tucha
Nimbostratus
Partilho com todos voçes um relato emocionado, de alguem que sigo há muito tempo nas redes sociais, e que escreve com uma profundidade incrivel e que me "toca" sempre seja qual for o assunto...
Ela mora nos arredores de Coimbra, trabalha num hospital como assistente de enfermagem...
Concordo com cada palavra do que diz...
"Relembro vezes e vezes o terror que senti na madrugada desta quarta-feira. Foi aterrador. Nada certamente comparado com o que sentiram as pessoas dos locais mais afectados. A minha casa sofreu danos no telhado à semelhança de milhares na região centro do país. Não fiquei sem tecto, como muitos ficaram. Apenas muitas telhas partidas. Com a chuva a não dar tréguas, isso significa água dentro de casa e estragos. Só hoje voltamos a ter energia eléctrica. Continuamos com falhas nas redes móveis de telecomunicações. A tempestade passou aqui entre as 5h30 e as 6h da manhã. Deixei a minha casa "ferida", às 7 h da manhã, mais cedo do que o habitual, para trabalhar às 8 h no meu local de trabalho. Tentei chegar a Coimbra por todos os caminhos que conhecia, em todos fui travada por árvores ou estruturas caídas. Coloquei-me em risco para chegar ao meu trabalho, para não falhar aos utentes. Consegui chegar ao meu trabalho às 9h30m da manhã. Comuniquei as causas do atraso e as consequências que a tempestade tinha causado na minha habitação. Saí às 16h, e quando cheguei a casa, apercebi-me dos reais estragos na habitação. Fui trabalhar novamente às 23 h. Sai ontem às 8 da manhã do turno. Chovia torrencialmente na rua. No meu sótão também. Não consegui descansar. Já tinha falado com algumas pessoas, familiares e amigos, no sentido de tentar ajuda para reparar os estragos. Mas como é óbvio, a maioria das pessoas da freguesia teve mais ou menos estragos, por isso cada um tentava reparar os respectivos danos. Se em situações normais é dificil arranhar pessoas especializadas nestas reparações , em situações críticas como esta, foi impossível. Durante a tarde de ontem andei eu mesma em cima do telhado a tentar minimizar os estragos. Não resolvi, mas minimizei.
O meu patrão é o Estado Português. Talvez tenha colocado a minha vida em risco naquela manhã para não falhar ao Estado Português. Aquele Estado que não quis saber se eu corri riscos naquela manhã ou se deixei a minha casa em risco para não lhe falhar. Aquele Estado que não quis saber se eu precisava de ajuda.
Eu não falhei naquela manhã ao meu patrão. Mas ele falhou-me. E está a falhar, mais uma vez, a milhares de pessoas afectadas por esta catástrofe. Muita força e coragem para a população da região centro afectada por esta tempestade. E não, não foi só a cidade de Leiria que foi afectada. Preocupam-me também os idosos por essas aldeias do interior do país, desprotegidos e sem conseguir contactar as famílias."..
Ela mora nos arredores de Coimbra, trabalha num hospital como assistente de enfermagem...
Concordo com cada palavra do que diz...
"Relembro vezes e vezes o terror que senti na madrugada desta quarta-feira. Foi aterrador. Nada certamente comparado com o que sentiram as pessoas dos locais mais afectados. A minha casa sofreu danos no telhado à semelhança de milhares na região centro do país. Não fiquei sem tecto, como muitos ficaram. Apenas muitas telhas partidas. Com a chuva a não dar tréguas, isso significa água dentro de casa e estragos. Só hoje voltamos a ter energia eléctrica. Continuamos com falhas nas redes móveis de telecomunicações. A tempestade passou aqui entre as 5h30 e as 6h da manhã. Deixei a minha casa "ferida", às 7 h da manhã, mais cedo do que o habitual, para trabalhar às 8 h no meu local de trabalho. Tentei chegar a Coimbra por todos os caminhos que conhecia, em todos fui travada por árvores ou estruturas caídas. Coloquei-me em risco para chegar ao meu trabalho, para não falhar aos utentes. Consegui chegar ao meu trabalho às 9h30m da manhã. Comuniquei as causas do atraso e as consequências que a tempestade tinha causado na minha habitação. Saí às 16h, e quando cheguei a casa, apercebi-me dos reais estragos na habitação. Fui trabalhar novamente às 23 h. Sai ontem às 8 da manhã do turno. Chovia torrencialmente na rua. No meu sótão também. Não consegui descansar. Já tinha falado com algumas pessoas, familiares e amigos, no sentido de tentar ajuda para reparar os estragos. Mas como é óbvio, a maioria das pessoas da freguesia teve mais ou menos estragos, por isso cada um tentava reparar os respectivos danos. Se em situações normais é dificil arranhar pessoas especializadas nestas reparações , em situações críticas como esta, foi impossível. Durante a tarde de ontem andei eu mesma em cima do telhado a tentar minimizar os estragos. Não resolvi, mas minimizei.
O meu patrão é o Estado Português. Talvez tenha colocado a minha vida em risco naquela manhã para não falhar ao Estado Português. Aquele Estado que não quis saber se eu corri riscos naquela manhã ou se deixei a minha casa em risco para não lhe falhar. Aquele Estado que não quis saber se eu precisava de ajuda.
Eu não falhei naquela manhã ao meu patrão. Mas ele falhou-me. E está a falhar, mais uma vez, a milhares de pessoas afectadas por esta catástrofe. Muita força e coragem para a população da região centro afectada por esta tempestade. E não, não foi só a cidade de Leiria que foi afectada. Preocupam-me também os idosos por essas aldeias do interior do país, desprotegidos e sem conseguir contactar as famílias."..
