Floresta portuguesa e os incêndios

Incêndios em Portugal na génese do Sistema Europeu de Proteção Civil ( rescUE)

O comissário europeu para a Ajuda Humanitária lamentou ter falhado a ajuda europeia no combate aos incêndios de 2017 em Portugal e revelou que a tragédia esteve na génese da criação do Sistema Europeu de Proteção Civil , "Uma das situações mais dolorosas da minha vida foi não ter resposta para Portugal em 2017 [incêndios] e foi por isso que aceleramos a formação do rescUE", admitiu o cipriota Chistos Stylianides, comissário europeu para a Ajuda Humanitária e Gestão de Crises.

https://www.noticiasaominuto.com/mundo/1284556/incendios-em-portugal-na-genese-do-sistema-europeu-de-protecao-civil?utm_source=notification&utm_medium=push&utm_campaign=1284556
 
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Isto é discutível. Deverá o montado ser considerado floresta autócne? O que é uma floresta? Para o Prof. Paiva, que tive o prazer de conhecer há muitos anos, o eucaliptal, os pinhais, os montadores não eram floresta. Eram sim silviculturas ou culturas florestais. Verdadeira floresta em Portugal era raríssima e ocuparia menos de 1% do território.

A ideia de que o Alentejo seria um enorme montado é ilusória. parte do distrito de Portalegre era mistura de carvalho com sobreiro, castanheiro e azinheira. O Litoral, serras de Grândola, Cerca, Odemira, era mistura de carvalhos com sobreiro, e vales com nogueiras e castanheiros, amieiros, freixos, choupos, pilriteiros. O Monfurado tinha carvalhais marcescentes. Nas zonas mais áridas do interior havia matos de zambujeiro, murta, aroeira, esteval misturados com azinheira.

Os montados resultam de florestas onde dominavam o sobro/azinho que forma desadensadas, ainda existem alguns montados com carvalhos no Alentejo.

A maioria do nosso coberto florestal é constituído por espécies autóctones, excepção feita aos 26% de eucaliptal e a uma percentagem (ainda) reduzida de acácias e outras invasoras. Agora se estamos a falar de floresta climácica em Portugal aí sim, não temos nem 1%.
 
MSantos isto é complicado. É que temos séculos de selecção positiva de sobreiro e azinheira. Não são anos, são séculos...

Se puderes, lê este estudo:

https://www.academia.edu/5028194/Os_Carvalhais_Marcescentes_do_Centro_e_Sul_de_Portugal_-_Estudo_e_Conservação

Nós temos zonas em Portugal onde havia domínio de carvalhos mas houve selecção posítiva e passaram a azinhal, sobral ou montado. Caso da zona de Nisa ou da serra do Cercal perto de Odemira. Claro que também temos regiões que teriam domínio do sobreiro, ou da azinheira ou de ambos. Mas noutras não seria assim.

PS: no Grande Porto nos últimos anos vi muitos terrenos serem limpos e carvalhos adultos a serem cortados. Mas os sobreiros ficaram lá. Os carvalhos é que foram à vida. A selecção positiva não pára.
 
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Terá isto a haver com geopolítica internacional? Quem sabe alguma organização bem montada para actuar no sítio certo e na hora certa... Ou será antes uma tentativa dissimulada de as autoridades chegarem rapidamente à causa dos incêndios? Ou ...

mw-860


As autoridades encontraram artefactos explosivos em várias zonas do concelho de Vila de Rei, em Castelo Branco, que está a ser atingido desde sábado por vários incêndios.

https://sicnoticias.pt/pais/2019-07...tos-explosivos-em-varias-zonas-de-Vila-de-Rei
 
Ontem houve 70 e tal ignições. Hoje houve mais 70 e tal ignições. Há em média mais de 10000 ignições por ano em Portugal. Em 15 de Outubro de 2017 houve 500 e tal ignições num só dia.

Só nos grandes incêndios é que se descobrem estes "artefactos" poucas horas depois do incêndio se tornar num monstro...?
 
Seja como for um incêndio é um incêndio, dever ser apagado
Já agora entendo porque razão os bombeiros estão com falta de forças para apagar o incêndio, com uma refeição destas quem não estaria;

 
Nota: Removi as referências à descoordenação no combate para não ferir suscpetibilidades, nomeadamente da moderação.

"O interior ficou sem árvores, nas cidades que deixem de usar carros"

Carlos Crisóstomo, de 62 anos, 25 como bombeiro voluntário, mostra-se frustrado e abatido enquanto olha para a floresta queimada que se avista da sua casa, em Vale da Urra, concelho de Vila de Rei (Castelo Branco).

