O Estado do País 2016

Dirijo, desde há dois anos, uma obra mecenática (ou de caridade) que tem por missão oferecer às crianças internadas no Hospital de S. João no Porto uma instalação condigna de internamento já que, desde há oito anos, as crianças são internadas numa construção provisória feita de contentores metálicos.

A nova ala pediátrica do HSJ é um edifício de cinco andares que ficará anexo ao edifício principal do Hospital, tem um prazo de execução de dois anos, e um custo de 20 milhões de euros mais IVA, para um total de cerca de 25 milhões.

Como não me parecia fácil angariar 25 milhões de euros sem obra à vista, decidi que a primeira prioridade seria pôr a obra andar com um mínimo de dinheiro (que eu próprio estabeleci em um milhão de euros). O problema era arranjar uma construtora que se dispusesse a fazer a obra sem a totalidade do dinheiro à vista.

Arranjei duas. Lancei um concurso dizendo qual a obra de que necessitava, salientando o seu carácter humanitário, e dizendo que só tinha uma milhão de euros para começar, e que me propunha pagar em dez anos. Garantias? A minha palavra. A Lucios e a Somague responderam à chamada humanitária e disponibilizaram-se para fazer a obra em consórcio nas condições que eu propunha.

O Projecto ficou assim arquitectado: a Associação Humanitária contratava a obra com o consórcio construtor e responsabilizava-se pelo pagamento; e, no final, oferecia a obra ao HSJ, que seria o seu proprietário final. Assim se cumpriria a vocação mecenática da Associação.

Em seguida, fui junto do Ministério da Saúde apresentar o Projecto e perguntar se aceitava esta dádiva da comunidade portuguesa ao HSJ. O Secretário de Estado da Saúde da altura (segundo semestre de 2014), produziu um despacho a aceitar a obra nas condições que eu oferecia, e deu-me os parabéns, e a todas as pessoas e instituições envolvidas, pelo espírito de iniciativa.

Entretanto, a Associação Humanitária foi transformada em IPSS e rapidamente lhe foi reconhecido o estatuto de utilidade pública (permitindo a isenção de 50% do IVA; ainda assim, numa obra que seria dada ao Estado, a Associação ficava ainda sujeita ao pagamento dos outros 50%, matéria que eu tencionava resolver mais tarde junto de outras instituições do Estado).

O director da Direcção Geral da Segurança Social que me recebeu disse-me que nunca tinha visto uma obra de solidariedade social - e todas lhe passavam pelas mãos - tão grandiosa e em tão adiantado estado de concretização.

Todo o Projecto foi em seguida submetido à apreciação do Tribunal de Contas para certificar que não havia dinheiros públicos envolvidos. O Tribunal de Contas pronunciou-se mês e meio depois, dando luz verde - não havia dinheiros públicos envolvidos.

A cerimónia do lançamento da primeira pedra foi realizada a 3 de Março de 2015 com a presença do primeiro-ministro Passos Coelho, que louvou profusamente o espírito de iniciativa das gentes do Norte.

Para regularizar as relações entre a Associação Humanitária, o HSJ e o consórcio construtor foi assinado um Protocolo tripartido em que, praticamente, a única e óbvia obrigação do HSJ era a de desimpedir o espaço onde se iria realizar a obra (até aí ocupado com pequenas construções antigas onde funcionavam pequenos serviços do Hospital).

Em 2 de Novembro a obra começou e enquanto o HSJ desimpedia o espaço, a construtora avançava com os trabalhos de demolição, e tudo corria bem. Até que no final de Dezembro fui avisado que, desde o dia 11 desse mês, o HSJ tinha parado inexplicavelmente os trabalhos de desimpedimento do espaço e que, a manter-se a situação, dentro de um mês ou dois, o progresso da obra iria ficar comprometido.

Pensei que se tratava de alguma dificuldade temporária por parte do HSJ. Nessa altura, não tinha reparado num pormenor, de cuja importância só mais tarde me viria a dar conta: duas semanas antes da suspensão dos trabalhos de desimpedimento do espaço, a 26 de Novembro, tinha tomado posse o actual Governo.

