Floresta portuguesa e os incêndios

Eu acho que tem solucoes, e preciso sim imaginacao.

Por exemplo, nao vejo por que motivo todo o pais tem de pagar o mesmo IVA e o mesmo IRC. Nao me chocaria que as antigas cidades comerciais de fronteira como Valenca, Chaves, Elvas ou VRSA tivessem IVA igual ou inferior ao espanhol. Tens nocao do dinheiro que os portugueses deixam diariamente em Ayamonte? Nao me chocaria tambem que em concelhos de fronteira houvesse uma taxa de IRC especial para quem criasse mais de x empregos. Tambem acho que seria interessante cortar nas vagas para o Superior no Litoral e aumentar no Interior, e ao mesmo tempo obrigar os privados do Litoral a cortar nas vagas. E ha muito a fazer em termos de regulamentacao do eucalipto, ou medidas que tornem o mercado fundiario mais dinamico.

Mas ninguem quer saber. Quase toda a gente sente que Portugal e a Grande Lisboa e o litoral algarvio onde as elites passam o Verao.
Quando disse que não tinha uma solução fácil não era nesse tipo de questões que pensava. Claro que essas medidas que referiste já deviam estar implementadas à muito tempo. Eu pensava noutros problemas como povoados mínimos e muito dispersos pela floresta, o ordenamento florestal com essa rede de floresta nacional que referiste, enfim... difícil de resolver e que requer que todos rememos para o mesmo lado.
 
Devemos distinguir a reforma da floresta nacional em dois momentos. Em nenhum deles vou entrar em questões politicas e qualquer leitura nesse âmbito que possam fazer é pura especulação, e perceberão porquê!
A meu ver não seria necessário morrerem mais de 100 pessoas para se discutir esta questão, aliás, quem trabalha na área percebe o que estou a escrever!
Bom, a curto prazo (primeiro momento) parece me que vamos no caminho certo, i.é, reforço dos serviços florestais (ICNF) quer no seu papel de prevenção estrutural (papel de primordial importância), quer no seu papel (perdido na década de 80) de responsável pelo combate ao incêndio florestal (puro)!
Este reforço será ao nivel operacional executor (mais equipas de sapadores florestais) e ao nível técnico planeador/executor (equipas GAUF/DFCI), o que é fundamental!
Isto permitirá ganhar algum tempo (uma década eventualmente) se for executado à escala da paisagem!
Num segundo momento, mas a iniciar já, será necessário reverter as migrações internas da população, fixando as pessoas no interior!
Naturalmente que terá de haver politicas concretas de fixação da população e incentivo à natalidade!
Neste ponto há que trabalhar em dois eixos: por um lado promover centros urbanos médios nas capitais de distrito (terão que ser de facto centralidades ao nível da Justiça, saúde, educação, comércio, cultura, acessibilidade, lazer), bem como favorecer os pequenos centros nas vilas e cidades do interior dos já afastados distritos Portugueses do interior!
Não podemos pensar em fechar tribunais, escolas, centros de saúde ou retirar competências de decisão ao já fraco poder local...assim, seguramente não vamos lá!
Fácil não será, nem o primeiro nem o segundo momentos!
Os bombeiros já abriram uma guerra com a Estrutura de Missão que esta encarregue desta reforma no primeiro momento...o estado já abriu guerra com o interior do país há muitas décadas, na perspectiva do segundo momento...de qualquer forma se não se avançar agora, com mais de 100 mortos, não será seguramente para o meu tempo de vida que se avance (e ainda espero viver uns anitos ;))
 
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Câmara do Fundão cria pelouro para reflorestar Serra da Gardunha
03 DE NOVEMBRO DE 2017 - 10:57


A Câmara Municipal do Fundão criou um novo pelouro que visa reflorestar e potenciar as áreas fustigadas pelos incêndios de agosto.

Em declarações à TSF, Paulo Fernandes, presidente da Câmara Municipal do Fundão, explicou que o 'pelouro da Gardunha' vem responder à necessidade da formulação de um plano de vigilância e prevenção na serra, de maneira a criar condições para que a zona ganhe novamente vida.

Paulo Fernandes, presidente da Câmara do Fundão, revela o porquê de ter criado o novo pelouro
"Considerei que era fundamental ter, permanentemente, alguém no quadro do executivo que estivesse a construir um novo plano integrado para a regeneração da Serra da Gardunha".

