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Troika indignada com tolerância de ponto da Função Pública

O problema de português é produtividade, não horas de trabalho/por trabalhador.

Em suma, o bens produzidos em portugal tem um valor/hora de trabalho muito menor do que a média europeia.

A Troika poderá estar indignada, e com razão, porque um país em dificuldade não pode dar sinais que não quer resolver a situação (mas como referi atrás, o prejuízo será diminuto), mas já há vários meses que temos sentido o mesmo pelo Governo e partidos de oposição.

Um partido político força a sua demissão de governo, outro força eleições e os outros metem a cabeça debaixo de areia.
 
Otelo nunca mais!

«Otelo Saraiva de Carvalho afirma que o país precisava hoje de um homem com a inteligência e a honestidade de Salazar, recusando a ideologia fascista do ditador»

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e agora?

segundo a sondagem hoje publicada pela eurosondagem, nenhum dos partidos chegará à maioria absoluta (mesmo ligando-se aos mais pequenos).
se o psd ganhar irá coligar-se ao CDS, mas a maioria é de esquerda
se o PS ganhar irá coligar-se com quem?
PS+ PCP + BE = 47/48% não atingem a maioria
PS+CDS também não dá maioria
maioria relativa?? alguem quer governar desta forma nesta altura? não me parece (nem o FMI iria achar muita piada)

portanto só resta uma solução PSD E PS entenderem e formar o governo, ou no dia das eleições o CDS aumentar mais 3% por centoe decidir com quem irá governar.
 
e agora?

segundo a sondagem hoje publicada pela eurosondagem, nenhum dos partidos chegará à maioria absoluta (mesmo ligando-se aos mais pequenos).
se o psd ganhar irá coligar-se ao CDS, mas a maioria é de esquerda
se o PS ganhar irá coligar-se com quem?
PS+ PCP + BE = 47/48% não atingem a maioria
PS+CDS também não dá maioria
maioria relativa?? alguem quer governar desta forma nesta altura? não me parece (nem o FMI iria achar muita piada)

portanto só resta uma solução PSD E PS entenderem e formar o governo, ou no dia das eleições o CDS aumentar mais 3% por centoe decidir com quem irá governar.

Na minha opinião, existe a seguinte transferência de sentido de voto:

- Se o CDS/PP sobe, o PSD desce, ou viceversa;
- Se o BE+PCP sobem, o PS desce, ou viceversa.

Ou seja, na realidade a luta vai ser apenas entre votos transferidos entre PS e PSD, e por ironia do destino, é bem provável que tenham de se entender para formar um governo PS/PSD! :)

Relativamente às "últimas" sondagens, segundo um artigo do jornal de notícias de ontem, a sondagem da marktest foi realizada 1semana depois do congresso do ps, daí que os resultados até ultrapassem o psd.

Na verdade o ps tem usado uma estratégia diferente, ao poupar os portugueses das medidas que necessárias para o futuro. O psd revela uma estratégia mais imatura, levantando o véu aqui e ali, do que aí vem de medidas, e isso tem prejudicado bastante a sua popularidade.

Na verdade, o que os portugueses gostam é de votar em que lhes promete mais, preferem ser enganados, não gostam de grandes detalhes ou explicações para as dificuldades, está mais que demonstrado!

A tendência de voto é a seguinte:
O partido que mais se pronunciar sobre medidas severas irá perder, em detrimento daquele que mais promessas suaves fizer!
 
Paulo H, este último post seria exatamente o que penso da atualidade política em Portugal, é interessante que por vezes lemos textos que traduzem imagens que "vemos" e que sem que as tivéssemos exposto, alguém parece antes ter-nos lido o pensamento e ter-se adiantado! :D
 
Ele era fantástico em campanha, mas foi despedido

Em 2009, houve grande disputa pelo troféu das Finanças. Agora foi vítima de despedimento sumário

Quem foi o ministro mais talentoso nos comícios da campanha do PS de Setembro de 2009? Fernando Teixeira dos Santos, um independente da "casa", desejadíssimo para número 1 do Porto e na altura só afastado do lugar cimeiro porque Alberto Martins, então líder parlamentar, ameaçou ficar fora das listas se o lugar de nº 1 do Porto não lhe fosse entregue. Teixeira dos Santos era tão bom, tão bom, nas lides partidárias que foi dos raros a ser cabeça-de-cartaz em dois comícios - no gigantesco do Porto, onde acabou como número 2 da lista, e no comício de Viseu.

