O Estado do País 2015

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Se ouvires alguns professores de Direito de Coimbra a falar dir-te-ão que está tudo muito bem e que temos uma Justiça excelente.

Não sendo a minha área de formação, há duas coisas que penso sobre os juízes. Deveriam entrar na profissão com mais de 35 ou 40 anos. E deveria haver uma discussão muito séria sobre a isenção dos juízes.

Pergunto. A Opus Dei por um lado, e a Maçonaria por outro... até que ponto estão infiltradas na Justiça portuguesa?

Não duvido que o digam. Mas são mentirosos. A nossa justiça, lamento, é uma vergonha. Como me disse em tempos um grande professor, uma justiça que não é célere, mesmo quando acerta, já não é justiça. Nem quando absolve, porque enquanto se prolongou 'parou' a vida do suspeito, nem quando condena, porque a demora é, para a vítima, seja ela quem for, um segundo crime.
Não acredito que o solução para uma justiça melhor, resida na idade. Reside é no tipo de pessoas. Precisamos de juízes, não justiceiros. Precisamos de magistrados, não de todos poderosos. Um juiz é um homem ou mulher como os restantes mortais. Alguns acham-se acima dos seus concidadãos e outros, ainda, acima da própria justiça.
 
Existem argumentos interessantes que justificam salários mais altos para alguns funcionários públicos. Um deles é a prevenção da corrupção. O outro é a prevenção da emigração. Mas é necessário ponderar que somos um país pobre à escala ocidental. Estamos a ser ultrapassados pela Europa de Leste em peso e isso deveria envergonhar-nos. Uma das razões da recente emigração de médicos está nos salários. À escala europeia, neste momento são muito baixos. E quem diz médicos diz engenheiros, todas as profissões científicas e técnicas. No caso específico dos médicos, existem alternativas que poderiam melhorar os salários e reduzir a carga horária. Mas tal implica mexer no modelo do SNS e neste momento tal não é vontade do Regime.

Mas o maior problema como disse a troika nem está nos salários. Está no preço de vários bens e serviços e no esforço fiscal. Rendas, combustíveis, electricidade, gás, telecomunicações, livros escolares, impostos... com frequência acima do que se paga em países bem mais ricos.
 
Eu acho que os políticos devem ser bem pagos, sim. Aliás, eu acho que toda a gente que trabalha deve ser bem paga ou, pelo menos, decentemente paga. Mas bem pagos de acordo com a realidade em que se inserem.
 
A Justiça é a grande cabeça do polvo do Regime. Os escritórios de advogados têm uma poder brutal e tanto faz se está o PS ou o PSD no poder. No dia que estoirarem com as encomendas do Estado a esses escritórios teremos um Regime mais limpo.

Cláudia, obviamente a classe quer a Justiça lenta. Não vês que assim os advogados ganham muito, muito mais dinheiro?
 
Mas o maior problema como disse a troika nem está nos salários. Está no preço de vários bens e serviços e no esforço fiscal. Rendas, combustíveis, electricidade, gás, telecomunicações, livros escolares, impostos... com frequência acima do que se paga em países bem mais ricos.

Não é preciso ser a Troika a dizê-lo. Somos pagos como se estivéssemos no Norte de África mas pagamos impostos, bens e serviços como se vivêssemos no Norte da Europa. É intolerável e ninguém põe cobro a isto.
 
Não duvido que o digam. Mas são mentirosos. A nossa justiça, lamento, é uma vergonha. Como me disse em tempos um grande professor, uma justiça que não é célere, mesmo quando acerta, já não é justiça. Nem quando absolve, porque enquanto se prolongou 'parou' a vida do suspeito, nem quando condena, porque a demora é, para a vítima, seja ela quem for, um segundo crime.
Não acredito que o solução para uma justiça melhor, resida na idade. Reside é no tipo de pessoas. Precisamos de juízes, não justiceiros. Precisamos de magistrados, não de todos poderosos. Um juiz é um homem ou mulher como os restantes mortais. Alguns acham-se acima dos seus concidadãos e outros, ainda, acima da própria justiça.

Não é preciso ser a Troika a dizê-lo. Somos pagos como se estivéssemos no Norte de África mas pagamos impostos, bens e serviços como se vivêssemos no Norte da Europa. É intolerável e ninguém põe cobro a isto.

Os livros escolares têm solução fácil. Se as editoras não mudarem o esquema, o Estado que meta a Imprensa Nacional a editar livros escolares, como já fez no passado recente, e o GAVE a lançar manuais de estudo para os exames. Tudo com edição a preço simbólico de 1 ou 2 euros em PDF.

Seria interessante uma investigação das ligações dos donos das editores aos partidos, ao Ministério da Educação. As grandes superfícies também ganham muito com a negociata.
 
Um exemplo que pode parecer ridículo mas que é representativo de tão corriqueiro que é. Tenho animais de estimação. Compro a ração para eles, online, num site Espanhol. Estando atenta, compro a ração a sensivelmente metade do preço que pagaria pela mesma marca em Portugal. Com uma vantagem, entregam-ma em casa, sem mais custos (desde que a encomenda ultrapasse determinado valor), via transportadora. Sei que há questões que podem interferir na diferença de preços, como a questão do IVA. Ainda assim, não justificam, nem de perto nem de longe, a diferença de preços gigantesca. Moral da história, dou aos bicharocos ração premium ao preço de ração ranhosa que se vende em Portugal.
 
