Floresta portuguesa e os incêndios

Este é o estilo de "post" tipo "fake news" que infelizmente abunda na blogosfera. Parece tudo muito certo, mas tem por base uma série de mentiras:

1º É totalmente proibido por lei substituir florestas de sobreiro e azinheira por outras espécies. Até para cortar algumas árvores é preciso autorização, e a GNR anda sempre em cima;

2º É totalmente proibido aumentar a área de eucalipto (embora aqui a lei ainda falte muito para ser cumprida na totalidade - apesar de nos montados, pela sua proteção especial, mais facilmente as ilegalidades sejam detetadas e corrigidas;

3º Nos eucaliptais menos geridos (ou mais abandonados) os sobreiros e até azinheiras nascem naturalmente bem; ver um exemplo que uma celulose dá aqui: https://altriflorestal.blogspot.com/2012/07/insustentavel-leveza-de-ser-montado.html

4ª As verdadeiras ameaças ao montado são a agricultura intensiva, que dá cabo das raízes, o excesso de gado que alguns proprietários colocam nas florestas. Tudo isto, conjugado com a seca, mata muitas árvores! E, sobretudo, os incêndios - só no incêndio de Monchique deste ano arderam mais de 4000 HECTARES de sobreiro (num só incêndio!!!) ver aqui http://www2.icnf.pt/portal/florestas/dfci/relat/raa/resource/doc/ree-2018/REE_PernaDaNegra_2018.pdf

5º Quem é que tem mais "poder económico": as "celuloses" ou as "corticeiras do Norte" (tipo amorins)? Ou não há "poder económico" nas corticeiras e nas grandes herdades latifundiárias do sul?

Santa paciência... Agora, a pergunta que eu faço é esta: qual motivação deste posts tipo "fake news"? Serão resultado de ignorância (e idiotia) ou terão outros objetivos ocultos?

Se há combate a travar nos próximos anos, no nosso país, é pela literacia ambiental de muita gente, que anda desinformada e, pior que isso, a enganar o próximo.

É verdade custa-me muito ver sobreiros literalmente no meio de terrenos onde estão sempre a serem gradados, até mesmo junto ao tronco, uma coisa que o Alfredo Sendim, da Herdade do Freixo do Meio, me disse á pouco tempo, é que as raízes dos sobreiros são muito superficiais, e uma vez cortadas pela grade de discos o sobreiro, nunca mais na vida dele volta a colocar raízes para esse local.
 
É verdade custa-me muito ver sobreiros literalmente no meio de terrenos onde estão sempre a serem gradados, até mesmo junto ao tronco, uma coisa que o Alfredo Sendim, da Herdade do Freixo do Meio, me disse á pouco tempo, é que as raízes dos sobreiros são muito superficiais, e uma vez cortadas pela grade de discos o sobreiro, nunca mais na vida dele volta a colocar raízes para esse local.

É mesmo isso! Eu era capaz de apostar que do lado direiro, no montado rarefeito e velho, há menos sobreiros/azinhos pequenos, a nascer, que garantam a sobrevivência de árvores no futuro, do que no eucaliptal da esquerda da fotografia.

O que estou a dizer é - como é obvio - especulativo, mas baseado no que vejo em muitos eucaliptais: estão cheios de outras árvores, pequenas e abafadas, mas mal se tirem os eucaliptos elas podem ganhar autonomia.

Era importante que o Estado desse apoios para que os proprietários pudessem fazer esta transformação, aos poucos, e sem perderem rendimentos.
 
É mesmo isso! Eu era capaz de apostar que do lado direiro, no montado rarefeito e velho, há menos sobreiros/azinhos pequenos, a nascer, que garantam a sobrevivência de árvores no futuro, do que no eucaliptal da esquerda da fotografia.

O que estou a dizer é - como é obvio - especulativo, mas baseado no que vejo em muitos eucaliptais: estão cheios de outras árvores, pequenas e abafadas, mas mal se tirem os eucaliptos elas podem ganhar autonomia.

Era importante que o Estado desse apoios para que os proprietários pudessem fazer esta transformação, aos poucos, e sem perderem rendimentos.

Sim, concordo contigo, porque no ano passado cortaram aqui um eucaliptal aqui perto de mim, e eu nem imaginava que no final de tudo cortado iriam aparecer muitos sobreiros, claro que todos marrecos, mas estavam lá, e agora voltarem a serem ""engolidos", novamente pelos eucaliptos que voltaram a rebentar.
Isto porque o eucaliptal desde que foi plantado nunca foi limpo, com corta-matos, ou com recurso a grades de discos pesadas, porque aí sim acredito que o cenário já era bem diferente.
 
Incêndios. Aprovado modelo de transição dos meios áereos para a Força Aérea
04.10.2018 às 20h09

Os meios aéreos próprios do Estado afetos à Autoridade Nacional de Proteção Civil serão transferidos para a Força Aérea, ficando esta responsável por assegurar a sua operação e a manutenção, a partir de 1 de janeiro de 2019

O Governo aprovou esta quinta-feira uma resolução que define o modelo de transição do comando e gestão centralizados dos meios aéreos de combate a incêndios rurais para a Força Aérea.
... https://expresso.sapo.pt/sociedade/...os-meios-aereos-para-a-Forca-Aerea#gs.u4hogHA
 
Quase 550 Incêndios desde registados desde 1 de outubro, número sem paralelo na última década
5 out 2018 21:15

A Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) registou quase 550 incêndios entre 01 de outubro e as 18:00 de hoje, um número que causa "apreensão", pois, na última década, não há um registo semelhante no mesmo período.

“Desde o início deste mês assistimos a um incremento do número de incêndios rurais, somando um total de 543. Praticamente 550 ignições desde 01 de outubro até às 18:00 de hoje. Diria que este número nos causa alguma apreensão, porque quando olhamos para o período homólogo dos últimos dez anos, não temos registo de um número tão grande de ignições”, afirmou o comandante Pedro Nunes, da ANPC.

Em declarações à agência Lusa na sede da ANPC, em Carnaxide, concelho de Oeiras, durante um ‘briefing’ sobre a situação dos incêndios rurais, este comandante operacional referiu que hoje está a ser um dia “relativamente calmo”, associando essa situação ao “comportamento responsável e de cidadania” dos portugueses.

Ainda assim, hoje registaram-se dois incêndios que chegaram a causar “alguma apreensão”: um no distrito de Coimbra, em Pampilhosa da Serra, e outro no distrito de Setúbal, em Alcácer do Sal.

Nos próximos dias prevê-se a continuação de condições meteorológicas propícias ao aparecimento de incêndios.

“Para os próximos dias as condições meteorológicas serão em tudo idênticas àquelas que temos vivido nestes primeiros dias de outubro, ou seja, vamos continuar com uma corrente de leste, que nos trará tempo quente e seco, favorável e propício ao desenvolvimento dos incêndios rurais”, alertou este comandante operacional da Proteção Civil.

A fase crítica foi prolongada até 15 de outubro, o que impede a realização de qualquer tipo de queimadas.

“Embora estejamos no mês de outubro, a ausência de precipitação – não tem chovido e está a potenciar e a agravar o risco de incêndio – não permite que as tradicionais queimas e queimadas, diria [que] ancestrais, do mundo rural, possam ser feitas de forma segura. Razão pela qual apelava às comunidades rurais que aguardem pela altura mais correta para fazerem estas queimas e queimadas, para as poderem fazer de forma segura”, frisou este comandante operacional.

Este responsável da Proteção Civil apelou ainda a que os cidadãos mantenham um comportamento responsável.

“Pedir a todos os portugueses que mantenham um comportamento adequando e seguro, como fizeram durante todo o verão, diria que quase de forma exemplar, fazendo jus à máxima: tolerância zero ao uso do fogo”, vincou Pedro Nunes, da Proteção Civil.
https://24.sapo.pt/atualidade/artig...-outubro-numero-sem-paralelo-na-ultima-decada
 
Sim ambas são espécies pirófitas, cada uma delas tem o seu grau de invasora, mas acho que como não as conseguimos erradicar na totalidade, temos de as saber controlar, e usar por exemplo, as suas estilhas, no controlo de erosão, em encostas, no fim dos incendios.
Sempre é melhor do que deixar o solo exposto á erosão, provocando por vezes grandes deslizamento de terras, em caso de chuvas torrencias.
Concordo sempre e melhor de que o terreno despido em caso de chuvas fortes pois causa sempre deslizamentos , embora o alastramento do eucalipto em zonas onde nao existia seja grande , por outro lado temo que daqui a uns anos seja pessimo em caso de incendio.


