Não sei se a acusação é verdadeira, caluniosa, ou uma meia verdade. Mesmo se fosse verdade, não sabendo o contexto, que num caso destes é relevante para aferir da gravidade do caso, é difícil fazer um juízo de valor. Tal como eu, toda a gente, exceptuando uma mão cheia de pessoas, não sabe nada do que se passou (ou não passou). Mas há factos, que não dependem da veracidade das acusações, que tornam o que se está a passar bastante claro:
- Ouvia-se (e lia-se no Twitter), há vários dias, que iria "sair" uma história "cabeluda" contra Cotrim (a própria candidatura "alertou" contra acusações falsas que iriam sair, na passada 6ª feira, Miguel Relvas confirmou na 2ª feira que já toda a gente no meio tinha ouvido boatos nos dias anteriores ao caso). Ora, isto vai um pouco contra a tese da partilha inocente num grupo privado de uma rede social;
- Inês Bichão, que afirma (e já num português consentâneo com uma licenciada em Direito) que "Essa divulgação está a ser instrumentalizada em contexto de campanha eleitoral, contra a minha vontade", veio na véspera do final da campanha eleitoral, confirmar todos os factos. Claro que nunca lhe passou pela cabeça que tal comunicado pudesse ser "instrumentalizado em contexto de campanha eleitoral";
- Só hoje, e apenas hoje, na comunicação social:
1 - truncaram-se as declarações de Cotrim para parecer que ele afirmara que Inês Bichão "nunca se sentiu desconfortável";
2 - um jornal "testemunhou" a denúncia através das cordas vocais da autora de um livro (que pelos vistos sabia do caso há ano e meio e não terá feito nada);
3 - aparecem fotografias de um paparazzo sobre um cumprimento entre um deputado e um ex-deputado num hotel de campanha (ele poderia ter sido "grosso" e não o ter cumprimentado, e assim arranjo uma situação em que faz sentido comparar grossura com cumprimento).
Claramente uma campanha orquestrada, e passámos a última semana da campanha para as "eleições presidenciais mais importantes de sempre" a discutir uma alegada historieta de gabinete, num país que certamente não tem mais nenhum assunto relevante para discutir. Merecemos o país que temos. Merecemos Ventura na 2ª volta. Merecemos o governo liderado pelo Chega que sairá das próximas eleições legislativas.