O Estado do país 2026

O António Costa é proprietário de 5 casas em Portugal. Como presumo que estas não estejam fechadas, o facto de um "jovem gastar o salário todo na habitação" é uma excelente notícia para ele!
Sim, e o Montenegro é proprietário de 52 imóveis. Cada um pior que o outro.

Tirando o facto de colocar um travão à imigração, pois fazia falta, não há trabalho para reconhecer. Nada melhorou, como prometeram.
Caminham para ter o "mérito" de colocar Portugal como 1º país da Europa onde a diferença entre os preços das casas e dos salários é maior. Visto que continuam a reforçar a medida que está a contribuir para isso, é a conclusão a que chego.
 
Sim, e o Montenegro é proprietário de 52 imóveis. Cada um pior que o outro.

Tirando o facto de colocar um travão à imigração, pois fazia falta, não há trabalho para reconhecer. Nada melhorou, como prometeram.
Caminham para ter o "mérito" de colocar Portugal como 1º país da Europa onde a diferença entre os preços das casas e dos salários é maior. Visto que continuam a reforçar a medida que está a contribuir para isso, é a conclusão a que chego.

Eu compreendo a tua "dor" mas o problema do rácio preço da habitação / salário não se vai resolver baixando o preço das casas. Isso não vai acontecer, apenas podes esperar que o valor não suba ou que dentro daquele valor estapafúrdio apareça algo melhorzinho e que vá mais de encontro às tuas expectativas. Agora esperar que apartamentos que hoje estão a 200 mil para o ano estão a 130 mil... isso não vai acontecer. O mal foi feito com o travão à construção de habitação nos últimos 10 anos. Criou-se um garrote, e a disponibilidade de casas actual não é suficiente para aguentar esse garrote.

Portanto, o governo não deve pôr o dedo no regular funcionamento do mercado. O quê que o governo pode fazer? Pode criar uma legislação laboral mais dinâmica que permita à grande maioria das pessoas melhorar os seus salários. Maior flexibilidade na legislação representa maior atractividade de empresas vinda de fora, que é o que país precisa. Mas a justificação que dão é: mas espera lá, aqueles industriais mal-formados que se aproveitam dos trabalhadores na actual legislação perfeita, vão aproveitar-se ainda mais!

Portanto, se o mindset é este, nada vai mudar. Os tais industriais manhosos vão continuar a aproveitar-se dos trabalhadores, as empresas estrangeiras vão continuar a não querer investir em Portugal, os jovens vão continuar com poucas opções porque o mercado de trabalho vai continuar a seguir uma lógica meramente determinada pela demografia. Está velho, vai para a reforma, preciso de meter um novo. Não vai haver valor acrescentado, não vai haver negociação, os jovens vão continuar amarrados e sem poder dizer "se quer que continue, dê-me X porque aqui ao lado dão-me X" e vão simplesmente ouvir do outro lado "vais sair e vais para onde ganhar o que te dou?". Uma espécie de "you don't have any cards" do Trum para o o Zelensky.

Essa alegada segurança e pouca flexibilidade do mercado laboral só vai fazer que se continue a trabalhar muito e a ganhar pouco em relação à Europa. Em troca, alguns têm o seu empreguezinho "para a vida".
 
Se fosse só em Viseu. Há uns meses, mudei-me de Portalegre para Arronches e o apartamento onde vivi 10 anos, surgiu ontem nas redes sociais para alugar por 900 €. Com umas características muito semelhantes a esse do anúncio que colocas-te, mas sem qualquer intervenção após a minha saída. Se eu achava a renda alta e era cerca de 55% do que pedem agora, nem sequer digo mais nada...
O pior disto tudo é que, em poucos dias, estará alugado, dada a falta de oferta...

Estou quase no ponto de me sentir milionária só porque não tenho de pagar uma renda nem uma prestação ao banco. Chiça!
 
-> https://eco.sapo.pt/2026/04/30/gove...da-embraer-em-beja-de-aeronaves-super-tucano/

“Esta empresa tem um centro de engenharia em Lisboa, tem uma participação na OGMA, como referi o KC-390 é fabricado em grande parte em Portugal”, sublinhou.



