O Estado do País 2016

Essa manutenção dos preços não admira ninguém. O sector da restauração está sobredimensionado em muitas zonas e com a queda de outros sectores altamente sobredimensionados muitos portugueses abriram novos restaurantes. O sector em algumas regiões até se vai aguentando graças ao boom turístico mas isso não chega para compensar a triste realidade de muitos restaurantes: salários em atraso, dívidas à Seg. Social, prestações do banco em atraso, fuga ao fisco, etc. Seria melhor para o país que o sector sofresse uma ligeira redução e ficassem apenas os estabelecimentos financeiramente mais saudáveis, mas infelizmente existe muita falta de capital em Portugal e temos muitos problemas estruturais, é muito mais simples apesar de tudo abrir uma loja, um restaurante ou um café, e os portugueses optam na maior parte das vezes por esses sectores sobredimensionados, e não saímos deste ciclo vicioso. Apesar de tudo, em plena crise os empresários a restauração arriscaram muito e o sector sofreu enormes melhorias, arrisco que hoje em dia temos a restauração com melhor relação qualidade/preço de toda a Europa.
 
Existem dois problemas que impedem o crescimento de outros sectores: falta de capital nas famílias e cultura das rendas garantidas em famílias com mais capital e em sectores que se encostam ao Estado.

Mas de que serve agora acumular capital? As pessoas começam a ter receio com a perspectiva de impostos sobre as heranças, fim do sigilo bancário ou IMIs cada vez mais elevados. Outro dos motivos que impede a acumulação de capital em Portugal é o excessivo esforço fiscal, que de acordo com cálculos de Miguel Cadilhe é quase o dobro da média da UE.

Sem capital acumulado nas famílias não há investimento, nem criação de emprego, nem riqueza. Sem capital acumulado nas famílias não há uma democracia sólida, pois não há vozes independentes a todos os níveis para financiar movimentos políticos ou para simplesmente falar sem medo.

Soube recentemente que boa parte das estufas de frutos vermelhos que vemos no sotavento algarvio são de espanhóis. Pergunto-me, por que motivo os donos das terras não as exploram? Cultura da renda garantida, de que nos fala, por exemplo, Eça de Queirós na sua obra. Proprietários que não querem «dores de cabeça» e querem viver à grande em Lisboa sem trabalhar. Conheço alguns. Esta cultura da renda garantida está bem entranhada no Sul e instalou-se em grupos encostados ao Estado, em corporações: grandes escritórios de advogados, concessionárias de PPPs, táxistas, alguns grupos de funcionários públicos, grandes empresas do PSI 20, etc. São os rendeiros do Regime. Esta mentalidade é uma herança de outros séculos que ainda persiste no estado mental de muitos portugueses.
 
E com o Estado a apertar cada vez mais ( e sobre os mesmos) o controlo fiscal e bancário, há o risco do regresso em massa à economia paralela.

É curioso como não se faz quase nada no combate à corrupção ( de longe o nosso principal problema) , mas inventa - se todo o tipo de esquemas para espoliar a classe média ( o que se passa na Banca, por exemplo, já começa a rocar comportamentos de uma ditadura, com as contas a ser vasculhadas, pequenas transacções a ser minuciosamente escrutinadas, comissões absurdas) . Estamos num processo de regressão cultural em muitas áreas, infelizmente.
 
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Portugal tem melhores condições para ser uma Irlanda. Temos mais população e ligações históricas à América do Sul, África e Ásia que os irlandeses não têm. Os portugueses são o povo do Sul da Europa que melhor domina o inglês. Basta haver vontade política para acabar com o IRC, reformar o Estado e rever durante uns anos leis e regulamentos no sentido de simplificar para crescermos mais de 2% ao ano durante pelo menos uma década.
 
