Hoje falei com uns amigos que votavam PS e BE e votaram na Coligação. E disseram que quando viram o PS a elogiar o Syriza e gente do BE a apelar à saída do euro perceberam que não era aquilo que queriam para o país. E agora que o Syriza está a aplicar a austeridade perceberam o engano que se tornou a Esquerda. Então perguntei-lhes se sabiam quem era o Vasco Gonçalves, o que sucedeu no PREC, o que foram as FP-25. Não sabiam, e são pessoas com licenciatura, que entraram na faculdade com boas notas. Em Portugal ninguém discute o que se passou entre 1974 e 1985, como a Esquerda estoirou o que havia de bom nos últimos anos da ditadura, que era uma economia saudável, um esboço de Estado Social sustentável, contas públicas em ordem com três frentes de guerra e um crescimento económico robusto. Tantos anos depois o discurso é o mesmo, as ideias são as mesmas, e agora pelo que se percebe o PS está fracturado, com uma ala segurista, que representa a Esquerda social-democrata e moderada, e uma ala mais radical, onde aparece um João Soares que pede um Governo com o BE e o PCP. Os jovens na casa dos 20 e dos 30 não sabem o que sucedeu depois do 25 de Abril, os media e os programas escolares omitem, mas agora com o caso grego perceberam bem o que sucede quando a Esquerda radical chega ao poder. Houve muitos licenciados, alguns até no desemprego, que votaram na Coligação, pois os mais jovens e instruídos estão a perceber a realidade negra da Esquerda portuguesa. O mesmo está a suceder em Espanha, há estudos que dizem que o eleitorado do Podemos é feito maioritariamente de aposentados, os mais jovens descontentes com a corrupção no PP vão votar no Ciudadanos, que é um partido liberal no plano económico.