Floresta portuguesa e os incêndios

Quem ainda não entendeu o problema do eucalipto é pq Deus não lhe favoreceu em massa cinzenta, peço desculpa mas é a realidade. É uma árvore que não pertence em Portugal. Foi proibida no sul de Itália e na Grécia por alguma razão...é uma praga. Só é bom para quem ganha dinheiro com ela(e sim dá muito dinheiro a uns quantos) , enquanto o resto de nós assiste ao devastar do país.


Quanto à Cut-off cá a aguardamos e a julgar pelo optimismo de alguns de vcs espera-se mesmo chuva e isso sim é que é importante.
 
Quem ainda não entendeu o problema do eucalipto é pq Deus não lhe favoreceu em massa cinzenta, peço desculpa mas é a realidade. É uma árvore que não pertence em Portugal. Foi proibida no sul de Itália e na Grécia por alguma razão...é uma praga.

Não é essa intervenção que te dá mais razão.

O Eucalipto banido na Grécia e Itália? Tens a certeza?
 
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Da análise da figura verifica-se que a principal alteração das áreas das espécies florestais, entre 1995 e 2010, ocorre ao nível do pinheiro-bravo que apresenta uma diminuição de cerca de 263 000 ha. Verifica-se também um aumento da área de eucalipto de cerca de 95 000 ha.
A área total pinheiro-bravo diminui 263 000 ha entre 1995 e 2010. A maior parte desta área transformou-se em “matos e pastagens” (165
000 ha), 70 000 em eucalipto, 13 000 em espaços urbanos e 13 700 em áreas florestais com outras espécies arbóreas.
A área total de eucalipto aumentou 13% entre 1995 e 2010. Para este aumento contribuem 70 000 ha de áreas ocupadas por pinheiro-bravo em 1995; 13 500 ha de superfícies ocupadas por matos e pastagens e 12 000 de áreas agrícolas. Cerca de 8 000 ha que eram floresta de eucalipto em 1995 foram transformados para uso urbano em 2010.
Análise das Causas dos Incêndios Florestais (2003-2013) - Em média apenas cerca de 1,5% do total de ocorrências investigadas entre 2003 e 2013 resultaram de causa natural. O ano de 2003 destaca-se pela elevada percentagem de incêndios de causa natural, cerca de 7%, situação que foi analisada pelo Instituto de Meteorologia, relatada em documento como uma situação anómala resultante de trovoadas secas (“Os Fogos Florestais do Verão de 2003, em Portugal Continental – Condições Meteorológicas e Aplicações dos Dados da Rede de Detetores de Descargas Elétricas na Atmosfera”).
Excluindo o conjunto das investigações inconclusivas e ainda as ocorrências resultantes de reacendimentos (que criariam enviesamento dos dados por estarem individualizados apenas a partir de 2012) abordou-se apenas o universo das ocorrências investigadas com causa apurada, a referir os três grandes grupos: Intencional, Natural e Negligente. Assim, verifica-se que os comportamentos negligentes são os responsáveis pelo maior número de ocorrências de incêndios.
O número médio anual de ocorrências no período de 2003 a 2013 é de 23.068. Na análise por distrito destaca-se o Porto com o maior número de registos onde a média de ocorrências entre 2003 e 2013 é de 5.522, ou seja, em média cerca de 24% das ocorrências registam-se nesse distrito.
Em média cerca de 80% das ocorrências registadas a nível nacional, entre 2003 e 2013, são fogachos (área ardida inferior a 1 hectare). Em contrapartida, apenas 0,7% são grandes incêndios (área ardida superior a 100 hectares).
É possível descriminar o universo das ocorrências investigadas por subgrupos por forma a permitir analisar com mais pormenor a atividade/comportamento/atitude que estiveram na origem do incêndio. Na categoria incendiarismo incluem-se casos imputáveis, casos inimputáveis e casos sem motivação conhecida. De entre as 3 subcategorias as situações de dolo (imputáveis) são as responsáveis por uma parte substancial dos casos de incendiarismo.
As ocorrências de incêndio resultantes de causas naturais, consequência de descargas elétricas resultantes de trovoadas, são muito pouco frequentes o que corrobora que o fator humano é o grande responsável pela problemática dos incêndios, ou seja, há possibilidade de intervir no sentido de os evitar, nomeadamente, pela aposta na sensibilização dirigida.
Os reacendimentos são responsáveis em 2012 e 2013 por 12% e 15%, respetivamente, das ocorrências investigadas.
Ao agrupar o universo das ocorrências investigadas e apuradas (excluindo os reacendimentos) pelo primeiro nível de categoria das causas, resulta que o incendiarismo e o “uso do fogo” são as categorias responsáveis pela maior percentagem de ocorrências de incêndios. Relativamente ao “uso do fogo” (onde se enquadram, nomeadamente, as queimas, queimadas, fogueiras, cigarros e o lançamento de foguetes) verifica-se que a partir de 2007, inclusive, houve um aumento significativo na expressão desta causa, acompanhado da diminuição das causas acidentais. Numa análise mais pormenorizada observa-se que a causa “uso do fogo” aumentou em média 32,3% (2003-2006) para 51,6% (2007-2013). Inversamente, as causas acidentais diminuíram de 15,3% para 6,3%. Na categoria do uso do fogo as queimadas para renovação de pastagem são responsáveis, em média, por quase 80% dos incêndios.
