O Estado do País 2015

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Vamos aprendendo o vocabulário dos políticos:

promessa > compromisso > desejo > ...

Penso que ninguém dúvida, de que a ação do governo foi a menos popular de sempre, a mais austera.

Mas valerá a pena julgar o governo condicionado pelo programa da troika e por uns buracos aqui ali descobertos, ou valerá a pena dar mais uma oportunidade, agora sem a troika?

Este é o cerne da questão. Esta é a razão pela qual, apesar de tudo, a oposição não atinge melhores resultados nas sondagens.

Caramba.. Parece impossível, então reformados são milhões, funcionários públicos quase 1 milhão, desempregados e emigrados quase outros tantos..

Penso que não há margem para dúvidas, não adianta negar a realidade:
A única razão que encontro é que os portugueses estão mais maduros, na hora de decidir, perante promessas, compromissos ou desejos.
Reconhecem nos erros de governação do passado, a causa do seu sacrifício.

A cultura do medo e da desconfiança pode influenciar a decisão, mas será que não é hora de reconhecer que hoje somos um povo mais bem informado, mais racional, com os pés assentes na terra?
 
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Eu cá acho que são acomodados, amorfos, medrosos. Os quase 50 anos de ditadura ainda pesam demasiado. São opiniões.
 
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Imaginemos, então, o que seria deste pobre País sem austeridade... crescimentos de 3 a 3,5 % são utópicos, como todos sabemos... Se não houvesse cortes na despesa, onde iríamos parar? Bolas, não gosto de austeridade (haverá quem goste???), mas reconheço que não há grande volta a dar... Aliás, não é assim que gerimos a nossa vida financeira? Quem teve cortes no salário (e eu tive), quem viu as carreiras congeladas (e eu vi... vejo... há muito tempo), teve ou não que fazer ajustes nas suas despesas? E isso é ou não "austeridade"?

PS: Não quero entrar em polémicas nem em torrentes de "posts" uns atrás dos outros. Prezo muito as opiniões de todos, aprecio ler os texto muitíssimo bem escritos de @ClaudiaRM (de resto, minha conterrânea!), mas não responderei a citações deste post, a bem do ambiente arejado deste Fórum e da sua mais ligeira e prazerosa legibilidade!
 
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@Prof BioGeo Antes de mais, olá conterrâneo. Depois, se esses crescimentos são utópicos (e eu concordo com isso), então não devem ser ditos, a bem de uma política mais limpa que é o que desejo do fundo do meu coração. Enquanto os eleitores deste país forem cúmplices das mentiras que lhes são dadas em catadupa e continuarem a eleger os mesmos que lhes mentem vezes sem conta, continuarão a ser vítimas de mentiras. E bem merecidas.
A conclusão a que se chega, lendo as palavras do próprio Passos Coelho em 2011, é que os últimos 4 anos foram inúteis. Foi ele que o disse, não eu.
 
Há uns dias tomei café com um ex-aluno meu que, em amena cavaqueira, me contou que tinha feito voluntariado, como conselheiro jurídico, durante dois anos na APAV. Num certo dia, estava a aconselhar um senhora vítima de violência doméstica informando-a dos seus direitos e alternativas legais, quando lhe perguntou qual o motivo pelo qual a senhora acabava sempre por voltar para o marido agressor, uma vez que os filhos já eram crescidos, estavam fora de casa e independentes e a senhora tinha um emprego razoavelmente bem remunerado e que lhe permitia não estar na dependência económica do marido. Ela, segundo contou o meu ex-aluno, respondeu-lhe que já nem gostava dele mas que era o hábito. Não pude deixar de estabelecer um paralelo para outras realidades.
 
Eu cá acho que são acomodados, amorfos, medrosos. Os quase 50 anos de ditadura ainda pesam demasiado. São opiniões.

Em Portugal existe muito medo incutido nas pessoas. Mas será da ditadura? Não duvido que tenha contribuído para isso mas já antes existia esse medo que os espanhóis não têm na mesma dimensão. Haverá outras causas e é tema que me interessa pois parece-me que em muitos casos é esse medo que está até na base de distúrbios do foro mental.
 
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Em Portugal existe muito medo incutido nas pessoas. Mas será da ditadura? Não duvido que tenha contribuído para isso mas já antes existia esse medo que os espanhóis não têm na mesma dimensão. Haverá outras causas e é tema que me interessa pois parece-me que em muitos casos é esse medo que está até na base de distúrbios do foro mental.

Entristece-me profundamente e incomoda-me. E acho, sinceramente, que é esta atitude a maior causa para o nosso atraso. Não será só da ditadura. Mas acredito piamente que ela ainda é responsável por muita dessa atitude. Repara que aquela que muitos chamam de 'revolução do povo' nunca o foi. A ditadura caiu e o 25 de Abril aconteceu porque umas dúzias de militares acharam que já era demais. Se dependesse do povo, quando teria caída a ditadura? Milhares, senão milhões de apoiantes da ditadura, eram no dia 25 de Abril convictos democratas festejando nas ruas, porque alguém decidiu e agiu por eles. O povo não entende o poder que tem. Daí que culpar apenas os governos das últimas décadas não é justo. Eles foram eleitos por nós, não tomaram o poder pela força. Se nós não lhes demonstramos que não queremos isto, então não merecemos melhor que isto. É complexo, de facto.
 
Os políticos saem do povo e saem das nossas instituições. Levam consigo portanto os defeitos do povo e os vícios das instituições públicas ou privadas de onde saem.