ATHENS, May 7 (Reuters) - Greek Defence Minister Nikos Dendias said on Thursday that Greece was interested in purchasing Brazilian-made Embraer C-390 military planes ‌partly produced in Portugal.
Dendias, who is paying a two-day visit to Portugal, was speaking after meeting his Portuguese counterpart, Nuno Melo, in Lisbon.
...
He did not give more details on the number of the planes or the price. Greece, which currently operates both the C-130 and C-27, plans to spend about 28 billion euros ($33 billion) by 2036 to modernise its ‌armed ⁠forces as it emerges from a 2009-2018 debt crisis.
Portugal's OGMA, 65%-owned by Embraer with the remainder held by the Portuguese state, is a key industrial partner ⁠in the C‑390 programme, producing parts of the central fuselage that are shipped to Brazil for final assembly.
 
Sim, e o Montenegro é proprietário de 52 imóveis. Cada um pior que o outro.

Tirando o facto de colocar um travão à imigração, pois fazia falta, não há trabalho para reconhecer. Nada melhorou, como prometeram.
Caminham para ter o "mérito" de colocar Portugal como 1º país da Europa onde a diferença entre os preços das casas e dos salários é maior. Visto que continuam a reforçar a medida que está a contribuir para isso, é a conclusão a que chego.
Em 2020 o Governo de Costa alterou a taxação das mais-valias, há claramente um antes e um depois nos preços, após esta alteração. A AD já teve dois anos para reverter esta medida, e não fez nada.
 
Eu compreendo a tua "dor" mas o problema do rácio preço da habitação / salário não se vai resolver baixando o preço das casas. Isso não vai acontecer, apenas podes esperar que o valor não suba ou que dentro daquele valor estapafúrdio apareça algo melhorzinho e que vá mais de encontro às tuas expectativas. Agora esperar que apartamentos que hoje estão a 200 mil para o ano estão a 130 mil... isso não vai acontecer. O mal foi feito com o travão à construção de habitação nos últimos 10 anos. Criou-se um garrote, e a disponibilidade de casas actual não é suficiente para aguentar esse garrote.

Portanto, o governo não deve pôr o dedo no regular funcionamento do mercado. O quê que o governo pode fazer? Pode criar uma legislação laboral mais dinâmica que permita à grande maioria das pessoas melhorar os seus salários. Maior flexibilidade na legislação representa maior atractividade de empresas vinda de fora, que é o que país precisa. Mas a justificação que dão é: mas espera lá, aqueles industriais mal-formados que se aproveitam dos trabalhadores na actual legislação perfeita, vão aproveitar-se ainda mais!

Portanto, se o mindset é este, nada vai mudar. Os tais industriais manhosos vão continuar a aproveitar-se dos trabalhadores, as empresas estrangeiras vão continuar a não querer investir em Portugal, os jovens vão continuar com poucas opções porque o mercado de trabalho vai continuar a seguir uma lógica meramente determinada pela demografia. Está velho, vai para a reforma, preciso de meter um novo. Não vai haver valor acrescentado, não vai haver negociação, os jovens vão continuar amarrados e sem poder dizer "se quer que continue, dê-me X porque aqui ao lado dão-me X" e vão simplesmente ouvir do outro lado "vais sair e vais para onde ganhar o que te dou?". Uma espécie de "you don't have any cards" do Trum para o o Zelensky.

Essa alegada segurança e pouca flexibilidade do mercado laboral só vai fazer que se continue a trabalhar muito e a ganhar pouco em relação à Europa. Em troca, alguns têm o seu empreguezinho "para a vida".
Se a taxação das mais-valias for revista e se voltarmos à “lei antiga” penso que há margem para os preços caírem 25 a 30%.
 