E só não foi o melhor orador do Porto porque estava lá Mário Soares.

No palco dos comícios, Teixeira dos Santos estava como peixe na água e parecia que tinha dedicado a vida toda a subir a palanques para mobilizar militantes. Em Viseu, dizia ter chegado a hora de "recordar Zeca Afonso" e gritava "Traz outro amigo também", apelando ao voto no PS. "Há vida para além desta crise! Há futuro para além desta crise!" era entoado a plenos pulmões pelo ministro naqueles dias de Setembro e a terrível ironia foi o seu futuro político ter sido liquidado na sequência da crise.

Como qualquer político, apelava ao imaginário heróico local: em Viseu socorria--se de Viriato, como no Porto da revolução liberal. "Estou em Viseu, terra de Viriato. É em honra de Viriato que nos apresentamos ao eleitorado, respeitando a palavra dada e os compromissos assumidos".

No Porto, a lista de feitos mitológicos era mais longa: no "distrito de gente laboriosa e generosa", Teixeira dos Santos lembrava como o Porto "deu o seu nome ao país, Portucale" entre variados heroísmos. "Nós demos o nosso melhor quando o país se abalançou na expansão para África. Ficámos com as tripas e somos tripeiros com muito orgulho! Vertemos o nosso sangue para resistir às invasões francesas! Estivemos com a revolução liberal e ao lado do combate político pela liberdade e democracia a seguir ao 25 de Abril!".

A Teixeira dos Santos coube o papel de denunciar "a esquerda radical", nomeadamente o seu amor pelas nacionalizações. Foi o grande combatente da proposta do Bloco de Esquerda de acabar com os benefícios fiscais dos PPR. "Este é o ataque fiscal mais forte de que há memória! Não é uma pedrada! É um verdadeiro bloco atirado às famílias e à classe média portuguesa!".

Teixeira dos Santos prometia no comício do Porto que o PS não teria medo de esconder a sua face aos eleitores. "Temos de assegurar ao país um sistema financeiro robusto e estável". Nessa altura, ainda todo o governo, a começar pelo ministro das Finanças, acreditava em fadas. "Ganhámos o respeito internacional. Os resultados estão à vista. O caminho que escolhemos é o caminho certo. Há que prosseguir este caminho!".

Tudo acabou na quarta-feira de cinzas do FMI, quando o ministro enfrentou Sócrates e anunciou sozinho o iminente pedido de resgate.

i

Então e agora quem vai negociar com o FMI ? Mais um belo sinal para os mercados. :shocking: :surprise:
 
Ele era fantástico em campanha, mas foi despedido



Então e agora quem vai negociar com o FMI ? Mais um belo sinal para os mercados. :shocking: :surprise:

Enquanto sobrarem uns trocos para pagar os ordenados, e houver crédito nos hospitais, os partidos ainda têm folga para brincar com os portugueses tipo "não fui eu que mandei vir o FMI, por isso não vou reunir, nem assumir nenhum compromisso". Ah, mas podem ter a certeza que se faltar o dinheirito e o caos se instalar, de certeza que acordam! Ou não fossem todos eles pagos por nós!!

A ninguém agrada ter de negociar medidas austeras com o FMI, mas sem eles o dinheiro acaba já.

A forma como o FMI chegou cá e começou a por plano em marcha, até me impressionou:
Fase 1-Ouvir os partidos com assento parlamentar, os sindicatos, o patronato, o presidente da república e do banco de portugal.
Fase 2-Análise técnica: Obter os números da economia, a dívida, os compromissos futuros, todos os indicadores.
Fase 3-Negociação política
Fase 4-Implementação do plano de ajuda

Será que nós portugueses não poderíamos ter feito o mesmo que eles?? A resposta é SIM NOS PODEMOS! Porque não se fez? Porque não é do interesse partidário fazê-lo, pois a lógica partidária manda esconder números ou por do lado da oposição pensar que quanto pior tanto melhor para nós, tipo "deixem-nos afundar ainda mais, depois somos nós os salvadores". E até o presidente da república se vem desculpar pela sua margem pequena de manobra "ao governo compete governar, ao presidente compete assegurar o funcionamento das instituições".

