Floresta portuguesa e os incêndios

Certíssimo.



Certo.



O que é que isso tem a ver? As corporações de Bombeiros de Gavião e Mação já sabem que aquela zona por ser tão virgem é sempre potencialmente perigosa, se tinham uma viatura de prevenção em cada aldeia é óbvio que atacaram a ignição logo que a mesma despontou... não sei qual é a dificuldade de perceber isto. Quero é que me expliques por favor o que causou aquela ignição.
A ignição foi junto a Aldeia?
Os BB´s tinham lá uma viatura pre-posicionada?
Desconhecia pre posicionamentos armados durante a noite
 
A ignição foi junto a Aldeia?
Os BB´s tinham lá uma viatura pre-posicionada?
Desconhecia pre posicionamentos armados durante a noite

Sim, tinham lá uma viatura que inclusive passou por mim na tarde do dia anterior. Estava junto a um enorme asseiro que fizeram à pouco tempo naquela zona.
 
Sim, tinham lá uma viatura que inclusive passou por mim na tarde do dia anterior. Estava junto a um enorme asseiro que fizeram à pouco tempo naquela zona.
Mas então estavam lá de noite os BB's, certo? e a ignição foi junto a aldeia? Consegues colocar imagem do googlemaps pf?
 
Mas então estavam lá de noite os BB's, certo? e a ignição foi junto a aldeia? Consegues colocar imagem do googlemaps pf?

A informação que tive acesso foi através do Fogos.pt, assim que acordei verifiquei que tinha ocorrido uma ignição a essa hora e prontamente combatida por 1 Viatura e 2 meios humanos.
Como é natural, desconheço a localização da ignição bem como a presença da viatura no local. Apenas me foi passada a informação por um Bombeiro da aldeia que estariam 2 viaturas de prevenção 24/7 na Torre Cimeira e Fundeira com receio que algum IF pudesse deflagrar por ali.
A viatura é dos B.V de Gavião e a distância do quartel à aldeia é de cerca de 8km pela N244 que está em boas condições. Se realmente combateram a ignição foi logo ali no local, caso contrário eram cerca de 15m em que o fogo facilmente se propagaria em mato tão denso.
 
(Vídeo) Esta floresta-piloto de Mação resistiu ao fogo
Zona piloto de ordenamento florestal escapou praticamente ilesa aos incêndios que devastaram grande parte do concelho, no distrito de Santarém

http://www.tvi24.iol.pt/videos/soci...cao-resistiu-ao-fogo/59a3ee590cf2cd913a05aa03

Assim é que devia ser! Mas faltam apoios como referiu o responsável da câmara.

Os pinheiros devem ser desbastados de 2 formas:
- Cortar os pinheiros excedentes, de forma que os restantes não se toquem entre eles pelos ramos baixos;
- São cortados os ramos secos ao longo do tronco. Ex: num pinheiro de 5m de altura, pode-se cortar os ramos até 2m de altura.

A densidade também foi bastante reduzida com acessos e asseiros. Ainda assim, na minha opinião, ter apenas 1 projeto piloto, não suficientemente conclusivo (em termos de estatística).

Nota: Outra coisa que falta, são locais para depositar e queimar em segurança os sobrantes. Enfim, não é preciso queimar tudo o que se desmata, porque acaba por apodrecer no inverno/primavera, mas as cepas e ramos mais grossos, devem ser recolhidos.
 
Falei com populares, falei com bombeiros e inclusive algumas pessoas da protecção civil de Almada e de Gavião. Palavra de ordem que me foi passada em uníssono - Crime ambiental.

Para quem se designar a perder 1 ou 2 dias do seu tempo e dar uma volta pela paisagem agora árida, negra ao estilo marciano, vai facilmente chegar à conclusão que o aconteceu ali foi algo muito superior ao que a Natureza por ela própria pode originar.

Ou talvez sejamos todos teóricos da conspiração, do género daqueles que acham que a Universo teve a sua origem no Big Bang ou então que a terra é plana.

De facto não saímos do mesmo :D

A larga maioria dos incêndios em Portugal e não só deve-se à mão humana. Quem é que duvida disso?

A controvérsia reside sim nos motivos.Terrorismo, crime organizado, pirómanos... são tudo coisas muito diferentes.

Todos os anos há bateladas de ignições. Quando há condições favoráveis (como este ano) tudo arde com mais facilidade. A maioria dos incendiários reside no litoral (pudera já que é onde há maior densidade populacional) e, novamente, não há correlação entre ignições e área ardida.