Eu compreendo a tua "dor" mas o problema do rácio preço da habitação / salário não se vai resolver baixando o preço das casas. Isso não vai acontecer, apenas podes esperar que o valor não suba ou que dentro daquele valor estapafúrdio apareça algo melhorzinho e que vá mais de encontro às tuas expectativas. Agora esperar que apartamentos que hoje estão a 200 mil para o ano estão a 130 mil... isso não vai acontecer. O mal foi feito com o travão à construção de habitação nos últimos 10 anos. Criou-se um garrote, e a disponibilidade de casas actual não é suficiente para aguentar esse garrote.

Portanto, o governo não deve pôr o dedo no regular funcionamento do mercado. O quê que o governo pode fazer? Pode criar uma legislação laboral mais dinâmica que permita à grande maioria das pessoas melhorar os seus salários. Maior flexibilidade na legislação representa maior atractividade de empresas vinda de fora, que é o que país precisa. Mas a justificação que dão é: mas espera lá, aqueles industriais mal-formados que se aproveitam dos trabalhadores na actual legislação perfeita, vão aproveitar-se ainda mais!

Portanto, se o mindset é este, nada vai mudar. Os tais industriais manhosos vão continuar a aproveitar-se dos trabalhadores, as empresas estrangeiras vão continuar a não querer investir em Portugal, os jovens vão continuar com poucas opções porque o mercado de trabalho vai continuar a seguir uma lógica meramente determinada pela demografia. Está velho, vai para a reforma, preciso de meter um novo. Não vai haver valor acrescentado, não vai haver negociação, os jovens vão continuar amarrados e sem poder dizer "se quer que continue, dê-me X porque aqui ao lado dão-me X" e vão simplesmente ouvir do outro lado "vais sair e vais para onde ganhar o que te dou?". Uma espécie de "you don't have any cards" do Trum para o o Zelensky.

Essa alegada segurança e pouca flexibilidade do mercado laboral só vai fazer que se continue a trabalhar muito e a ganhar pouco em relação à Europa. Em troca, alguns têm o seu empreguezinho "para a vida".
Como é evidente não estou minimamente à espera que os preços das casas baixem drasticamente de um ano para o outro. No entanto, se calhar num futuro próximo convém que os preços baixem, pois os preços atuais já não são sustentáveis em lado nenhum. O que consideras como preço "melhorzinho"? É que abaixo de 200 mil euros só já aparecem casas com pessoas lá a morar até morrer ou lojas transformadas em apartamentos. :lol: Nas áreas metropolitanas talvez consigas algo minimamente decente num local mais remoto, mas mesmo assim...

Eu por mim falo. Com o meu salário (que está próximo do mediano), dificilmente me concedem um empréstimo de 200 mil euros. Já é um valor bastante elevado, mas neste momento, só já há casas abaixo desse valor no Interior, onde a oferta consegue ser ainda mais reduzida do que no Litoral e onde os preços também estão a disparar devido a isso mesmo. Além de que em termos de ofertas de emprego também é complicado.

O Governo não podem meter o dedo no funcionamento regular do mercado, mas no fundo fizeram-no ao implementar uma medida que aumenta a procura num mercado com pouca oferta. Afinal em que ficamos? Mais valia terem estado sossegados.

Atualmente, já nem com uma licenciatura ou um mestrado se consegue ter um salário que acompanhe o custo de vida. Alterar a legislação com uma economia fraca e dependente do turismo dificilmente vai melhorar salários.

Não sou contra reformas desde que tragam bons resultados. Não sei até que ponto esta reforma laboral o poderia fazer, mas gostava de ver os resultados.

No horizonte de muitos jovens portugueses que não têm nada mais para além do seu salário ao fim do mês há estas soluções: viver em casa dos pais, alugar um quarto acima de 500€ durante grande parte da vida ou emigrar. Neste último caso já compensou mais e não é para todos, mas claramente Portugal neste momento já não é um país para se viver.
Tem-se conseguido vender o país todo aos de fora e assim deverá continuar. Só somos bom exemplo lá fora para fazer turismo.
 
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Como é evidente não estou minimamente à espera que os preços das casas baixem drasticamente de um ano para o outro. No entanto, se calhar num futuro próximo convém que os preços baixem, pois os preços atuais já não são sustentáveis em lado nenhum. O que consideras como preço "melhorzinho"? É que abaixo de 200 mil euros só já aparecem casas com pessoas lá a morar até morrer ou lojas transformadas em apartamentos. :lol: Nas áreas metropolitanas talvez consigas algo minimamente decente num local mais remoto, mas mesmo assim...