Os prejuízos totais diretos dos incêndios, no concelho do Fundão, rondaram os 14 milhões de euros e a rearborização 7 milhões.

Durante o mandato, Paulo Fernandes espera injetar no orçamento municipal, "pelo menos nos primeiros anos", mais de um milhão de euros anuais para este propósito. O pelouro fica a cargo de Paulo Águas, doutorado em Desenvolvimento Sustentado e Ordenamento do Território.
https://www.tsf.pt/sociedade/interi...ra-reflorestar-serra-da-gardunha-8891636.html
 
Os alunos poderiam ficar na aldeia e ir a universidade apenas para ter as praticas e serem avaliados.

Estás a ver o Joãozinho numa aldeia perto de Freixo de Espada a Cinta conseguir uma boa largura de banda para efectuar um stream que lhe permita aprender o mesmo que aprende em 90 ou mais minutos numa sala de aula ?

Isso são ideias que na teoria são realmente inovadoras, o problema é que não tens infraestrutura nem 'segurança' informática para realizar tal procedimento.
Se me disseres, um pacote de apoio exclusivo para os alunos que residem nas zonas mais interiores para a frequência seja de que ensino for ainda acredito, agora algo descrito acima é complicado na realidade Portuguesa.

Sem olhar a fins Políticos, temos de agradecer ao Governo de Direita do PPC a manifesta vontade em regredir o ensino. O anterior ME deve ter sido o pior ministro que já conheci.
 
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Uma coisa é apontar o dedo à esquerda ou à direita, outra é dizer que isto só se resolve politicamente. Também na idade média, foram tomadas decisões políticas para repovoar o interior do país. As terras pertenciam aos senhores feudais ou ao clero (ordens religiosas), que por sua vez, imagino que tenham contratado todo o tipo de profissionais ("pedreiros", carpinteiros, ferreiros,..) para construir aldeias em conjunto com o povo que em troca pagaria um imposto para trabalhar nas terras (fixo + variável + horas ou dias a trabalhar para os senhores).

Hoje em dia, quando se fala em repovoar, também deve ser sinónimo de tomada de decisões políticas que levem a cabo reformas estruturais profundas. As terras não se repovoam por decreto, o interior precisa de sangue novo, mas para isso acontecer o estado deve intervir favorecendo a economia local. Baixar impostos e portagens já não chega (tarde de mais), apostar nos produtos artesanais num mercado global, não dá alimento para todos. Uma cesta vem do exterior a menos de 5 EUR, enquanto que por cá custaria no mínimo 20 eur produzida artesanalmente. Hoje em dia, são objetos meramente decorativos vendidos em feiras e até em tamanho reduzido. Incentivos à natalidade já existem há anos e não funciona: Oleiros oferece 5 mil eur / nascimento a residentes e bolsa de estudo, Vila de Rei já chegou a oferecer 2500eur + terreno + casa para novos residentes, e em ambos casos continuam a ver reduzir a sua população.

A realidade é esta: a floresta só dá beneficio ao fim de 10, 30 ou 40 anos (depende das espécies). A agricultura local é e continuará a ser de subsistência, pois no meio rural não há mercado, ou seja, todos os vizinhos produzem o mesmo, não precisam de comprar hortícolas, fruta ou até mesmo carne (exceto peixe). Não passam fome, mas precisam de uma fonte de rendimento que lhes dê dinheiro para o resto: saúde, ensino, vestuário.. Daí o êxodo rural e a imigração!

Solução:
- Investir na floresta, só tem retorno a longo prazo.
- Investir em produtos regionais: alguns dão rendimento (mel, queijo, presunto, aguardente), outros não têm mercado.
- Investir em serrações e industria transformadora de madeira? Onde está a floresta?
- Cortar de vez com interesses instalados: contratos com empresas privadas para apagar fogos (aviões, helicópteros) quando podemos ser nós a fazê-lo. Tornar fixa a remuneração de um bombeiro, sem componente variável. Regular o n.º máximo de admissões de bombeiros por corporação.
- Haver seguros para a floresta. Se os seguros continuarem incomportáveis ou até inexistentes, só pode ser sinal que o trabalho está por fazer na reforma florestal.

O que falta então, para repovoar o interior? Faltam empresas: Com a vinda de empresas, fixam-se novas pessoas, por sua vez renasce o comércio e por acréscimo os serviços.