Vai apontando para vales e montes para indicar a forma como as chamas que deflagraram no sábado chegaram até àquelalocalidade.

A experiência de bombeiro ajudou a salvar a casa, mas não chegou para salvar o anexo do seu vizinho, o único ferido grave do incêndio.

[Editado porque fazia referência a descoordenação no combate]

"Há diferenças de temperatura e o anticiclone dos Açores também se desloca agora mais para continente, com todo o mundo a poluir", disse à agência Lusa Carlos Crisóstomo.

"Aqui, nós não contribuímos para isso [as alterações climáticas], mas ficámos sem as árvores. Se aqui ficamos sem as árvores, então que na cidade fiquem sem carros e andem de transportes públicos", desabafa.

Luís dos Santos, também de Vale da Urra, já regressou ao seu quotidiano.

Enquanto arranca umas cebolas, comenta que, ao longo dos seus 92 anos de vida, viu sempre os incêndios a ficarem cada vez mais fortes e intensos.

O tempo, nota, também "anda desregulado", socorrendo-se da sua horta, onde o feijão já se queima do sol quando não devia queimar-se.

"Dantes, em janeiro era inverno, depois vinha a primavera e a gente semeava e sabia o que se havia de fazer para as coisas crescerem. Agora, já não é assim", nota.

Mas para Luís dos Santos a causa maior é outra.

"Sabe qual é o mal disto?", pergunta, para de seguida responder, em voz baixa, quase como se não quisesse ser ouvido: "O mal disto foi o eucalipto".

Aos 92 anos, Luís tem memória suficiente para se lembrar de uma floresta de castanheiros e sobreiros que dominava o território.

"Depois, o pinheiro veio e matou os castanheiros e os sobreiros e agora o eucalipto acabou com o resto", vinca, salientando que onde há eucaliptos "a terra nada dá" e a água já começa a falhar nos furos de Vale da Urra mais próximos de eucaliptais.

Antes de se despedir para voltar à faina, vinca à agência Lusa: "Escreva lá mesmo que nós somos contra os eucaliptos, que isso só serve os grandes, como a Celbi e as outras [celuloses]".

"Isto dantes estava tudo cultivado, com milhão, grão e feijão. Saiu gente, apareceu a floresta", conta IdalinaMendes, também daquela aldeia de Vila de Rei, que andou a apagar o fogo com uma vassoura "dura de roer", nas traseiras da sua casa.

Vestida de preto, com o terço sempre no pulso - nem à noite sai - diz que no sábado apenas se soube virar "para Deus".

"Foi Deus que me acudiu", frisou.

No caminho que liga Vale da Urra a Roda, aldeia já do concelho de Mação, distrito de Santarém, é possível ver a capacidade de destruição do fogo, com uma paisagem enegrecida à volta de uma estrada ladeada por pinheiros e eucaliptos que não respeitavam os 10 metros de faixas de gestão de combustível.

Em Roda, o fogo passou no domingo e voltou na segunda-feira, tendo destruído uma casa de primeira habitação.

Maria Teresa, de 69 anos - uma "das mais novas" de uma aldeia com 25 habitantes - diz que, por lá, estiveram "sempre bem protegidos pelos bombeiros" e os calos por causa dos incêndios cíclicos na região também ajudaram a manter a calma.

Apesar disso, não se lembra de um incêndio com a força daquele que chegou à aldeia.

O tempo está diferente, reconhece, sustentada pela irmã, Odete.

Apesar de noutros tempos não ter "termómetros para medir a temperatura", a irmã de Teresa, habitante de uma aldeia vizinha, socorre-se do empirismo para confirmar as alterações do clima: "Hoje, não se aguenta fora de casa depois das 10:00 ou 11:00, quando dantes aguentava-se".

Para além disso, a paisagem também mudou nas últimas décadas.

"Sabe, a floresta agora está diferente. Há muito eucalipto e pinheiro, quando antes estava tudo plantado, havia cabritas, mulas, burros, tirava-se a lenha do pinhal, havia sobro e castanheiro. Agora não. Onde antes havia campos de trigo, hoje há eucaliptos", comenta Teresa.

A habitante de Roda tem pequenas courelas espalhadas pela zona, onde ainda nem foi ver o que sobreviveu às chamas.

Por lá, nunca plantou nada, mas o eucalipto foi-se instalando de forma natural, conta à Lusa.

