O Estado do País 2016

Uma empresa até pode ser bem gerida, com liquidez e uma carteira de clientes excelente.

Mas podem ter a certeza, se os seus sócios / gerentes / accionistas se envolverem em algum tipo de luta ou guerrilha totalmente alheia à empresa, ela fica insolvente em 3 tempos.

Isto só para mostrar que muitas vezes, as empresas não vão abaixo por burlas ou outros tipos de vigarices, muitas vezes vão abaixo devido a situações banais ou passionais.
 
Angola turns to IMF for bailout amid oil price fallout

http://www.ft.com/cms/s/0/732e5b5a-fc24-11e5-a31a-7930bacb3f5f.html

A última tranche do empréstimo do FMI de 2009 foi dada a Angola em 2012. Portanto, o novo empréstimo servirá, em parte, para cobrir o antigo. Mesmo na altura já havia suspeitas de dinheiro desaparecido:

A report published by the fund in October raised alarm, saying it had identified a discrepancy of $32 billion in government funds thought to be linked to Sonangol and spent or transferred from 2007-10.

Como já é hábito, as previsões do FMI são uma comédia. Em 2014, Angola ia crescer 5.5% em 2015. Em Agosto de 2015 esse crescimento foi reduzido para os 3.5%. Previsão mantida em Outubro do ano passado. Em Abril de 2016 mais um resgate.

Pior que o FMI só mesmo o governo de Angola, que em Novembro de 2014 previa um crescimento em 2015 de 9.7%.

O petróleo deve continuar baixo. As empresas mesmo falidas continuam a produzir. Deve ser a expectativa de quando a concorrência desaparecer o preço sobe e a exploração fica rentável. O problema é que poucos querem fechar a empresa. Como o preço do petróleo não é o reflexo da procura, não duvido que algures deve haver alguma aldrabice para o manter mais ou menos elevado. É do interesse de muita gente.

Ainda no FMI, as regras mudaram por causa da Ucrânia. Os países caloteiros podem continuar a receber empréstimos. Supostamente (mas não ponho as mãos no fogo) isto servirá para todos: Gregos, Portugueses, Angolanos... Já no último resgate já se falava do congelamento dos funcionários públicos e alterações no IVA. Como escrevi, a intervenção do FMI é sempre igual.

Não sei como é que o resgate em Angola é bom sinal para os portugueses (como tenho visto nas notícias). Até parece que as exportações portuguesas vão aumentar num país que vai esmagar a procura interna. Mas que sei eu? Não sou 'economista'. Mais barbaridades estão por aí como esta (até parece que o FMI tem o poder de alterar isso tudo diretamente):

Entre as medidas a aplicar deverão estar a criação de um melhor ambiente de negócios, o combate à corrupção, melhor gestão de dinheiros públicos e a melhor seleção dos investimentos públicos.

Claramente, os ucranianos não receberam a mensagem.
 
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Não sei como é que o resgate em Angola é bom sinal para os portugueses (como tenho visto nas notícias). Até parece que as exportações portuguesas vão aumentar num país que vai esmagar a procura interna. Mas que sei eu? Não sou 'economista'.

Também não sou economista, mas entendo que boas notícias para Angola, Espanha e Brasil são boas notícias para Portugal.

No caso de Angola, uma intervenção do FMI é positiva se Angola tiver de implementar reformas e for escrutinada por entidades externas. Depois, reflete-se nas taxas de juro, aumenta a liquidez dos bancos angolanos, permitindo o pagamento a fornecedores.

Temos sociedades angolanas na nossa banca: Sonangol, Unitel, Santoro..

Empresas portuguesas com negócios em Angola: Mota Engil, ...

Trabalhadores portugueses: >200 mil, dos quais 80 mil com salários em atraso.

Porque razão haveria de ser negativo para Portugal? As ações da banca portuguesa descem, mas isso é especulação.
 
No caso de Angola, uma intervenção do FMI é positiva se Angola tiver de implementar reformas e for escrutinada por entidades externas. Depois, reflete-se nas taxas de juro, aumenta a liquidez dos bancos angolanos, permitindo o pagamento a fornecedores.

