Floresta portuguesa e os incêndios

7 meses depois e ainda continua??? :surprise:

Pois á primeira vista também parece estranho, e sem mais detalhes acerca do assunto, também não é fácil saber porque razão o fogo ainda continua, a remoer, nos comentários falam que se pode tratar de carvão que esteja em profundidade e que esteja em combustão, tal como acontece nas minas de Pejão.

O carvão das minas do Pejão ainda está a arder
Desde os incêndios de 15 de Outubro que os resíduos das antigas minas do Pejão ardem a céu aberto e a olho nu, e nos dias de chuva sente-se ainda mais a nuvem de fumo. Direcção-geral de Energia e Geologia fala em “curiosidade geológica”. População de Pedorido reclama que já chega do cheiro a enxofre

https://www.publico.pt/2018/01/12/e...das-minas-do-pejao-ainda-esta-a-arder-1799002
 
Já há mais 35 mil árvores no Pinhal de Leiria (mas são precisas 200 vezes mais)

mw-1240

Num só dia, 500 voluntários da Siemens encheram 59 hectares da Mata de Leiria com 35 mil pinheiros. Mas em outubro arderam nove mil hectares e ainda são precisas mais de sete milhões de árvores

Para contar esta história como deve ser, há que subir ao alto de um monte em plena mata nacional de Leiria, para se vislumbrar os 59 hectares onde andam cerca de 400 voluntários da Siemens (em outubro arderam 9 mil hectares). Por aqui, ouvem-se falar para cima de uma dezena de línguas e os que agora vemos curvados sobre a terra ocupam os mais diversos cargos na empresa alemã. Só que, do topo deste morro, mal se distinguem. Estão quase todos de corta-vento cinzento, com o logotipo nas costas, e ainda bem - apesar do sol e do trabalho puxar pelo físico, está bastante frio pela manhã.

A cada par de trabalhadores, vindos até Vieira de Leira em autocarro desde Alfragide, perto de Lisboa, dão-se três caixas com 56 pezinhos de pinheiro bravo. Os regos onde irão plantá-los já estão abertos, felizmente, mas mesmo assim têm de recorrer a às varas cedidas pelo Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) para saberem que só podem enterrá-los a uma distância de um metro e meio. Entre valas, há um espaço de três metros, o suficiente para um dia mais tarde poder por aqui entrar uma máquina para limpar o que se chama de "combustível". Mas, sigamos com calma, que as explicações já chegam.

http://visao.sapo.pt/coracao-no-cen...l-de-Leiria--mas-sao-precisas-200-vezes-mais-

Penso que se devia pensar seriamente na possibilidade de comprar pinheiros a Espanha e já agora, podia-se pensar também na diversificação de espécies...
É uma questão de ver qual o uso que se pretende dar às árvores, qual a disponbilidade dos viveiros, quais os preços oferecidos e quais as necessidades pedológicas e climáticas das espécies em questão...
Como sabemos, existem alguns pinheiros, por exemplo, que apenas se encontram em locais muito restritos de Portugal (casos do pinheiro-silvestre e do pinheiro-negro (reintroduzido)) e que em épocas distantes, se encontravam muito mais espalhados pelo nosso país, do que nos dias de hoje.
Pinus uncinata, também já existiu no nosso país e é outra espécie interessante.
Talvez algumas destas espécies, possam ser plantadas em certas zonas (mas isso deve ser avaliado, como indiquei anteriormente).
 
Última edição:
E essa espécie é considerada nativa? Estive a ver rapidamente algumas publicações, e não encontrei nada...

Se o Frederico souber de alguma coisa, agradeço o esclarecimento.
 
E essa espécie é considerada nativa? Estive a ver rapidamente algumas publicações, e não encontrei nada...

Se o Frederico souber de alguma coisa, agradeço o esclarecimento.

O Pinus halepensis é nativo da Península Ibérica mas não de Portugal! ;)

Desculpem lá mas não concordo com a introdução de espécies só porque sim, aquela zona é historicamente de pinheiro-bravo e embora concorde com a criação de descontinuidades na área do pinhal com outras espécies, o pinheiro bravo é a espécie autóctone, dominante e climácica das dunas do Litoral Centro de Portugal. Há locais onde se calhar nunca se devia ter levado o pinheiro-bravo, mas para aquele território é a espécie melhor adaptada.
 
Introduzir espécies? Tirando (provavelmente) o pinheiro-de-alepo, nenhuma é exótica no nosso país, por isso tal como eu já tinha dito, é só uma questão de ver em que panorama pedológico/climático elas se enquadram e se a sua aquisição apresenta vantagens (para o que se quer fazer delas).

E será que a zona que estamos a falar é toda arenosa e o pinheiro-bravo é a melhor opção (talvez seja)?

