O Estado do país 2026

É um slot diferente, ele vai substituir a Ana Gomes na SIC Notícias, não o Marques Mendes na SIC em canal aberto.

A ideia é a mesma. De qualquer das formas, não é (só) a exposição que ganha eleições. Se fosse, o quarto pastorinho teria vencido as de ontem com 90%...
 
Tive uma bisavó que tinha pequenos negócios. Não era muita coisa, mas o suficiente para viver bem acima da média, em tempos de pobreza. Quando falava com o público, a vida para ela estava sempre mal. A saúde era fraca, havia sempre despesas, o dinheiro não chegava, desgraças e sofrimentos não faltavam. Era muito limpa, tomava banho várias vezes por semana, numa altura em que parte da população nem tomava banho, porque não tinha casa-de-banho, mas vestia-se mal, como os pobres. Passava cá para fora um estilo de vida muito austero. Quando já estava perto dos seus 90 anos, perguntaram-lhe por que não gozou a vida. Ela respondeu mais ou menos assim: “isto aqui é um meio pequeno, toda a gente se conhece, e há muita velhaquice, maldade e inveja. Quem tem uma porta aberta não pode se fazer de rico, tem de saber fazer-se de coitadinho, para cativar os clientes, e nunca pode mostrar ou dizer o que tem. E nunca se deve meter na política, nem dizer em quem vota. Se eu não fosse ainda mais velhaca que os outros, nunca teria juntado tanto. E gozei bem a vida, dentro de quatro paredes, quando ninguém estava a ver.”

Ao lado vivia uma rapariga que logo na adolescência deu nas vistas por ser muito bonita. E gostava de se maquilhar, algo que era quase crime naquele meio. Rapidamente o povo começou a dizer que era pxtx. Do outro lado da fronteira era comum as mulheres usarem roupas vistosas, maquilhagem e perfumes, mas em Portugal era quase crime… foi tão difamada e perseguida que por volta dos 19/20 anos emigrou para Espanha, onde casou com um empresário muito rico, e se tornou uma mulher de negócios. Há males que vêm por bem.
Seria interessante perceber quando é que ocorreu toda essa história. Porque a impressão que eu tenho é que a situação hoje em dia é exatamente a oposta e é absolutamente corriqueiro as mulheres usarem roupas vistosas, maquilhagem e perfumes em Portugal, sobretudo no verão, mas não só. Talvez seja um efeito da popularização das redes sociais, mas não tenho totalmente a certeza... :intrigante:
 
Seria interessante perceber quando é que ocorreu toda essa história. Porque a impressão que eu tenho é que a situação hoje em dia é exatamente a oposta e é absolutamente corriqueiro as mulheres usarem roupas vistosas, maquilhagem e perfumes em Portugal, sobretudo no verão, mas não só. Talvez seja um efeito da popularização das redes sociais, mas não tenho totalmente a certeza... :intrigante:
Anos da ditadura.

Mas nos anos 90 quando era miúdo recordo-me que as mulheres portuguesas falavam muito mal das espanholas por se arranjarem e maquilharem. E os espanhóis vestiam roupa que em Portugal era considerada roupa de “paneleiro”. Dizia-se que os portugueses gostavam mais das espanholas que das portuguesas, mas em contrapartida, os espanhóis não gostavam das portuguesas.
 
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Tive uma bisavó que tinha pequenos negócios. Não era muita coisa, mas o suficiente para viver bem acima da média, em tempos de pobreza. Quando falava com o público, a vida para ela estava sempre mal. A saúde era fraca, havia sempre despesas, o dinheiro não chegava, desgraças e sofrimentos não faltavam. Era muito limpa, tomava banho várias vezes por semana, numa altura em que parte da população nem tomava banho, porque não tinha casa-de-banho, mas vestia-se mal, como os pobres. Passava cá para fora um estilo de vida muito austero. Quando já estava perto dos seus 90 anos, perguntaram-lhe por que não gozou a vida. Ela respondeu mais ou menos assim: “isto aqui é um meio pequeno, toda a gente se conhece, e há muita velhaquice, maldade e inveja. Quem tem uma porta aberta não pode se fazer de rico, tem de saber fazer-se de coitadinho, para cativar os clientes, e nunca pode mostrar ou dizer o que tem. E nunca se deve meter na política, nem dizer em quem vota. Se eu não fosse ainda mais velhaca que os outros, nunca teria juntado tanto. E gozei bem a vida, dentro de quatro paredes, quando ninguém estava a ver.”

Ao lado vivia uma rapariga que logo na adolescência deu nas vistas por ser muito bonita. E gostava de se maquilhar, algo que era quase crime naquele meio. Rapidamente o povo começou a dizer que era pxtx. Do outro lado da fronteira era comum as mulheres usarem roupas vistosas, maquilhagem e perfumes, mas em Portugal era quase crime… foi tão difamada e perseguida que por volta dos 19/20 anos emigrou para Espanha, onde casou com um empresário muito rico, e se tornou uma mulher de negócios. Há males que vêm por bem.
Isso é verdade. E ainda hoje. Eu noto perfeitamente a diferenca com a Bélgica. Nao me refiro ao uso de maquilhagem ou assim, mas a inveja do outro.
 