Eu por mim falo. Com o meu salário (que está próximo do mediano), dificilmente me concedem um empréstimo de 200 mil euros. Já é um valor bastante elevado, mas neste momento, só já há casas abaixo desse valor no Interior, onde a oferta consegue ser ainda mais reduzida do que no Litoral e onde os preços também estão a disparar devido a isso mesmo. Além de que em termos de ofertas de emprego também é complicado.

O Governo não podem meter o dedo no funcionamento regular do mercado, mas no fundo fizeram-no ao implementar uma medida que aumenta a procura num mercado com pouca oferta. Afinal em que ficamos? Mais valia terem estado sossegados.

Atualmente, já nem com uma licenciatura ou um mestrado se consegue ter um salário que acompanhe o custo de vida. Alterar a legislação com uma economia fraca e dependente do turismo dificilmente vai melhorar salários.

Não sou contra reformas desde que tragam bons resultados. Não sei até que ponto esta reforma laboral o poderia fazer, mas gostava de ver os resultados.

No horizonte de muitos jovens portugueses que não têm nada mais para além do seu salário ao fim do mês há estas soluções: viver em casa dos pais, alugar um quarto acima de 500€ durante grande parte da vida ou emigrar. Neste último caso já compensou mais e não é para todos, mas claramente Portugal neste momento já não é um país para se viver.
Tem-se conseguido vender o país todo aos de fora e assim deverá continuar. Só somos bom exemplo lá fora para fazer turismo.

"Melhorzinho" não em termos de preço, mas para um preço X encontrares algo que vá mais de encontro às tuas expectativas. Algo que sintas que o esforço financeiro (que vai sempre existir) está a ser aplicado em algo com mais valor real do que especulado.

Concordo perfeitamente, nem este nem o anterior governo deviam meter o dedo para regular o mercado de habitação não-pública. Essas distorções estimulam a procura em detrimento da oferta e obviamente isso faz com que, de forma injusta, uma série de pessoas perca o seu lugar na fila de espera que o tal garrote criou. Esta do IMT jovem é um bom exemplo, porque todas aquelas pessoas que têm entre os 35/45 anos e ainda estão à procura de casa, são ultrapassadas por quem "por decreto" não tem que pagar 12mil ou 15mil euros de impostos. Sendo único critério a idade. Um absurdo.
 

Fiz o que devia ter feito antes de perguntar e não é engano, não. De acordo com o Google são 54 ou 55. Desculpa. Deduzi, mal, que tinha sido um engano a escrever. Muitos imóveis rústicos.
 
A imigração não foi a causa do aumento absurdo dos preços da habitação. De facto houve substituição populacional mas obviamente não foi intencional nem conspirativa, é resultado da procura dos jovens por melhores condições de vida, tanto dos jovens de cá como dos jovens de países mais pobres que o nosso. Se não tivessem entrado tantos jovens trabalhadores de fora a nossa Segurança Social estaria num ótimo estado estaria, já para não falar da economia com a falta de mão de obra.
Como é sabido, muitos dos imigrantes aceitam viver em condições habitacionais muito precárias, condições essas que os jovens portugueses nunca aceitariam se tivessem ficado cá, portanto os imigrantes pobres que entraram contribuíram muito menos para o aumento do custo da habitação do que os jovens portugueses contribuiriam se tivessem ficado cá pois seria preciso muito mais espaço para os albergar. A razão principal do aumento do custo da habitação é de facto o turismo e a especulação imobiliária, por muito que esse facto doa a alguns. O crescimento económico assente única e exclusivamente no turismo tem de acabar de uma vez por todas, porque a subida dos rendimentos dos portugueses não compensa de todo as externalidades negativas desse setor.
Obviamente a falta de construção de habitação a preços reduzidos também pesa, mas quantas casas foram reabilitadas para serem vendidas e alugadas a estrangeiros com dinheiro?
A direita talvez tenha razão num ponto, que é a falta de incentivos fiscais ao arrendamento a longo prazo. Muitos, muitos quartos são alugados a estudantes (e não só) sem passar fatura.
 
