A oferta da religião moral (ou lá como se chama agora) só devia existir nas escolas públicas se existisse uma alternativa para as religiões dos outros alunos não Católicos. Então os Evangélicos? E as Testemunhas de Jeová? E os Judeus? E os Muçulmanos? Ou há para todos ou não há para ninguém. Eu cá acho que não deve haver para ninguém. A religião deve estar nos templos e nos lares das pessoas que as praticam. Ou então, em escolas religiosas. A escola pública não deve contribuir para isso. Já se fala de religião/religiões na disciplina de História, chega.
Há uma enorme confusão em relacao a religião e moral. Essas aulas não são de catequese.
Dou o meu exemplo. Tirando um ano que tive um padre chato, a maior parte dos meus professores de Religião e Moral deram verdadeiras aulas Ede cidadania, onde falamos dis problemas dos adolescentes ( todos mesmo, sem excepção, mesmo de educação sexual e coisas do genero). E nunca falamos sequer de religião.
Eram verdadeiras aulas de cidadania.
Mas a cidadania deve ser incutida em aulas? Ou não deveria caber à família e à comunidade local esse papel? Uma tema interessante para reflectir.
A educação para a cidadania é obrigatória. Até à revogação (em boa hora!) do DL 6/2001, existia uma área chamada Formação Cívica, em que se fazia essa educação para a cidadania. Depois dessa revogação, passou a existir uma coisa chamada "Oferta Complementar", que consiste numa aula de 50 minutos por semana que as escolas têm autonomia para utilizar como entenderem. A esmagadora maioria atribuiu essa aula ao Diretor de Turma (2.º e 3.ºciclos) para tratar de assuntos inerentes a essa função (DT) e para a educação para a cidadania. É aí que entra a famigerada educação sexual (obrigatório 12 horas por ano). À escola são atribuídas cada vez mais responsabilidades: Educação para a cidadania, para a sexualidade, para a saúde, para o empreendedorismo, para o combate aos maus tratos na infância, para o combate à violência doméstica.. Tudo causas muito nobres e importantes. Mas, no meio disto tudo, onde ficam as aulas? Onde fica a aquisição de saberes básicos, mesmo que rotineiros, mas que não podem deixar de ser transmitidos sob pena de perdermos conhecimento que demorou muita gerações a ser construído... Quem trabalha na educação, sente isto todos os dias. Infelizmente, muitos professores, gostam é desse folclore e desprezam a sala de aula... se calhar por lacunas graves na sua formação científica. Mas isso é outra conversa...O ideal seria em todos os sítios.
E porque não? Desde que haja inscrições suficientes para formar uma turma, não encontro entraves..A oferta da religião moral (ou lá como se chama agora) só devia existir nas escolas públicas se existisse uma alternativa para as religiões dos outros alunos não Católicos. Então os Evangélicos? E as Testemunhas de Jeová? E os Judeus? E os Muçulmanos? Ou há para todos ou não há para ninguém. Eu cá acho que não deve haver para ninguém. A religião deve estar nos templos e nos lares das pessoas que as praticam. Ou então, em escolas religiosas. A escola pública não deve contribuir para isso. Já se fala de religião/religiões na disciplina de História, chega.
DavidSf, tocaste num tema que até faria sentido: política
Preparar os jovens para o exercício da democracia, penso que é útil, falar abertamente dos pontos positivos e distintivos das diversas ideologias e da constituição portuguesa, seriam uma boa preparação. Julgo que o bloco esquerda até pretende que o voto possa ser exercido aos 16anos, para isso os jovens necessitam de ter uma base de conhecimento e não de cassetes em ambiente de tasca.
Mas a cidadania deve ser incutida em aulas? Ou não deveria caber à família e à comunidade local esse papel? Uma tema interessante para reflectir.
Não, a cidadania deve ser incutida pela família e deve ser adquirida por cada indivíduo ao longo da sua vida (não compreendo a complacência com a passividade, como se hoje o conhecimento não estivesse tão facilmente acessível). A escola tem como dever transmitir conhecimentos e conceitos básicos, universalmente aceites, de boa educação e sã convivência entre todos. Mais do que isso é dar autorização a um professor, a um corpo docente, a um agrupamento de escolas ou a um ministério, de formar a personalidade dos cidadãos de amanhã. Em democracias consolidadas e sociedades evoluídas não seria um problema grave, mas esses casos são a excepção. Em Portugal, até a forma como se contam algumas histórias da História está um pouco enviesada, imagine-se o que seria uma disciplina de Política ou Cidadania.
Acho que estás a negar aquilo que já está estabelecido. Um professor também é de certa forma educador. Quando incute regras e disciplina nomeadamente. E o que faz um(a) educador(a) infantil senão formatar as crianças para a aprendizagem e relacionamento social?
Por alguma razão chamamos disciplinas (disciplina) no secundário e cadeiras (assento, vaga) no ensino superior. Na escola primária, não há cadeiras nem disciplinas, mas há professores de ensino básico. Negar o papel educador, não me parece realista.
A escola tem como dever transmitir conhecimentos e conceitos básicos, universalmente aceites, de boa educação e sã convivência entre todos.