Pergunto isto com uma ingénua curiosidade, pois ainda não me debrucei sobre a flora original da região.
 
Introduzir espécies? Tirando (provavelmente) o pinheiro-de-alepo, nenhuma é exótica no nosso país, por isso tal como eu já tinha dito, é só uma questão de ver em que panorama pedológico/climático elas se enquadram e se a sua aquisição apresenta vantagens (para o que se quer fazer delas).

E será que a zona que estamos a falar é toda arenosa e o pinheiro-bravo é a melhor opção (talvez seja)?

Pergunto isto com uma ingénua curiosidade, pois ainda não me debrucei sobre a flora original da região.

Devido ao arrastamento devido ao vento é difícil encontrar solos não arenosos na zona do Pinhal de Leiria, cujo fim da sua criação através da monocultura intensiva do pinheiro-bravo (a espécie já existia por lá antes disso? sozinha? essa é a dúvida então) no fim da idade média é conhecido, penso que travar a erosão e o arrastamento de areias até aos campos do Lis.
 
Penso que se devia pensar seriamente na possibilidade de comprar pinheiros a Espanha e já agora, podia-se pensar também na diversificação de espécies...
É uma questão de ver qual o uso que se pretende dar às árvores, qual a disponbilidade dos viveiros, quais os preços oferecidos e quais as necessidades pedológicas e climáticas das espécies em questão...
Como sabemos, existem alguns pinheiros, por exemplo, que apenas se encontram em locais muito restritos de Portugal (casos do pinheiro-silvestre e do pinheiro-negro (reintroduzido)) e que em épocas distantes, se encontravam muito mais espalhados pelo nosso país, do que nos dias de hoje.
Pinus uncinata, também já existiu no nosso país e é outra espécie interessante.
Talvez algumas destas espécies, possam ser plantadas em certas zonas (mas isso deve ser avaliado, como indiquei anteriormente).

Calma. Mandam as boas práticas florestais que se perceba qual o grau de regeneração natural que se vai ter na área da Mata Nacional. E isso implicará pelo menos um ano de observação. Depois dever-se-á intervir. E não antes. Se a Natureza o fizer, ficará certamente mais barato e mais adaptado. Não esquecer que havia talhões da MN de Leiria que provinham da condução da regeneração natural. E bem, Eu percebo que a pressão mediática seja no sentido de se fazer tudo de atacado. Tem de se explicar que tecnicamente não é o mais adequado. Para além disso temos de perceber qual o tipo de gestão que se quer dar (manter?) para a MN e se mantem o tipo de ocupação florestal dos talhões.
 
Introduzir espécies? Tirando (provavelmente) o pinheiro-de-alepo, nenhuma é exótica no nosso país, por isso tal como eu já tinha dito, é só uma questão de ver em que panorama pedológico/climático elas se enquadram e se a sua aquisição apresenta vantagens (para o que se quer fazer delas).

E será que a zona que estamos a falar é toda arenosa e o pinheiro-bravo é a melhor opção (talvez seja)?

Pergunto isto com uma ingénua curiosidade, pois ainda não me debrucei sobre a flora original da região.

Atenção que suspeito bem que o pinheiro de alepo esteja a adquirir comportamentos "quase-invasivos" em Portyugal Dever-se-á ter cautela com esta espécie não autóctone
 
Calma. Mandam as boas práticas florestais que se perceba qual o grau de regeneração natural que se vai ter na área da Mata Nacional. E isso implicará pelo menos um ano de observação. Depois dever-se-á intervir. E não antes. Se a Natureza o fizer, ficará certamente mais barato e mais adaptado. Não esquecer que havia talhões da MN de Leiria que provinham da condução da regeneração natural. E bem, Eu percebo que a pressão mediática seja no sentido de se fazer tudo de atacado. Tem de se explicar que tecnicamente não é o mais adequado. Para além disso temos de perceber qual o tipo de gestão que se quer dar (manter?) para a MN e se mantem o tipo de ocupação florestal dos talhões.

Estou praticamente de acordo com tudo, só me assusta um bocado a ideia (a ser verdade) de que os nossos viveiros florestais estão a ficar sem árvores para vender... Pois mais matas, poderão precisar de plantações...
 