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Muito elucidativo para muita gente, fala.se de muita coisa e aponta.se o dedo a muita gente! Mas não se fala do mais importante! Este vídeo transporta.nos facilmente para o que se passa no nosso país há muitos, e muitos anos! Olha.se para a árvore , mas não se olha para a floresta! Muito mais rápido do que pensamos, teremos graves problemas a nível de incêndios florestais se o ordenamento florestal se mantiver com está! É de bradar aos céus quando passamos nas zonas que arderam o ano passado, e ver a forma desordenada com a floresta está a crescer mais uma vez :facepalm: Obrigado pela partilha @dahon
O grande problema da nossa floresta e falo da minha zona e a desertificacao, ate a uns anos atras o pinhal estava cuidado e limpo era rezinado , a populacao residente ere em grande numero quase todas as casas tinham cabras e ovelhas , Durante o dia iam com as cabras para o mato , os rebanhos de ovelhas de maior dimensao tambem subiam Serra acima pelo meio dos pinhais , na passagem iam comendo , mais tarde era preciso ir ao mato para fazer a cama aos animais , tudo isto acabou ... Nao ha gente e este e o grande problema .
Quem tem ovelhas rebanhos grandes por Norma ja tem estrados , ja nao corta mato para as camas.

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Há dois ou três meses numa visita a Portugal resolvi dar um passeio de carro pela nacional e fui ao Porto. No caminho de regresso constatei que perto da nacional, talvez antes de chegar a Águeda, havia um tesouro. Um carvalho-alvarinho enorme, antigo, com uma bela copa, idêntico aos que se encontram em Inglaterra. Um milagre que tenha sobrevivido. Não muito longe havia um centro de jardinagem. Parei para comprar um alvarinho, pois o que tinha fora queimado por um familiar que embirrou com uma erva e aplicou herbicida perto da árvore. Quando perguntei à funcionária se tinha a árvore, respondeu que nem sabia o que era. Tentei com vários nomes, mas nada. Só conhecia o carvalho-americano... depois de muita paciência, a senhora lá percebeu o que procurava. Disse-me então que isso era árvore brava (percebi que seria vista ao nível de uma erva daninha) e que na zona dela cortavam tudo e só deixavam os eucaliptos e os pinheiros. Falei-lhe da importância histórica, cultural, ambiental do carvalho... ao menos acho que ficou convencida, mas disse: na minha terra cortam tudo, foram educados assim, não sobra nada!
 
"O ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, presidiu hoje, dia 10 de outubro, na biblioteca municipal Gustavo Pinto Lopes, em Torres Novas, à cerimónia de entrega de 15 novas viaturas aos vigilantes da natureza do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e à apresentação do projeto de melhoria das condições de visitação do Monumento Natural das Pegadas dos Dinossáurios de Ourém/Torres Novas.
Esta sessão contou ainda com a presença da Secretária de Estado do Ambiente do Ordenamento do Território e da Conservação da Natureza, Célia Ramos, o Presidente da Câmara Municipal de Torres Novas, Pedro Ferreira, e o Presidente do Conselho Diretivo do ICNF, I.P., Rogério Rodrigues."





 
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Boas,

Completamente de acordo com @belem, o incêndio lavrou uma grande área de mato rasteiro, o que a sua recuperação não será muito demorada.
A questão de plantarem novas árvores, convém se calhar ter em conta que trata-se de uma zona terrivelmente ventosa, muitos dos pinheiros que arderam estavam deitados no solo tal é a deformação do tronco devido ao vento forte constante. Em 2000 depois daquele grande incendio, apareceu um condominio privado na Malveira...esperemos que não seja esse o rumo.
.

Sim, o vento é forte na região, e mais se faz sentir porque existem poucas árvores para o parar.

Para termos uma ideia do que acontece à floresta, nestes locais específicos, basta visitar alguns pinhais da zona de Cascais, e vemos que nos primeiros metros, existe um grande numero de árvores torcidas pelo vento, que depois consoante vamos entrando na mata, vão diminuindo e vão-se tornando gradualmente menos torcidas (porque o vento vai perdendo força) até se tornarem relativamente normais.
Lembro-me que Gonçalo Ribeiro Telles, também já abordou este tema interessante e usou precisamente os pinhais dessa região, como exemplo.
Aliás, mesmo em alguns locais do alto da Peninha, também existe essa gradação e em alguns casos, até com o carvalho-negral (mas apenas visível nas zonas mais altas e com um substrato mais enriquecido e húmido).
Portanto, os locais específicos de plantio (e o tipo de espécies obviamente), deverão ser adequados às realidades microclimáticas e pedológicas do local.
Penso também que será mais importante, pelo menos ao início, assegurar que as árvores consigam sobreviver, aos primeiros verões (usando restos de folhagem/ramos para tapar as árvores jovens), e que não será estritamente necessário, usar logo espécies de escalão climácico, mas sim espécies, que consigam de alguma forma criar sustentação e proteção (como pinheiros, carrascos, etc...) sobretudo nas orlas das zonas a florestar, para as espécies mais exigentes.
Mas nestes assuntos, por vezes, não há ciência exata, e portanto as entidades competentes, terão que ir ao local averiguar o que se pode fazer (e também ver como as espécies ainda presentes, se conseguiram adaptar).
 
