Heliosfera e Actividade Solar 2012

Tópico em 'Astronomia' iniciado por Vince 22 Jan 2012 às 22:42.

  1. AnDré

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    Nos últimos minutos a intensidade das auroras aumentaram na cidade de Tromso, no norte da Noruega.

    Há instantes:

    [​IMG]
     
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  2. irpsit

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    Cumulonimbus

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    Este evento não foi tão forte como previsto. A aurora foi observada quase só nos países nórdicos e Escócia. Houve bons relatos da Escandinávia, mas aqui na Islândia tive mau tempo e durante breves minutos vi um pouco, mas foi muito semelhante a um dia normal, já tive auroras bem melhores em 2011.

    Mas como o Vince diz, parece ser um bom inicio do máximo solar, e na verdade são precisos eventos mais fortes para trazer a aurora a Portugal.
     
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  3. AnDré

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    #18 AnDré, 26 Jan 2012 às 23:48
    Editado por um moderador: 21 Set 2014 às 03:52
  4. irpsit

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    Cumulonimbus

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    Vídeo interessante mas sinceramente nunca percebi por que é que o pessoal faz sempre vídeos em rapid motion. As auroras são tão belas no seu movimento em tempo real, e podem mover-se igualmente bastante rápido e com bastante brilho.

    Estes vídeos nunca captam o flickering tão típico das auroras entre o verde e o roxo, por ser bastante rápido em décimos de segundo, visivel apenas a olho ou em filme em tempo real.

    Aqui ficam dois vídeos para mostrar como realmente são as auroras em tempo real. O primeiro mostra uma situação mais normal, o segundo uma aurora durante uma tempestade geomagnética (mais intensa e colorida)

    O movimento varia desde muito rápido (dificil de seguir com os olhos) a parado. O brilho varia desde semelhante à via láctea, até semelhantes a nuvens, até semelhante ao brilho da lua cheia. E por breves momentos pode haver flares quase com intensidade similar a fogo de artificio.











     
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    #19 irpsit, 27 Jan 2012 às 12:52
    Editado por um moderador: 21 Set 2014 às 03:52
  5. Zapiao

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    Outro flare muito maior que dia 23 !!!
     
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  6. Zapiao

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    Nimbostratus

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    Flare classe X esta madrugada
     
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  7. Brunomc

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    Nimbostratus

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    Tempestade solar causa apagão de rádio

    Atividade solar é a maior dos últimos seis anos Fotografia © ReutersUma mancha muito ativa está a preocupar os cientistas e nos próximos dias pode haver erupções capazes de prejudicar os equipamentos elétricos.

    Uma violenta erupção solar está a causar apagões de rádio em vários países, nomeadamente na Austrália, China e Índia. Esta tempestade está ligada a uma mancha solar de grandes dimensões (1429) que se formou há alguns dias e cuja rotação a conduziu para o lado da superfície da estrela virada para o lado da Terra. A mancha deverá manter-se nas próximas horas e os cientistas esperam possíveis agravamentos da situação.

    Para já, a atividade geomagnética produzida pela anterior erupção causou o apagão de rádio de nível 3, numa escala de 5. Na quarta e quinta, a Terra deverá ser atingida por uma ejeção de massa coronal capaz de produzir uma tempestade geomagnética de nível menor ou moderado.

    As erupções solares são capazes de provocar perturbações na rede elétrica e nos equipamentos eletrónicos, podendo literalmente "fritar" os circuitos dos satélites em órbita. Teoricamente, é possível que uma tempestade forte (o que não parece ser o caso desta) cause uma rutura na rede elétrica das grandes cidades. Um apagão global poderia levar meses a resolver e teria o potencial para causar centenas de milhares de milhões de euros em prejuízos, talvez milhares de mortos.

    Segundo um relatório publicado esta semana na revista científica Space Weather, a possibilidade de ocorrer um chamado "evento Carrington" até ao final da década é de 12%. A designação indica uma erupção solar gigantesca que ejectou enorme quantidade de massa coronal, fenómeno observado no final de Agosto de 1859 por um astrónomo chamado Richard Carrington. A tempestade solar deu origem a auroras boreais visíveis em toda a Europa. Era mesmo possível ler o jornal de noite. O fenómeno perturbou as comunicações da época, nomeadamente o telégrafo, mas o carácter primitivo destas tecnologias justificou o impacto limitado. O caso seria bem diferente com os equipamentos modernos.


    Fonte : http://www.dn.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=2343320&seccao=Biosfera
     
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  8. Mário Barros

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    Gostei especialmente desta parte malthusiana a noticia deve ter sido escrita por algum jornalista que dormiu mal.
     
  9. Vince

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    Mais um potente flare (erupção solar) ao início desta madrugada, um X5.4, o 2º maior deste ciclo solar, provavelmente apenas parcialmente dirigido à Terra, logo seguido de um outro X1.3.




