james
Cumulonimbus
Ainda sou do tempo em que a barragem do Côa foi cancelada, andava na Primária mas recordo-me bem do ambiente da época e do que se passou. O PSD tinha uma imagem de «inimigo do ambiente», e essa imagem injustamente colou-se à Direita por causa do cavaquismo. O cavaquismo tinha atravessado desnecessariamente o Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros, por pura teimosia e desrespeito pela paisagem única da área protegida, já que o traçado poderia ter sido desviado ligeiramente para Leste. Também havia muito a contestar sobre o traçado da Via do Infante, ao lado do cerro da Cabeça e do cerro de São Miguel. Mas a grande campanha mediática foi a do «não electrifiquem as gravuras», com manifestações na rua e a comunicação social em cima. E assim o cavaquismo e a Direita ficaram com a marca de inimigos do Ambiente e da Cultura. Ah, e havia também a grande problemática da poluição, das lixeiras, dos esgotos, o PSD parecia algo impotente para lidar com isso. E o Mário Soares vociferava contra o «excesso de betão» do Cavaquismo.
Mas havia «excesso de betão». Sim e não. Muitas infra-estruturas projectadas pelo marcelismo como auto-estradas, pontes ou barragens foram adiadas por causa do PREC e das austeridades que se seguiram até entrarmos na CEE. O interior não tinha pontes, estradas asfaltadas, esgotos, água canalizada, até electricidade e telefone em muitas aldeias. Com os fundos comunitários fizeram-se muitas obras que o país precisava durante os anos de Cavaco.
Depois veio Guterres. E com Guterres, dois pesos e duas medidas. Por um triz a A2 não atravessou ao meio a serra do Caldeirão e o barrocal Norte. Obra aliás muito mais cara que a alternativa, que era passar pelo vale de São Marcos da Serra e Messines. Ainda assim, a A2 não passou bem no vale... e quando se fizeram obras na Margem Norte que destruíram sapais, a Ministra Elisa Ferreira respondeu: «se querem ver Natureza, vão para a Margem Sul». O traçado da Ponte Vasco da Gama parece-me muito duvidoso, se o objectivo era desviar trânsito do Norte para o Sul poderia ter sido feita mais a Norte, na zona de Vila Franca. Teria ficado de longe muito mais barata, não se teria mexido nas salinas do Samouco, e não se teria promovido a expansão urbana do Montijo e arredores, à custa do despovoamento em Lisboa, cidade que perdeu cerca de 300 mil habitantes desde os anos 80. Guterres fazia as mesmas asneiras que Cavaco e ainda promovia a compra de casa, a ocupação de solos com mamarrachos, enquanto os centros urbanos se degradavam. Mas a Esquerda era amiga do Ambiente.
Veio o Durão e o caso Portucale, mas a seguir chega Sócrates e o país sofre um fervor de obras nunca visto. O indivíduo já tinha promovido «as novas centralidades» com a construção de dez estádios... ele foram auto-estradas, acessos, barragens, parques eólicos, mini-hídricas, PINs... tudo, com frequência, em áreas protegidas ou de elevado valor paisagístico. E o Ambiente continuava a ser causa de Esquerda... quando não o é nem de Esquerda nem de Direita em Portugal. O BE e o PCP sempre apoiaram obras desnecessárias que lesavam a paisagem e o ambiente, embora para ser justo deva dizer que a nível local o BE em muitas situações foi um partido activo a denunciar crimes ambientais. O PSD e o CDS são uma pseudo-Direita de negócios, não uma verdadeira Direita. Um dos únicos políticos em Portugal que permaneceu fiel à causa toda a sua vida foi o Arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles. Um monárquico de Direita... a defender uma causa que começou por ser de Direita, e contra a Esquerda...
Ainda sou do tempo em que a barragem do Côa foi cancelada, andava na Primária mas recordo-me bem do ambiente da época e do que se passou. O PSD tinha uma imagem de «inimigo do ambiente», e essa imagem injustamente colou-se à Direita por causa do cavaquismo. O cavaquismo tinha atravessado desnecessariamente o Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros, por pura teimosia e desrespeito pela paisagem única da área protegida, já que o traçado poderia ter sido desviado ligeiramente para Leste. Também havia muito a contestar sobre o traçado da Via do Infante, ao lado do cerro da Cabeça e do cerro de São Miguel. Mas a grande campanha mediática foi a do «não electrifiquem as gravuras», com manifestações na rua e a comunicação social em cima. E assim o cavaquismo e a Direita ficaram com a marca de inimigos do Ambiente e da Cultura. Ah, e havia também a grande problemática da poluição, das lixeiras, dos esgotos, o PSD parecia algo impotente para lidar com isso. E o Mário Soares vociferava contra o «excesso de betão» do Cavaquismo.
Mas havia «excesso de betão». Sim e não. Muitas infra-estruturas projectadas pelo marcelismo como auto-estradas, pontes ou barragens foram adiadas por causa do PREC e das austeridades que se seguiram até entrarmos na CEE. O interior não tinha pontes, estradas asfaltadas, esgotos, água canalizada, até electricidade e telefone em muitas aldeias. Com os fundos comunitários fizeram-se muitas obras que o país precisava durante os anos de Cavaco.
