O Estado do país 2026

Partilho com todos voçes um relato emocionado, de alguem que sigo há muito tempo nas redes sociais, e que escreve com uma profundidade incrivel e que me "toca" sempre seja qual for o assunto...
Ela mora nos arredores de Coimbra, trabalha num hospital como assistente de enfermagem...
Concordo com cada palavra do que diz...

"Relembro vezes e vezes o terror que senti na madrugada desta quarta-feira. Foi aterrador. Nada certamente comparado com o que sentiram as pessoas dos locais mais afectados. A minha casa sofreu danos no telhado à semelhança de milhares na região centro do país. Não fiquei sem tecto, como muitos ficaram. Apenas muitas telhas partidas. Com a chuva a não dar tréguas, isso significa água dentro de casa e estragos. Só hoje voltamos a ter energia eléctrica. Continuamos com falhas nas redes móveis de telecomunicações. A tempestade passou aqui entre as 5h30 e as 6h da manhã. Deixei a minha casa "ferida", às 7 h da manhã, mais cedo do que o habitual, para trabalhar às 8 h no meu local de trabalho. Tentei chegar a Coimbra por todos os caminhos que conhecia, em todos fui travada por árvores ou estruturas caídas. Coloquei-me em risco para chegar ao meu trabalho, para não falhar aos utentes. Consegui chegar ao meu trabalho às 9h30m da manhã. Comuniquei as causas do atraso e as consequências que a tempestade tinha causado na minha habitação. Saí às 16h, e quando cheguei a casa, apercebi-me dos reais estragos na habitação. Fui trabalhar novamente às 23 h. Sai ontem às 8 da manhã do turno. Chovia torrencialmente na rua. No meu sótão também. Não consegui descansar. Já tinha falado com algumas pessoas, familiares e amigos, no sentido de tentar ajuda para reparar os estragos. Mas como é óbvio, a maioria das pessoas da freguesia teve mais ou menos estragos, por isso cada um tentava reparar os respectivos danos. Se em situações normais é dificil arranhar pessoas especializadas nestas reparações , em situações críticas como esta, foi impossível. Durante a tarde de ontem andei eu mesma em cima do telhado a tentar minimizar os estragos. Não resolvi, mas minimizei.
O meu patrão é o Estado Português. Talvez tenha colocado a minha vida em risco naquela manhã para não falhar ao Estado Português. Aquele Estado que não quis saber se eu corri riscos naquela manhã ou se deixei a minha casa em risco para não lhe falhar. Aquele Estado que não quis saber se eu precisava de ajuda.
Eu não falhei naquela manhã ao meu patrão. Mas ele falhou-me. E está a falhar, mais uma vez, a milhares de pessoas afectadas por esta catástrofe. Muita força e coragem para a população da região centro afectada por esta tempestade. E não, não foi só a cidade de Leiria que foi afectada. Preocupam-me também os idosos por essas aldeias do interior do país, desprotegidos e sem conseguir contactar as famílias."..
 
Numa catástrofe desta natureza a resposta imediata deve estar nos serviços públicos do Estado e não no Governo. Bombeiros, Proteção Civil, autarquias, SNS, etc. Calibrar todos estes serviços para uma resposta adequada e atempada é trabalho que decorre ao longo de vários anos. Querer culpar um Governo que tem cerca de dois anos do trabalho que não foi feito em anos anteriores é injusto e ridículo.

É sabido e ficou bem exposto em 2017 que muitos serviços públicos estão disfuncionais devido a chefias nomeadas pelo poder político e não por competência técnica.

É sabido também que a legislação laboral protege excessivamente os trabalhadores do sector público, o que reduz a produtividade e eficiência. Sistemas com despedimentos liberalizados, desde que as contratações não estejam politizadas, e ocorram apenas por mérito, são muito mais eficientes, muito mais produtivos. Idealmente o sistema deveria estar calibrado para atrair e reter os melhores, e expulsar os menos competentes…

A resposta de primeira linha a uma tragédia destas compete a todos os serviços públicos (e privados) que têm essas responsabilidades. Se não foi eficaz então aí sim é hora do Governo cumprir a sua parte e nos próximos meses avaliar o que correu mal e tomar medidas! Ir a Leiria passear após a tragédia pode dar um sinal político de mostrar trabalho ou preocupação e solidariedade mas não resolve o problema de fundo.