    O mais forte continua ainda a ser o de 9 de Agosto do ano passado, um X6.9.
    Esta actividade é um padrão normal num máximo solar como o do actual ciclo solar 24, máximo solar que atravessamos este ano e no próximo.



    [​IMG]


    A região responsável por esta actividade é a 1429 que produziu nos últimos dias vários flares da classe M, um X1.1, um X5.4 seguido de outro X1.3
    Nos próximos dias a posição dessa região activa poderá ser um pouco mais perigosa para a Terra se esta conseguir produzir nova erupção muito forte, mas também pode começar a decair depois destes dias ter estado tão activa.

    [​IMG]





    Nesta altura está a ocorrer uma tempestade geomagnética moderada G2 (Kp=6), ainda resultado da chegada do plasma e vento solar do CME (ejecção de massa coronal) libertado no flare anterior, de segunda-feira passada. Começou a chegar à Terra por volta das 4h00.

    A chegada do CME dos flares desta madrugada deverá ser amanhã, e talvez provoque uma tempestade mais intensa que a que está agora a decorrer, provavelmente G3 que é considerada forte.

    [​IMG]




    Deixo novamente o link com as diversas escalas solares:
    http://www.swpc.noaa.gov/NOAAscales/
     
    #24 Vince, 7 Mar 2012 às 09:17
    Editado por um moderador: 21 Set 2014 às 04:01
  10. Vince

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    Furacão

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    Depois de análises feitas, o direccionamento dos flares desta madrugada foi praticamente directo à Terra.

    NOAA adianta para já a possibilidade de uma tempestade geomagnética forte G3 (kp=7) ocorra amanhã na sequência dos eventos desta madrugada, eventualmente até um pouco mais forte (severa) em latitudes altas.
    A escala vai de G1 a G5 (fraco, moderado, forte, severo e extremo).




    Recordo as diversas escalas e possíveis efeitos:
    http://www.swpc.noaa.gov/NOAAscales/





    Entretanto continua a decorrer uma tempestade geomagnética moderada G2 do flare anterior, gerando auroras nas latitudes altas.


    [​IMG]




    A radiação solar com origem nestes flares de hoje está forte (S3), os astronautas a bordo da estação espacial internacional (ISS) tiveram que adoptar os procedimentos de protecção previstos para estas situações. Para quem fique confuso, refiro que o vento solar e a radiação chega, a velocidades muito diferentes, enquanto hoje estamos a ser afectados em termos magnéticos pelo vento solar associado à CME da passada 2ªfeira que pode levar por exemplo 2 dias a chegar (a velocidade varia), a radiação e os bloqueios rádio de alta frequência já são consequência dos flares de hoje que afectam a Terra muito mais rapidamente, em 15 minutos por exemplo.

    [​IMG]
     
    #25 Vince, 7 Mar 2012 às 16:50
    Editado por um moderador: 21 Set 2014 às 04:01
  11. irpsit

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    A 2 de Abril de 2001, um X-flare semelhante directo para a Terra, resultou em auroras boreais visiveis em Portugal (a primeira aurora boreal que eu vi, em Braga). Esse flare foi no entanto um X15-20, significativamente mais forte que este.

    Estes eventos dependem muito de como a magnetosfera reage aquando da entrada do vento solar.

    Portanto amanhã há uma possibilidade, embora pequena de auroras visiveis no norte de Portugal.

    Sendo conservativo creio que a aurora poderá ser visivel pelo menos no Reindo Unido, onde já várias auroras foram visiveis nos últimos 12 meses. Com sorte, desce mais a sul.

    Recomendo que o pessoal esteja atento ao céu amanhã, e vá olhando de 20 em 20 minutos, o horizonte a norte, em locais suburbanos ou rurais. É preciso ter um horizonte limpo e escuro a norte.

    PS: de momento a actividade está mais fraca. Mas a aurora ainda está visível da Escócia. Já acho difícil chegar a Portugal.
     
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  12. Vince

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    CME resultante das erupções de ontem chegou ao ACE (Advanced Composition Explorer) cerca das 10:45 e 20 minutos depois começou a chegar à Terra.

    [​IMG]


    Para já desencadeou uma Tempestade geomagnética moderada (kp=5), vamos ver até onde se intensifica.

    [​IMG]
     
  13. irpsit

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    Cumulonimbus

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    O indíce Kp (index Kp) está correlacionado com a extensão para sul da banda auroral.

