Devemos distinguir a reforma da floresta nacional em dois momentos. Em nenhum deles vou entrar em questões politicas e qualquer leitura nesse âmbito que possam fazer é pura especulação, e perceberão porquê!
A meu ver não seria necessário morrerem mais de 100 pessoas para se discutir esta questão, aliás, quem trabalha na área percebe o que estou a escrever!
Bom, a curto prazo (primeiro momento) parece me que vamos no caminho certo, i.é, reforço dos serviços florestais (ICNF) quer no seu papel de prevenção estrutural (papel de primordial importância), quer no seu papel (perdido na década de 80) de responsável pelo combate ao incêndio florestal (puro)!
Este reforço será ao nivel operacional executor (mais equipas de sapadores florestais) e ao nível técnico planeador/executor (equipas GAUF/DFCI), o que é fundamental!
Isto permitirá ganhar algum tempo (uma década eventualmente) se for executado à escala da paisagem!
Num segundo momento, mas a iniciar já, será necessário reverter as migrações internas da população, fixando as pessoas no interior!
Naturalmente que terá de haver politicas concretas de fixação da população e incentivo à natalidade!
Neste ponto há que trabalhar em dois eixos: por um lado promover centros urbanos médios nas capitais de distrito (terão que ser de facto centralidades ao nível da Justiça, saúde, educação, comércio, cultura, acessibilidade, lazer), bem como favorecer os pequenos centros nas vilas e cidades do interior dos já afastados distritos Portugueses do interior!
Não podemos pensar em fechar tribunais, escolas, centros de saúde ou retirar competências de decisão ao já fraco poder local...assim, seguramente não vamos lá!
Fácil não será, nem o primeiro nem o segundo momentos!
Os bombeiros já abriram uma guerra com a Estrutura de Missão que esta encarregue desta reforma no primeiro momento...o estado já abriu guerra com o interior do país há muitas décadas, na perspectiva do segundo momento...de qualquer forma se não se avançar agora, com mais de 100 mortos, não será seguramente para o meu tempo de vida que se avance (e ainda espero viver uns anitos

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