Atenção que nem tudo é espectacular com bovinos, os bovinos são animais de grande porte que por isso mesmo podem causar problemas de compactação do solo se o encabeçamento for exagerado.
Sim, isso só acontece se houver excesso de gado no mesmo local (normalmente áreas limitadas e fechadas).
Na Faia Brava, que é uma pequena área protegida privada gerida pela ATN no vale do Côa as maronesas causavam bastantes impactos nas árvores (partiam bastantes) e complicavam a regeneração natural, para mim enquanto antigo técnico florestal da ATN foram uma dor de cabeça!
Pois isso depende de muita coisa, a área que mostrei acima é frequentada durante anos, pelas vacas Maronesas de um agricultor (se bem que elas não passam ali o tempo inteiro, mas também são livres de lá ir sempre que querem).
Ele quando as leva para o monte, vai com elas, depois deixa-as sozinhas e elas depois voltam por elas e esperam por ele, junto a uns muros de pedra (perto de um portão).
Acontece, que em vez do dono fui eu que apareci (lá dentro) e elas após alguns momentos de tensão, lá decidiram dar umas tréguas e a curiosidade foi lhes vencendo o medo... Algumas eram bem grandes e facilmente me podiam atirar ao ar (e eu não sou pequeno).
Após uma meia hora, já me queriam seguir, como se fosse o seu dono, sempre que eu percorria o caminho normal de regresso a casa. Nunca me senti ameaçado, mas respeitei-as, não fazia movimentos bruscos, nem barulho e preocupava-me em não lhes barrar o caminho.
Com as maronesas havia outros problemas de ordem prática como foi o seu rápido assilvestramento, ficaram muito selvagens, escondiam-se e por vezes era muito difícil encontra-las na reserva para fazer as vistorias anuais e marcação de vitelos. Parecia surreal como se podia perder trinta e tal vacas numa propriedade de 1000h, por vezes era preciso fazer um safari para as ver e às vezes só com binóculos as víamos à distância. Uns verdadeiros auroques!
Pois, eu conheço as Maronesas da Faia Brava (afinal fui eu que seleccionei a maior parte das vacas Maronesas fundadoras para vocês (além de um touro espectacular)) e é uma reserva que já visitei pessoalmente... Antes de irem para a Faia Brava, tinham um comportamento normal, como o das outras vacas Maronesas, mas o assilvestramento rápido é uma consequência normal, se estudarmos as suas origens, as suas características físicas, o seu comportamento, etc...
Se vocês as deixarem no campo, sem qualquer tipo de manuseamento, elas tornam-se bravas...
Mas fica aqui uma curiosidade: há raças (como a Jersey, algumas leiteiras da Europa Central, etc...), que são por vezes bem agressivas contra as pessoas (sobretudo os touros), já as Maronesas não tenho observado isso (as Maronesas têm antes o hábito de fugir das pessoas e só em casos muito extremos se podem tornar defensivas (e tentam avisar várias vezes, antes de investir) e no entanto, estão muito mais perto do auroque.
Isto também vem mais de encontro, ao comportamento observado em animais selvagens.
Os garranos eram mais fáceis, alguns deles já com anos a viver no mato e ainda se aproximavam para lhes fazer-mos festas!
O objectivo dos grandes herbívoros na Faia Brava era o controlo de matos e a redução do risco de incêndio e eram muito eficazes nessa tarefa!
Os últimos Garranos que entraram na Faia Brava, foram todos selecionados por mim (excepto um que tinha uma estrela branca na cabeça, que foi selecionado pela ACERG e que a meu ver não devia ter ido (depois têm que ser selecionados os Garranos que fogem do padrão original, que é para serem vendidos)).
E sim, apesar de tudo os grandes herbívoros têm feito um excelente trabalho na Faia Brava (as imagens e vídeos provam-no).
Ainda que para certas situações, as cabras eventualmente, sejam a melhor solução.