Meteorologia de montanha e polémica dos resgastes

Tópico em 'Meteorologia Geral' iniciado por Snifa 24 Fev 2016 às 18:17.

  1. james

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    Cumulonimbus

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    E há que distinguir entre o montanhista.de ocasião sem qualquer preparação física e psicológica, que se mete numa montanha sem sequer saber o que é o montanhismo e o montanhista experimentado com a devida preparação e material adequado.
    É um absurdo colocar os dois no mesmo saco.
     
  2. james

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    Cumulonimbus

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    Do que tenho observado, parece - me que todos os que se têm colocado em sarilhos são montanhistas de ocasião. Que se metem em serras grandiosas e com temporal, como se fossem fazer uma caminhada ao parque municipal da zona.

    Claro que isso tem todos os ingredientes para correr mal...
     
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  3. dopedagain

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    Cumulus

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    Penso que este pequena entrevista de hoje no noticias ao minuto ao presidente da associação cultural amigos da serra da estrela vai completamente de encontro ao que referiste!

    http://www.noticiasaominuto.com/pai...otegidas-explicam-resgate-na-serra-da-estrela
     
  4. boneli

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    Sabes efectivamente que percurso fizeram e por onde andaram?

    Eles sabem muito bem o que fizeram e por onde andaram. De facto fizeste bem mostrar esses mapas que são bem claros, mas para eles esses mapas simplesmente não existem. Eles vão por onde bem entenderem e lhes der na telha. E fazem porque não há fiscalização.

    Acho que sabes do que estamos a falar.

    Quando os dois grupos se cruzaram em que local foi???

    Já lhes perguntaste o porquê de fazerem isto por pura "adrenalina" como eles gostam tanto de dizer???

    Sabes se esses senhores já fizeram campismo selvagem nessa zona este ano e quantas vezes???? Pois felizmente o mundo é pequeno.

    Eu não vou entrar em polémicas, nem precisas de mostrar esses mapas porque conheço todo esse percurso ou os vários percursos que vão até Carris. Digo e repito esses senhores já transgrediram várias vezes a lei a fazerem actividades não autorizadas no PNPG, transgrediram nesse dia e só não correu pior porque várias pessoas com menos experiência se recusaram a ir nesse dia com eles.

    Como pessoas responsáveis por associações deveriam dar o exemplo...e fico-me por aqui ou então falamos em msg privada. Versão do facebook tem muito que se lhe diga. Só lamento que continua a haver gente a apoiar este tipo de iniciativas à margem da lei...mas pronto cada um é livre de pensar o que quiser.

    Boa noite não falo mais neste assunto porque é bater no mesmo.

    Cumprimentos
     
    #49 boneli, 3 Mar 2016 às 01:18
    Última edição: 3 Mar 2016 às 01:28
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  5. dopedagain

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    Como referi tenho que me limitar a versao dada no facebook dele e do que falei com ele, tens razao pode de facto estar a dizer uma versao a medida dele. se atravessou a zpt antes do resgate para chegar aos carris deve ser multado, concordo plenamente, alias o dobro por ser mentiroso. Mais não posso dizer porque não estava lá nem sou muito menos o dono da razão... estamos a debater não só este caso em particular mas tambem muitos outros que poderão surgir, e diversas situações que podem e devem ser mudadas em diversos parques nacionais e naturais algumas delas devido a mudanças metereológicas ou em condiçoes extremas. Nao nos deveriamos focar em um só caso particular mas no geral.
     
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  6. ct2jzr

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    Cirrus

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    Vou deixar o meu contributo... Acho bem que se responsabilizem os portugueses...

    Mas então que se comece na estrada nos indivíduos que andam a grandes velocidades, bêbados etc pondo em risco a vida deles e dos outros.

    Dos governantes e administradores públicos que fazem gestões que arruinam as pessoas.

    Dos fumadores, obesos, etc.

    Podia dar muitos exemplos...

    A minha solução seria por se criar condições de abrigo para essas pessoas que estejam mais enrascadas criar casas de pastor como existem em muitas outras montanhas!

    Será que as nossas equipas de socorro estão preparadas? Será necessário o aparato todo que fazem sobre o assunto.

    Estamos a falar de serras com pouco mais de 1000 metros... É um passeio de crianças...

    Existe pouca formação e informação para essas pessoas... O associativismo em Portugal não funciona e quem aponta o dedo agora nada faz para mudar este tipo de situações! Que usem o dinheiro para organizar eventos do género e apoiar clubes de montanha para as pessoas ganharem formação!

    Porque ao obrigar as pessoas a pagar o que vai acontecer é que algumas pessoas não vão ligar... Colocando se mais em risco e a eventual morte!
     
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  7. ct2jzr

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    Cirrus

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    Deviam era ser mais montanhistas... Quanto mais gente andar nesses percursos mais hipóteses de ajuda têm as pessoas menos formadas!
     
