Toda a gente sabe o que é preciso para reformar o Estado, mas toda a gente também sabe que se vão tirar rendimentos a empresas que dependem do Estado, e que se vai reduzir o emprego no Estado. E isso mexe com teias de amizades, interesses de máquinas partidárias e de organizações como a maçonaria e a Opus Dei.
Este ano houve grandes polémicas com os livros escolares, já no meu tempo gastei mais de 500 euros em livros, cada manual de preparação para os exames custava quase 50 euros, e tínhamos naquela altura cinco exames. E os manuais não traziam o livro de exercícios, tínhamos mais essa despesa se quiséssemos boas notas. O Estado acaba com a polémica dos livros no dia que quiser, basta fazer o que fazia nos tempos da telescola. Mete a Imprensa Nacional a editar livros escolares de baixo custo, para quem quiser a versão em papel, e disponibiliza esses mesmos livros em PDF na Internet. Os manuais em papel passam para as bibliotecas das escolas e quem estragar, paga. No longo prazo o Estado poupará dezenas de milhões, as famílias pouparão todos os anos uma fortuna, mas as editoras vão ter de reorganizar-se, despedir, e não me admiraria se houvesse falências no sector. Mas este é o preço a pagar para que as famílias não tenham esta despesa, convém recordar que o salário mínimo é de ~500 euros, num pais assim é absurdo que as famílias gastem tanto na Instrução dos filhos.
Os livros escolares são um exemplo da falta de autoridade e vontade do Estado para soluciona um problema que afecta a vida das pessoas e mexe com a despesa pública. Mas estão também presos a preconceitos ideológicos, alguma Direita dirá que meter a Imprensa Nacional a editar livros escolares vai contra a iniciativa privada, aumenta o papel do Estado, a Esquerda por sua vez dirá que é fascismo, que voltámos ao livro único do Salazar. As pessoas não sabem mas durante muito tempo, até anos recentes, a Imprensa Nacional fazia os livros do 5.º e 6.º anos dos alunos da Telescola, eu estudei na telescola e estudei por esses livros e ingressei no Superior quase com 19 de média de ingresso. E digo a média com que ingressei porque havia muito preconceito com a Telescola, e parte desse preconceito vinha do facto do livros serem baratuchos, com imagens a preto e branco. Mas tinham bons conteúdos, e isso é que deveria interessar.
Pegando agora na Telescola, é um modelo que com as novas tecnologias poderia ser retomado para a Educação de Adultos. O Estado poderia lançar as aulas em stream para alunos adultos no site do Ministério. Os alunos estudariam em casa e iriam menos vezes às aulas presenciais, assim seria mais fácil conciliar os estudos com o trabalho. O mesmo poderia ser feitos nas Universidades, as aulas teóricas passariam a estar em stream na plataforma Moodle, os alunos passariam a frequentar apenas as práticas, que ficariam concentradas para cada turma em dois dias da semana. Assim os alunos poupariam muito dinheiro em transportes, os professores ficariam com mais tempo livre para investigação e para prepararem material de estudo.
Tudo isto são exemplos de reformas que nem sempre poupam dinheiro mas que melhoram a vida das pessoas e põem as novas tecnologias ao serviço da qualidade de vida. No fim o Estado acaba por poupar dinheiro, os professores ficam com mais tempo livre para ensinar e os alunos poupam tempo e dinheiro.