Floresta portuguesa e os incêndios

Eu nunca disse que o pinheiro bravo não era utilizado tb para a resina, ambos o são, tem razão quando diz que ambos são autóctones mas o pinheiro manso que tem a sua origem apenas no litoral alentejano e Algarve tem uma expressão muito maior nos dias de hoje pelo país todo, ao contrário do pinheiro bravo que a sua origem se estendia praticamente por todo o país, portanto é também natural que a sua extensão plantada seja maior.

Relativamente ao pinheiro bravo e a sua extensão pelo país..

Lembro-me perfeitamente dos meus avós maternos (Oleiros) e paternos (Proença-a-Nova) me dizerem que antes dos anos 40, praticamente não se viam pinheiros. E eu perguntava-lhes "Então que árvores havia?", ao que respondiam "Havia muito mato, era perigoso por causa dos lobos. Mas vivia-se dos castanheiros (vender castanha seca), sobreiros (cortiça), medronheiros (água-ardente) e carvalhos".

"HISTÓRIA E UTILIZAÇÕES

Fazendo parte da história natural da Península Ibérica, a área de distribuição do Pinheiro-bravo começou a aumentar por intervenção humana a partir dos séculos XII e XIII, principalmente devido à sua utilização na contenção das dunas litorais. A partir do final do século XIX, e principalmente a partir da década de 40 do século XX, a área de pinheiro-bravo aumentou através da expansão para regiões serranas do interior do país."


Fonte: http://naturlink.pt/article.aspx?menuid=55&cid=3631&bl=1

Ou seja, o pinheiro bravo é uma espécie autóctone, mas a sua expansão deveu-se sobretudo à intervenção humana. Nunca os meus antepassados, semearam ou plantaram pinheiros. O pinheiro é uma árvore que a pouco e pouco se impõe às restantes espécies, com exceção do eucalipto (crescimento rápido = ensombramento) e das mimosas, por razões distintas.

Por exemplo, na vertente norte da serra da gardunha, há 40 anos atrás era composta apenas de castanheiros mansos e bravos, hoje restam uns 30% devido à propagação natural do pinheiro.
 


Aconselho a lerem este desabafo do Luis Alves, um dos maiores produtores do nosso país de ervas aromáticas em modo de produção biológico.


Texto engraçado mas... Se só nos preocupássemos com a próxima refeição ou em cultivar o que comemos ainda hoje vivíamos nas cavernas! :D
 
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Texto engraçadomas... Se só nos preocupássemos com a próxima refeição ou em cultivar o que comemos ainda hoje vivíamos nas cavernas! :D

Sim, eu tive de me rir sozinho ao ler esta publicação, mas acaba por ter a sua parte de verdade, pois o eucalipto, como espécie exótica, não tem nenhum predador, o que acontece com os koalas no seu habitat natural, que se alimentam das sua folhas, levando assim a alguma regressão do seu crescimento.
 
Sim, eu tive de me rir sozinho ao ler esta publicação, mas acaba por ter a sua parte de verdade, pois o eucalipto, como espécie exótica, não tem nenhum predador, o que acontece com os koalas no seu habitat natural, que se alimentam das sua folhas, levando assim a alguma regressão do seu crescimento.
abaixo deixo um vídeo interessante sobre os koalas e fala inclusivé na sua alimentação e o efeito no seu metabolismo, entre outros... Se viessem para cá iam ter muito que comer mas são muito lentos a fazer tudo, diga-se de passagem :lmao:
 
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Relativamente ao pinheiro bravo e a sua extensão pelo país..

Lembro-me perfeitamente dos meus avós maternos (Oleiros) e paternos (Proença-a-Nova) me dizerem que antes dos anos 40, praticamente não se viam pinheiros. E eu perguntava-lhes "Então que árvores havia?", ao que respondiam "Havia muito mato, era perigoso por causa dos lobos. Mas vivia-se dos castanheiros (vender castanha seca), sobreiros (cortiça), medronheiros (água-ardente) e carvalhos".

"HISTÓRIA E UTILIZAÇÕES

Fazendo parte da história natural da Península Ibérica, a área de distribuição do Pinheiro-bravo começou a aumentar por intervenção humana a partir dos séculos XII e XIII, principalmente devido à sua utilização na contenção das dunas litorais. A partir do final do século XIX, e principalmente a partir da década de 40 do século XX, a área de pinheiro-bravo aumentou através da expansão para regiões serranas do interior do país."