Portugal tem melhores condições para ser uma Irlanda. Temos mais população e ligações históricas à América do Sul, África e Ásia que os irlandeses não têm. Os portugueses são o povo do Sul da Europa que melhor domina o inglês. Basta haver vontade política para acabar com o IRC, reformar o Estado e rever durante uns anos leis e regulamentos no sentido de simplificar para crescermos mais de 2% ao ano durante pelo menos uma década.

Mas a Irlanda tem a diaspora com os EUA que no meu entender valem muito mais e muito mais proveitosas que as ligações com as ex-colonias ou mesmo o Brasil. Basta uma série de empresas norte-americanas investirem num pais pequeno como a Irlanda para criarem milhares de postos de trabalho nesse pequeno pais e claramente que as nossas ligações com paises dos Palops só têm um tipo de ligação que é de cá para lá, sendo que criação de postos de trabalho desses paises em Portugal são praticamente nulos. Africa é uma ilusão, que Portugal tem vivido, tivemos a guerra colonial, tivemos as centenas de milhares de populações retornadas, tivemos investimentos brutais nas colonias e miséria na metropole, passados estes anos, em pleno seculo XXI, poderemos num futuro proximo termos novos retornados vindos de Angola, pois as probabilidades de instabilidade politica nesse pais poderão aumentar nos proximos anos, fruto de varias conjugações económicas e politicas. Quanto tempo, teremos de perceber, quantos erros teremos de cometer, quantas vezes a historia terá de repetir para entendermos que esse não é o caminho?
Aliás sou daqueles que culpam o nosso atraso devido aos extensos territórios ultramarinos que disposemos simultaneamente que viramos costas á Europa desenvolvida.
Portugal poderia ser uma Irlanda caso resolvesse muitos ses:
se Portugal não fosse um pouco masoquista e suicida;
se Portugal soubesse escolher as suas amizades;
se Portugal não fosse megalomano e com tiques neo-colonialistas;
se Portugal tivesse menos centralismo;
se Portugal tivesse menos Estado;
se Portugal tivesse menos futebol;
Portugal nunca conseguirá isso, e o mais provável é um dia aparecer um " visionário" que ache que será bom sairmos da UE, para fazermos uma União com os Palops( livre circulação, livre mercado de bens e pessoas), e voltamos novamente ao passado e não teremos futuro.
Poderíamos ser um caso excepcional de sucesso no tal sul da Europa, temos tudo, posição geográfica, uma boa herança cultural, tivemos até uma época revolução industrial não assim tão má como se pensa, temos um pais unificado, solido, sem problemas étnicos,religiosos,separatistas, temos um excelente vizinho Espanha. Mas infelizmente temos isto tudo, mas fomos sempre mal governados, muito por culpa da colonialismo no meu ponto de vista. aumentou o centralismo, faliu o pais varias vezes, fez investirmos balúrdios recentemente em cidades de territórios ultramarinos enquanto cá se passava fome, e não se investia em pequenas e medias cidades portuguesas, enfim uma tristeza. Uma relação sem futuro, para mim a relação com os Palops é cada um fazer a sua vida e pronto,sem culpas de parte a parte, sem ressentimentos, mas sem tanta aproximação que cria desconfortos enormes em muitos aspectos,manter as relações diplomáticas, comerciais normais, mas nos não acharmos que essa via é uma espécie de tábua de salvação, pois já vimos em quase 500 anos por varias vezes que não é. Não vivo melhor por metade da Av. da Liberdade ser Angolana, ou o capital angolano ter comprado dezenas de empresas de comunicação social.
É por isso que Portugal nunca será uma Irlanda porque simplesmente não quer ser e será sempre, sempre teimoso e repetirá sempre e sempre os mesmos erros.
 
Última edição:
http://economico.sapo.pt/noticias/o...ial-energetica-seja-paga-pela-edp_243176.html

Mais uma ideia fabulosa do BE. Mais uma ideia, para a EDP e outras companhias irem ao bolso da classe média, para sustentar os "pobrezinhos".

