O Estado do País

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Os comentários que fiz relativamente a Álvaro Cunhal não o desculpam para o descalabro que o PCP atirou o país durante o gonçalvismo. No entanto, acredito que os reaccionários afectos ao PCP não conseguiram-se impor, uma vez que o país esteve mesmo à beira de uma guerra civil. O facto do PCP (liderado por Álvaro Cunhal) ter sempre reconhecido os actos eleitorais foi um contributo decisivo para a estabilização da democracia em Portugal.

David, excelente leitura dos factos; Soares foi de facto um grande defensor do sistema democrático e o principal inimigo dos objectivos do PCP (a ele também se ficam a dever ligações aos grupos pró-americanos e penso também à maçonaria). Soares também faz-me também lembrar as manifestações da fome que percorreram um pouco por todo o país; também teve a feliz ideia de levar Portugal para a CEE. Mas Soares sempre foi um homem cheio de contradições; lembram-se do caso de Macau? Uma das mais tristes histórias da democracia portuguesa, protagonizada por pessoas influentes ao PS de Mário Soares.

Leituras complementares sobre escândalos ligados a Mário Soares: aqui, aqui (2ª parte do texto) e aqui

José Durão Barroso - Capacidade de adaptação e incapacidade de decisão (Análise Social , vol. XX, pág. 453 a 465)
 
O grosso da comunicação social não deu nenhum destaque às críticas dos técnicos do FMI e da UE. Até ao momento, não foi anunciada nenhuma reforma estrutural profunda que permita cortes avultados nas despesas do Estado. Tudo indica, por exemplo, que não haverá a extinção das empresas municipais ou de concelhos. Uma reforma desta cariz demoraria vários meses a ser executada, pois entraria em vigor dentro de dois anos, nas próximas eleições autárquicas. Portanto, já deveria estar a ser pensada. Os fidalgos do século XXI, uma certa casta de funcionários públicos, continua intocável.

Repito a nossa situação. Portugal declarou bancarrota parcial em 1892. Em 1910, a Monarquia cai. Seguem-se anos de desastre financeiro e económico. Quando Salazar se torna Ministro das Finanças, Portugal tinha uma das mais altas taxas de analfabetismo da Europa, e o nosso PIB era 50% do PIB médio dos nossos parceiros europeus mais desenvolvidos. A partir de meados dos anos 50, Portugal teve um crescimento económico extraordinário, que durou até ao dia 24 de Abril de 1974. No marcelismo, o país chegou a crescer 10% durante um ano.

Com o PREC, a nata empresarial do país foge para o estrangeiro. O FMI entra cá duas vezes. Mesmo assim, a economia cresce. Mas começa então uma nova escalada da dívida externa, até aí insignificante, depois da correcção feita pelo Estado Novo. Cavaco Silva torna-se Primeiro Ministro, e da CEE, começa o dinheiro a cair do céu. As pescas, a indústria, a agricultura, tudo é desmantelado. O crescimento da construção civil, do comércio e da função pública permitem que o desemprego seja inferior a 5% durante o guterrismo. A dívida externa continua a crescer.

De 2000 até hoje, o país praticamente estagnou. Não há crescimento económico sensivelmente há dez anos. A nossa dívida externa é superior a 240% do nosso PIB. Combinando a dívida do Estado, das empresas municipais e públicas, podemos estar a falar de uma dívida superior a 125% do nosso PIB. Simultaneamente ao crescimento do Estado e dos parasitas que dele dependem (escritórios de advogados, serviços de saúde, empresas de construção civil e obras públicas, etc.) o crescimento económico do país estagnou.

Sem um tecido económico dinâmico, que sustenha um crescimento económico elevado, só resta ao Estado cortar na despesa. Mas parece que por enquanto, o Estado decidiu aumentar impostos. Significa isto o quê?

Entre a bancarrota parcial de 1892 e a chegada de Salazar ao poder, passaram mais de trinta anos. Se agora estamos no fundo do poço, poderemos continuar a escavar, e a ficar cada vez mais no fundo. Para já, além de aumentar impostos, transportes públicos e cancelar obras públicas desnecessárias, este Governo não mexeu substancialmente na causa da doença. Assim, o caminho para o abismo continua.

Há quem afirme que, considerando a nossa dívida e o nosso PIB, provavelmente estamos ao nível dos anos 90. Mas nos anos 90 os portugueses, nem o Estado, gastavam tanto. Assim, há aqui uma contradiçao preocupante. Neste momento, o nosso PIB é cerca de 65% do PIB dos nossos vizinhos da Europa Ocidental. Não evoluímos assim tanto desde 1928. Nem evoluiremos. O nosso problema mor é acima de tudo cultural. E está por resolver há séculos.
 
(...) Até ao momento, não foi anunciada nenhuma reforma estrutural profunda que permita cortes avultados nas despesas do Estado. Tudo indica, por exemplo, que não haverá a extinção das empresas municipais ou de concelhos. (...)