Última edição:
Isso é verdade. E ainda hoje. Eu noto perfeitamente a diferenca com a Bélgica. Nao me refiro ao uso de maquilhagem ou assim, mas a inveja do outro.
E não é preciso ser rico, ou ostentar. Basta por vezes ser extrovertido, ter confiança, ser culto ou inteligente. A inveja é uma doença nacional que afecta uma percentagem alta da população!
 
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A ideia é a mesma. De qualquer das formas, não é (só) a exposição que ganha eleições. Se fosse, o quarto pastorinho teria vencido as de ontem com 90%...
Para já ainda não sabemos qual é o padrão do Chega. Se já está no pico, e vai cair, se ainda vai continuar a crescer. Pessoalmente penso que não deverá crescer muito mais, pelo menos para já, pois carece de quadros técnicos, algo que a IL sendo um pequeno partido tem, e com qualidade. Contudo, ter quadros técnicos comporta riscos num partido como o Chega, cujo eleitorado tem níveis de formação mais baixos. Isto deixa Ventura com um dilema, ou segue o populismo, segura o eleitorado com baixa formação, mas já não cresce, ou tenta capturar eleitorado da AD, IL e PS, mas aí corre riscos…
 
O Chega apresenta outro risco, que está na IL. Já se percebeu que Cotrim vale muito mais que o partido, que a IL estagnou, e que se Cotrim assumir as rédeas então a IL pode aspirar aos 10%, ou mais. Mas aí o Ventura irá cair… e a AD também…
 
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O Chega apresenta outro risco, que está na IL. Já se percebeu que Cotrim vale muito mais que o partido, que a IL estagnou, e que se Cotrim assumir as rédeas então a IL pode aspirar aos 10%, ou mais. Mas aí o Ventura irá cair… e a AD também…
Ouvi ontem na SIC que 30 e tal por cento de quem votou em JCF na primeira volta votou em Ventura na segunda. JCF é o que tem mais potencial para roubar votos ao Chega neste momento.
 
Talvez o problema não seja Cotrim mas sim a cultura portuguesa, que lida mal com pessoas seguras de si e independentes, e confundem isso com arrogância ou vaidade. Cotrim Figueiredo é conhecido por quem é próximo por ser educado e gentil. Há uns tempos, estive no Porto, no Pólo Universitárioe cruzei-me com ele. Vi como alguns estudantes tinham a iniciativa de se dirigir a Cotrim para conversar, e ele estava ali 20 e 30 minutos com um grupo, todo animado pelo contacto com o público, a trocar impressões com os jovens, sem qualquer tipo de arrogância ou cara de frete. Não havia aliás ninguém a filmar…

Na cultura portuguesa a inveja também se manifesta mediante azedume, desconsideração e picardias infantis.

Claro que em nada estou a fazer comparações, porque as Cotrinetes estão sempre a enfatizar o intelecto, visão e dicção erudita. Nunca seria capaz de tal coisa, óbvio. O 'burro sou eu' já o Scolari dizia.
 
Para já ainda não sabemos qual é o padrão do Chega. Se já está no pico, e vai cair, se ainda vai continuar a crescer. Pessoalmente penso que não deverá crescer muito mais, pelo menos para já, pois carece de quadros técnicos, algo que a IL sendo um pequeno partido tem, e com qualidade. Contudo, ter quadros técnicos comporta riscos num partido como o Chega, cujo eleitorado tem níveis de formação mais baixos. Isto deixa Ventura com um dilema, ou segue o populismo, segura o eleitorado com baixa formação, mas já não cresce, ou tenta capturar eleitorado da AD, IL e PS, mas aí corre riscos…

Se governar 6 meses passamos logo a saber.
 
Na cultura portuguesa a inveja também se manifesta mediante azedume, desconsideração e picardias infantis.

Claro que em nada estou a fazer comparações, porque as Cotrinetes estão sempre a enfatizar o intelecto, visão e dicção erudita. Nunca seria capaz de tal coisa, óbvio. O 'burro sou eu' já o Scolari dizia.
Um professor de Medicina um dia disse-nos que os portugueses tendem a ter um padrão de comportamento passivo-agressivo. Hoje percebo o que quis dizer.
 
Ouvi ontem na SIC que 30 e tal por cento de quem votou em JCF na primeira volta votou em Ventura na segunda. JCF é o que tem mais potencial para roubar votos ao Chega neste momento.
Sem dúvida. Já tinha aqui dito que muita gente que conheço no Algarve vota Chega sem convicção, apenas por rejeição aos outros partidos. Mas em Cotrim, votam com entusiasmo. Regra geral pessoas na casa dos 30 e dos 40 anos, com pequenos negócios, profissionais liberais, licenciados.