A igualdade é uma das maiores ilusões vendidas pelos políticos desde o século XIX.
Uma coisa é a meritocracia. Igualdade de oportunidades, direitos, deveres. Outra é tentar nivelar a sociedade, penalizando os melhores, favorecendo os preguiçosos, negligentes, insensatos...
Sou radicalmente contra a «igualdade e a sociedade sem classes», por ser um conceito que no fundo se inscreve naquilo que é o totalitarismo. São constructos paridos por intelectuais esquerdistas, desconectados da realidade e da essência humana, e cuja aplicação prática sempre terminou em tragédia.
Quanto às eleições. Fico feliz por o PAN ter eleito um deputado. O Ambiente é um dos maiores problemas estruturais de Portugal, e só não é pior graças à União Europeia. Lamento que a PaF não tenha atingido a maioria absoluta mas seria previsível. O Governo aguentou muitos escândalos, a licenciatura de Miguel Relvas, os vistos gold, a queda da tralha ligada ao BPN, a demissão «irrevogável» de Paulo Portas, e o país suportou a queda do GES e do BES, e um «enorme aumento de impostos». Ainda assim, olhando para os resultados distrito a distrito, é notório que em alguns locais o resultado teria sido melhor se o Governo tivesse cedido em algumas coisas. Por exemplo, se a PaF tivesse tirado as portagens da Via do Infante e usado isso como bandeira eleitoral teria provavelmente vencido em Faro.
Espero que o PS se renove e se torne um partido de centro-esquerda moderno, moderado, social-democrata e responsável, e que coloque a estabilidade financeira e económico do país em primeiro lugar. Se proceder assim, e se levar a cabo uma renovação interna como Seguro pretendia, poderá sonhar com um resultado mais satisfatório em legislativas futuras.
CDU: está estável mas no longo prazo tenderá a perder eleitorado jovem para o BE.
BE: grande surpresa da noite, mas nada de ilusões. Captou o eleitorado que não confia em António Costa mas que provavelmente teria votado em António José Seguro. No longo prazo é um partido com futuro muito incerto.
Portugal fica para já em suspenso durante meses ou mesmo um a dois anos, depois teremos certamente eleições. O PS de Costa tem muitas pressões de interesses obscuros que dependem do Estado e que tiveram um jejum com Passos no poder. Esperam-se tempos de contra-informação e de intriga política. As reformas ficarão paradas e no fim sairemos todos prejudicados. É o preço da pagar pela irresponsabilidade do PS negro.