Nota: Vendo bem as coisas, as empresas dos senhores feudais e das ordens religiosas eram sem sombra de dúvida, as aldeias! Hoje os senhores feudais são quem nos governa, as suas empresas são os interesses instalados, o seu povo são os votos e o interior não passa de um baldio, uma reserva de caça, ou um local de passagem a caminho de Espanha.
 
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- Cortar de vez com interesses instalados: contratos com empresas privadas para apagar fogos (aviões, helicópteros) quando podemos ser nós a fazê-lo..

Sai muito mais caro. Contrata-se a civis temporariamente. Passar as responsabilidades para a FAP implica um investimento permanente.

- Haver seguros para a floresta. Se os seguros continuarem incomportáveis ou até inexistentes, só pode ser sinal que o trabalho está por fazer na reforma florestal.

Só com elevado subsídio estatal e não há margem para isso.

O que falta então, para repovoar o interior? Faltam empresas: Com a vinda de empresas, fixam-se novas pessoas, por sua vez renasce o comércio e por acréscimo os serviços.

Até já respondeste:

As terras não se repovoam por decreto, o interior precisa de sangue novo, mas para isso acontecer o estado deve intervir favorecendo a economia local. Baixar impostos e portagens já não chega (tarde de mais), apostar nos produtos artesanais num mercado global, não dá alimento para todos.

Em todo o lado as pessoas abandonam o campo para ir para as grandes cidades e, como tal, fico admirado como é que se lançam palpites supostamente infalíveis para inverter a tendência. As pessoas vão para a cidade para ter melhor nível de vida global (salários, entretenimento, facilidade de deslocamento...).

Eu olho para Espanha e é isto que vejo -> Madrid é uma capital geograficamente e administrativamente central cujo objetivo é o controlo do país. A maioria da população vive no litoral e as áreas com menos precipitação (sul/oeste) têm baixa densidade populacional (alguém vê semelhanças com o Alentejo?). Se nem no vizinho, mais rico, se reverteu a desertificação não me parece que isso seja exequível em PT.

Implementar mini-paraísos fiscais intra-territoriais é problemático a vários níveis, começando pelo facto que isso não leva necessariamente à criação de emprego abundante. Mais, paraísos fiscais perto da fronteira não vai agradar Madrid e ninguém impede a realização de truques administrativos para se deslocalizar a sedes das empresas apenas e só para se pagar menos impostos.

Acabar com os povoamentos no meio da floresta só pode ser feito de 2 formas -> Corta-se a floresta ou o estado assume os custos de uma deslocação populacional. Mas nenhuma das 2 vai acontecer por motivos diferentes.

Podem escrever que criticar é fácil, sim. Mas eu respondo que escrever soluções irrealistas também. Se fosse fácil há muito que tinha sido feito.
 
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Sai muito mais caro. Contrata-se a civis temporariamente. Passar as responsabilidades para a FAP implica um investimento permanente.

É caro porque o sistema está viciado: O negócio do fogo existe, mesmo que de forma subtil (atacar o fogo de forma ineficiente, para que resultem mais horas de trabalho). Sem negócio, os incêndios apagam-se mais rápido.

Só com elevado subsídio estatal e não há margem para isso.
Não, o que eu referi é que enquanto os seguros forem incomportáveis ou inexistentes, significa apenas e só que o estado não fez bem o trabalho de casa: reforma da floresta -> reduzir o risco -> baixar seguros (os seguros são função da probabilidade de ocorrer um sinistro).

Em todo o lado as pessoas abandonam o campo para ir para as grandes cidades e, como tal, fico admirado como é que se lançam palpites supostamente infalíveis para inverter a tendência. As pessoas vão para a cidade para ter melhor nível de vida global (salários, entretenimento, facilidade de deslocamento...).

As pessoas abandonam o campo, não porque gostem muito mais da cidade, mas porque precisam de dinheiro. O contexto atual é um acumular de décadas de abandono (já não há juventude nas aldeias), logo não existe a vida social que existe nas cidades. As infraestruturas (água, eletricidade, saneamento, estrada alcatroada) chegaram tarde às aldeias.

As pessoas em geral adoram a sua terra, e até mesmo os emigrantes partem com a ideia de regressar um dia, alguns não regressarão nunca pelos filhos nascidos noutros países.