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  8. james

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    Concordo com o raciocínio nos 2 posts anteriores , as pessoas deviam ter uma melhor preparação. Só não concordo com o que disse que é um passeio de crianças. Quem, como eu, já foi ao Pé dos Carris e em boas condições climatéricas , sabe que não é assim. Aliás, o Gerês já tem quase 1600 metros de altitude, não tem pouco mais de 1000 metros.As serras do Norte, de um modo geral, são muito escarpadas, com grandes precipícios onde um pequeno descuido pode ser fatal. E têm, por vezes, mudanças climatéricas imprevisíveis, até no verão, extremamente perigosas e que não ficam nada atrás das condições das maiores cordilheiras europeias.
    Claro que se formos comparar com os Andes, os Himalaias, as Montanhas Rochosas ou mesmo os Alpes, já são de outro campeonato.
    Mas à escala europeia, o Norte e o Centro de Portugal já tem montanha relevante. Uma boa parte da Europa, principalmente no Norte e Centro, fica abaixo dos 1000 metros.
    Por cá, só no Norte, temos 9 serras com mais de 1300 metros de altitude.
     
    #53 james, 3 Mar 2016 às 09:44
    Última edição: 3 Mar 2016 às 12:01
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  9. The Weatherman

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    Cumulus

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    Quem é irresponsável deve ser de alguma forma responsabilizado como exemplo visível para outros potenciais irresponsáveis. Optar por fazer um trilho de montanha ou observar a ondulação e o vento junto ao mar, com previsão de condições meteorológicas adversas, pondo em risco a sua segurança e a de outros, são atos irresponsáveis.

    O Gerês é uma serra que pelas suas condições únicas convida a desfrutar da natureza. A maior parte das pessoas que vai ao Gerês limita-se a fazer uns picnics nos parques de merenda e uns passeios pelos trilhos mais simples num belo dia de primavera ou verão não fazendo qualquer ideia que as condições meteorológicas em determinadas alturas se podem alterar bruscamente. Algumas destas pessoas com “grande experiência” do PNPG mal ouvem dizer que está a nevar no Gerês metem-se logo no carro com a roupa de passear o cão e vão entupir a estrada até à Portela do Homem para fazer um passeiozito até aos Carris ou, porque não, até ao Pico da Nevosa que é “logo a seguir”. Esta mistura de idiotice com menosprezo pela força da natureza só pode ter como resultado final um custo que pode ser a própria vida (ou no mínimo uma boa multa) afinal quanto custa uma vida ? e quanto custa a vida daqueles que põem a sua vida em risco para salvar outros?

    Existe de facto um código de conduta e de boas práticas dos visitantes de áreas protegidas no Gerês que qualquer um pode consultar em http://www.icnf.pt/portal/turnatur/resource/docs-ap/codigos/codig-condut e que todos deveriam cumprir. Só lhe acrescentava uma alínea: Não faça qualquer trilho ou percurso com previsão de condições meteorológicas adversas ou se é um idiota.
     
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  10. james

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    Mas estas situações , muitas vezes , até são ignoradas pelas próprias autoridades.
    Por exemplo, noutra área, quem não se lembra da já épica ondulação marítima de Janeiro de 2014?

    As pessoas , na Foz do Douro, às centenas, empoleiradas e a fazer filas para tirar fotos em primeira mão e o mar a varrer tudo até à estrada. E a própria protecção civil nem sequer se deu ao trabalho de cortar a estrada.

    E no verão, os idiotas que vão para a Mata da Albergaria deitar lixo ao chão e fazer caminhadas em áreas de protecção integral? As autoridades passam , fecham os olhos e seguem caminho.

    Quando o exemplo não vem de Cima, tudo se complica.
     
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  11. Bracaro

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    Este é um assunto complicado e em que há evidentemente opiniões diversas. Eu não sou nenhum especialista em montanha nem nada que se pareça embora goste muito da montanha. Entre praia e montanha nem penso duas vezes.
    Pelo facto de praticar BTT há quase vinte anos, já levo muitos quilómetros em zonas montanhosas de grande parte da Península Ibérica e acabo por ter alguma experiência e conhecimentos. Isto para dizer que a montanha pode ser traiçoeira e impõe muito respeito. As condições atmosféricas podem mudar em pouco tempo e é muito fácil uma pessoa perder-se se não conhecer bem a zona.
    Quando fiz a Transpirenaica em BTT passei algumas dificuldades por causa da chuva, neve e frio; e isto em finais de Maio. Houve um dia em que as coisas se complicaram; ser apanhado por uma tempestade a 2200 metros de altitude e com a temperatura perto de 0º não é brincadeira. Mas todos íamos mais ou menos bem preparados e o dia terminou bem.
    Ir para a montanha deve ser bem ponderado e planeado, tendo em conta a previsão meteorológica e os avisos de mau tempo. Não estou a dizer que as pessoas não devam ir, mas que o façam devidamente preparadas e cientes dos riscos. Não é mesma coisa ir fazer o trilho das minas de Carris do que ir até à marginal da praia.
    A montanha deve ser disfrutada, é bem melhor e mais saudável do que ir passear para o centro comercial; mas com consciência.
    E já agora, as serras do Norte, sobretudo as serras do Minho, apesar de não atingirem grandes altitudes, não deixam de ter os seus perigos. O Gerês pode ser complicado para quem não o conhece; a rede de telemóvel nem sempre existe e um pequeno acidente pode ter repercussões sérias.
     