Depois veio Guterres. E com Guterres, dois pesos e duas medidas. Por um triz a A2 não atravessou ao meio a serra do Caldeirão e o barrocal Norte. Obra aliás muito mais cara que a alternativa, que era passar pelo vale de São Marcos da Serra e Messines. Ainda assim, a A2 não passou bem no vale... e quando se fizeram obras na Margem Norte que destruíram sapais, a Ministra Elisa Ferreira respondeu: «se querem ver Natureza, vão para a Margem Sul». O traçado da Ponte Vasco da Gama parece-me muito duvidoso, se o objectivo era desviar trânsito do Norte para o Sul poderia ter sido feita mais a Norte, na zona de Vila Franca. Teria ficado de longe muito mais barata, não se teria mexido nas salinas do Samouco, e não se teria promovido a expansão urbana do Montijo e arredores, à custa do despovoamento em Lisboa, cidade que perdeu cerca de 300 mil habitantes desde os anos 80. Guterres fazia as mesmas asneiras que Cavaco e ainda promovia a compra de casa, a ocupação de solos com mamarrachos, enquanto os centros urbanos se degradavam. Mas a Esquerda era amiga do Ambiente.
Veio o Durão e o caso Portucale, mas a seguir chega Sócrates e o país sofre um fervor de obras nunca visto. O indivíduo já tinha promovido «as novas centralidades» com a construção de dez estádios... ele foram auto-estradas, acessos, barragens, parques eólicos, mini-hídricas, PINs... tudo, com frequência, em áreas protegidas ou de elevado valor paisagístico. E o Ambiente continuava a ser causa de Esquerda... quando não o é nem de Esquerda nem de Direita em Portugal. O BE e o PCP sempre apoiaram obras desnecessárias que lesavam a paisagem e o ambiente, embora para ser justo deva dizer que a nível local o BE em muitas situações foi um partido activo a denunciar crimes ambientais. O PSD e o CDS são uma pseudo-Direita de negócios, não uma verdadeira Direita. Um dos únicos políticos em Portugal que permaneceu fiel à causa toda a sua vida foi o Arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles. Um monárquico de Direita... a defender uma causa que começou por ser de Direita, e contra a Esquerda...
Se é verdade que o PSD e o CDS não têm grande consciência ambiental, o PS também não tem nenhuma.
Em relação ao BE, a consciência ambiental dos mesmos depende do partido que governar.

Dá para ver que estes 2 partidos, nesta matéria, é muito folclore, mas muito pouco conteúdo.
Aliás, a esquerda, nesta matéria, tem uma fama injusta de protetores do ambiente.
Dou 2 exemplos: há uns anos atrás, foi elaborado um plano de ordenamento do Litoral Alentejano ( determinado por leis comunitárias) , que foi contestado até onde foi possível pelos autarcas da zona ( maioritariamente comunistas) , alegando que tal plano iria impedir o progresso, limitando a construção. Noutro caso conhecido, a autarquia ( PCP) de Almada pretendia rasgar a Área Protegida da Arriba Fóssil da Costa da Caparica com uma via panorâmica absurda, que o anterior Governo ( e muito bem) cancelou ( embora, claro, por razões orçamentais e não por amor ao ambiente) .
Aliás, a costa minhota, de um modo geral, ainda está bem conservada, com uns belos e ainda organizados sistemas dunares e sempre foi gerida por autarquias PSD ou PS.
Também muita gente não sabe que boa parte da nossa rede de áreas protegidas foi criada por governos de direita, principalmente a AD ( com a importante acao de Gonçalo Ribeiro Telles) , mas também nos primeiros mandatos de Cavaco Silva. E que a certa fama que Mário Soares tem de ter liderado governos com uma certa consciência ambiental vem muito do excelente Secretário de Estado do ambiente que teve, Carlos Pimenta ( do PSD) , durante a vigência do bloco central.
Para finalizar, muito também do que ainda temos protegido a nível ambiental vem de directivas ou regulamentos comunitários ( obrigado, Europa) , apesar das inúmeras tentativas de muitos simpáticos empreendedores portugueses que têm tentado arranjar maneira de arrasar as nossas áreas naturais, lutando com todas as forças contra os mauzoes e papoes da UE, que tentam apenas que nós continuemos a ter algumas áreas naturais conservadas.
Aliás, neste parâmetro, a melhor prenda que os patos bravos e especuladores imobiliários poderiam ter era a saída de Portugal da UE e o regresso ao " orgulhosamente sós ".
Haveria uma grande festa naquelas bandas, de certeza absoluta.
Boa parte dos atentados urbanísticos que ocorrerem em Portugal ( principalmente na faixa costeira) ocorreram antes da nossa entrada na UE, nos anos 70 e 80.
Foi também nesta época que ocorreu boa parte da eucaliptizacao do país. Os rios, principalmente no Norte, eram autênticos esgotos a céu aberto ( quem quiser que veja agora a diferença) .
E muitas espécies animais importantes, por exemplo, o Lince, o lobo ou a águia real entraram num processo de pré - extinção( recuperando mais tarde com o auxílio fundamental de leis comunitárias) .
E a caca, nessa época, era totalmente desregulamentada. A maioria dos caçadores atirava sobre tudo o que mexia ( eu sei, porque vi, pois quando era pequeno cheguei a ir à caca com um tio meu) .
Na área do ambiente, a melhor coisa que nos aconteceu foi ter aderido à UE. Antes disso, sem a regulação europeia, tenho pena de dizer isto, mas a maioria dos portugueses era inimputável nesta matéria.
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Não importa, agora é Agosto ninguém liga que está tudo de férias e na praia. 