A distribuição do número de ocorrências com origem no uso do fogo – queimadas, desde 2003, ressalta a elevada concentração de incêndios resultantes da prática de queimadas para a renovação de pastagens. A limpeza de solo florestal, agrícola e a queimada de borralheiras, onde se integram as típicas queimas, são, de entre os outros usos do fogo, aquelas que se destacam logo após as queimadas para renovação de pastagens. Em média cerca de 51% das ocorrências registadas anualmente, no período 2003-2013, resultam da realização de queimadas para renovação de pastagens.
No ano de 2011 quase 33% da área ardida nacional teve como causa associada o uso do fogo – queimadas, dos quais quase 94% em resultado da prática de uso do fogo para renovação de pastagens. Nesse ano o mês de outubro, muitas vezes aproveitado para a realização desta prática ancestral, foi completamente atípico, com tempo quente e seco, concentrando 40% das ocorrências resultantes de queimadas.
Os incêndios provocam danos significativos, ambientais e socioeconómicos nos espaços florestais afetados. É possível relacionar os impactos provocados, em termos de área ardida, com o tipo de causa. Excetuando os incêndios provocados por causas naturais (aos quais estão associadas áreas ardidas mais extensas, em média 86ha/ocorrência) as causas acidentais associadas ao uso de maquinaria são, de entre as causas de responsabilidade humana, as que provocam maiores danos em termos de área ardida (em média 51ha/ocorrência).
São evidentes os elevados danos associados às causas acidentais, embora sejam causas com pouca expressão em termos de número de ocorrências. Em contrapartida, ao uso do fogo para realização de fogueiras, de queimas de lixo e de queimadas, apesar de muito frequentes, não estão associados grandes impactos em termos de área ardida (em média 2ha/ocorrência, 8ha/ocorrência e 9ha/ocorrência, respetivamente).
As condições meteorológicas têm uma influência considerável no comportamento e caraterísticas dos incêndios florestais. Analisando a frequência das causas investigadas em função do risco de incêndio, através do índice meteorológico de risco de incêndio do sistema canadiano FWI - Fire Weather Index, é possível associar a frequência das ocorrências acidentais a dias de risco de incêndio considerável. A maior expressão encontra-se associada às ignições resultantes do uso de maquinaria e às faíscas e faúlhas emitidas pelos transportes e/ou pelas comunicações (linhas elétricas, caminhos de ferro, tubos de escape, etc). Em contrapartida as ignições resultantes de conflitos relacionados com o uso do solo e as resultantes do uso do fogo para realização de queimadas ocorrem frequentemente em dias de FWI mais baixo (na ordem de 21), embora as segundas com muito maior frequência.
As severas consequências ecológicas e socioeconómicas resultantes dos incêndios florestais, maioritariamente provocados por causas de natureza antrópica, torna premente a definição de estratégias dirigidas para a redução do número de ocorrências. O conhecimento das causas dos incêndios é fulcral para estabelecer os domínios específicos onde se deve intervir no âmbito da prevenção, incluindo a sensibilização, a fiscalização e a responsabilização.
É possível intervir na alteração de comportamentos e na instrução dos cidadãos para reduzir as causas de responsabilidade humana. As ações de sensibilização enquadram-se como uma necessidade transversal em diversas tipologias de causas, com prioridade para o uso de maquinaria. No entanto, há lacunas também no âmbito da formação, nomeadamente, das técnicas de execução de rescaldo e da investigação das causas. Também no âmbito da legislação há ações e responsabilizações que seriam importantes reconsiderar, como sendo, o licenciamento para lançamento de foguetes e a responsabilização no âmbito das redes de comunicação e transportes.
É crucial que as ações a implementar neste âmbito sejam avaliadas, definidas e ajustadas localmente. A distribuição das causas apuradas por distrito permite, por exemplo, destacar os distritos de Braga, Santarém e Viana do Castelo, com as percentagens mais elevadas associadas às causas intencionais, ao contrário dos restantes distritos onde superam as percentagens associadas a comportamentos negligentes. Em qualquer um destes 3 distritos a intencionalidade está associada maioritariamente a situações imputáveis de incendiarismo, com percentagens que atingem os 96% e 98% das causas intencionais nos distritos de Viana do Castelo e Santarém respetivamente. Nestes distritos importa reforçar a busca e perceção de indivíduos enquadrados no perfil do incendiário e promover um reforço das ações de dissuasão e fiscalização.

