No Grande Porto o eucalipto é a árvores dominante da paisagem. Isto seria impensável em muitos países europeus. Por todo o lado há mini povoamentos de eucalipto mesmo no centro de Gaia! É de loucos! Estes micro povoamentos não são rentáveis nem produtivos, isto é miséria terceiro-mundista.
Praticamente não há bosques de carvalho. Não há um único parque florestal público de carvalho.
Nunca nenhum Governo quis saber da preservação da paisagem e da sua identidade. Não conheço região na Europa mais descaracterizada que o Noroeste de Portugal.
O meu caro Frederico insurge-se, com frequência, contra o eucalipto por razões paisagísticas. Tem todo o direito de o fazer e, em muitos casos, razão - já aqui tenho dito que o Estado (governo e câmaras municipais) deveriam assumir outra postura: pegar em verbas públicas, adquirir os terrenos, e meter lá as matas que os munícipes ou os cidadãos desejem, e - muito importante - não abandonar depois as matas, que é o que sempre se faz.
Não podem é obrigar os proprietários a terem uma gestão ruinosa, só para enfeitar as cidades e decorar a paisagem, a contento de alguns, até porque muita gente (cidadãos como nós) não vê mal nenhum nos eucaliptos e outros até gostam de mimosas, essas sim muito daninhas.
Mas, como já o referi no meu post anterior, os dinheiros públicos têm outros destinos...
Contudo, houve uma alegação do Frederico que recorrentemente faz que me levantou dúvidas: "
Não conheço região na Europa mais descaracterizada que o Noroeste de Portugal". Presumo que seja pela utilização de espécies não nativas da região, ou do país, como é o caso do eucalipto.
Não conheço bem muitas regiões da Europa, mas algumas sim, e por exemplo lembro-me bem de que nas Ilhas Britânicas há um ror de anos que eles importam muitas plantas e árvores exóticas, e têm grandes plantações de pinheiros e abetos, que não são de lá.
Procurei na net, custou, mas encontrei aqui (
https://foresteurope.org/state-europes-forests-2015-report/) um relatório com dados muito interessantes sobre a floresta nos outros países europeus. Lá vem este gráfico muito elucidativo:
Ao que parece, há muitos países em que a percentagem de espécies introduzidas, ou exóticas, é similar ou superior à de Portugal. Parece-me que a alegação do Frederico não é rigorosa.
Contudo resta um problema real identificado pelo Frederico: há poucos carvalhais e pinhais na área do Porto, embora muitos carvalhos estejam "escondidos" no meio dos eucaliptais e eu conheça um belíssimo parque cheio de carvalhais novos, plantados, que visitei quando andava na secundária: o parque biológico de Avintes, em Gaia.
Daí vem esta ideia: por que não propor às câmaras municipais/juntas de freguesia, ou aos ambientalistas (tipo Quercus), uma espécie de crowdfunding que permita comprar terrenos e plantar árvores autóctones, como se faz lá fora? Julgo que bastante gente contribuiria e, se for feito de forma transparente, pode dar resultados exemplares.