Última edição:
Ola. Sabe o que se está a fazer na Serra para controlar o GRAVÍSSIMO problema das Acácias? Como sabem trata-se de uma espécie invasora que cria aglomerados impenetráveis e que devido à bioquímica dos seu sistema radicular impede a fixação de outras espécies. Alem que ser uma espécie visivelmente feia cria condições muito propicias à propagação de incêndio. Na zona da Lagoa já so se Vê esta espécie e é uma verdadeira bomba relógio... não vejo equipas no terreno tal como acontece na serra do Geres, onde se está a tentar controlar esta invasora. Seria muito bom para todo o ecossistema da Serra de Sintra se se começasse a tentar reverter este serio problema.


Sim, o vento é forte na região, e mais se faz sentir porque existem poucas árvores para o parar.

Para termos uma ideia do que acontece à floresta, nestes locais específicos, basta visitar alguns pinhais da zona de Cascais, e vemos que nos primeiros metros, existe um grande numero de árvores torcidas pelo vento, que depois consoante vamos entrando na mata, vão diminuindo e vão-se tornando gradualmente menos torcidas (porque o vento vai perdendo força) até se tornarem relativamente normais.
Lembro-me que Gonçalo Ribeiro Telles, também já abordou este tema interessante e usou precisamente os pinhais dessa região, como exemplo.
Aliás, mesmo em alguns locais do alto da Peninha, também existe essa gradação e em alguns casos, até com o carvalho-negral (mas apenas visível nas zonas mais altas e com um substrato mais enriquecido e húmido).
Portanto, os locais específicos de plantio (e o tipo de espécies obviamente), deverão ser adequados às realidades microclimáticas e pedológicas do local.
Penso também que será mais importante, pelo menos ao início, assegurar que as árvores consigam sobreviver, aos primeiros verões (usando restos de folhagem/ramos para tapar as árvores jovens), e que não será estritamente necessário, usar logo espécies de escalão climácico, mas sim espécies, que consigam de alguma forma criar sustentação e proteção (como pinheiros, carrascos, etc...) sobretudo nas orlas das zonas a florestar, para as espécies mais exigentes.
Mas nestes assuntos, por vezes, não há ciência exata, e portanto as entidades competentes, terão que ir ao local averiguar o que se pode fazer (e também ver como as espécies ainda presentes, se conseguiram adaptar).
 
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Ola. Sabe o que se está a fazer na Serra para controlar o GRAVÍSSIMO problema das Acácias? Como sabem trata-se de uma espécie invasora que cria aglomerados impenetráveis e que devido à bioquímica dos seu sistema radicular impede a fixação de outras espécies. Alem que ser uma espécie visivelmente feia cria condições muito propicias à propagação de incêndio. Na zona da Lagoa já so se Vê esta espécie e é uma verdadeira bomba relógio... não vejo equipas no terreno tal como acontece na serra do Geres, onde se está a tentar controlar esta invasora. Seria muito bom para todo o ecossistema da Serra de Sintra se se começasse a tentar reverter este serio problema.

Existe um problema grave com as acácias em Sintra sim (e não só, também com pitospóros, por exemplo), mas já foi pior e estamos a falar dos campos abertos da Peninha, onde não há assim tanta acácia.
Mas por acaso creio que no setor florestal da Peninha, até já foi feito algum controle contra as acácias e com bons resultados (ainda que permaneçam alguns núcleos, sobretudo na parte mais baixa da floresta).
Talvez sejam necessárias campanhas de erradicação mais frequentes e com um maior alcance, pois em outras partes da serra, existem ainda mais alguns «acaciais».
 
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Existe um problema grave com as acácias em Sintra sim (e não só, também com pitospóros, por exemplo), mas já foi pior e estamos a falar dos campos abertos da Peninha, onde não há assim tanta acácia.
Mas por acaso creio que no setor florestal da Peninha, até já foi feito algum controle contra as acácias e com bons resultados (ainda que permaneçam alguns núcleos, sobretudo na parte mais baixa da floresta).
Talvez sejam necessárias campanhas de erradicação mais frequentes e com um maior alcance, pois em outras partes da serra, existem ainda mais alguns «acaciais».

Pois, e até porque as acácias, o seu controle é feito através do descasque do tronco, o que para uma área grande que esteja invadida, é preciso sempre muita mão de obra, quase sempre feita por voluntários, aliás conheço através do facebook, o projecto do Cabeço Santo, e parece-me que eles tem feito um bom trabalho, e até mesmo em zonas com declive muito acentuado, é claro que acaba sempre por ser um trabalho demorado, e depois resta esperar que as acácias enfraqueçam, até ao ponto de secarem.