A democracia trouxe algumas mudanças, há mais mobilidade social e um pouco de menos medo, mas é tudo muito frágil.

A única solução para ir mudando o sistema é a existência de uma sociedade civil forte, mas tal também é difícil. As associações para viverem e actuarem precisam de meios e de dinheiro. Num país pobre e sem cultura interventiva é muito complicado.

O medo manifesta-se de muitas formas. Há as mulheres vítimas de violência doméstica que têm medo de denunciar os agressores. Os jovens que têm medo da família e são obrigados a escolher uma profissão que não querem. O povo que ainda tem medo e respeitinho pelos «doutores». O habitante de uma freguesia dominada por um cacique que tem medo de represálias e por isso não expressa a sua opinião. A jovem de classe alta que é empurrada pela família e amigos para um casamento que não quer. O jornalista que tem medo do director e por isso segue uma dada linha editorial. Enfim, são muitas formas de medo e em todas elas transparece uma submissão a uma «autoridade». Isto não vai mudar tão cedo pois já são 40 anos de democracia e o problema persiste.
 
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Mas resumindo esta conversa, as pessoas vão votar na PàF porque tem medo? Medo de quê já agora ?

Relutância em votar de forma significativa em partidos menos conhecidos. Ou seja, 'medo' de votar em 'desconhecidos'. Tipo o percurso do Tsipras. Mas não necessariamente num partido de extrema-esquerda. O populismo não vingou em Portugal nestas eleições. Pudera, são os anticorpos ao Paulo Portas.
 
1) Primeiro, ainda não houve eleições, o que conta é o voto e não sondagens ou inquéritos em que até eu tenho certa dificuldade em acreditar. Portanto nada de conclusões precipitadas.

Para mim, a vitória do populismo significava que um PDR, por exemplo, estaria à frente de um governo. É pouco provável, impossível avanço eu, que tal aconteça.

2) Dito isso, acho que apenas alguma juventude da tua parte explica porque não percebes porque certo populismo não tem resultado por cá, Portugal já passou por uma fase de populismo revolucionário em 1975, que rebentou com toda a economia nacional, deu lugar a duas bancarrotas, e pelo menos as pessoas mais velhas ainda tem isso bem fresco na memória, e é natural que tenham transmitido isso aos filhos por exemplo. Fenómenos populistas de extrema esquerda criada por intelectuais de esquerda em gabinetes universitários e redacções de jornais, levados depois ao colo pelos Media, inventou Portugal muitos muitos anos de existirem o Syryza ou o Podemos. Já passámos por isso...

Para quê ir tão atrás? Há 4 anos, houve alguém que prometeu muito e fez tudo ao contrário. Não conta como populismo? É normal que a população esteja cética. Também não há muita comparação. O estado grego não é o estado português. Situações extremas tipicamente levam a decisões extremas.
 
Não é bem assim, toda a esquerda tem basicamente um discurso populista. Se calhar até é isso que está a tramar o PS que deveria, suponho eu, ter outro tipo de discurso mais responsável.

Tem discurso de oposição. Para se ser eleito tem que se ter um discurso diferente suponho eu. Até resumiste:

A política é diariamente feita de pequenas e grandes mentiras e propaganda, mais ou menos sofisticada,

Mas isso não quer dizer que se deva fazer. Porque é um precedente perigoso.

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Havia especialistas que diziam que tinham um discurso suicida na campanha, falavam demasiado de cortes e fim de megalomanias de obras públicas. Muita promessa foi rapidamente vaporizada pela realidade, mas se fores intelectualmente honesto, tens que comparar ao que todos os outros prometiam na altura.

Se bem me lembro, o PS da altura enfatizou que os PECs salvariam o país. O PS trouxe a Troika e começou a austeridade. Austeridade essa que foi capitalizada pelo PSD dizendo que num governo deles não seria tão má.

São duas coisas diferentes. Uma coisa é concordares, ou não, com a política, corretiva, e outra é analisar como é que o partido chegou ao poder: através de mentiras descaradas sem qualquer tipo de consequência. Não acho que as pessoas votaram no PSD devido à sua intenção de "ir mais além da Troika".

Novamente, porque é que os do PSD criticam as mentiras dos outros quando fizeram o mesmo? Quando entraram fizeram exatamente o contrário do que disseram.
 
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os mesmos que há 4 anos lambiam os dedos com a música house que o CDS colocava nos comícios são os mesmos que acusam os outros de carne assada e recrutar idosos para fazer número.

Comos eles mudaram em 4 anos.
 
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Pelos vistos não é só no comício da coligação que o vinho 'Amnésia' tem saída. :lmao:
 
Se bem me lembro, o PS da altura enfatizou que os PECs salvariam o país. O PS trouxe a Troika e começou a austeridade. Austeridade essa que foi capitalizada pelo PSD dizendo que num governo deles não seria tão má.

São duas coisas diferentes. Uma coisa é concordares, ou não, com a política, corretiva, e outra é analisar como é que o partido chegou ao poder: através de mentiras descaradas sem qualquer tipo de consequência. Não acho que as pessoas votaram no PSD devido à sua intenção de "ir mais além da Troika".

Novamente, porque é que os do PSD criticam as mentiras dos outros quando fizeram o mesmo? Quando entraram fizeram exatamente o contrário do que disseram.

Não esquecer que o PSD chumbou o PEC IV porque achava que era 'austeridade a mais'. Se não se tratasse do futuro de um país e do seu povo, seria hilariante.
 
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