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Se o interior está a ser abandonado qual é a surpresa quando há grandes incêndios (e neste tópico podem ser incluído o problema do eucalipto)? Os incêndiários sempre existiram e sempre existirão.

@Macroburst há algum problema com esta (clicar no 'esta') personagem? A apresentação é curta mas parece-me interessante.
 
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Assim é que devia ser! Mas faltam apoios como referiu o responsável da câmara.

Os pinheiros devem ser desbastados de 2 formas:
- Cortar os pinheiros excedentes, de forma que os restantes não se toquem entre eles pelos ramos baixos;
- São cortados os ramos secos ao longo do tronco. Ex: num pinheiro de 5m de altura, pode-se cortar os ramos até 2m de altura.

A densidade também foi bastante reduzida com acessos e asseiros. Ainda assim, na minha opinião, ter apenas 1 projeto piloto, não suficientemente conclusivo (em termos de estatística).

Ainda há uns milhares de hectares pinhal nessa zona que precisavam de intervenções como essa, desrama para impedir a continuidade vertical e desadensamento para evitar a condutividade horizontal do combustível.

Ao que parece havia projectos para gestão demais área em Mação que não foram aprovados... É aqui que está o problema! Porque não foram aprovados esses projectos? Porque não se faz programas de fogo controlado para reduzir a carga de combustível nos povoamentos florestais? Porque há dinheiro para tudo e mais alguma coisa menos para a gestão florestal?

É aqui que se devia fazer "barulho" e não em teorias de ondas terroristas que apenas servem para atirar areia para os olhos das pessoas e derespomsabilizar governos, autarquias e restantes entidades...

Ah e tal se não fosse a onda terrorista nada disto acontecia... Será?? :rolleyes:
 
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@MSantos acabas-te de resumir tudo, Prevenção, é algo que o concelho de Mação tem vindo a inovar e muito bem. Recordo que foi devido ao sistema Mac Fire e o kit Aldeia providenciado pela autarquia que muitas aldeias se salvaram.
Eu já vi este kit presencialmente e é extremamente útil, na Aldeia da Ortiga foi graças a ele que a população conseguiu extinguir as projecções que saltaram para os quintais etc.

Talvez se não existissem condições para alimentar a propagação dos incêndios a história poderia ser outra, assim como a motivação para o Dolo.
 
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Basta que faças retroceder e vais ver muita matéria deste tipo.

http://www.jornaleconomico.sapo.pt/noticias/quantos-incendiarios-tem-as-prisoes-em-portugal-198383

A informação foi disponibilizada pela Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais ao jornal Público e divulgada na edição desta quarta-feira do matutino. De acordo com esses dados, a Polícia Judiciária deteve 60 pessoas por suspeitas de atearem fogos só em 2017.

A maior parte dos detidos deste ano não tem um emprego estável, mas quatro tinham ligações ao combate aos incêndios: um é bombeiro, dois já foram bombeiros e um é sapador florestal da Sertã.

Do meu parco conhecimento tudo contribui, desde o vento até à espécie de árvores. O eucalipto, por exemplo, não é um fator causal dos incêndios mas um fator de risco acrescido. A remoção do eucalipto não acabaria com os incêndios mas poderia, quanto muito, reduzir a intensidade dos mesmos em certas ocasiões. Mas aí voltamos à eterna questão. A malta da cidade não voltará ao campo para cuidar de cabras e viver em casas de pedra. Acabar com o eucalipto é condenar o interior a uma maior pobreza e abandono. E isso mais cedo ou mais tarde gerará condições para incêndios igualmente devastadores.

Tu, implicitamente, pedes o impossível que é acabar com as ignições. Já te mostrei os gráficos apropriados que indicavam que antigamente as ignições eram muito superiores. Mas a proximidade das pessoas com a terra era outra daí que a área dos incêndios eram menores. Por outro lado, Portugal não tem um grande historial de densidade florestal. Portanto, os dados históricos estão muito enviesados. Se Portugal tivesse mantido grandes coberturas florestais do longo das eras a ocorrência de grandes incêndios florestais teria sido mais comum do que foi. O clima forçaria isso.

Vergonhoso é sim que Portugal, tendo em conta o seu reduzido tamanho e ao facto de que os incêndios são uma ocorrência anual, não tenha um corpo de combate mais eficiente. Mas isso também se deve aos desequilíbrios do território de um país relativamente pobre. Qual é o governo que vai gastar milhões e milhões para 'meia dúzia de pessoas' no interior? Os votos estão no litoral.
 