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  12. Paelagius

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    Que tempestade num copo de água! Tanto espaço para passear no Gerês, só se perde quem esticar a perna… E ponto!

    Quando um cidadão coloca em risco tanto a sua própria segurança como os demais, deve estar ciente de que quando estas situações não resultam em hospitalização ou de observação, deve ser feita uma penalização devida.

    Isso só acontece a quem considera que estas são baixas em relação aos benefícios por desrespeitar. Ora, quantos insurgem-se com esta medida…

    Outro assunto, não menos importante, seria condicionar o acesso rodoviário aos transeuntes, permitindo apenas a subida a quem tivesse correntes de neve nos pneus. Por uma melhor gestão de recursos para pronto socorro pois o rebanho desce a montanha muito tarde, quando a temperatura é menor e a presença de gelo se agrava.
     
  13. Wolf78

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    Sabes meu caro, falar atrás de um nik name é muito facil...mas quando quiseres dar a cara e fazeres provas do que dizes aparece, falas muito e acertas pouco!!!
     
    #58 Wolf78, 4 Mar 2016 às 01:51
    Última edição: 4 Mar 2016 às 03:13
  14. dopedagain

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    Bem nuno sendo um dos montanhistas que ajudaram no resgate se quiseres explicar um bocado do que aconteceu apesar de eu já ter mostrado a tua versão estás a vontade :) ou que medidas devem ser mudadas para estas situações não voltarem a acontecer.
     
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  15. Wolf78

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    Sim posso explicar, terei todo o prazer:
    Nesse mesmo dia eu mais dois amigos iniciamos uma caminhada na Portela do Homem em direcção ao Pico da Nevosa passando pelas Minas das Sombras, depois de passarmos as Minas das Sombras e devido às más condições meteorológicas, decidimos não ir ao Pico da Nevosa e sim dirige-nos para as Minas dos Carris, onde já muito próximo à entrada das Minas encontramos um grupo de montanhistas que estavam a iniciar a sua descida, falamos com o Rui Barbosa e os seus colegas, após dois dedos de conversa fomos até ao abrigo para abrigarmo-nos da intempérie, aproveitando para almoçarmos e tomarmos uma bebida quente por lá.

    Quando nos preparávamos para seguirmos a nossa caminhada de regresso, fomos surpreendidos pela chegada de três pessoas que convidamos a entrar, uma delas apresentava-se em más condições físicas em quase desmaio, depois de prestarmos auxílio a essa pessoa (dando roupa seca, bebidas quentes e apoio anímico), solicitamos o socorro através do NNE 112.

    Foram accionados os meios de emergência e nessa mesma altura são avisados os meios de comunicação social que passam a falsa informação de que estavam seis pessoas perdidas e a necessitar de resgate na Serra do Gerês

    Foram accionados meios de Arcos de Valdevez, Braga, Fafe, Salto, Montalegre e Terras de Bouro, para resgatar 3 (três) e não 6 (seis) pessoas foram accionados quase 1 centena de elementos da protecção civil entre Bombeiros, GNR “GIPS” e VIMER e dezenas de viaturas.

    Por volta das 17:30, deu se o contacto com os 5 bombeiros que tinham partido das lagoas de Marinho para o resgate, ainda no local decidimos efectuar o regate pelo percurso que dá às Lagoas de Marinho, mas devido a vitima ter entrado novamente em hipotermia chega mos à conclusão que teria mos de descer o Vale do Homem, pois a evacuação por esse percurso, seria impraticável por razões de segurança e mobilidade do resgate.

    Nós três montanhistas que prestamos o socorro inicial as três pessoas em apuros continua mos apoiar a equipa de resgate no transporte de um dos elementos deste grupo que estava a ser transportado em maca de lona já muito debilitado.

    É iniciada uma descida pelo Vale do Homem, o resgatado em maca “lona” pesava mais de 100 kg e bombeiros como nós montanhistas revezávamos no transporte da maca. Após uns km da descida foi chegando os elementos que vinham da Portela do Homem, entretanto prestamos auxílio ao membro mais novo do grupo resgatado, a descida do Vale do Homem foi feita em condições difíceis devido ao estado do antigo estradão mineiro.

    Chegamos à ponte da Portelas do Homem entre as 20:30 e 21:00, hora essa em que entregamos o elemento mais novo às equipas de socorro que lá se encontravam, nós os 3 montanhistas não necessitamos de qualquer tipo de assistência ou apoio medico nem nos Carris como à chegada.
     
    #60 Wolf78, 4 Mar 2016 às 12:35
    Última edição: 4 Mar 2016 às 12:40

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