Floresta portuguesa e os incêndios

Plano para reduzir área ardida a metade até 2030 apresentado em Lisboa
MadreMedia / Lusa
5 dez 2019 18:52

O Governo apresentou hoje um plano para reduzir para metade a área ardida nos fogos rurais até 2030, com um investimento previsto de 554 milhões de euros por ano e contemplando a possibilidade de arrendamento coercivo.

MÁRIO CRUZ/LUSA

O plano, apresentado pelos ministros do Ambiente e da Ação Climática e da Administração Interna, tem como um dos objetivos a ação em 20% da área rural do país e os territórios a serem transformados podem ser os que tenham sofrido grandes incêndios, explicou o ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, admitindo que possa haver uma “intervenção musculada” em alguns casos.

O arrendamento coercivo “não é contra ninguém”, ressalvou o ministro, dizendo também que é preciso “dar valor ao espaço rural” e que a capacidade de a floresta portuguesa absorver dióxido de carbono tem de crescer 30%.

“Habituamo-nos a olhar para a floresta a partir do tronco, mas temos de saber agora olhar a floresta a partir da copa”, onde é absorvido o dióxido de carbono, disse.

Matos Fernandes lembrou ainda que 70% do país é território de baixa densidade e que “todos os territórios de baixa densidade têm de viver com mais rendimento” sendo que esse é um dos objetivos do plano hoje apresentado.


O plano está em consulta pública durante 60 dias, a partir de hoje.

O Plano Nacional de Gestão Integrada de Fogos Rurais (PNGIFR) tem como grandes objetivos gerais a valorização do território, cuidar dos espaços rurais, modificar comportamentos e gerir eficientemente o risco. É composto por dois documentos, a Estratégia 20-30 e o Programa e Ação.

O ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, lembrou que o trabalho para se chegar a uma nova visão e ação sobre os fogos rurais começou após os grandes incêndios de 2017, com um “número inusitado” de vítimas, e salientou os grandes investimentos financeiros e em meios humanos e materiais para este setor.

“Deixou-se de falar da época de incêndios, este é hoje um tema para todo o ano”, disse o ministro, explicando que não havendo fases para incêndios há um “mecanismo flexível que permite uma resposta (aos fogos) imediata”.

Matos Fernandes também partiu do 2017 “dramático” para falar, como Eduardo Cabrita já o tinha feito, dos bons resultados em termos de números de incêndios e de área ardida nos dois últimos anos.

Em 2018 e 2019 houve uma diminuição de 47% de ignições, face aos 10 anos anteriores (2008/17), e igualmente uma diminuição de 69% de área ardida nos últimos dois anos, comparando com a mesma média 2008/17.

Nesse período 2008/17 houve uma média de 139 incêndios anuais com mais de 100 hectares, que passaram para 40 nos anos 2018 e 2019. Em relação a incêndios anuais com mais de 1.000 hectares na década foram 17 ao todo e nos últimos dos anos aconteceram dois.
https://24.sapo.pt/atualidade/artig...rdida-a-metade-ate-2030-apresentado-em-lisboa
 
Porque é preciso não esquecer, e lembrar sempre as vítimas desde fatídico evento, faz por esta hora 3 anos que Portugal , e o mundo, começavam a conhecer as verdadeiras consequências do incêndio que teve início em Pedrógão Grande, e que vitimou 66 pessoas! Paz às suas almas , e que nunca mais se repita!




Resumo dos acontecimentos:



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IF muito grande em Espanha, perto da fronteira com Portugal (Zona de Montalegre, Boticas), visível SAT24:

Nada de novo... A Galiza e todas as regiões a norte do Tejo em Portugal continuam a ser o palco dos incêndios na Península Ibérica, em muito devido à maneira como o terreno é gerido há séculos. :sono:
 
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Grandes incêndios são uma coisa relativamente recente e resultam, fundamentalmente, da falta de gestão das últimas décadas. No passado o território e a vegetação eram objeto de gestão e não havia tanto material nem tanto espaço para arder. Claro que essas formas antigas de gestão do território já não são compatíveis com as necessidades atuais, mas enquanto não se arranjar alguma forma de prática e económica de ocupar e gerir o espaço isto não vai parar.
 
Certo, mas também tem a ver com a maneira como o território é organizado, e no caso de 2/3 de Portugal, da Galiza, das Astúrias e do oeste de Leão (El Bierzo) é através do minifúndio. A existência do minifúndio está relacionada com a existência dos incêndios grandes nestas regiões e a quase inexistência nas outras. :unsure: