@Orion , não vale a pena responder a mais nada quando tu afirmas uma coisa que eu já desmenti sei lá quantas vezes. Já disse que sou de esquerda. O motivo pelo qual não poderia nunca ser de direita e sou 'obrigada' a ser de esquerda, é que só a esquerda neste país garante que não existam cidadãos de primeira e cidadãos de segunda (como se comprovou recentemente na AR). Agora, identificar-me com determinados valores, não implica que tenha de me 'vender' a um partido. Não o faço e não o quero fazer. Primeiro, porque não há nenhum partido no actual panorama Português com que me identifique totalmente. Está para ser criado. Segundo, quando as pessoas aderem a um partido, mais cedo ou mais tarde, conscientemente ou não, acabam sempre por trair aquilo em que acreditam (no caso de terem efectivamente valores e acreditarem em alguma coisa...).
Dar 'justificações' destas a um abstencionista, também tem graça.

Quando fizeres o 'esforço' de levantar o rabo do sofá para efectivamente te manifestares da única maneira verdadeiramente influente para o futuro do teu país, podes tentar dar lições morais de política aos outros.
Olá Cláudia, concordo contigo.
Eu também identifico-me muito mais com os ideais de esquerda. Porém Portugal é um país bastante conservador, leio comentários contra a esquerda todos os dias.
Gosto de ver o actual entendimento da esquerda, entre o António Costa, o PCP, o BE e os Verdes.
Para mim, o actual presidente é talvez dos piores presidentes que vi passar por Belém. E o actual PM é dos que mais defendem os interesses capitalistas (mas capitalistas do grande capital, não dos pequenos empresários).
Portanto e independentemente de ser esquerda ou de direita, independentemente de desejar melhorias no sentido de mais igualdade de oportunidades a nível social, ou a nível financeiro, ou no sentido de estimular a economia dos pequenos empresários, não posso deixar de apoiar António Costa e o apoio do PCP, BE e Verdes.
Gosto de ver os três políticos a surgir com este acordo, que já há muito era necessário na esquerda portuguesa.
Vejo potencial nas três personalidades, no António Costa como um bom facilitador, o Jerónimo de Sousa com a sua veia lutadora pelos direitos dos que menos têm, e na Catarina Martins, pela sua frescura política e ideais bastante similares aos meus.
Já Cavaco e Passos, a meu ver, são dois emissários dos interesses europeus capitalistas. Mesmo os pequenos empresários, têm muitas razões para não votar neles.
Se bem que Costa e companhia, possam travar a onda de austeridade e repor um pouco a economia dos "pequenos e médios portugueses", não têm muita margem de manobra, como o Syriza bem demonstrou. No entanto eu sou positivo, e numa Europa em profunda crise, é preciso termos políticos que façam alguma frente face à Comissão Europeia e BCE, e obriguem-nos a renegociar as suas políticas, tal como por exemplo a Inglaterra tem feito.
Se Costa não for eleito e Passos continuar em gestão, então Passos será obrigado a criar um orçamento sem austeridade e então aí o PS apoiará o PSD.
O povo português elegeu um parlamento dividido entre uma a maioria de esquerda, e uma minoria de direita, que constitui a coligação mais votada.
Passos teve oportunidade para ser um governo minoritário e se conformar com um parlamento de maioria de esquerda, mas decidiu não abrir mão do seu programa de austeridade. Em minha opinião, essa até teria sido a opção ideal para mim (Passos no governo, com um programa que pudesse ser aceito pelo parlamento de esquerda).
Agora Cavaco ditou condições para formar governo. Em minha opinião, Costa têm a opção de dizer que não as aceita. Assim como Cavaco tinha a opção de indigitar Costa sem requerer condições especiais.
O que me parece estranho é que Cavaco possa ser contra a possibilidade de um governo anti-europeu por exemplo (mesmo que Costa não o seja). O Presidente devia ser imparcial e neutro, não um presidente a impor condições de um governo de direita.
Isso para mim, era como ter o Sócrates a Presidente e obrigar um governo do Passos Coelho a ter que votar favoravelmente pela adopção dos casais homosexuais, ou ter o Jerónimo a Presidente e obrigar um governo do Paulo Portas a nacionalizar todos os bancos. Um Presidente não devia agir assim.