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M.Santos e Orion...exatamente, os vossos posts resumem bem porque não se soluciona parte do problema!
É preciso é que a sociedade perceba que o problema Incêndios Florestais não pode ser lido da forma que está a ser...
Os catalães do GRAF resumem muito bem a questão nesta frase (traduzida) : Ou geres tu (tu, sociedade) o bosque ou ele se gerirá por si mesmo!
Vamos supor, por absurdo que pareça, que reduzíamos as ignições por causa humana a zero...o que aconteceria é que haveria um ano em que uma trovoada seca (como ontem em Trás-os-Montes e Beira Alta) provocaria incêndios devastadores e incontroláveis, devido à acumulação de combustiveis e a continuidade!
Porque não ha noticias de incêndios caóticos em Montemuro, por ex? Dada a elevada recorrência do fogo nesse território, retorno de 2 anos por vezes, os incêndios nunca libertam energia em demasia e "facilmente" são controlados...
 
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A malta da cidade não voltará ao campo para cuidar de cabras e viver em casas de pedra. Acabar com o eucalipto é condenar o interior a uma maior pobreza e abandono.
on, post: 621120, member: 3817"]Acabar com o eucalipto é condenar o interior a uma maior pobreza e abandono. E isso mais cedo ou mais tarde gerará condições para incêndios igualmente devastadores.[/QUOTE]

Discordo. Querem fazer mono-cultura do Eucalipto criem espaços reservados para o efeito. Quem fizer uma viagem pelo Interior do País entra em depressão só em ver montes e montes com povoamento dessa árvore.
O Eucalipto tem mais desvantagens que vantagens, a desflorestação no Brasil nomeadamente na Floresta Amazónica é devido à criação de gado bovino e plantação de Eucalipto em quantidades abissais. É capaz de destruir todo um ecossistema num raio de centenas de km. As suas raízes sugam todo o tipo de água existente em seu redor, secam terrenos e impedem o crescimento das espécies autóctones.

Tu, implicitamente, pedes o impossível que é acabar com as ignições. Já te mostrei os gráficos apropriados que indicavam que antigamente as ignições eram muito superiores.

Ignições irão existir sempre. De forma natural ou não elas vão persistir. Quem me dera a mim e a todos nós que elas não existissem, resta-nos a todos trabalhar em conjunto e apostar sobretudo na prevenção.

A malta da cidade não voltará ao campo para cuidar de cabras e viver em casas de pedra. Acabar com o eucalipto é condenar o interior a uma maior pobreza e abandono. E isso mais cedo ou mais tarde gerará condições para incêndios igualmente devastadores.

Olhemos a situação por outro prisma, conforme mencionaste e bem mais tarde ou mais cedo irão existir condições para incêndios igualmente devastadores. Ai é que está, desertificação <- . É o que o Eucalipto faz e vai fazer num futuro próximo. A continuar a este ritmo ou habituas as vacas,cabras etc a comer folhas de Eucalipto ou então deixas a Pecuária de lado e tornamos o Interior do País num autêntico deserto do Sahara. De igual forma, não me parece que o Turismo Rural opte por destinos cuja Paisagem envolvente, seja de uma árvore originária de um País que fica a mais de 10 mil km de distância. Não seria muito agradável pagar uma pousada para fazer um trilho numa floresta de Eucaliptos.
 
Ainda há uns milhares de hectares pinhal nessa zona que precisavam de intervenções como essa, desrama para impedir a continuidade vertical e desadensamento para evitar a condutividade horizontal do combustível.

Ao que parece havia projectos para gestão demais área em Mação que não foram aprovados... É aqui que está o problema! Porque não foram aprovados esses projectos? Porque não se faz programas de fogo controlado para reduzir a carga de combustível nos povoamentos florestais? Porque há dinheiro para tudo e mais alguma coisa menos para a gestão florestal?

É aqui que se devia fazer "barulho" e não em teorias de ondas terroristas que apenas servem para atirar areia para os olhos das pessoas e derespomsabilizar governos, autarquias e restantes entidades...

Ah e tal se não fosse a onda terrorista nada disto acontecia... Será?? :rolleyes:

18% das ajudas da UE que se destinam à prevenção foram para meios de combate. Também verdade se diga que as ajudas destinam-se a produtores florestais (com CAE das finanças) e com propriedades >1ha (julgo eu), logo aí 95% da população rural é excluída!
 