Se nos interrogarmos, sobre o porquê das coisas recursivamente, chegamos sempre à mesma conclusão: falta emprego. Por isso, criem-se empresas e logo virá o comercio, os serviços, mais jovens / casais e vida social. Amor à terra nunca deixará de existir.

Comparar Portugal a Espanha, não é boa ideia, somos parecidos a nuestros hermanos. Ou melhor, os erros políticos são quase os mesmos. Ainda assim, Espanha protege melhor os seus, apesar da subsidio-dependência, mas também é com isso que derrotam os nossos produtores. Por mim, deviam ser banidos os subsídios em toda a Europa.
 
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Se nos interrogarmos, sobre o porquê das coisas recursivamente, chegamos sempre à mesma conclusão: falta emprego. Por isso, criem-se empresas e logo virá o comercio, os serviços, mais jovens / casais e vida social. Amor à terra nunca deixará de existir.

Criem-se empresas? :D

Quando há fundamentos elas aparecem.

O que seria de Almaraz sem a central nuclear? A indústria local faz parte do passado e não volta. A digitalização irá apenas exacerbar isso.

Por mim, deviam ser banidos os subsídios em toda a Europa.

Em termos político-sociais isso seria um desastre.
 
Estás a ver o Joãozinho numa aldeia perto de Freixo de Espada a Cinta conseguir uma boa largura de banda para efectuar um stream que lhe permita aprender o mesmo que aprende em 90 ou mais minutos numa sala de aula ?

Isso são ideias que na teoria são realmente inovadoras, o problema é que não tens infraestrutura nem 'segurança' informática para realizar tal procedimento.
Se me disseres, um pacote de apoio exclusivo para os alunos que residem nas zonas mais interiores para a frequência seja de que ensino for ainda acredito, agora algo descrito acima é complicado na realidade Portuguesa.

Sem olhar a fins Políticos, temos de agradecer ao Governo de Direita do PPC a manifesta vontade em regredir o ensino. O anterior ME deve ter sido o pior ministro que já conheci.

A questao da seguranca nao se coloca. Os alunos na UP tem uma password de acesso ao Sigarra e ao Moodle. As aulas ficariam em stream no Moodle para os alunos verem quando entendessem. Ja a questao da largura de banda e interessante mas algo assim seria sempre opcional.

Na minha faculdade, na Universidade do Porto, TODAS as aulas eram gravadas num gravador pelas comissoes de curso e ficavam disponiveis para os alunos. Dava imenso jeito aos trabalhadores-estudantes e para desenrascar na epoca de exames em cadeiras mais complicadas. O que proponho ja se faz ou ja se fez em moldes diferentes.
 
[QUOTE="Orion, post: 633834, member: 3817]


Em termos político-sociais isso seria um desastre.[/QUOTE]
Eu disse banir por completo, os subsídios à produção em toda a união europeia.

Faz algum sentido a Polónia colocar cá os produtos mais baratos que os nossos? E Espanha, ganham mais, e os seus subsídios eliminam os nossos produtores. Achas bem? Será que não há mais onde despejar dinheiro??
 
Criem-se empresas? :D

Quando há fundamentos elas aparecem.

O que seria de Almaraz sem a central nuclear? A indústria local faz parte do passado e não volta. A digitalização irá apenas exacerbar isso.
Depende.. Existem reformas estruturais para tudo, nós elegemos para que nos governem, para que também o governo seja empreendedor, mas sem estatizar.

Por exemplo Orion, à partida seria impensável encher a costa mediterrânea (Múrcia, Castilha la mancha) com estufas.. Onde está a água?? Ah ok, vamos fazer transvases desde o Tejo e outros rios, enfim uma obra megalómana, mas que depois se paga.. Daí o criarem-se empresas em resposta a um investimento, numa região que hoje em termos de clima é quase deserto.
 
Grupo Pestana doa mais de meio milhão de euros para combate aos incêndios
O grupo hoteleiro vai ceder 60 hectares de terrenos para a criação de uma faixa corta-fogo

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O Governo Regional conta agora com mais 60 hectares (o equivalente a 60 campos de futebol) cedidos pelo Pestana Hotel Group para criar um perímetro de segurança à volta do Funchal, naquela que é denominada de Faixa de Gestão de Combustíveis ou Corta-Fogo.

http://www.rtp.pt/madeira/politica/...lho-de-euros-para-combate-aos-incndios-_13257
 
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