Floresta portuguesa e os incêndios

Pois está muito mal, claro que sim, o que não invalida ter de facto havido o dispositivo musculado, como aliás devia ser sempre!

Estamos-nos sempre a esquecer: para que interessa um "ataque musculado" se os matos e as florestas não cuidadas se acumulam e só adiam a desgraça, que vai sempre acontecer num ano como 2017 ou 2003???

Para que serve realmente esse "ataque musculado" que devora centos de milhões de euros de um país pobre e com florestas abandonadas? Não seria mais útil investir isso a tratar as matas e os parques naturais?

Com esta macacada que anda para aí entre o Governo e a Liga dos Bombeiros, penso que (finalmente!) há um ministro com t*m*t*s para meter esta malta na ordem (e não me estou a referir aos bombeiros voluntários, que merecem todo o nosso respeito e apoio, estou a falar de certa "malta" que vive do dinheiro público que circula por estas associações).
 
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No Grande Porto o eucalipto é a árvores dominante da paisagem. Isto seria impensável em muitos países europeus. Por todo o lado há mini povoamentos de eucalipto mesmo no centro de Gaia! É de loucos! Estes micro povoamentos não são rentáveis nem produtivos, isto é miséria terceiro-mundista.

Praticamente não há bosques de carvalho. Não há um único parque florestal público de carvalho.

Nunca nenhum Governo quis saber da preservação da paisagem e da sua identidade. Não conheço região na Europa mais descaracterizada que o Noroeste de Portugal.

O meu caro Frederico insurge-se, com frequência, contra o eucalipto por razões paisagísticas. Tem todo o direito de o fazer e, em muitos casos, razão - já aqui tenho dito que o Estado (governo e câmaras municipais) deveriam assumir outra postura: pegar em verbas públicas, adquirir os terrenos, e meter lá as matas que os munícipes ou os cidadãos desejem, e - muito importante - não abandonar depois as matas, que é o que sempre se faz. Não podem é obrigar os proprietários a terem uma gestão ruinosa, só para enfeitar as cidades e decorar a paisagem, a contento de alguns, até porque muita gente (cidadãos como nós) não vê mal nenhum nos eucaliptos e outros até gostam de mimosas, essas sim muito daninhas.

Mas, como já o referi no meu post anterior, os dinheiros públicos têm outros destinos...

Contudo, houve uma alegação do Frederico que recorrentemente faz que me levantou dúvidas: "Não conheço região na Europa mais descaracterizada que o Noroeste de Portugal". Presumo que seja pela utilização de espécies não nativas da região, ou do país, como é o caso do eucalipto.

Não conheço bem muitas regiões da Europa, mas algumas sim, e por exemplo lembro-me bem de que nas Ilhas Britânicas há um ror de anos que eles importam muitas plantas e árvores exóticas, e têm grandes plantações de pinheiros e abetos, que não são de lá.

Procurei na net, custou, mas encontrei aqui (https://foresteurope.org/state-europes-forests-2015-report/) um relatório com dados muito interessantes sobre a floresta nos outros países europeus. Lá vem este gráfico muito elucidativo:



Ao que parece, há muitos países em que a percentagem de espécies introduzidas, ou exóticas, é similar ou superior à de Portugal. Parece-me que a alegação do Frederico não é rigorosa.

Contudo resta um problema real identificado pelo Frederico: há poucos carvalhais e pinhais na área do Porto, embora muitos carvalhos estejam "escondidos" no meio dos eucaliptais e eu conheça um belíssimo parque cheio de carvalhais novos, plantados, que visitei quando andava na secundária: o parque biológico de Avintes, em Gaia.

Daí vem esta ideia: por que não propor às câmaras municipais/juntas de freguesia, ou aos ambientalistas (tipo Quercus), uma espécie de crowdfunding que permita comprar terrenos e plantar árvores autóctones, como se faz lá fora? Julgo que bastante gente contribuiria e, se for feito de forma transparente, pode dar resultados exemplares.
 
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Estudantes de Aveiro cuidam de duas mil árvores em casa para repovoar floresta

Cada estudante vai ser "padrinho" ou "madrinha" de uma árvore autóctone da floresta portuguesa. É a iniciativa Plantar o Futuro.Duas mil árvores "bebés", entre medronheiros, pinheiros e carvalhos, vão ser entregues na quarta-feira, 12 de Dezembro, a alunos da Universidade de Aveiro (UA) para cuidarem delas em casa até Março, altura em que irão reflorestar áreas ardidas.

A iniciativa, denominada Plantar o Futuro, pretende fazer de cada estudante "padrinho" e "madrinha" de uma árvore autóctone da floresta portuguesa, que ficará a seu cargo até atingir a maturidade para ser mudada. Nos meses de Fevereiro e Março os estudantes que aceitaram o desafio vão plantar as árvores em áreas florestais de Estarreja e de Águeda afectadas por incêndios e no próprio campus universitário.

Organizado pelo grupo para a sustentabilidade da UA, em parceria com a Associação Agora Aveiro, o projecto visa promover entre a comunidade académica a sustentabilidade dos ecossistemas florestais, preservando a biodiversidade nacional.

https://www.publico.pt/2018/12/10/p...OLSZXUgWbyypmHCjLgSVqniSltnaw38tlgSjuq7Ju33ss

Eu falo por mim, gosto de ter sempre todos os anos o meu próprio viveiro com pelo menos 50 a 100 árvores ou arbustos autóctones, aliás tenho já 100 bolotas de carvalho e sobreiro, a germinar em tabuleiro, e outras tantas em locais definitivos.
isto já para não falar em termos de custos, pois acabo por poupar muito dinheiro com esta iniciativa.
 