Última edição:
A imigração não foi a causa do aumento absurdo dos preços da habitação. De facto houve substituição populacional mas obviamente não foi intencional nem conspirativa, é resultado da procura dos jovens por melhores condições de vida, tanto dos jovens de cá como dos jovens de países mais pobres que o nosso. Se não tivessem entrado tantos jovens trabalhadores de fora a nossa Segurança Social estaria num ótimo estado estaria, já para não falar da economia com a falta de mão de obra.
Como é sabido, muitos dos imigrantes aceitam viver em condições habitacionais muito precárias, condições essas que os jovens portugueses nunca aceitariam se tivessem ficado cá, portanto os imigrantes pobres que entraram contribuíram muito menos para o aumento do custo da habitação do que os jovens portugueses contribuiriam se tivessem ficado cá pois seria preciso muito mais espaço para os albergar. A razão principal do aumento do custo da habitação é de facto o turismo e a especulação imobiliária, por muito que esse facto doa a alguns. O crescimento económico assente única e exclusivamente no turismo tem de acabar de uma vez por todas, porque a subida dos rendimentos dos portugueses não compensa de todo as externalidades negativas desse setor.
Obviamente a falta de construção de habitação a preços reduzidos também pesa, mas quantas casas foram reabilitadas para serem vendidas e alugadas a estrangeiros com dinheiro?
A direita talvez tenha razão num ponto, que é a falta de incentivos fiscais ao arrendamento a longo prazo. Muitos, muitos quartos são alugados a estudantes (e não só) sem passar fatura.

Acho que há uma contradição no teu post.

Se 8 pessoas aceitam pagar 250€ para partilhar um T3, o proprietário recebe 2000€ mensais. Porquê que este proprietário iria colocar este apartamento a 700€ para uma família "tradicional" de um casal com 2 filhos? Só faz sentido colocar a esses valores se não houver pessoas dispostas s pagar 250€ para partilhar um apartamento com outras 7...

O efeito da imigração de baixas qualificações e e baixos salários não é inferior ao do turismo em si. O boom turístico poderia proporcionar um aumento dos salários nessa actividade, tal não acontece porque não podes pedir 1000€ para limpar quartos de hotéis ou servir à mesa num restaurante quando tens pessoas dispostas a fazê-lo por metade do preço ou menos.
 
-> https://rr.pt/noticia/politica/2026...-acessoria-declarada-inconstitucional/470052/ -> https://www.tribunalconstitucional.pt/tc/acordaos/20260409.html

13.º​
Atentas as características do direito fundamental à cidadania, uma decisão de aplicação de uma sanção acessória de perda da nacionalidade acarretará igualmente a privação de todos os benefícios dele decorrentes nos planos constitucional, convencional e legal. A característica diferenciadora do direito à cidadania como um direito a ter direitos, uma condição indispensável para aceder ao feixe alargado e multifacetado de posições jurídicas indispensáveis à participação na comunidade política impõe um especial cuidado no desenho de qualquer intervenção restritiva e, por maioria de razão, numa intervenção que elimina o direito da esfera do seu até aí titular.

14.º​
É precisamente quanto a este ponto que se torna essencial convocar o princípio da proporcionalidade nas suas múltiplas vertentes: a privação da cidadania deve visar a salvaguarda de outros direitos ou interesses constitucionalmente protegidos e mostrar-se adequada à realização dessas finalidades, tendo sempre presente que perante a escala de sacrifício que é imposta (a perda do direito fundamental) se impõe uma ponderação assente na verificação exigente de um grau de realização equivalente do lado dos direitos ou interesses a tutelar. É neste ponto que a ponderação alcançada através do Decreto da Assembleia da República n.º 49/XVII parece falhar, uma vez mais, o teste de conformidade constitucional.

Ao contrário de muitos outros acordãos, de leitura razoavelmente mais fácil.

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