Nada mais errado, todos têm culpa! E há algum tempo atrás, alguém propos que se alterasse a constituição, no sentido de impedir que os governos ultrapassassem um patamar/valor de dívida/défice. Mas ninguém quis aceitar! Tal medida decerto evitaria as desculpas do presidente, obrigaria-o a fazer cumprir a constituição e obrigar os meninos a entenderem-se, tal e qual nos mesmos moldes com que o FMI actua, bem simples:
1.Ouvir
2.Obter números
3.Negociar
4.Implementar medidas

O que o FMI faz também nós o saberiamos fazer, com uma constituição adequada!

Mesmo assim, alguns partidos alegam que não é correcta a forma como o FMI nos põe a negociar. Chamam-lhes tecnocracia! Preferem então os nossos partidos fazer política sem olhar aos números? Talvez por isso estamos como estamos, falidos!
 
Se eu fosse estratega do PSD:

- teria aprovado o PEC IV, pois já se sabia que a vinda do FMI era uma questão de poucos meses;

- após o pedido de ajuda, que Teixeira dos Santos seria obrigado a fazer, atacaria o PS culpando-o pela vinda do FMI e pelas medidas de austeridade;

- já na campanha eleitoral, não abordaria as medidas difíceis e impopulares, mas apenas reformas consensuais que o PS não fará, na Justiça, Educação e Ensino Superior, e medidas que contam com o apoio popular, como o cancelamento das grandes obras públicas.

Pedro Passos Coelho é imaturo e desprovido do maquiavelismo necessário para lidar com a poderosa máquina do «polvo» socialista. Só tem dado tiros no pé, como sucedeu com a questão da reforma constitucional, ou quando aborda medidas mais «liberais» que carecem do apoio da larga maioria da população. Por isso, não admira que o PS esteja a subir nas sondagens.
 
Se eu fosse estratega do PSD:

- teria aprovado o PEC IV, pois já se sabia que a vinda do FMI era uma questão de poucos meses;

- após o pedido de ajuda, que Teixeira dos Santos seria obrigado a fazer, atacaria o PS culpando-o pela vinda do FMI e pelas medidas de austeridade;

- já na campanha eleitoral, não abordaria as medidas difíceis e impopulares, mas apenas reformas consensuais que o PS não fará, na Justiça, Educação e Ensino Superior, e medidas que contam com o apoio popular, como o cancelamento das grandes obras públicas.

Pedro Passos Coelho é imaturo e desprovido do maquiavelismo necessário para lidar com a poderosa máquina do «polvo» socialista. Só tem dado tiros no pé, como sucedeu com a questão da reforma constitucional, ou quando aborda medidas mais «liberais» que carecem do apoio da larga maioria da população. Por isso, não admira que o PS esteja a subir nas sondagens.

Concordo em absoluto contigo, não poderia ter dito melhor! :)

Acredito que a estratégia imatura do passos coelho, se deveu por um lado pelo apoio de todos os restantes partidos da oposição na hora de chumbar o pec4, mas principalmente devido a alguma instabilidade interna no partido, digamos assim..

Mas correcto, essa seria a melhor estratégia, vinda de pessoas simples mas observadoras como todos nós.

E nem era preciso esperar uns meses pelo pedido de ajuda ao FMI! O pedido não podia ter sido mais adiado, mesmo com a aprovação do pec4 seriam mais 15dias ou 1mês no máximo!

A verdade é que todos os partidos sabem que o pedido pecou por tardio, todos se lembram do Teixeira dos Santos anunciar que se demitia se o juro da dívida tocasse nos 7%, ora já passou desses 7% há mais de 6 meses!! Era nessa circunstância que deveria ter sido feito o pedido de ajuda, mas tal não aconteceu, ninguém se demitiu, e as eleições para presidente da república apenas complicaram aquilo que era inevitável, a dissolução da assembleia da república! Por muito, mas muito menos foi
dissolvido o governo de santana lopes.