Fonte: http://naturlink.pt/article.aspx?menuid=55&cid=3631&bl=1

Ou seja, o pinheiro bravo é uma espécie autóctone, mas a sua expansão deveu-se sobretudo à intervenção humana. Nunca os meus antepassados, semearam ou plantaram pinheiros. O pinheiro é uma árvore que a pouco e pouco se impõe às restantes espécies, com exceção do eucalipto (crescimento rápido = ensombramento) e das mimosas, por razões distintas.

Por exemplo, na vertente norte da serra da gardunha, há 40 anos atrás era composta apenas de castanheiros mansos e bravos, hoje restam uns 30% devido à propagação natural do pinheiro.

Olá, aquilo que refere, em grandes linhas, é verdade. O "pinhal interior" é uma criação dos últimos 150 anos, já que era uma região francamente desarborizada.

Os soutos eram só em volta das aldeias e desapareceram quase totalmente com a doença, a partir do fim do século XIX, e não com os pinheiros. Que, como é óbvio, foram plantados ou semeados pelos proprietários dos terrenos com matagais (nesta zona o solo é 100% privado), numa tentativa de os valorizar.
 
Reportagem de Ana Leal ontem na TVI :

O Cartel do Fogo

 
Olá, aquilo que refere, em grandes linhas, é verdade. O "pinhal interior" é uma criação dos últimos 150 anos, já que era uma região francamente desarborizada.

Os soutos eram só em volta das aldeias e desapareceram quase totalmente com a doença, a partir do fim do século XIX, e não com os pinheiros. Que, como é óbvio, foram plantados ou semeados pelos proprietários dos terrenos com matagais (nesta zona o solo é 100% privado), numa tentativa de os valorizar.

Correto, a doença da tinta dizimou 90% dos castanheiros. Quanto aos pinheiros, na minha opinião, terá sido o estado a plantar / semear baldios nos cimos das serras, que por ação do vento favoreceu a sua propagação.

Ninguém das aldeias se lembra, de alguma vez, alguém ou algum familiar antepassado ter andado a semear / plantar pinhais. Portanto falo de pessoas com mais de 80 anos, que têm o conhecimento dos seus pais e das histórias dos avós. Ninguém semeou ou plantou pinheiro bravo, nos últimos 120 anos. Logo, só pode ter sido o estado.
 
Por exemplo, na vertente norte da serra da gardunha, há 40 anos atrás era composta apenas de castanheiros mansos e bravos, hoje restam uns 30% devido à propagação natural do pinheiro.

Atenção que não foi a proliferação do pinheiro bravo que levou à redução do castanheiro, antes disso houve a doença da tinta e o abandono e êxodo rural que levaram ao declínio da espécie. Os castanheiros toleram algum ensombramento e podem conviver no meio dos pinheiros, no caso de povoamentos de castanheiro já instalados e adultos dificilmente o pinheiro consegue entrar (espécie de luz).

A ideia de levar o pinheiro-bravo para o Interior aos olhos da época parecia boa, grande parte do interior eram giestais e outros matagais sem qualquer coberto arbóreo. A ideia da plantação de pinhal, na sua origem, era utilizar o pinheiro como espécie pioneira para a fixação e criação de solo, que depois abriria caminho para as folhosas, acontece que esta ideia ficou a meio e já nos últimos 20 anos o pinhal tem ardido e posteriormente tem sido subsistido por eucaliptos.

Em alguns locais de Trás-os-Montes vê-se que no sub-coberto dos pinhais estão carvalhais a despontar que crescem ao abrigo dos pinheiros, nesses casos é possível ir paulatinamente retirando os pinheiros e deixar os carvalhos ocupar o seu lugar.

Vir diabolizar o pinheiro é um erro, temos é que o gerir melhor e fazer uma silvicultura e gestão corretas. O pinheiro é uma fonte de riqueza para os locais onde se insere, através da produção de madeira, pinhas para a lareira, cogumelos silvestres etc, ao contrário do eucalipto que serve exclusivamente para pasta de papel, promovendo a exportação de nutrientes e o empobrecimento do solo.

