Floresta portuguesa e os incêndios

Ninguém comenta? Gostava de ouvir opiniões...

Não me parece de todo viável ou funcional uma solução desse tipo. Preferiria equipar esses locais com terminais hidráulicos e acessos adequados a emergências.
 
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Por exemplo uma medida que podia servir para mitigar mortes for fenómenos extremos é uma rede de abrigos subterrâneos nas zonas de maior densidade florestal. Tinha a mais valia de ser um ponto para onde as pessoas sabiam que podiam ir. Estaria a cargo, por exemplo dos bombeiros e seria aberto por ordem da protecção civil local. Não tinham de ser muito grandes.

Há o problema do fumo.
Mas são ideias que se devem pensar, o professor Xavier Viegas falou disso há meses, nas aldeias existir um ponto de emergencia, um safe point, não precisa de ser um abrigo subterraneo, pode ser uma zona segura com uma construção, até uma vivenda de um morador, com um perimetro seguro, antigamente em muitas aldeias as pessoas refugiavam-se nas capelas pois a construção era melhor que as casas e tinham largos à volta.

Li notícias que nos incêndios deste fim de semana nalgumas aldeias pensaram dessa forma, em Pedrogão muitas pessoas fugiram quando tendo casas vulneráveis poderiam ter ido para casas mais seguras de outras pessoas, mas muitas vezes as pessoas nem se conhecem ou as casas estão vazias porque moradores vivem fora. Isso pode ser feito, com um plano.

Mas isso implica dedicação e trabalho e vontade de mudar, seria uma especie de plano de emergência feito para cada localidade por mais pequena que seja. Dá trabalho ? Dá algum, mas não é assim tão dificil.

Mas o professor Viegas uma vez também falou que deveria haver folhetos explicativos a chegar às pessoas em casa, acho que até propôs isso há uns anos. Nunca se viu isso, e aí voltamos à política, não podemos dissussiar a politica disto! Mais depressa gastam dinheiro a mandar uma carta eleitoralista a anunciar um aumento de tostões na reforma ou uma revista da camara municipal do que gastam nisto.

Depois há os que estão em movimento nas estradas, no fim de semana foi caotico, a informação não chega às pessoas. Vou ao site da protecção civil e vejo o quê? Que começou um incêndio neste local. E que faço com isso? Vou ao site da câmara municipal e não tem lá nada, nem um aviso, nem um ponto situação, nada. Vou ao facebook da câmara municipal e também nada. Ligo a televisão e estão a falar de futebol.

Portugal é fracassado e disfuncional, novamente a politica, não se pode separar. Num relatório refere-se o desperdício do conhecimento. Temos muitos jovens formados no desemprego, floresta, protecção civil, meteorologia, muitos estudos feitos que depois não chegam aonde é preciso pois estas estruturas são ocupadas por afinidades partidárias.

Alguém viu campanhas na televisão em horário nobre nos dias de maior risco a alertar para se ter cuidado com beatas, churrascos, queimadas ? Eu não vi nada. Quando era mais novo viam-se.
 
Olha que não é bem assim, há muitas casas que arderam e as pessoas morreram lá dentro...
Em Pedrogão só 4 pessoas morreram dentro de casa. No Domingo/Segunda a grande maioria foi a defender barracões e nos carros.
A maioria das casas que arderam não eram habitadas ou eram segunda habitação.
Mas mais do que isso é obedecer ás ordens de evacuação não ficar até à última. Mas é infelizmente é muito difícil uma pessoa deixar tudo o que tem para trás.
 
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Alguém viu campanhas na televisão em horário nobre nos dias de maior risco a alertar para se ter cuidado com beatas, churrascos, queimadas ? Eu não vi nada. Quando era mais novo viam-se.

Verdade. Lembro-me de em miúdo ainda na Primavera ver anúncios desse género. "Não atire cigarros para o chão, não faça fogueiras" etc.
 
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Verdade. Lembro-me de em miúdo ainda na Primavera ver anúncios desse género. "Não atire cigarros para o chão, não faça fogueiras" etc.

E era preciso uma campanha dura, com imagens duras, a explicar que os incêndios MATAM!
E uma linha de denuncia, para efeitos de dissuasão. Depois há a vertente judicial, flagrante e grave incúria poucas ou nenhumas consequências tem, mesmo o fogo posto os juízes quase sempre suspendem as penas.
O Estado demitiu-se das suas responsabilidades e por isso não peçam para não se falar de politica.
 
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Não estou a insultar Agreste, só acho que te fica mal e aos leitores que nos lêem.. Como não tens nenhuma propriedade num pinhal interior, não sabes do que falas: nunca limpaste mato, não fazes ideia de quantos anos são necessários para rentabilizar um pinhal, e até pensas que as pessoas não pagam impostos das suas propriedades, dizes coisas sem sentido.

Por acaso os incêndios em propriedade minha começaram em setembro 1989... de origem negligente porque alguém decidiu amolar um machado à porta de casa. Naquele tempo, sem fundos comunitários, a ajuda do estado cifrou-se num cheque de menos de 10 escudos. Coisas que já ninguém se lembra.

Depois em 1993 ardeu de novo... estava vento sueste forte e duas fases de um cabo de média tensão tocaram-se e começou um incêndio.

