Impacto agrícola da seca 2011-2012

Tópico em 'Biosfera e Atmosfera' iniciado por Agreste 29 Fev 2012 às 14:25.

  1. Agreste

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    Super Célula

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    Uma das coisas que vêm referidas neste capítulo do livro é que no Alentejo (Castro Verde), o nível de seca mais usual é o moderado e só depois aparece o extremo/severo. A norte os episódios de seca são mais recorrentes do que permanentes, o que era de esperar. O tempo não costuma ficar bloqueado por ai.
     
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  2. Aurélio

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    Re: Seg. Previsão do Tempo e Modelos - Outubro 2012

    A intensidade aparenta ser o próprio índice, comparando com a tabela que o IM tem no seu site, mas fórmulas é que nem vê-las. A intensidade aparenta ter uma correlação com o nível da seca (normal, severa, ect ... ), enquanto que a magnitude aparenta ter uma relação com o numero de meses que ela perdura.

    Faz-me confusão é se falar .... como dizes na 1ª tabela que é para o país todo, sabendo-se que podes ter uma região com 4 meses em seca e outra durante 16 meses por exemplo.

    Por exemplo em termos de PDSI a região do litoral Norte e Centro já se encontra em seca pelo menos há cerca de 19 meses a 20 meses, se não estou em erro.
    A região sul nomeadamente o Algarve está há cerca de 14 meses com intercalação de um mês, também salvo erro de memória.
    Acho isto muito injusto tratar-se uma situação de seca de um país como um todo.
     
  3. comentador

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    Cumulus

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    Re: Seg. Previsão do Tempo e Modelos - Outubro 2012

    A quase ausência de vegetação deve-se ao facto do pastoreio (ou até sobrepastoreio) de gado, sobretudo aos bovinos (actualmente em maior representação no Alentejo) e aos ovinos e isto, independentemente de serem anos secos, normais ou húmidos. No Alentejo, as zonas de sequeiro a actividade principal passou a ser a pecuária em detrimento dos cereais para grão. Mas isto deve-se às políticas agrícolas.

    É normal no Alentejo o estrato herbáceo estar completamente seco e ressequido com o calor do verão. Em termos arbóreos, (as florestais dominantes, azinheira e sobreiro) estão bem adaptadas ao nosso clima, com as chuvas irregulares no espaço e no tempo. Relativamente ao estrato arbustivo, este é em menor número, devido à mobilização dos solos para sementeira e ao pastoreio de gado.

    Portanto é normal no final do verão/principio do outono termos zonas desnuadas de vegetação no Alentejo e quando existe é o estrato herbáceo seco. Quanto ao contraste que verificou, de certeza que em zonas serranas encontrou mais vegetação e nas zonas mais planas, verificou terrenos mais desnuados! Isso tem a ver com a politica de desflorestamento do Alentejo devido à campanha do trigo na década dos anos 30. Foi a chamada desflorestação da charneca do Alentejo, para a produção de cereais, sobretudo o trigo. Por isso encontramos áreas enormes com pouca vegetação natural.

    Relativamente às barragens, também não exagere! Olhe que 10 anos seguidos de seca mesmo as grandes barragens ficariam sem água, pois o abastecimento público e o fornecimento para a agricultura consomem muita água, não se falando da evaporação atmosférica ou infiltração no solo dessa água, que representa uma parte das perdas. Existem outras!

    Quanto às zonas com barragens de menor dimensão, tá claro que as dificuldades são maiores, em anos de seca, mas temos de ver também que os solos só podem ser ocupados face à sua aptidão para as culturas (tipo de solo, declive, etc). Acho que aqui tem de haver uma proporção do uso da água face à dimensão da albufeira. Se é menor, logo o perímetro de rega tem de ser menor. Trata-se aqui de uma questão da gestão da água e tenho verificado em muitas albufeiras que o uso não é eficiente e nem os perímetros de rega bem calculados face à dimensão da albufeira. Em algumas, a gestão é feita por gestores inexperientes, estão fora da realidade. As manutenções e conservações de canais e condutas mais das vezes não são feitas. Tenho visto água a ser desperdiçada durante o verão pelas más ou ausentes conservações do sistema, o que acarreta grandes perdas de água. É do tipo eu quero 5 litros de água por segundo no meu campo e à saída da barragem têm de mandar 10 ou 15 litros para ter a quantidade pedida no meu campo de rega.

    Mais das vezes quando os níveis das barragens estão baixos, permitem a rega desse perímetro sem qualquer restrição de culturas, como se a barragem tivesse cheia.

    É do tipo, enquanto houver água na barragem vamos vendendo aos agricultores, o que interessa é fazer dinheiro.

    Meu caro Aurélio, cada caso é o seu caso, sabemos que em albufeiras mais pequenas e em anos secos os níveis baixam drasticamente, mas também há casos que é mesmo da má gestão, NÃO É SÓ DA SECA!!! A SECA sabemos o que faz, mas a má gestão, que eu tenho presenciado, NÃO SEI MUITO BEM QUAL É A PIOR PARA OS NÍVEIS BAIXOS DAS BARRAGENS!

    Só quem não não está por dentro do assunto é que acredita que é mesmo da seca, mas é uma tristeza em alguns perímetros de rega ver água desperdiçada pelos canais e jogada por barrancos e ribeiras em pleno verão, só porque é fim de semana e o cantoneiro que abre e fecha a água ao agricultor, só começa a trabalhar na 2 feira!

    Sabemos que o tempo por vezes vem contra a agricultura e as barragens secam-se, mas se tivéssemos boa gestão podiam reduzir, e muito, as perdas de água que se perdem.

    É nesta e noutras áreas, dizemos tá mal tá mal, mas quem vai ao problema de fundo ou de raíz é que se apercebe bem da realidade. Quem não conhece, aceita e pensa que as coisas são mesmo assim....

    Enfim, haja saúde para todos.....




     
  4. belem

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    O sobrepastoreio pode ocorrer, quando a exploração tem pouca vegetação e demasiados bovinos para sua área.

    Em certas regiões com mais vegetação e com uma área maior para pastoreio, a presença de
    bovinos (em especial de raças autótones mais primitivas), pode ser bastante benéfica.



     
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    #34 belem, 3 Out 2012 às 23:28
    Editado por um moderador: 21 Set 2014 às 03:52
  5. algarvio1980

    algarvio1980
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    A minha quebra na alfarroba rondou os 60% em relação ao ano passado e pelo andar da carruagem para o ano ainda deve ser pior. Não tarda, começa a nascer a candeia nas alfarrobeiras e sem chuva começa a cair tudo como o ano passado.

    Já nas azeitonas, o ano passado as oliveiras estavam carregadas de azeitonas, mas como não choveu no início de Outubro caiu metade no chão, mas ainda deu uns 20 litros de azeite, este ano deu dois frascos de azeitona para comer. :angry:
     
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  6. Aurélio

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    Este ano nem me dou ao trabalho de apanhar a azeitona .... de tão pouca que é ... !A chuva ainda deve demorar bastante por estas bandas !
     
  7. Agreste

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    Comprei alguns quilos e já as britei...
     
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