Um resgate do FMI implica a deterioração das condições económicas. Condições económicas essas que não melhoram a curto prazo. A implementação de qualquer reforma não traz resultados imediatos. E não há propriamente um grande crescimento mundial para alimentar a procura.

São opiniões. Tens a tua. Tenho e mantenho a minha. Não percebo qual é o entusiasmo de resgates nos principais parceiros económicos quando se sabe perfeitamente o que vem a seguir.

Empresas portuguesas com negócios em Angola: Mota Engil, ...

Trabalhadores portugueses: >200 mil, dos quais 80 mil com salários em atraso.

Tudo negócios que vão expandir-se com a implementação da austeridade. Agora é que não vai haver salários em atraso :D
 
É incompreensível como é que um país com os recursos de Angola não seja, no mínimo, autossustentável em produtos alimentares. Quando tinham receitas do petróleo, ouro e diamantes, preocuparam-se em investir por fora, na banca e em produtos financeiros de risco especulativo. Esqueceram-se do povo angolano, quando podiam ter criado condições para desenvolver o setor agrícola / pecuária, sendo que até na construção civil recorreram à mão de obra chinesa!

Assim não há milagres.. A única desculpa que têm, é que a guerra civil só terminou em 2002.
 
Relativo a Angola temos de ter cuidado com o síndroma "Primaveras árabes" temos de olhar para os lados, e ver em África países vizinhos de Angola quais os paises que estão melhor, com democracias mais solidas, índices de desenvolvimento humano e social melhores que Angola.
Sei que isto é uma questão incomoda que nem a esquerda nem direita conseguem lidar com ela, nos democracias ocidentais, nos Europa, nos Ocidente deveremos exigir a outros paises, outros continentes, outras civilizações o mesmo que exigimos a nos próprios? Não sei a resposta, sinceramente, acho que ninguém sabe, o que sei é que tem tudo de vir do Povo, é o povo que tem de sacudir e abanar consciências, reformar e quiçá revolucionar, nos países árabes o tentarmos transportar 25 de Abriis e primaveras de Praga para aqueles países não resultou, prevaleceu o que sabemos na Africa profunda subsariana? não sei... sinceramente não percebo o que é melhor e pior, uma coisa percebo a eterna culpa ocidental não pode ser eterna, o povo africano tem de ele proprio exigir reivindicar melhorar, mas acho que tem de ser algo feito a nível continental e não em apenas um pais.
Percebo o que é melhor e pior para Portugal, e nesse sentido termos muita coisa em Angola, muitos portugueses em Angola, muitas empresas em Angola, Banca exposta em Angola( atenção o que aconteceu com o BES, teve muito a ver com Angola) , penso que não seja muito boa ideia, antes pelo contrário, e falando em banco não entendo este nacional-saloismo da banca ser espanhola, quando o que temos no verso da medalha é que ela seja angolana, pessoalmente prefiro que seja espanhola por todos os motivos e mais alguns, não me melindra nada isso, não entendo como um pais incomoda-se tanto com investimento espanhol e depois cala-se com investimento monopolista angolano e chinês...
 
Se tivesse que escolher um sítio de angola para investir era o Namibe... mas não tenho dinheiro.
Os algarvios não são fazendeiros por isso sempre escolheram o sul de angola porque é riquíssimo.

Havendo necessidade de realizar um empréstimo ao exterior ao menos os angolanos poderiam escolher a quem é que pediam o dinheiro emprestado e isso significaria novas eleições para o governo.
 
sendo que até na construção civil recorreram à mão de obra chinesa!

A exportação de trabalhadores chineses não é só em Angola. Acontece o mesmo em outros países.

Quando tinham receitas do petróleo, ouro e diamantes, preocuparam-se em investir por fora, na banca e em produtos financeiros de risco especulativo.

Quando há concentrações muito grandes de riqueza é inevitável que isso aconteça. É onde estão os maiores retornos. Para que a agricultura seja rentável é preciso ter largas parcelas de terra e muita mecanização. Concomitantemente é preciso ter experiência no setor. Portanto, não é de admirar os investimentos da 'elite' na alta finança.

Ou vamos entrar pelo mesmo discurso de deitar culpas para o FMI?