"Por isso, também não me queixo. O que a Natureza me deu, a Natureza mo tirou", diz.

https://www.noticiasaominuto.com/pa...arvores-nas-cidades-que-deixem-de-usar-carros
 
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Incêndios: Proteção Civil esclarece que golas antifumo não são para proteção individual

https://24.sapo.pt/atualidade/artig...as-antifumos-nao-sao-para-protecao-individual

Mais um negócio à PS e mais uma prova como a protecção civil não serve para nada, para além de criação de tachos e para gastarem dinheiro dos nossos impostos, em equipamentos para brincarem aos incêndios. Gastam dinheiro para darem à população, material suposto que deviam usar no caso dum incêndio e afinal o material é inflamável. :rolleyes:


Até tenho medo, de como serão os abrigos nas aldeias, de madeira, palha :facepalm:
 
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MAI desvaloriza distribuição de golas inflamáveis em zonas de incêndio

Visivelmente consternado, o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, decidiu, esta sexta-feira, não esclarecer a decisão de distribuição, por parte da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, de golas inflamáveis em zonas de risco de incêndio.

O governante diz que “é absolutamente lamentável e inadmissível” a polémica e que é “irresponsável” a forma como a comunicação social o está a abordar o assunto. Dizendo mesmo que esta é "alarmista".

Eduardo Cabrita diz ainda que “é fundamental esclarecer que este não é material de combate a incêndios”, mas preferiu não responder à pergunta: “Então porque foram distribuídas?”.

O ministro adianta apenas que a Autoridade Nacional de Proteção Civil “dará todas as indicações e esclarecimentos daquilo que são matérias da sua competência”.

Durante as rápidas declarações, dadas aos jornalistas, em direto, a partir de Mafra, onde assistiu à celebração do contrato de cooperação Interadministrativo com o município para a construção dos Postos Territoriais da GNR do Livramento e Malveira, o ministro ainda protagonizou um momento insólito. Bateu com o dedo nos microfones dos jornalistas para explicar que as bolas de vento que cobrem estes objetos também são “inflamáveis”.

Recorde-se que esta sexta-feira, o Jornal de Notícias revelou que 70 mil golas antifumo fabricadas com material inflamável e sem tratamento anticarbonização, que custaram 125 mil euros, foram entregues pela proteção civil no âmbito dos programas 'Aldeia Segura' e 'Pessoas Seguras'.

A Proteção Civil veio entretanto esclarecer que os materiais distribuídos no âmbito dos programas não são de combate a incêndios nem de proteção individual, mas de sensibilização de boas-práticas.

https://www.noticiasaominuto.com/po...ao-de-golas-inflamaveis-em-zonas-de-incendios

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Sei que a notícia pode conter considerações políticas, mas decidi arriscar na mesma. Pode ser que a mensagem passe antes da moderação apagar este post.
 
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Portugal não aderiu a rede europeia de Proteção Civil criada depois dos incêndios de 2017

O rescEU permite que Estados-membros disponibilizem helicópteros e aviões de combate a incêndios a outros países que estejam em situações de extrema necessidade, a troco do pagamento das despesas por Bruxelas.

Após os incêndios trágicos de 2017 em Portugal, a União Europeia decidiu criar um mecanismo europeu de proteção civil, o rescEU. O programa já está no terreno, mas Portugal decidiu ficar de fora, para já, revela o “Público” esta segunda-feira.

“Os incêndios em Portugal foram chocantes para todos nós. Falhámos. Sentimos uma necessidade de melhorar o mecanismo” europeu de proteção civil, assume Christos Stylianides, comissário Europeu para a Ajuda Humanitária e Gestão de Crises, em declarações ao jornal.

O rescEU permite que Estados-membros disponibilizem helicópteros e aviões de combate a incêndios a outros países que estejam em situações de extrema necessidade, a troco do pagamento das despesas por Bruxelas.

Este programa, que arrancou em 2018, começou com um orçamento de cerca de 280 milhões de euros; contudo, no próximo orçamento chegará aos 1,75 mil milhões de euros.

Até 2025, o rescEU estará em fase de transição, na qual os Estados-membros podem participar, alocando meios que têm à rede europeia, com as despesas cobertas pelo programa a 75%.

Neste momento, a rede europeia de emergência conta com 15 aeronaves, sete helicópteros; fazem apenas parte seis países – Suécia, Grécia, Espanha, França, Itália e Croácia.

Portugal, país que espoletou o rescEU, ficou de fora da fase de transição e só deverá entrar na fase permanente.

Questionado pelo matutino, Christos Stylianides disse que Portugal quer fazer “parte do programa, mas não se comprometeu na fase de transição por causa de alguns procedimentos nacionais”.

https://expresso.pt/sociedade/2019-...sZa4WdKYeNMnTrB9lIXHSLOcfv7iGmPA3cKkcZ_oEG5Ys
 
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