Nos últimos meses ao fim-de-semana tenho conhecido o país, notei que temos muitas aldeias e vilas que ninguém fala com enorme potencial turístico, poderiam ser exploradas como se faz na Toscânia ou no Sul de França. Contudo a degradação e o abandono são evidentes. Ouvi turistas a queixarem-se das igrejas estarem fechadas e de não haver painéis informativos em inglês.
Ora nós gastámos uma fortuna em estádios que estão vazios e abandonados, num evento que em boa verdade não teve nenhum impacto no turismo, temos muitas auto-estradas desnecessárias, não faltam pavilhões, piscinas, escolas, rotundas, tudo desnecessário. Mas uma coisa tão simples como recuperar Evoramonte, que é uma povoação fantástica que está a ficar abandonada, e era tão simples recuperar aquelas casas e caiar, e limpar as ervas e pôr bons painéis informativos, e recuperar o Torrão, que é outra povoação fantástica, com excelentes edifícios antigos, a ficar destruída com a descaracterização, e outras como Brotas, por que não existe uma rede de aldeias e vilas históricas do Alentejo, com candidatura a património mundial? Por que não é restaurada a Basílica Real de Castro Verde? Ou a capela do edifício da Misericórdia de Beja? E a casa com janela manuelina do Marvão? Por que motivo ficou a meio a limpeza das invasoras na serra de São Mamede? Por que tentam aprovar PINs em vez de serem recuperadas as casas antigas das quintas para turismo de habitação? O que faz uma urbanização abandonada com dezenas de moradias em banda em pleno Parque Natural da Serra de São Mamede? Por que motivo nunca foram demolidos os edifícios abandonados no topo da Serra da Estrela (e os turistas queixam-se daquilo, acham horrível). Por que motivo só se começou a renaturalizar a Ria Formosa em 2015?
Há uns anos o ex-ministro Luís Campos e Cunha defendeu isto que aqui defendo, um plano de investimento público para termos um país mais bonito. Iria gerar emprego a nível local, Portugal ficaria muito mais competitivo a nível turístico, e acima de tudo, em termos de Orçamento de Estado estaríamos a falar de um projecto com pouco impacto, repartido ao longo de vários anos! E que iria certamente contribuir, no longo prazo, para a fixação de novos habitantes.