Fonte: ICNF
 
Não preciso que me dêem razão, sou biólogo, sei de que estou a falar. Mas não é preciso ser técnico para perceber que o eucalipto é a razão do problema, basta olhar e ver.

https://www.rtp.pt/noticias/pais/in...pto-como-o-verdadeiro-erro-florestal_a1036185

Os incêndios gregos de 2007 foram colossais -> 270.000 hectares queimados. Lá, como cá, é só dèjá vu. O país tinha muitos terrenos desconhecidos e os incêndios foram da responsabilidade de uma 'onda terrorista'.

Mas a piada da coisa é que em nenhum lado encontro o eucalipto como culpado. O técnico diz que o eucalipto é um fator de risco acrescido (massa combustível gerada e propriedades intrínsecas). Contudo, a Grécia, que não tem muitos eucaliptos, em 2007 também torrou forte e feio.

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O tipo critica a falta de prevenção. Pudera, o problema central é sempre o mesmo (caso grego):

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Isso de banir o eucalipto é muito bonito na teoria mas na prática isso só levará a mais abandono da floresta e incêndios (não, não tenho interesses ligados à indústria do papel). Este indivíduo resumiu a situação:

António Eugénio aponta para o monte onde se veem várias bolsas de eucalipto queimado e vai mostrando onde há terras amanhadas e por onde anda normalmente o rebanho.

"Onde andavam as cabras, estava limpo" e, por sinal, ficou verde, conta ao primeiro-ministro, com à vontade, enquanto António Costa nota também que no olival ao lado o fogo também não progrediu com a mesma intensidade.

Mas em que é que o governo vai investir mais relativamente ao interior? Estradas? Apoios para agricultores? Já não há isso? As pessoas continuam a não querer ir para o campo.

O mais básico está ainda por fazer. Porque é que Portugal ainda tem terrenos sem dono? O fisco não precisa de impostos?
 
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O meu grupo de caminhadas, Casal Sancho Hikers (https://www.facebook.com/CasalSanchoHikers/) vai organizar uma caminhada(data a decidir) de reflorestação na freguesia de Santar. A nossa ideia seria semear bolotas de carvalho numa das zonas ardidas.
Alguém aqui tem conhecimentos na área que nos possa dar umas dicas(ou links) sobre a melhor forma de o fazer, a melhor altura e distância entre colocação das bolota.
Obrigado
 




"Aconselhável ler uma ótima entrevista do colega Pedro Palheiro ao Semanário Sol de hoje, dia 28.10.2017. Ex-elemento do GAUF e um excelente técnico que saiu de Portugal e, hoje, encontra-se na Austrália como gestor de fogo para o organismo estatal Parks and Wildlife Service."

Fotos retiradas do facebook
 
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Há algo que me está a intrigar. Portugal tem 31% de area mundial de eucalipto globulus ( numeros absolutamente impressionantes temos praticamente tanto como na Austrália). Que eu saiba há mais produtores de papel no mundo e comcerteza de empresas mais lucrativas e mais poderosas que a navigator, eles fazem pasta de papel com o que?