Para não falar da Contribuição para o Audiovisual em que os outros levam um aumento de 22 cêntimos para que os "pobrezinhos" pagam só 1 euro, por isso quem sai prejudicado é a classe média que não falta muito para ser da classe baixa, porque é a classe que leva com tudo e não tem direito a nada.

"Catarina Martins explicou que isto garante "uma poupança 1,65 euros por mês", para um milhão de famílias, tendo os restantes 4,5 milhões de famílias um "aumento de tal forma ligeiro que, de facto, não vai ser sentido na factura", continuando a CAV abaixo dos 2,90 euros".
:angry:

Deixo aqui, outro parágrafo, realmente muito interessante.

" A líder do BE apresentou mesmo uma simulação e disse que, actualmente, "uma família que seja poupada nos seus consumos", gasta 49 euros em electricidade por mês e que, "com o desconto combinado da tarifa social..."

Uma família que seja poupada gasta 49 € por mês em electricidade, é por estas e por outras que os "pobrezinhos" fazem vida de gente muito rica. Eu pago mensalmente cerca de 37 € por mês e não tenho nenhuma tarifa social, se calhar estes "pobrezinhos" têm carro próprio, casa própria e ainda têm direito a estas tarifas e a outros subsídios do estado.

Os pobrezinhos que comprem lâmpadas LED's que reduzem significativamente o consumo de energia, querem lá ver que não têm dinheiro para comprarem estas lâmpadas mas têm para gastar em tabaco e em café.

O bom disto tudo é que isto não é aumentos de impostos é só um ajuste do preço. :lol:
 
Caro Topé,

quando se fala em África não podemos apenas pensar nos PALOPs. Portugal tem muitas afinidades históricas com outros países do continente, tal como tem com países da América do Sul e da Ásia.

Nós também temos diáspora aliás temos uma muito interessante, a diáspora sefardita, espalhada pelos EUA ou pelo Brasil. Essa é endinheirada e certamente quererá investir se lhes dermos condições para isso e garantias reais de estabilidade fiscal e de crescimento.

Angola e Moçambique são em certa medida uma ilusão e nisso estamos de acordo. São países dependentes do petróleo, sem uma sociedade estruturada, sem mercado interno, muita corrupção. Mas não podemos desprezar esses mercados.
 
Seria importante que o Governo tivesse um plano B para o referendo no Reino Unido.

Se os britânicos saírem que acontecerá à livre circulação e ao comércio entre os dois países? Temos dezenas de milhares de emigrantes em Inglaterra e recebemos centenas de milhar de turistas ingleses, é o nosso maior mercado em alguns pontos do país. Portugal é um destino para reformados de Inglaterra, existem dezenas de milhar por todos o país a gozar a sua reforma, tendo comprado casa no nosso país. Exportamos muito para Inglaterra, é um dos nossos maiores clientes.
 
Caro Topé,

quando se fala em África não podemos apenas pensar nos PALOPs. Portugal tem muitas afinidades históricas com outros países do continente, tal como tem com países da América do Sul e da Ásia.

Nós também temos diáspora aliás temos uma muito interessante, a diáspora sefardita, espalhada pelos EUA ou pelo Brasil. Essa é endinheirada e certamente quererá investir se lhes dermos condições para isso e garantias reais de estabilidade fiscal e de crescimento.

Angola e Moçambique são em certa medida uma ilusão e nisso estamos de acordo. São países dependentes do petróleo, sem uma sociedade estruturada, sem mercado interno, muita corrupção. Mas não podemos desprezar esses mercados.

