Não acho que fosse do interesse quer da banca quer do governo implementar o
bail-in dos depositantes. Penso que o efeito psicológico, e valor real na restante banca, de tal medida está a ser subestimado. Especialmente num país que ainda tem o BES na mente. Aliás, muitos dos que por aí estão a defender que os depósitos deviam ser utilizados ao invés dos contribuintes estão-se a esquecer de uma coisa. Nas próximas resoluções não haverá tanto desfasamento entre o início dos problemas, ou da sua comunicação ao público, e o fecho dos bancos (e a banca em Portugal ou está falida ou a caminho disso, portanto pode acontecer a qualquer um). Como vale tudo para tapar o buraco não haverá muito interesse em dar tempo às pessoas para levantarem o seu dinheiro. Em crises sistémicas não deverá haver empréstimos do estado. Logo, há um perigo real de haver um encerramento em massa dos bancos. Os bancos pequenos tenderão a fechar. Já os grandes, devido ao
seu estatuto de exclusividade perigo para a economia real não poderão ir à falência. É um capitalismo distorcido. Na banca, para os grandes, só é permitido crescer (e tornar-se mais crítico para a economia interligada). Falir (na parte do desaparecer) é inconcebível.
O
bail-in é uma medida brutalmente deflacionária. Em Chipre (
Bail-in em 2013):
Quando a confiança nos bancos é reduzida, as pessoas tendem a evitá-los:
Algo também visível em Chipre (Banknotes in circulation):
2006 - 681.268
2007 - 1.071.238
2008 - 1.340.759
2009 - 1.455.572
2010 - 1.515.662
2011 - 1.599.530
2012 - 1.642.666
2013 - 1.687.666
2014 - 2.022.911
2015 - 2.090.929
O PIB até pode estar a crescer:
Mas essa tendência não é muito visível nos depósitos particulares:
http://www.centralbank.gov.cy/media/pdf/CBC-EB-June2015-En.pdf
Em Chipre só houve 2 bancos intervencionados (os maiores). Mas Chipre é uma economia pequena e periférica. A saída da Grécia do Euro certamente causaria perdas económicas significativas em muitos bancos. A subida dos juros da FED também faz isso mas de forma mais gradual tendo em conta o valor minúsculo. Como já referi no tópico internacional a próxima década será dominada pelo dinheiro digital (não o bitcoin e moedas semelhantes se bem que este terá o seu papel). A fuga de impostos é o principal motivo. Mas também dará muito jeito ao setor financeiro. Se não há dinheiro físico não há como fugir nem aos governos nem ao bancos.