Mas não é só o eucalipto que promove o empobrecimento do solo, não sejamos radicais, toda a agricultura convencional o faz, por isso é que se fazem fertilizações e adubagens, era bom, mas não podemos ter lindos carvalhais e sobrais do Minho ao Algarve, temos que ser pragmáticos, tem que haver espaço para tudo (e há), assim que se reduza a recorrência do fogo, esse sim é um grande problema.
 
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Atenção que não foi a proliferação do pinheiro bravo que levou à redução do castanheiro, antes disso houve a doença da tinta e o abandono e êxodo rural que levaram ao declínio da espécie. Os castanheiros toleram algum ensombramento e podem conviver no meio dos pinheiros, no caso de povoamentos de castanheiro já instalados e adultos dificilmente o pinheiro consegue entrar (espécie de luz).

A ideia de levar o pinheiro-bravo para o Interior aos olhos da época parecia boa, grande parte do interior eram giestais e outros matagais sem qualquer coberto arbóreo. A ideia da plantação de pinhal, na sua origem, era utilizar o pinheiro como espécie pioneira para a fixação e criação de solo, que depois abriria caminho para as folhosas, acontece que esta ideia ficou a meio e já nos últimos 20 anos o pinhal tem ardido e posteriormente tem sido subsistido por eucaliptos.

Em alguns locais de Trás-os-Montes vê-se que no sub-coberto dos pinhais estão carvalhais a despontar que crescem ao abrigo dos pinheiros, nesses casos é possível ir paulatinamente retirando os pinheiros e deixar os carvalhos ocupar o seu lugar.

Vir diabolizar o pinheiro é um erro, temos é que o gerir melhor e fazer uma silvicultura e gestão corretas. O pinheiro é uma fonte de riqueza para os locais onde se insere, através da produção de madeira, pinhas para a lareira, cogumelos silvestres etc, ao contrário do eucalipto que serve exclusivamente para pasta de papel e promovendo a exportação de nutrientes e o empobrecimento do solo.

Mas não é só o eucalipto que promove o empobrecimento do solo, não sejamos radicais, toda a agricultura convencional o faz, por isso é que se fazem fertilizações e adubagens, era bom, mas não podemos ter lindos carvalhais e sobrais do Minho ao Algarve, temos que ser pragmáticos, tem que haver espaço para tudo (e há), assim que se reduza a recorrência do fogo, esse sim é um grande problema.

Todos reconhecemos as vantagens do pinhal, em termos de madeira, resina e coberto vegetal (caruma de pinheiro), mas consegues perguntar a alguém idoso, se sabe (ou se tem memória dos seus pais ou avós), quem terá andado a plantar/semear pinheiros?

Era importante desmistificar: foram os proprietários ou o estado em locais estratégicos?
 
Todos reconhecemos as vantagens do pinhal, em termos de madeira, resina e coberto vegetal (caruma de pinheiro), mas consegues perguntar a alguém idoso, se sabe (ou se tem memória dos seus pais ou avós), quem terá andado a plantar/semear pinheiros?

Era importante desmistificar: foram os proprietários ou o estado em locais estratégicos?

O Estado fez sementeira/plantação massiva de pinhal nas áreas baldias e áreas do Estado, penso que a regeneração natural do pinheiro fez o resto. Uma vez bem instalado o pinheiro tem grande capacidade de dispersão.

Devido a estas plantações de pinhal com semente originária do Litoral ter-se-á perdido, segundo defendem alguns botânicos, uma subespécie de pinheiro-bravo nativa do Interior do País, essencialmente do Nordeste Transmontano e Beira Alta.
 
Governo lança Plano Nacional para a Promoção de Biorefinarias
O Executivo de António Costa reconhece a necessidade de aprovar incentivos de forma a promover a construção destas biorrefinarias, cujo objectivo é usar resíduos florestais ou agrícolas para produzir electricidade ou biocombustíveis.


O Governo aprovou o Plano Nacional para a Promoção de Biorrefinarias (PNPB), lançado com o objectivo de promover a construção destas infra-estruturas que utilizam biomassa, como resíduos florestais, para produzir electricidade, calor ou biocombustíveis.

Este plano prevê assim a apresentação de uma "estratégia para promover todas as tipologias de biorrefinarias avançadas, em território nacional, a partir de biomassas até aqui não valorizadas, residuais ou com pouco valor económico".