Só mais um aparte, por quantos mais anos será a industria do papel um sector importante na economia? Com a inovação da tecnologia o uso do papel estará já em declinio?
 
  1. Depois de uma pesquisa muito superficial na net encontrei algumas informações curiosas, entre os dez maiores produtores do mundo de papel, europeus apenas aparece a Alemanha, Finlândia e Itália. E ao que parece o eucalipto é usado como matéria prima principal apenas em Portugal, Espanha e brasil. A ideia com que fico quando oiço falar em produção de papel é que apenas o eucalipto é rentavel. Mas pelos vistos os maiores produtores do mundo não usam esta arvore como matéria prima, inclusivamente na Europa temos o caso da Alemanha que é a quarta maior produtora do mundo de papel eles fazem papel com o quê?

Em Portugal tudo o que se faz é sempre melhor que em todo o mundo e arredores mas muitas vezes parece que vivemos num pais de terceiro mundo onde os interesses, ocultação de informação e falta de regras imperam.
 
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  1. Depois de uma pesquisa muito superficial na net encontrei algumas informações curiosas, entre os dez maiores produtores do mundo de papel, europeus apenas aparece a Alemanha, Finlândia e Itália. E ao que parece o eucalipto é usado como matéria prima principal apenas em Portugal, Espanha e brasil. A ideia com que fico quando oiço falar em produção de papel é que apenas o eucalipto é rentavel. Mas pelos vistos os maiores produtores do mundo não usam esta arvore como matéria prima, inclusivamente na Europa temos o caso da Alemanha que é a quarta maior produtora do mundo de papel eles fazem papel com o quê?

Em Portugal tudo o que se faz é sempre melhor que em todo o mundo e arredores mas muitas vezes parece que vivemos num pais de terceiro mundo onde os interesses, ocultação de informação e falta de regras imperam.
Suponho que sejam árvores que não se dão no nosso clima. Pelo menos na Finlândia, creio que usem principalmente aquele tipo de pinheiro característico dos países nórdicos, cujo nome científico não sei.
 
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Só mais um aparte, por quantos mais anos será a industria do papel um sector importante na economia? Com a inovação da tecnologia o uso do papel estará já em declinio?

Isso é realmente bom, a produção de papel deve estar em declínio e sempre foi ambientalmente agressiva mas ainda vamos ter que ter papel muito tempo nem que seja para limpar o cu ou usamos as unhas?

Há algo que me está a intrigar. Portugal tem 31% de area mundial de eucalipto globulus ( numeros absolutamente impressionantes temos praticamente tanto como na Austrália). Que eu saiba há mais produtores de papel no mundo e comcerteza de empresas mais lucrativas e mais poderosas que a navigator, eles fazem pasta de papel com o que?

Suponho que sejam árvores que não se dão no nosso clima. Pelo menos na Finlândia, creio que usem principalmente aquele tipo de pinheiro característico dos países nórdicos, cujo nome científico não sei.

Há muitos tipos de pasta e de papel mas primeiro que separar fabricantes de pasta e de papel que são coisas diferentes. Há gigantes nórdicos no setor que na pratica produzem maior parte da pasta noutros países, penso que até em Portugal os donos da Celbi eram empresas nórdicas gigantes do setor como a Billerud, Stora Enso, se não estou em erro

Em Portugal empresas como a Navigator, antiga Portucel/Soporcel ou antes disso Senapa quebraram o modelo de exploração 1ºmundo, eles /3ºmundo, nós, em que se exportava pasta para fora ao preço da uva mijona para esses países nórdicos ou outros como Alemanha produzirem papel a partir da nossa pasta que é aonde se ganhava dinheiro, aqui em Portugal passaram a fabricar também papel e a cada ano que passa papel com mais qualidade e valorizado pelo mercado, portanto, o setor é realmente importante na nossa economia

O que está errado é o desordenamento total existente, cada macaco no seu galho, eucalipto mal imp'lementado é terrivel tal como muitas outras coisas, se eu tivesse uma imensidão terrenos nunca iria plantar eucaliptos em toda a sua extensão, iria no mínimo intervalar as fases de crescimento do mesmo pois o eucalipto nos primeiros anos de vida não arde e pode servir de barreira a fogos que cheguem a outros eucaliptos noutra fase de crescimento
 
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