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Um terço a metade do Grande Porto está devoluto.

Disse-me quem sabe que boa parte do problema deve-se às heranças indivisas. É assim tão difícil obrigar as pessoas a entenderem num ano ou dois? Se todos estes imóveis entrassem no mercado de arrendamento os valores das rendas afundavam.
 
Lactacyd Derma em Portugal: ~16 euros; em Espanha: 6,50 euros

Champô de cetoconazol de marca em Portugal: ~15 euros; em Espanha: ~2.80 euros

Garrafa de gás em Espanha: menos de 15 euros

Moradia familiar T3: em média, 50 a 75 mil euros mais baratas que em Portugal (na região ocidental da Andaluzia)

Combustíveis: nas últimas vezes que estive em Espanha estavam 10 a 20 cêntimos mais baixos.
 
Mais um a dizer que a democracia e perda de tempo, o secretário geral do PCP ( quem gosta de ditaduras, a democracia e uma perda de tempo) .

Mas por que é que que PC, bloco e PS estão com pressa e querem passar por cima da Assembleia?

E simples, porque se ac for indigitado primeiro ministro, se na AR, o PSD e o CDS apresentarem uma moção de rejeição, para ela passar, tem que haver deputados do PS à votar a favor ( e consequentemente contra o próprio partido) .

Mas, pelo contrário, se for PPC indigitado, uma moção de censura ao governo não passará se houver deputados em número suficiente de PS à não votar a favor ( mas só tem que se abster, aqui reside a grande diferença) .

E ac sabe que há deputados dispostos a isso, daí a pressa.


P.S. - Um amigo meu que é simpatizante do PS, disse - me, em tom meio a sério meio a brincar, que isto é tudo uma jogada política. O PS " faz " a negociação com BE e PC, o PR indigita PPC, na AR, o número suficiente de deputados do PS viabiliza o governo, o PS depois faz um esboço de disputa interna, de seguida pega em bandeiras eleitorais de esquerda e negoceia com o PSD ( como condição para viabilizar o governo) , vai deixando o governo a arder em lume brando e fazendo marcação cerrada e dentro de 1/ 2 anos, derruba o governo.
Para quem gosta de teorias de conspiração, aí está uma boa.
 
A piada do dia:

Carlos César: PS, PCP e BE trabalham acordo para quatro anos

http://economico.sapo.pt/noticias/c...trabalham-acordo-para-quatro-anos_232261.html

O acordo que vai ser formalizado nos próximos dias entre PS, PCP e BE é válido para quatro anos, mas isso não quer dizer que os comunistas e bloquistas vão ficar amarrados aos socialistas até 2019. Ao que o i apurou, o entendimento não incluirá nada específico sobre orçamentos futuros e, por agora, consiste apenas no programa do PS (que é para uma legislatura) alterado, incluindo as medidas de política propostas pelos dois partidos com que António Costa negociou. Só se os próximos Orçamentos do PS corresponderem ao espírito do programa que PCP e BE se propõem a aprovar agora, é que o acordo se mantém de pé. Ou seja, um compromisso agora não inclui medidas extras que afrontem princípios como o da recuperação de rendimento dos trabalhadores ou a salvaguarda do Estado Social.

http://www.ionline.pt/418034

Um governo de esquerda visto pela Europa. Um PC que é aliado do PS mas trabalha na sombra para sair do euro, um BE que acredito que engula o sapo e fique calado (até surgirem os inevitáveis problemas) e um PS em pânico tentando impedir que os alegados aliados políticos não sejam fiéis à sua doutrina, de muito criticar e pouco contribuir. Quanto aos militantes, no PS os seguristas e os anti-esquerda-esquerda a tentar sabotar o Costa, os do BE a quererem ser a nova esquerda e os do PCP a serem os revolucionários habituais. Para mim, quando a coligação inevitavelmente se desintegrar, os fanáticos do PCP vão rejubilar, porque quanto maior a instabilidade melhor e nunca têm a culpa de nada. Quanto ao BE, acredito que uma pequena minoria fique desapontada (a ala mais responsável se houver). Mas muitos ficarão contentes pelo ponto seguinte que é a devastação interna do PS (a falsa esquerda na visão do BE). AC, a curto prazo, poderá ficar numa posição ainda mais humilhante do que a atual. Se Seguro não tivesse saído e estivesse na atual posição de Costa o que não se diria...

Por mais que a esquerda grite, o Cavaco deverá tomar a opção conservadora de indigitar PPC e PP. Desta forma, tudo o que a esquerda fizer será da sua inteira responsabilidade (ainda para mais que o PR está no fim do seu mandato).

 
vai deixando o governo a arder em lume brando e fazendo marcação cerrada e dentro de 1/ 2 anos, derruba o governo.

Como a oposição fez, democratica e constitucionalmente, ao segundo governo Sócrates? Não vejo qualquer teoria da conspiração nisso. Apenas uma opinião, que pode estar certa ou não.
 
"Alguns Portugueses podem não estar conscientes deste facto: governos de 26 países da União Europeia dispõem de apoio parlamentar maioritário" Cavaco Silva.
 
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