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Querem fazer mono-cultura do Eucalipto criem espaços reservados para o efeito. Quem fizer uma viagem pelo Interior do País entra em depressão só em ver montes e montes com povoamento dessa árvore.

'Querem'? O Eucalipto é uma importante fonte de rendimento para o pequeno produtor. Não há aqui grandes conspirações. Planta-se porque dá dinheiro.

Não vou questionar a indignação relativa à prevalência do Eucalipto.

Eucalipto tem mais desvantagens que vantagens, a desflorestação no Brasil nomeadamente na Floresta Amazónica é devido à criação de gado bovino e plantação de Eucalipto em quantidades abissais. É capaz de destruir todo um ecossistema num raio de centenas de km. As suas raízes sugam todo o tipo de água existente em seu redor, secam terrenos e impedem o crescimento das espécies autóctones.

O Brasil é um bom tópico. Do meu conhecimento o desmatamento deve-se mais à agricultura (o Brasil é um dos maiores produtores) e as consequências já se vêem nomeadamente na questão do equilíbrio hidrológico. Mas no fundo a questão é a mesma: há procura pelos produtos agrícolas e há pobreza brutal no interior brasileiro. Certamente as grandes fazendas predominam mas para o governo é indiferente. Não obstante as diferenças nominais, o dinheiro do pobre tem a mesma utilidade que o dinheiro do rico. O governo precisa de dinheiro para que a população fique contente e vote nos representantes eleitos.

O Brasil acabou de condenar mais uma grande parcela da Amazónia para a indústria mineira. Todos têm razão. É uma desgraça mas é preciso dinheiro.

Onde estão as grandes florestas e os animais de grande porte na Europa e nos EUA? Não somos todos hipócritas de uma forma ou de outra? Ficamos agastados porque assistimos à devastação. Mas ela acontece e aconteceu em todo o lado. A desflorestação no sudeste asiático é abismal por causa do óleo de palma. Para onde é que o mesmo vai? Para o ocidente (e mais agora para a China).

É o que o Eucalipto faz e vai fazer num futuro próximo. A continuar a este ritmo ou habituas as vacas,cabras etc a comer folhas de Eucalipto ou então deixas a Pecuária de lado e tornamos o Interior do País num autêntico deserto do Sahara.

E qual é a solução? Ao estilo do Estaline em que se obriga as pessoas a ir viver para o interior? A solução à Costa em que se guetiza os sírios para fazer as tarefas que os tugas não querem fazer (gestão florestal)? Isso não é exequível numa democracia liberal.

A questão do ordenamento requer recursos enormes para implementar e manter. Retirar biomassa é reduzir biodiversidade. Da mesma maneira que não tem muito nexo limpar exaustivamente os parques naturais, uma limpeza exaustiva dos terrenos em termos nacionais implicaria uma reorganização do território tão brutal que nenhum governo terá muito interesse em fazê-la.

De igual forma, não me parece que o Turismo Rural opte por destinos cuja Paisagem envolvente, seja de uma árvore originária de um País que fica a mais de 10 mil km de distância. Não seria muito agradável pagar uma pousada para fazer um trilho numa floresta de Eucaliptos

Honestamente duvido que a maioria dos turistas saiba a espécie das árvores. Se meteres umas casas no meio de colinas com um riacho e um bosque (independentemente da espécie) provavelmente a sensação de bem estar será a mesma :D

A quase totalidade dos planos ambientais estão destinados a falhar porque há que satisfazer as necessidades das pessoas. E proibir nada faz. A pesca ilegal, por exemplo, devasta a pesca legal. Se condicionares o cultivo do eucalipto legal o ilegal irá florescer.

Neste tipo de coisas sou bastante pessimista. Só grandes estoiros podem reverter tendências. Pode parecer que estou a derivar do tópico mas está tudo relacionado. Individualmente somos inocentes mas coletivamente somos culpados. É fácil não ter noção da quantidade de recursos que é preciso para sustentar uma população enorme. No outro dia fiquei pasmo com isto:

Let’s return to Pakistan. In 1947 it had 27 million people and now has over 200m. This gives a doubling time of roughly 25 years. Now assume for a moment that the ultras have their way and the doubling time stays unchanged. Then 25 years later there will be 400m Pakistani CNIC holders.