Em Janeiro procurei insistentemente contactar a administração do HSJ a pedir uma explicação para o incumprimento do Protocolo. Foram muitas as tentativas, mas nunca obtive resposta. Não fiquei excessivamente preocupado, excepto pela falta de cortesia. A Administração iria ser substituída por outra e decidi que trataria do assunto com o novo Presidente.

E assim foi. Em meados de Fevereiro fui recebido pelo novo Presidente do HSJ a quem expus a situação. Foi de uma enorme simpatia e muito compreensivo da situação. Aquilo que lhe ia pedir é que o HSJ cumprisse o Protocolo que assinou e desimpedisse o espaço (entretanto tinham passado dois meses de inacção por parte do HSJ). Prometeu-me uma resposta para breve, mas nunca a recebi.

Desde Dezembro também procurei marcar uma reunião com o novo Secretário de Estado Adjunto da Saúde (que pertence aos quadros do HSJ) para tratar do assunto. Foi muito simpático, escreveu-me a dizer que me receberia na segunda quinzena de Janeiro. No final de Janeiro, porém, recebi a informação de que tinha passado o assunto para o Secretário de Estado. Desde essa altura que procuro marcar uma reunião com o Secretário de Estado, mas ele está sempre fora ou ocupado.

Até que, na semana passada, recebi uma carta do consórcio construtor a informar-me que se via forçado a suspender os trabalhos por indisponibilidade de frente de obra. Na realidade, entretanto tinham passado três meses e o HSJ continuava sem desimpedir o espaço. A obra estava bloqueada. A Administração do HSJ continua sem me dar uma explicação, e no Ministério da Saúde é claro que também não me a tencionam dar.

Foi então que caí em mim e reuni todos os sinais, e todos apontavam na mesma direcção. A conclusão era óbvia, mas só agora se tornava clara ao meu espírito: logo depois de ter tomado posse, o Governo, através da tutela - o Ministério da Saúde -, deu ordens à administração do HSJ para boicotar a obra.

A minha próxima tarefa, que não estava prevista, é tirar o Governo do caminho.



Posted by Pedro Arroja at 14:43



http://portugalcontemporaneo.blogspot.pt/2016/03/obras.html
 
Quem nos governa não tem brio, nem uma mentalidade progressista, Portugal está e estará refem de umas elites totalmente Desnorteadas e medíocres, é triste ver que em 2000 tínhamos uma divida publica baixa, e um indice de desemprego super baixo, tenhiamos tudo para construir um pais bastante equilibrado, uma Áustria do Sudoeste europeu,e até quiçá concorrer com Espanha em muitas áreas mas não vale a pena.
Portugal prefere-se aproximar de níveis latino-americanos e africanos sem desprimor para estes países, que seguir uma lógica europeia,sempre foi assim e infelizmente sempre será e sempre que existir uma cidade ou uma região que aja de forma diferente é automaticamente boicotada, somos um pais de compadrio, que a ideologia dominante é o tacho.
 
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Sim, por vezes as estatísticas enganam. No Norte, por exemplo, é oficialmente das regiões mais pobres da Europa, mas na prática não é bem assim. Há muitas famílias com bastante dinheiro e propriedades, para além de uma economia paralela pujante, que não aparece nas estatísticas.

O Norte nos anos 70,80 metia respeito a nível de dinamismo económico, aquela Rua de Santa Catarina no Porto era brutal, comprava-se discos que não se arranjavam cá em baixo e respirava-se um outro pais. Hoje em dia é triste andar em certas zonas do Norte do pais como também do sul.
 
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O Norte nos anos 70,80 metia respeito a nível de dinamismo económico, aquela Rua de Santa Catarina no Porto era brutal, comprava-se discos que não se arranjavam cá em baixo e respirava-se um outro pais. Hoje em dia é triste andar em certas zonas do Norte do pais como também do sul.

Hoje em dia, tirando o verão, é normal passear em algumas vilas do Litoral e constatar que estão quase desertas, mesmo ao fim de semana.
Braga chegou a ser a capital religiosa e cultural do país e o Porto a capital financeira.
Longe vão esses tempos...

O Norte sempre teve, ao longo da história, e ainda tem de certa forma, uma forma de estar peculiar e ligada à iniciativa privada única em Portugal. Basta ver que quase todas as revoltas contra as tentativas de uniformizacao económica e social por parte do Estado ocorreram no Norte. Por isso, no Norte, o direito à propriedade privada, exercido de forma exagerada por vezes, é quase sagrado, que resulta de um longo processo histórico e que o resto do país tem dificuldade em compreender.
Com o progressivo avanço do Estado sobre todas as áreas nos últimos 100 anos, foi o Norte a região que mais teve a perder.
 