E além disso há muito mais para falar. O distrito de Leiria é um dos mais desordenados do país, com um povoamento disperso que não existia décadas atrás. Portugal tem uma legislação que permite a privados urbanizar, algo que já deveria ter mudado há muito tempo. Nas últimas décadas ocuparam-se leitos de cheias com parques urbanos, passadiços, até habitações e parques empresariais. Nas serras, não houve políticas de reflorestação em áreas sensíveis com espécies nativas, e não houve políticas de recuperação de galerias ripicolas e desassoreamento de cursos de água. Se juntarmos a isto incêndios e constantes arroteias de solos inclinados temos com o consequência uma erosão brutal que agrava exponencialmente o risco de cheias.

O Reino Unido tem um menor risco de catástrofes naturais que Portugal, e tem políticas que deveríamos copiar, apesar de não ser um país perfeito. Cidades como Londres têm cinturas verdes que delimitam o crescimento urbano, a expansão das cidades; os privados não podem lotear ou urbanizar terrenos; os vales com cursos de água em áreas urbanas são frequentemente parques sem qualquer tipo de mobiliário urbano, ou construções, respeitando leitos de cheias e galerias ripícolas; nas cidades, com frequência, o arvoredo não tem as suas raízes atrofiadas com pavimento, há passeios muito largos que não estão pavimentados.

Uma comunicação algo atabalhoada do Governo é a gota de água num oceano de décadas de erros. Para terminar, adicionar a carência de educação meteorológica e climática, a ausência de uma cultura de prevenção do risco, ou de comunicação do risco. Seria dever da população sempre que possível ficar em casa em situações de tempo extremo, e não é isto que se vê por vezes em Portugal, com romarias e filas de trânsito quando neva e há avisos de risco, praias a abarrotar com máximas acima dos 40 graus, tugalhada a sair de casa por motivos fúteis quando há avisos laranja ou vermelhos de mau tempo (e depois levam com uma chapa, um poste ou uma árvore em cima), ou gente a atravessar cursos de água com cheias (e depois ficam presos ou morrem afogados, como aconteceu recentemente a uma senhora holandesa no Algarve).

E para terminar questiono: existe algum plano de acção para uma situação como o terramoto de 1755? Esse plano alguma vez foi sujeito a simulações? A população estaria preparada para saber agir numa situação deste tipo? Convém ter em conta que actualmente a população que vive no litoral é muito, muito superior à que vivia há cem anos. Estaria preparada para ser evacuada prontamente se houvesse um maremoto?

PS: durante séculos Portugal existiu sem um Estado moderno. Sobreviveu. As populações não podem estar à espera do Estado para tudo e mais alguma coisa. Tem de existir uma cultura de prevenção e preparação, que os nossos antepassados tinham, e que se perdeu. Falem com pessoas antigas do campo, daquelas com mais de 80 ou 90 anos. Ainda ouvirão muitas a dizer que jamais teriam uma casa perto do mar ou de um curso de água! E que quando há vendaval, não se sai de casa… no Algarve, quando já havia água canalizada, os mais velhos continuavam a ter cisternas e poços, pois não se fiavam na rede pública… e tinham velas e mantimentos para situações de necessidade. Ainda conheci este mundo! Na serra algarvia, as povoações ficavam isoladas dias ou mesmo semanas, quando chovia muito no Inverno. As populações tinham de sobreviver com os mantimentos que tinham guardados para estas situações. Leguminosas, enchidos ou farinha para pão, lenha para a lareira e para cozinhar… em 1989 o meu avô ficou vários dias isolado num monte devido a uma cheia, pois tinha ido a um petisco e não ligou à previsão do tempo…
 