Acompanhando as 2 ocorrências milhentas teorias de fogo posto e origem criminosa.
Ontem e hoje, o que mudou? Só a propriedade privada que dividiu em bocados cada vez mais pequenos, as cooperativas agrícolas morreram e o egoísmo que cresceu na proporção inversa assim como o abandono.
 
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E era preciso uma campanha dura, com imagens duras, a explicar que os incêndios MATAM!
E uma linha de denuncia, para efeitos de dissuasão. Depois há a vertente judicial, flagrante e grave incúria poucas ou nenhumas consequências tem, mesmo o fogo posto os juízes quase sempre suspendem as penas.
O Estado demitiu-se das suas responsabilidades e por isso não peçam para não se falar de politica.

Claro que sim, no entanto isto é um problema estrutural e já vem dos sucessivos anteriores governos que nada fizeram pela floresta. Desde miúdo que venho a observar aos poucos, o abate de espécies autóctones para a monocultura do Eucalipto na região centro. E ao longo destes anos, sempre que por lá passava dizia sempre aos meus familiares "Isto é uma bomba relógio, qualquer dia vai tudo".
E com isto não quero dizer que a árvore é a principal culpada do que está a acontecer. Não podemos é pedir o "sangue" a um governo que está em funções à 2 anos e querer resultados imediatos. Uma reforma florestal deste calibre é algo para demorar seguramente uma década senão mais. Daqui a 2 anos muda-se o governo e lá vai a reforma florestal por um canudo. Quanto às penas, nem quero ir por ai, na teoria temos o melhor código penal do Planeta, na prática é um autêntico desastre.
 
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Eu não digo que não seja necessário, mas a ideia de serem precisas campanhas a alertar para se ter cuidado com beatas, churrascos e queimadas nas circunstâncias actuais, faz-me temer que grande parte dos cidadãos deste país sejam atrasados mentais, sem qualquer ofensa para as verdadeiras vítimas de atrasos cognitivos. Faz-me ter vergonha alheia e é, de certa forma, quase ofensivo para quem tem mais de 2 neurónios funcionais. O pior é que é, aparentemente, mesmo necessário.
 
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Eu não digo que não seja necessário, mas a ideia de serem precisas campanhas a alertar para se ter cuidado com beatas, churrascos e queimadas nas circunstâncias actuais, faz-me temer que grande parte dos cidadãos deste país sejam atrasados mentais, sem qualquer ofensa para as verdadeiras vítimas de atrasos cognitivos. Faz-me ter vergonha alheia e é, de certa forma, quase ofensivo para quem tem mais de 2 neurónios funcionais. O pior é que é, aparentemente, mesmo necessário.

Pois está claro. A isso chama-se senso comum, mas por incrível que pareça há mesmo quem precise de um "abanão".

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Uma reforma é trabalho para gerações e eu também não sou adepto de demissões, como referi atrás, a esquerda como PCP e Bloco é que passava a vida a pedir a demissão de ministros por coisas muitíssimo menos graves.

Neste caso contudo tenho opinião diferente, a ministra é um erro desde o início, não tem perfil para este ministério que normalmente tem pesos pesados, o próprio Costa foi MAI, ela não transmite segurança, só lá está porque é maleável por interesses superiores, uma marioneta. Ultimamente tem sido penoso, a mulher parece estar em sofrimento. Já por exemplo a substituição do porta voz da Protecção civil foi boa, uma pessoa firme que transmite autoridade, alguma serenidade e segurança, o anterior irritava-se com perguntas dos jornalistas, também não tinha perfil.

Além que pedidos de demissão não tem a ver com reformas tem a ver com o que se passou, desde os boys na protecção civil às mortes de dezenas de pessoas num incêndio que começou muitas horas antes, ou a outras coisas graves como esta por ex:

Comandante mandou suspender fita do tempo nas horas do caos em Pedrógão
https://www.publico.pt/2017/10/12/p...o-que-dificulta-apuramento-da-verdade-1788644



Sobre a reforma florestal, além de terem sido ignorado o contributo de especialistas e várias associações, olha-se para o orçamento 2018 apresentado há dias e não está lá quase nada, se já é pouco antes das cativações imaginem o que sobra
Ou seja, muito papel, leis e conversa fiada.

Mudanças na floresta: onde pára o dinheiro?
Quem, nos meios políticos e nos “fazedores de opinião”, perguntou onde está a prioridade da floresta no Orçamento para 2018?
https://www.publico.pt/2017/10/11/economia/opiniao/mudancas-na-floresta-onde-para-o-dinheiro-1786659


O Estado até tem agora aonde dar o exemplo. O Pinhal de Leiria ardeu, peguem naquilo e façam um marco histórico, plantem outra espécie, passará a ser o Carvalhal de Leiria ou outra coisa que se dê lá bem. Pinheiro bravo como se viu nalgumas fotografias não é muito melhor que eucalipto, parece uma refinaria de petróleo a arder.

O Costa até podia ficar para a história, começar uma revolução, os grandes lideres revelam-se nos momentos difíceis e não nos fáceis, assumem os problemas e não fogem deles nem os escondem, mas como vimos a seguir a Pedrogão nada disso vai acontecer, é melhor que tudo se esqueça rapidamente com umas medidas de cosmética e muita conversa fiada.