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Hoje em dia, tirando o verão, é normal passear em algumas vilas do Litoral e constatar que estão quase desertas, mesmo ao fim de semana.
Braga chegou a ser a capital religiosa e cultural do país e o Porto a capital financeira.
Longe vão esses tempos...

O Norte sempre teve, ao longo da história, e ainda tem de certa forma, uma forma de estar peculiar e ligada à iniciativa privada única em Portugal. Basta ver que quase todas as revoltas contra as tentativas de uniformizacao económica e social por parte do Estado ocorreram no Norte. Por isso, no Norte, o direito à propriedade privada, exercido de forma exagerada por vezes, é quase sagrado, que resulta de um longo processo histórico e que o resto do país tem dificuldade em compreender.
Com o progressivo avanço do Estado sobre todas as áreas nos últimos 100 anos, foi o Norte a região que mais teve a perder.

Boa analise.
 
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Não sou PSD muito menos defensor do anterior governo.
Mas vá lá vai, o Antonio Costa é demais juntamente com o Carlos Cesar grande dupla, a forma paternalista e como dão conselhos ao PSD e elogiam o PS depois da forma como foi feito este governo e depois de tudo o que passou é surreal.
É impressão minha ou o António Costa anda á procura de colinho do PSD? Acho que o PS conseguiu o quis agora deveria assumir a coligação com as esquerdas para sempre, e não andar nesta incoerência.
Acho que ainda vou ver a Assunção Cristas ao lado da Catarina e da Mortagua :lol: o Antonio Costa tem mesmo dom para a politica disso não tenho duvidas nenhumas.
 
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O Norte é uma região católica/conservadora, dinâmica, inovadora, com uma capital de forte tradição liberal (o Porto, com ligações históricas à cultura britânica), como a Áustria ou o Norte de Itália, feita de pequenos proprietários. O socialismo do PS, o estatismo, o jacobinismo, os impostos altos, destroem uma sociedade assim.
 
o norte teve o golpe fascista de 1926... também saiu do norte a maria da fonte e a patuleia... tudo grandes obras primas.
 
Estou escandalizado.. nem sei se isto é para tópico "internacional" ou "estado do país".

Se dúvidas havia, mais limpinho que isto não há:

Bloco e PCP sobre o Brasil: não é combate à corrupção, é mesmo golpe de Estado - Américas - Jornal de Negócios

http://www.jornaldenegocios.pt/econ...alismo_e_direita_pela_situacao_no_brasil.html

Estamos oficialmente entregues à bicharada!

Continua-se a manter a farsa de que a democracia existe em regimes comunistas (a Venezuela e os outros países latino-americanos não são bem regimes comunistas). Não há eleições populares no Vietname. Não há eleições populares na China. O conceito de democracia do PCP são os comités centrais com os amigos e compadres a decidirem tudo por decreto. Imagine-se alguém como o @Agreste no partido a decidir quem deve ser deportado da costa para o interior para combater a desertificação. O modelo chinês é decretar o nível de crescimento e depois enganar descaradamente toda a gente. É isto o melhor que o comunismo tem para oferecer?

O Brasil tem um problema de corrupção. Mas a corrupção ficava disfarçada com a venda de matérias-primas e consequente crescimento decorrente disso. Se o PCP quer culpar alguém, que culpe a .... surpresa... China :lol:

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É que até o PS se cala.. Com os corruptos de cá, costumam dizer "à justiça o que é da justiça". Agora com os de fora, vem logo a tese da cabala e do golpe de estado.

O nosso grupo de corruptos e corruptores devem estar a sentir-se excluídos neste momento, por estes partidos. Coitadinhos..
 
...
Se o PCP quer culpar alguém, que culpe a .... surpresa... China :lol:

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O nosso PCP não faz juízo de outros partidos comunistas. Cada partido no seu país tem o seu próprio estilo, embora comunista. Palavra de jerónimo (há coisa de 2 ou 3 meses atrás)!

Enfim, se a falta de coerência provocasse diarréia, nem saíam de casa! :)