Perito em incêndios surpreendido por encontrar espécies muito inflamáveis em Portugal

Um especialista que trabalhou mais de 30 anos nos Serviços Florestais do Canadá esteve em Portugal, a convite da Estrutura de Missão para a Gestão dos Fogos Rurais. Kelvin Hirsch avisa que a frequência e severidade dos incêndios poderão aumentar, mas defende que é possível reduzir a ameaça que os incêndios representam para as populações, apostando na educação, na gestão da vegetação e na adaptação das comunidades rurais.

http://sicnoticias.sapo.pt/pais/201...ontrar-especies-muito-inflamaveis-em-Portugal

Mais um excelente serviço prestado...
Limpeza de terreno (c/ mimosas)
A pesar da chuva mas ninguém nós pára...
Fica aqui um antes e um depois...
#AgroFlorestalSilva



 
Estou praticamente de acordo com tudo, só me assusta um bocado a ideia (a ser verdade) de que os nossos viveiros florestais estão a ficar sem árvores para vender... Pois mais matas, poderão precisar de plantações...

Desculpem lá, mas há aqui uma coisa que não percebo, sinceramente.

O pinheiro bravo anda por aqui há muitos milhares de anos (para quem tem dúvidas, após uma curtíssima busca na net, vê-se logo isto: http://citeseerx.ist.psu.edu/viewdoc/download?doi=10.1.1.1004.1655&rep=rep1&type=pdf).

O mundo real ensina-nos que após os incêndios, os pinhais queimados voltam a renascer (se as árvores tiverem pinhas), da mesma forma como os pinhais verdes o fazem depois de cortados.

Volto a fazer a pergunta que venho fazendo há alguns meses, depois dos fogos: para quê inventar e contrariar a natureza? E qual a pressa? Tudo leva o seu tempo.

E onde é que há dinheiro para todas estas "inovações", que são perfeitamente escusadas e anti-naturais? O dinheiro deveria ser poupado para depois tratar os pinhais nascediços, de forma a que não ardam outra vez.
 
(...)

O pinheiro bravo anda por aqui há muitos milhares de anos (para quem tem dúvidas, após uma curtíssima busca na net, vê-se logo isto: http://citeseerx.ist.psu.edu/viewdoc/download?doi=10.1.1.1004.1655&rep=rep1&type=pdf).

Obrigado pelo link @bandevelugo
Ora o que eu vejo nessa publicação é que nativamente a floresta da Beira Litoral era mista, de pinheiro-bravo alternado com carvalho. A reflorestação por ação humana deu exclusividade se bem reparo ao pinheiro-bravo.

(...)
O mundo real ensina-nos que após os incêndios, os pinhais queimados voltam a renascer (se as árvores tiverem pinhas), da mesma forma como os pinhais verdes o fazem depois de cortados.

Volto a fazer a pergunta que venho fazendo há alguns meses, depois dos fogos: para quê inventar e contrariar a natureza? E qual a pressa? Tudo leva o seu tempo.

E onde é que há dinheiro para todas estas "inovações", que são perfeitamente escusadas e anti-naturais? O dinheiro deveria ser poupado para depois tratar os pinhais nascediços, de forma a que não ardam outra vez.

Pois, o problema é que acontece o mesmo com o eucalipto. Naturalmente as espécies que existem até podem voltar a florescer mas que eu saiba não é a floresta nativa que volta e sim a mais recente, mas posso estar a dizer um grande disparate.
 
Desculpem lá, mas há aqui uma coisa que não percebo, sinceramente.

O pinheiro bravo anda por aqui há muitos milhares de anos (para quem tem dúvidas, após uma curtíssima busca na net, vê-se logo isto: http://citeseerx.ist.psu.edu/viewdoc/download?doi=10.1.1.1004.1655&rep=rep1&type=pdf).

O mundo real ensina-nos que após os incêndios, os pinhais queimados voltam a renascer (se as árvores tiverem pinhas), da mesma forma como os pinhais verdes o fazem depois de cortados.

Volto a fazer a pergunta que venho fazendo há alguns meses, depois dos fogos: para quê inventar e contrariar a natureza? E qual a pressa? Tudo leva o seu tempo.

E onde é que há dinheiro para todas estas "inovações", que são perfeitamente escusadas e anti-naturais? O dinheiro deveria ser poupado para depois tratar os pinhais nascediços, de forma a que não ardam outra vez.

Eu nunca coloquei em causa o pinheiro-bravo como espécie nativa...

E quem é que quer contrariar a natureza? Quem quer tentar perceber qual é vegetação espontânea (de forma também a tentar criar cordões contra o fogo) ou quem quer povoamentos homogéneos criados pelo Homem? Será que o ideal é ter só pinheiro-bravo na região? Foi sobretudo nesse ponto que toquei.
Se calhar para alguns povoamentos (pequenos) e tendo em conta o objetivo pretendido, até é, mas será que é sempre assim?
Para determinados casos ou locais, eu acho que a reintrodução de outras espécies nativas, tem que ser pensada.
E não , não é assim tão caro, como algumas pessoas pensam.
É tudo uma questão de ponderar bem sobre o que é mais benéfico, realista, rentável e seguro.
 
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