Portugal não pode continuar com estes números na natalidade.
Não podemos ter parte dos jovens entretidos com mestrados e doutoramentos até aos 30. O modelo de Bolonha deve ser repensado. Os jovens têm de entrar mais cedo no mercado de trabalho, muito mais cedo. O doutoramento deve ficar para depois dos 30 ou dos 40, como no passado.
Não podemos ter jovens a mudar de curso vezes sem fim no Secundário e entretidos nisto por vezes até aos 25 anos.
As famílias não podem impor às jovens que tenham «carreira». A maternidade a tempo inteiro tem de voltar a ser estimulada pela sociedade e vista com outros olhos. Na Alemanha ou na Suécia muitas mulheres preferem estar em casa por opção para cuidar dos filhos e fazem-no por livre e espontânea vontade, e a opção é valorizada. As famílias portuguesas pressionam demasiado as jovens para prosseguirem estudos e terem carreira.
Em muitos cursos a diferença entre homens e mulheres começa a ser demasiado alta. A sociedade deveria perguntar-se por que motivo os rapazes estão a ficar para trás no acesso ao Superior.
Não é com subsídios que não podemos pagar que vamos resolver o problema da natalidade. E este é mesmo um problema assustador que Portugal tem e ningu+en fala nem quer saber.
Se repovoarmos as povoações com aumento natural da população não só a SS ficará mais equilibrada como a economia crescerá muito mais.
Para não me tornar quase omnipresente neste tópico vou ser (relativamente) breve:
- A redução da natalidade é transversal à maior parte do mundo ocidental/desenvolvido. A meu ver até pode ser visto como a correção (adotando a linguagem bolsista e é um termo exagerado mas uso-o na mesma) das famílias numerosas há poucas gerações atrás;
- Na Alemanha está a 2ª ou a população mais envelhecida do mundo (depende das estatísticas que se consulta). A valorização da tarefa maternal aparentemente não tem um enorme impacto. E é um país com muita imigração e riqueza;
- Os custos de criar um filho são enormes. O governo pode dar todas as benesses simbólicas que quiser. Tipicamente quem não tem meios não vai ter filhos por mais valorização que a sociedade dê;
- Reverter o papel da mulher para enfatizar a maternidade prejudica, e muito, a sua emancipação. E numa cultura muito paternalista/machista como a portuguesa isso não é lá muito bom (algo que o tempo vai mudando ligeiramente à medida que as gerações mais conservadoras vão diminuindo/desaparecendo). Por outro lado, causa uma escassez de força laboral que pode contribuir para aumentar os salários (sim, estou a ser otimista);
- Não é para levares a mal o que vou escrever. Tem a ver com a coerência e para contextualizar. Do que leio aqui, tens um pai/familiar que foi ou é diplomata e estás no ramo da medicina. Assumo que sejas do estrato médio-alto. Conta-me lá. Na tua família não há nem houve pressão para a prossecução de uma carreira? A enfatização de uma carreira académica também tem muito a ver com a noção de que se tem melhores salários. Daí a importância da educação na vida da mulher;
- Há que ter cuidado com as engenharias sociais. As linhas são difusas. Às vezes não se está a fazer o que é o melhor para as pessoas em geral.
---
A Europa Continental tem um problema de excesso de regulamentação! Sempre que surge algo inovador muitos países bloqueiam com legislação castradora! Não é por acaso que há uma emigração brutal para os países anglo-saxónicos. A UBER é um caso paradigmático, mas há muitos outros. Assim a Europa não vai conseguir acompanhar o crescimento dos EUA.
Acho que vai para além disso. O acesso e a maior divulgação dos mercados de capitais tem muito a ver.
Dás o exemplo da UBER. Eu tenho um melhor. Qual é a diferença entre a americana Theranos e a portuguesa
Biosurfit?
Uma delas está avaliada por volta dos
9 mil milhões apesar de estar
cheia de problemas relativamente aos seus procedimentos e a outra usa empréstimos do Banco Europeu de Investimento e passa largamente desconhecida. O negócio é o mesmo. Mas as circunstâncias são diferentes.
O esforço individual é crítico para o sucesso. Mas se não houver um contexto favorável, muitas vezes é como remar contra a corrente.
Na Europa faz-se muita coisa boa. Mas não tem a mesma publicidade. Por outra palavras não é uma
americanisse.
Silicon Valley tem muita fama. Mas também tem muito
investimento governamental/do contribuinte. Claro. Quem mais poderia investir em pesquisas que às vezes não dão lucro mas que dão benefícios a todos?