do MARE.

As experiências, realizadas em sete regiões da Península Ibérica, da África Central e da América do Sul, permitiram aos investigadores concluir que “o efeito das plantações de eucaliptos varia entre regiões e depende do tipo de organismos decompositores”.

Não é possível “fazer generalizações sobre o efeito das plantações desta espécie no funcionamento dos ribeiros, uma vez que têm de ser considerados fatores climáticos, o tipo de vegetação nativa e o tipo de comunidade aquática”, salienta Verónica Ferreira.

Foi verificada uma inibição da decomposição total das folhas nas regiões temperadas (Portugal, Espanha, Sul do Brasil e Uruguai), já que nestas regiões os invertebrados trituradores são naturalmente importantes e são afetados negativamente pelas plantações.

As conclusões deste estudo, já publicado na revista Ecosystems, “realçam a necessidade de se avaliar os efeitos das plantações dos eucaliptos nos ribeiros tendo em conta as características locais”, indica a investigadora, sustentando que “deve ser feito um esforço para conservar a vegetação ribeirinha nativa junto aos ribeiros para mitigar os efeitos das plantações”.

Além da UC, o estudo teve a participação das universidades do País Basco (Espanha), de Brasília (Brasil), Regional Integrada do Alto Uruguai e da República (Uruguai), de Temuco e de Concepción (Chile) e de Egerton (Quénia) e das Missões e Universidade Comunitária da Região de Chapecó (Brasil).
https://expresso.sapo.pt/sociedade/...re-efeito-do-eucalipto-em-riachos#gs.OlkPw28m

Olha até parece que me leste o pensamento, por acaso já tinha aqui no computador em aberto, para ler mais logo, mais uma vez um estudo liderado por portugueses.
 
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