Sim a relação com Israel penso que é uma oportunidade que tem sido desperdiçada por Portugal, e não é de agora e que nos poderia abrir portas nos EUA e em paises anglosaxonicos.
Quando me referia á Diáspora irlandesa nos States referia-me que é pragmática é real é mensurável, de facto existem varias e varias multinacionais tecnológicas e não só norte-americanas que estão sediadas ou têm os seus centros de competência na Irlanda, e isso cria logo empregos directos, formação, remuneração, escala.
As Diásporas portuguesas são muito idealistas, é tudo muito vago, ou então são as negociatas de chica espertice com Angola, que beneficia sobretudo Angola no meu ponto de vista e pouco Portugal, e pouco mais á além disso, Portugal só têm de criar marcas, mercados. É por essas e por outras que mais que uma União dos Palops são totalmente a favor do iberismo, sou a favor de uma Grande Ibéria, e de uma espécie de federação ibérica, teríamos um mercado continental bem maior, e um peso muito maior para não sofrermos estas humilhações que andamos a sofrer dos mercados, do BCE e da UE.
 
É por essas e por outras que mais que uma União dos Palops são totalmente a favor do iberismo, sou a favor de uma Grande Ibéria, e de uma espécie de federação ibérica, teríamos um mercado continental bem maior, e um peso muito maior para não sofrermos estas humilhações que andamos a sofrer dos mercados, do BCE e da UE.

Era o caminho mais rápido para haver cidadãos de primeira (espanhóis com os seus 40 milhões) e cidadãos de segunda (portugueses com 10 mihões):

Uma sondagem publicada ontem pela revista espanhola Tiempo revela que 45,6 por cento dos espanhóis são favoráveis à fusão. Destes, a maioria (43,4 por cento) defende que o novo país deve ter um velho nome - Espanha -, ao passo que 39,4 por cento chamar-lhe-iam Ibéria; e a esmagadora maioria (80 por cento) defende que a capital deve manter-se em Madrid, contra apenas 3,3 por cento que favorecem Lisboa.

http://www.publico.pt/sociedade/not...-a-uma-uniao-entre-portugal-e-espanha-1273741

Claro que o nome dos arquipélagos portugueses tinha que mudar. A Madeira passava a Canárias II (tem que ser inferior ao vizinho) e os Açores passavam a ser Las Islas de las Aves ou algo do género.
 
Era o caminho mais rápido para haver cidadãos de primeira (espanhóis com os seus 40 milhões) e cidadãos de segunda (portugueses com 10 mihões):



http://www.publico.pt/sociedade/not...-a-uma-uniao-entre-portugal-e-espanha-1273741

Claro que o nome dos arquipélagos portugueses tinha que mudar. A Madeira passava a Canárias II (tem que ser inferior ao vizinho) e os Açores passavam a ser Las Islas de las Aves ou algo do género.

Já somos cidadãos de 2ª á muito na UE, e temos cidadãos de 2ª também dentro do território português, consoante vários critérios.
Penso que não seja por ai era tudo uma questão negocial.
Agora nesta UE no orgulhosamente sós, com uma mão á frente e outra atrás, não seremos só cidadãos de 2ª seremos pedintes.
Não consigo entender o anti-castelhanismo, á uns anos nas decadas de 90, 2000 era uma ideia muito bem aceite em Portugal, agora parece que não já somos nacionalistas e patriotas outra vez.
Por estranho que pareça o Iberismo seria uma forma de termos muito mais autonomia, algo que nunca mais vamos ter seja em que circunstancia for.
 
Na UE temos acesso a um mercado comum com 500 milhões de habitantes onde ninguém coloca qualquer entrave às nossas exportações. Mercado esse que é o mais rico do planeta.

Virando as costas à Europa o que faríamos? Angola e Moçambique não têm mercado interno para consumir os nossos produtos. Existe sempre o risco de instabilidade política nesses países e da existência de entraves às nossas exportações. O Brasil é altamente proteccionista e nunca conseguimos penetrar lá de forma maciça.

Para se criarem marcas e para as empresas crescerem é preciso mudar mentalidades. O cenário político actual não ajuda nada e só nos fará regredir. Existe um ambiente castrador da iniciativa e do enriquecimento que lembra outras eras.