O PNPB vai ter como horizonte o ano de 2030 e vai promover um "roteiro nacional assente em cinco pilares": "promoção das cadeias de abastecimento de matérias-primas; aumento do conhecimento e do investimento em Investigação, Desenvolvimento e Inovação; apresentação da tipologia de projectos demonstradores; monitorização tecnológica, social e ambiental; envolvimento da sociedade e melhoria na procura".

Também está prevista a criação de uma Plataforma Nacional para a Biomassa e Biorrefinarias, que reúna entidades públicas e privadas, representativas dos diferentes actores intervenientes na fileira de biomassa, com vista a promover a partilha e articulação de conhecimento, capacidades, recursos e competências no apoio à tomada de decisão política".

O Governo reconhece a necessidade de aprovar incentivos financeiros de forma a promover a construção destas biorrefinarias. "É necessário aqui alertar que no âmbito mais restrito de biorrefinarias avançadas focadas na valorização energética, estas requerem, quase todas, incentivos através de medidas legislativas estáveis de média e longa duração".

Portugal "possui um potencial considerável de biomassas residuais (florestal, agrícola, agroindustrial) bem como biomassas de origem natural (matos e incultos) que podem ser valorizadas num contexto de biorrefinarias, com benefícios de ordem ambiental, económica e social", pode-se ler no documento.

O Governo anunciou a 21 de Outubro que pretende avançar para a implementação de biorefinarias, como forma de promover a limpeza das florestas e mitigar o risco de incêndios florestais. O plano nacional para as biorefinarias vai depender "essencialmente de fundos estruturais", disse então o ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral.
http://www.jornaldenegocios.pt/empr...e-biorefinarias?ref=HP_Destaquesduasnotícias3
 
O Estado fez sementeira/plantação massiva de pinhal nas áreas baldias e áreas do Estado, penso que a regeneração natural do pinheiro fez o resto. Uma vez bem instalado o pinheiro tem grande capacidade de dispersão.

Devido a estas plantações de pinhal com semente originária do Litoral ter-se-á perdido, segundo defendem alguns botânicos, uma subespécie de pinheiro-bravo nativa do Interior do País, essencialmente do Nordeste Transmontano e Beira Alta.

É isso mesmo o que eu penso!

Quem não sabe, onde incluo a maioria dos jornalistas, julga que a reflorestação é algo que ocorre todos os anos. A única reflorestação que existe, é meramente simbólica: dia da árvore (escolas), uma ou outra campanha "plante uma árvore" (para publicitar algum produto), ou alguma que outra intervenção residual do estado em parques nacionais.

Não fosse a enorme capacidade de regeneração natural, e as nossas paisagens seriam de apenas mato, mais mato e áreas rochosas descalças de terra (erosão).
 
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A Acréscimo acusa de pouco séria e nada transparente a aposta do Governo no uso da biomassa florestal para a produção de energia elétrica

O Governo anunciou, através do ministro da Economia e no decurso da sessão extraordinária do Conselho de Ministros dedicada às florestas e à proteção civil, a intenção, ainda não quantificada, de apostar em biorrefinarias e em centrais a biomassa, com a justificação da diminuição dos incêndios e proteção das populações.


Importa ter em conta que, no País, a capacidade instalada, quer em centrais a biomassa florestal residual, quer em unidades de produção de pellets de madeira, há muito que ultrapassa a disponibilidade anual de biomassa florestal residual. Ou seja, já no presente, mas com maior impacto no futuro próximo, tais unidades só serão viáveis pela utilização de troncos de árvores ou pela instalação de monoculturas de espécies dedicadas à produção energética. Por outro lado, a ocorrência de incêndios florestais constitui uma importante fonte de garantia de matéria prima a estas unidades.
Importa ter ainda em conta que as unidades que o Governo anuncia estimular só têm viabilidade financeira se apoiadas duplamente pelo erário público. Seja através do apoio público na obtenção da matéria prima, seja ao nível de apoios à tarifa elétrica. Um 1 com 2 de suporte!
Se a intenção do Governo é intervir na redução da carga combustível nas florestas, existem opções significativamente menos onerosos e até sem custos para o erário público.

Acréscimo