    De um modo aproximado (atenção não é exacto):

    Um kp0 significa actividade auroral praticamente nula
    Um kp1 significa aurora boreal visivel somente em regiões polares
    Um kp2 significa aurora boreal visivel no extremo norte Escandinávia
    Um kp3 significa aurora boreal visivel na Islândia e norte da Escandinávia
    Um kp5 significa aurora boreal visivel até à Escócia e sul da Escandinávia
    Um kp6 significa aurora boreal visivel até Inglaterra e Dinamarca
    Um kp7 significa aurora boreal visivel até ao norte da Alemanha e Holanda
    Um kp8 significa aurora boreal visivel em grande parte da Europa
    Um kp9 significa aurora boreal visivel até ao norte de Portugal e Espanha e em circunstâncias mais extraordinárias visivel até aos trópicos.

    Em Portugal, convém estar atento se o Kp estiver acima de 7.
    E mesmo com um Kp9 a aurora normalmente só é observada por curtos períodos do norte de Portugal e junto ao horizonte norte. Um evento que geralmente ocorre uma vez por década. Portanto é preciso ter sorte para apanhar essa meia hora. Em circunstâncias raras (algumas vezes por século) desce às latitudes de Lisboa, Faro ou do norte de África.

    Para já o Kp está a 5, algo que ocorre normalmente algumas vezes por ano.
    Um Kp de 8 ou 9 geralmente só ocorre uma ou duas vezes por década.
     
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  14. Iceberg

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    Boa tarde a todos.

    Sigo com crescente paixão o acompanhamento da atividade do nosso Sol, e espero um dia, quando tiver maior disponibilidade pessoal e profissional dedicar mais tempo ao fascinante estudo do nosso astro-rei.

    Gostava de vos colocar duas questões distintas, mas ambas diretamente relacionadas:

    No famoso evento Carrington qual terá sido a intensidade X do flare ?
    Nesse mesmo evento qual terá sido a magnitude Kp do evento ?

    Um abraço a todos ! ;)
     
  15. Vince

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    Agora não tenho aqui um estudo que li em tempos, depois coloco mais tarde, mas o Evento de Carrington em 1859 ao contrário do que se possa pensar, não foi algo inédito em termos de raios X (que dão origem à classificação A,B,C,M,X da escala que usamos). Foi um flare extremo, mas ao nível de uma dúzia dos maiores flares que ocorreram desde aí, inferior ao flare de 2003 e a um ou outro do século XX. A única coisa onde foi completamente inédito foi na quantidade de partículas, provavelmente a maior emissão em muitos séculos, mesmo antes de 1859.

    O evento em si foi mais aquilo que se chama a "Tempestade perfeita", a conjugação de muitas coisas.

    A intensidade do flare só por si não faz tudo, interessam muitos outros factores, desde a orientação mais ou menos directa à Terra, CME libertado, a velocidade a que se dá essa ejecção de material rumo à Terra, a quantidade de partículas ejectadas, a orientação magnética, etc.
    Por exemplo temos visto nos últimos anos CME's que demoram 2 ou 3 dias a chegar à Terra. O de hoje demorou cerca de 34 horas, quase dia e meio. O de Carrington demorou apenas 17 horas, ou seja, o dobro da velocidade do de hoje. Mas já houve outros também muito rápidos que não tiveram o impacto de 1859. A altura do ano, próximo dos equinócios, também parece ter alguma influência na intensidade das tempestades geomagnéticas.

    Um dos indicadores nesse estudo que punha o de Carrington na frente de todos os outros grandes eventos era a quantidade de protões emitidos, ou seja, houve uma enorme quantidade de partículas ejectadas pelo sol.

    O que se passou com o evento de Carrington é que em todos os parâmetros está classificado entre os maiores eventos e mesmo o maior num deles, e poucos eventos conjugam tudo isso em simultâneo, daí a chamada "Tempestade perfeita", e daí também a raridade com que estas coisas podem ocorrer. O que deve ter ocorrido na altura foi uma grande libertação de matéria e partículas, que foram disparadas a grande velocidade e de forma certeira na Terra.

    Mas estou a falar de memória, logo à noite procuro o estudo e coloco aqui.



    Regressando a hoje, para já mantém-se abaixo das expectativas, falando da tempestade geomagnética, que a radiação continua forte. Parece que tem a ver com a orientação magnética da matéria expelida.

    Nesta imagem do ACE o 1º gráfico o "bz" indica a orientação, positivo é norte, negativo é sul e tem que estar invertido em relação à Terra, e começou fortemente positivo, embora agora esteja a ficar mais neutral.

    Ou quem sabe, ou outro factor qualquer desconhecido, isto está longe de ser matéria que dominamos, quem sabe se ao ocorrerem 2 flares praticamente seguidos ontem a quantidade de matéria e energia não se tenha de alguma forma dispersado, mas estou apenas a especular. Também estamos um pouco limitados pois há dados importantes que só sabemos quando o CME chega ao ACE, e o ACE já foi um grande progresso nestas coisas.

    De qualquer forma ainda se deve intensificar nas próximas horas.


    __________________
     

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