Como bem sabes, tenho uma desconfiança inerente a instituições desse tipo. Raramente são instituições neutras. E muitas vezes são tidas pelo povo como os salvadores. Há uns dias saiu o caso da (tentativa de) chantagem do FMI para com a Alemanha (mau o método mas mais ou menos bom na intenção). Aliás, o FMI já admitiu que errou grosseiramente no caso grego. Mas lá está, os aparelhos são muito grandes. Na altura, as críticas do patinho feio Varoufakis foram apelidadas de esquerda caviar quando ele questionava os métodos da UE. Contudo, será que essas críticas terão (mais) valor se forem repetidas por uma figura mais 'respeitável'? Como por exemplo um ex-secretário do Tesouro dos EUA?

Geithner: I remember coming to the dinner and I’m looking at my BlackBerry. It was a f***ing disaster in Europe. French bank stocks were down 7pc or 8pc. That was a big deal. For me it was like, you were having a classic complete carnage because of people saying: crisis in Greece, who’s exposed to Greece?

I said at that dinner, that meeting, because the Europeans came into that meeting basically saying: 'We’re going to teach the Greeks a lesson. They are really terrible. They lied to us. They suck and they were profligate and took advantage of the whole basic thing and we’re going to crush them.' [That] was their basic attitude, all of them.

Bom, os gregos foram à escola e aprenderam a lição. Foram esmagados e continuam a ser. Se foi mais para corrigir a economia ou para equilibrar o ego de alguns burocratas não eleitos aí já não há muita informação disponível para opinar. Seria interessante saber a opinião dessa mesma gente sobre Portugal.

Os eventos de crédito são muito interessante. Nesse mesmo artigo do Telegraph, há a conspiração para remover o Berlusconi do poder em Itália. É a democracia ao estilo europeu.

O poder corrompe e a distância cria indiferença. Na imprensa portuguesa pouco se falou sobre o referendo informal na Holanda acerca da Ucrânia. O 'não' venceu. Pudera, o que é que o holandês comum tem a ver com o ucraniano comum? Pouco ou nada a não ser os delírios, utopias e os egos de alguns poucos.
 
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A exportação de trabalhadores chineses não é só em Angola. Acontece o mesmo em outros países.

Meter tudo no mesmo saco (generalizar), não vale! Estamos a falar de angola, e não de outros países.

É obvio que os chineses trabalham pelo mundo fora, tal como os angolanos. Mas o que é estranho é mão-de-obra chinesa trabalhar em Angola!
Eu explico:
Normalmente, são pessoas que conseguem trabalho onde outros não querem, por ser pouco remunerados, por serem mão de obra barata. Agora o que é estranho é ver chineses a fazer trabalhos, que os angolanos poderiam desempenhar. Serão mais baratos que os angolanos, é isso?

Quando há concentrações muito grandes de riqueza é inevitável que isso aconteça. É onde estão os maiores retornos. Para que a agricultura seja rentável é preciso ter largas parcelas de terra e muita mecanização. Concomitantemente é preciso ter experiência no setor. Portanto, não é de admirar os investimentos da 'elite' na alta finança.

Mas estás a duvidar que a agricultura/pecuária em Angola, não seja rentável?? Credo........ Luanda é das cidades mais caras do mundo!
 
Isto é real? É possível? não é humor negro?
Portugal ou melhor as elites pedantes do nosso pais(politicas, culturais, sociais), têm sido simplesmente patéticas nesta questão dos refugiados, em todos os sentidos.
Não sei como é que a RTP deixou publicar uma coisa destas. Não faz sentido. Ela não tem mesmo a noção do que diz...enfim.
 
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Não sei como é que a RTP deixou publicar uma coisa destas. Não faz sentido. Ela não tem mesmo a noção do que diz...enfim.

Infelizmente este assunto dos refugiados em Portugal tornou-se uma feira de vaidades e um concurso de uma falsa humanidade, com campanhas, figuras publicas, políticos com atitudes totalmente patéticas. Nota-se um autismo social neste assunto totalmente desumano, pessoas que ou por ignorância ou por nunca terem passado por um susto na vida agem desta forma. Isto é inqualificável, espero que este video não seja visto lá fora tipo em países como o Brasil ou outros.
 
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