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Das nossas 180 empresas, tenho, neste momento, 170 sem telhado. Tenho 180 sem energia”, alertou o autarca, salientando o caso da Adelino Duarte da Mota. “É a principal produtora nacional de pasta para a indústria cerâmica, fornece toda a pasta cerâmica para as louças, para os revestimentos e para o chão, e 80% do mercado nacional do fornecimento para o mercado nacional da fileira cerâmica depende deles”,
O alerta deixado pelo presidente da Junta de Freguesia vem juntar-se ao da própria empresa. Na quinta-feira, à Lusa, o diretor da empresa já tinha dado conta de haver “danos estruturais que comprometem a operação, mas temos parte da unidade que está pronta para trabalhar, só precisamos de abastecimento de energia elétrica. E esse é, neste momento, o nosso maior drama. Temos clientes que estão na iminência de parar por deixarem de ser abastecidos pela matéria-prima que nós fornecemos e isso pode acontecer por não termos energia elétrica”, disse, já lá vão mais de 48 horas.

Explicando que a empresa dispõe de geradores, mas estes “não são suficientes para garantir a operação”, Fernando Nogueira Leite indicou, ainda nessas declarações de quinta-feira, que já estavam em curso contactos com a E-Redes.

Temos capacidade de operar mesmo em situações transitórias e provisórias de emergência,
-> https://eco.sapo.pt/2026/02/01/e-re...mpregos-acusa-autarca-de-pombal-uma-vergonha/

Traduzindo:

Empresa privada cujos planos de emergência mostram-se insuficientes para lidar com a situação critica e exige não só prioridade mas que os planos de emergência de outra empresa privada com responsabilidades nacionais impliquem a antecipação e acumulação de recursos com elevados custos para lidar com uma grande diversidade de ameaças com impactos muito distintos e com um período de retorno extremamente incerto.

Se a E-REDES fosse pública, o que não se diria. CTIs, exigência de demissões, apelos a indemnizações...
 
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Reactions: algarvio1980
A narrativa que Seguro irá fazer tudo para que os socialistas regressem ao poder é uma falácia ao nível de dizer que AV ou qualquer outro candidato ligado a um partido na 1a volta, o faria se ganhasse.

É apenas lume para dar mais uns votos a AV. E convenhamos... muitos que usam essa argumentação nem disfarçam a vontade que teriam de ver uma surpresa dia 8.
 
E num instante, o excedente do ano passado esfumou-se e ainda falta financiar o resto.

O cenário agrava-se, quando os apoios são insuficientes para recuperar os danos na sua totalidade e a atividade económica deverá continuar abaixo da normalidade durante tempo indeterminado.

 
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Novamente, se não for uma coisa será outra -> https://www.rtp.pt/noticias/politica/ventura-acusa-seguro-de-fazer-campanha-paralela_v1714900

Continuo a achar que vê bastantes discursos do Trump. 00:48 :D

kjz9o1tcwSis1OScYL0ze6sbpgkiw6lRynbtmjO9E-ZQET4WYslwDK52kIL_2nuTdSwrldAj8MzbVdOBjmvHYVpQcTV2wHZ_YmMoVCz7ThE8O0olCmfke-2fTBPKzVyp7eAg-uRtDjA1M2Zc4A75WZBDG1hD8Pp0BPef0frRt4zkHzTSxc0bNxVArbDDG_RNrijqe2ZqaHro5OmyhwTZAQBBSMESPafWxyZzhw
 


Despesa em PIB não é realista.

Pondo em perspetiva os 2500 milhões.

É tudo a bronquice habitual. Nada disto interessa porque o regresso do Sócrates está iminente!

Infelizmente daqui a algum tempo será certamente descoberta fraude (como em Pedrógão), mas há que ser realista. A pior coisa que um governo pode fazer neste momento é mencionar burocracia!

 
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A narrativa que Seguro irá fazer tudo para que os socialistas regressem ao poder é uma falácia ao nível de dizer que AV ou qualquer outro candidato ligado a um partido na 1a volta, o faria se ganhasse.

É apenas lume para dar mais uns votos a AV. E convenhamos... muitos que usam essa argumentação nem disfarçam a vontade que teriam de ver uma surpresa dia 8.

Não enganam ninguém.
 
O importante é continuar a instituir o medo no povo, porque povo amedrontado decide bem e de forma racional.



O povo precisa de quem o proteja, porque se não for protegido vão fazer-lhe mal. Espero que o futuro novo PR volte às suas origens ideológicas e dê 150€ a este homem para limpar as lágrimas.