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bandevelugo,

o meu problema nao e com as plantacoes comerciais em sim. O meu problema e com a presenca do eucalipto fora das plantacoes comerciais.

Quanto as especies introduzidas nas ilhas britanicas, a maioria sao da nossa latitude, com ausencia de monocultura, portanto o impacto paisagistico e quase nulo. Alem disso, quando menciona descaracterizacao penso tambem noutras coisas, como a ma arquitectura dos mamarrachos, as vedacoes metalicas, as marquises, os edificios devolutos ou em ruinas, o lixo e a poluicao, o desordenamento urbanistico...
 
O Eucalipto não sairá mais da nossa paisagem, daí defendo que deve ser explorado "intensivamente" onde já esta...onde não existe (quer pela limitação de altitude ou climática), impedir novas expansões!
MAS, atenção, MAS, esta selectividade implica um mecanismo compensatório para quem não possa tirar rendimento desta espécie! Poderá ser o Fundo do Carbono ou Fundo Ambiental a faze lo!
O mesmo se deveria aplicar à Paulownia!
 
A mim parece-me que deveria sair de muitos sítios. Nos arredores do Porto, por exemplo, há bouças com eucaliptos... por todo o lado. Aquilo não são explorações comerciais. Os eucaliptos estão ali a descaracterizar a paisagem. O Estado deveria ser o primeiro a dar o exemplo e remover os eucaliptos dos espaços públicos, deixando apenas um ou outro com valor pela suas dimensões ou idade.
 
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O Eucalipto não sairá mais da nossa paisagem, daí defendo que deve ser explorado "intensivamente" onde já esta...onde não existe (quer pela limitação de altitude ou climática), impedir novas expansões!
MAS, atenção, MAS, esta selectividade implica um mecanismo compensatório para quem não possa tirar rendimento desta espécie! Poderá ser o Fundo do Carbono ou Fundo Ambiental a faze lo!
O mesmo se deveria aplicar à Paulownia!

Atenção à paulownia, tem que ser um híbrido que não possa produzir semente. A Paulownia tormentosa tem potencial invasor.
 
bandevelugo,

o meu problema nao e com as plantacoes comerciais em sim. O meu problema e com a presenca do eucalipto fora das plantacoes comerciais.

Quanto as especies introduzidas nas ilhas britanicas, a maioria sao da nossa latitude, com ausencia de monocultura, portanto o impacto paisagistico e quase nulo. Alem disso, quando menciona descaracterizacao penso tambem noutras coisas, como a ma arquitectura dos mamarrachos, as vedacoes metalicas, as marquises, os edificios devolutos ou em ruinas, o lixo e a poluicao, o desordenamento urbanistico...

Ausência de monocultura nas Ilhas Britânicas?
Tens a certeza?

Já agora deixo aqui a triste realidade das florestas na Suécia:

https://plantationdefinitiondiscuss...shrinking-forests-expanding-tree-plantations/

É esta a realidade, que as estatísticas não mostram... É um assunto encoberto por muita gente que anda envolvida no sector.
Claro que Portugal tem muita coisa a melhorar e já sabemos que o assunto da floresta no nosso país é um assunto delicado, mas também em muitos países que muita gente considera como um bom exemplo de gestão florestal, nem sempre tudo corre assim tão bem (aliás a realidade é até bem diferente, só que é escondida dos olhares do público).
O Norte Litoral tem eucalipto a mais, sem dúvida (ainda que muitas vezes com um carvalhal a regenerar-se debaixo da copa dos eucaliptos), e acho que tal problema devia ser combatido (veja-se o exemplo do Parque Biológico de Gaia), mas também temos perceber que nem tudo lá fora é «rosas» e temos é que adaptar o «exemplo a seguir» à nossa realidade,
 
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Em Inglaterra não vejo monoculturas. De resto não conheço a Escócia nem o País de Gales, nem a Irlanda. Mas em Inglaterra são poucos frequentes e fora de Londres as aldeias estão impecáveis, bem como os campos agrícolas. Não há comparação possível com a realidade actua de Portugal.
 
A mim parece-me que deveria sair de muitos sítios. Nos arredores do Porto, por exemplo, há bouças com eucaliptos... por todo o lado. Aquilo não são explorações comerciais. Os eucaliptos estão ali a descaracterizar a paisagem. O Estado deveria ser o primeiro a dar o exemplo e remover os eucaliptos dos espaços públicos, deixando apenas um ou outro com valor pela suas dimensões ou idade.
Tens noção do que é necessario fazer para retirar Eucaliptos?
Retirar cepos, movimentar terras...
Melhor é aproveitar para conduzir esse povoamento com fins económicos
 
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Atenção à paulownia, tem que ser um híbrido que não possa produzir semente. A Paulownia tormentosa tem potencial invasor.
Dei esse exemplo precisamente pelo carater invasor...como o eucalipto, em meu entender!
 
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Em Inglaterra não vejo monoculturas. De resto não conheço a Escócia nem o País de Gales, nem a Irlanda. Mas em Inglaterra são poucos frequentes e fora de Londres as aldeias estão impecáveis, bem como os campos agrícolas. Não há comparação possível com a realidade actua de Portugal.

Claro que não, pois economicamente, estamos perante países bem diferentes e já agora a Inglaterra nem sequer tem tanta área florestal como Portugal (pelo menos, relativamente).
Quanto muito, eventualmente, em termos de organização, se calhar até podemos ter muita coisa a aprender com a Inglaterra, mas sempre com limitações de vária ordem...
 
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Os ingleses têm árvoresnativas em todo o lado, nas ruas das aldeias, vilas, cidades, junto aos cursos de água, nas sebes...

Se isso fosse feito em Portugal não tínhamos o problema da paisagem que temos, mesmo com o eucalipoto.

No grande Porto quase não há um carvalho de grandes dimensões.