A crise mundial não é tudo, de todos os países no mundo, quantos estão a ser assistidos pelo FMI? Na europa são apenas 3.. A culpa também é da governação, ninguém se iluda! Também podemos culpar as agências de rating e com alguma razão, contudo, tal também se deve a que tenhamos ultrapassado um nível de dívida nunca antes visto na história de portugal!

Quem não deve não teme, e o poder negocial com os credores (se é que existe), é proporcional à nossa capacidade de pagar a dívida. É assim com as pessoas, também o é com as empresas, também assim é com os estados!
 
Défice de 2010 revisto em alta para 9,1%

Parcerias público privadas motivam revisão em alta do défice do ano passado de 8,6 para 9,1% do PIB, anunciou hoje o INE.

As negociações em curso com a ‘troika’ precipitaram uma revisão em alta do défice português do ano passado. O Instituto Nacional de Estatística (INE) reviu hoje, a um sábado, o défice de 2010 para 9,1% do PIB, devido ao impacto de três contratos de parcerias público privadas (PPP).

No final de Março, o défice do ano passado tinha sido calculado em 8,6% devido a novas regras metodológicas do Eurostat que obrigaram ao reconhecimento das perdas com o BPN e o BPP e à integração de algumas empresas de transportes no perímetro das administrações públicas. Sem esse efeito, o défice teria ficado em 6,8%.

O valor oficial hoje divulgado – 9,1% do PIB – está muito longe do objectivo traçado pelo governo para esse ano, de 7,3%. A meta não foi conseguida mesmo com a integração do fundo de pensões da Portugal Telecom (PT) no universo estatal. O rácio dívida pública/PIB também foi revisto para 93%.

"Nos termos dos regulamentos da União Europeia, em 22 de Abril [sexta-feira], o INE enviou ao Eurostat uma revisão da primeira notificação de 2011 relativa ao Procedimento dos Défices Excessivos (PDE). A revisão efectuada determinou um aumento da necessidade de financiamento e da dívida das Administrações Públicas, respectivamente, em 0,5 e em 0,6 pontos percentuais do PIB em relação aos valores apurados para 2010 na notificação inicial", revela hoje o INE em comunicado.

O défice de 2009 ficou calculado em 10,1% do PIB. Em 2008 o saldo negativo foi de 3,5% e em 2007 de 3,1%.

Pedido de ajuda precipita revisão

No mesmo documento, o INE explica que havia “um conjunto de questões” técnicas em relação a 2010 que já tinham sido discutidas com o Eurostat e cuja análise deveria reflectir-se no Reporte de Outubro. No entanto “na sequência do pedido de ajuda externa apresentado por Portugal, houve necessidade de antecipar aquele calendário com o objectivo de compilar dados estáveis para 2010, que constituíssem o ponto de partida para as negociações em curso”.

Desse conjunto de questões houve apenas uma que obrigou a alterações no cálculo do défice: parcerias público privadas. “O INE e o Eurostat procederam a uma análise urgente daquelas questões, tendo sido todas elas clarificadas sem haver necessidade de se proceder a revisões com a excepção do tratamento a dar a contratos envolvendo Parcerias Públicas Privadas (PPP)”.

Juntamente com o Eurostat , o INE concluiu que três desses contratos, “(dois dos quais correspondendo a contratos renegociados de ex-SCUT) não têm a natureza de contratos PPP em que o investimento realizado é registado no activo do parceiro privado. Naqueles três contratos, os utilizadores estão sujeitos a um pagamento pelos serviços prestados numa proporção significativa relativamente ao pagamento de disponibilidade desses serviços pelas Administrações Públicas (que integram, em Contas Nacionais, a Empresa Pública Estradas de Portugal) à contraparte privada.

Fonte: DE

Será que é mesmo 9.1% será? Será que não é 10 ou 11%? Vamos ver quantas mais revisões vão ser feitas. Este é o 1º esqueleto que saiu dentro do armário, existem muitos mais. :D
 
“Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, – reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.”

Guerra Junqueiro
 
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