Bem, não exageres !!! Ainda há dois dias o Ministro das Finanças anunciou a redução de 9 % do orçamento de cada Ministério no próximo ano (algo de inédito nos últimos 50 anos em Portugal) e na redução para metade das empresas municipais.

E, já agora, para que serve a Entidade Reguladora para a Comunicação Social, quando quase tudo o que produzem serve apenas para ir para o caixote do lixo. Tantos milhões e milhões de euros que serviam para apoio social e, afinal, servem para pagar vencimentos de gente que todo o país dispensa. Está visto que estes senhores não têm absoluta vergonha como executam as suas funções públicas.
Este é um exemplo de um organismo que já devia ter sido liquidado há muitos anos.
 
SALÁRIO MÍNIMO NA EUROPA:
Suíça - 2916 €
Luxemburgo - € 1.757,56 €
Irlanda - 1.653 € ......
Bélgica - 1.415,24 €
Holanda - 1.400 €
França - 1.377,70 €
Reino Unido - 1.035 €
Espanha - 748,30 €
Portugal - 485 €

Parecem reais... A UE é que não o é...
 
Bem, não exageres !!! Ainda há dois dias o Ministro das Finanças anunciou a redução de 9 % do orçamento de cada Ministério no próximo ano (algo de inédito nos últimos 50 anos em Portugal) e na redução para metade das empresas municipais.

E, já agora, para que serve a Entidade Reguladora para a Comunicação Social, quando quase tudo o que produzem serve apenas para ir para o caixote do lixo. Tantos milhões e milhões de euros que serviam para apoio social e, afinal, servem para pagar vencimentos de gente que todo o país dispensa. Está visto que estes senhores não têm absoluta vergonha como executam as suas funções públicas.
Este é um exemplo de um organismo que já devia ter sido liquidado há muitos anos.


Para já só acredito quando as medidas forem aplicadas!

Hoje estive em Vila Real de Santo António, pela tarde. O centro da cidade, que corresponde ao antigo perímetro da vila há 15 ou 20 anos, está meio abandonado. Muitos edifícios desabitados, à venda, outros a ruir, com qualidade estética. O comércio aparenta estar moribundo.

Por outro lado, os terrenos das antigas fábricas deram lugar a extensas urbanizações. As hortas que rodeavam a antiga vila, agora cidade, ou estão abandonados, ou deram lugar a novas urbanizações. O espaço urbano, muito provavelmente, duplicou nos últimos dez a vinte anos, mas a população permanece praticamente estagnada.

Na estrada que liga a Aldeia Nova a VRSA, muitos terrenos estão com estulhos e há pequenas lixeiras a céu aberto. A paisagem, outrora bela com as hortas de citrinos, casas típicas, pinhais e sapais, deu lugar a lixo, árvores secas e betão sem qualquer bom gosto ou qualidade arquitéctonica. O desordenamento urbanístico é vergonhoso.

Mas está tudo bem.
 
Essa lista não diz absolutamente nada, e eu por acaso até sou natural do 2º país dessa lista. Quer a Suiça quer o Luxemburgo, por muito bom que seja o nível de vida deles, aquilo é assente num castelo de areia das finanças internacionais. Até admira não terem ido na enxurrada da crise actual. Um dia mais tarde esfuma-se tudo, como em parte sucedeu agora com a Irlanda.

Aquilo que nós procuramos como modelo económico não são esses exemplos de paraísos fiscais e dinheiro fácil, são outros, temos que produzir, exportar, inovar.

O que sei é que na Suiça quem vare o chão, ganha talvez mais que 90% daqueles que participam neste fórum. Na UE... Que nunca, nunca será EUA nem uma federação.
 
Essa lista não diz absolutamente nada, e eu por acaso até sou natural do 2º país dessa lista. Quer a Suiça quer o Luxemburgo, por muito bom que seja o nível de vida deles, aquilo é assente num castelo de areia das finanças internacionais.

Estive na Alemanha e na Suiça em 2009; fiquei na dúvida se nesses dois países não haveria mais mendigos pedintes nas ruas do que cá em Portugal (falo nas grandes cidades).

(...) Hoje estive em Vila Real de Santo António, pela tarde. O centro da cidade, que corresponde ao antigo perímetro da vila há 15 ou 20 anos, está meio abandonado. Muitos edifícios desabitados, à venda, outros a ruir, com qualidade estética. O comércio aparenta estar moribundo. (...)

Pois, vai lá perguntar aos donos desses edifícios por quando os vendem; a pouco e pouco algumas cidades portuguesas vão-se transformando em autênticas cidadelas cubanas, mas lá havia uma razão: era mesmo proibido vender.

O que sei é que na Suiça quem vare o chão, ganha talvez mais que 90% daqueles que participam neste fórum. (...)

Pois, mas os bens essenciais também custam o dobro ou triplo do que custam em Portugal. Há uma falsa ilusão pensar que países com elevados rendimentos per capita são também os que têm melhor nível de vida (IDH).
 
Mais de 300 portugueses com poucos recursos económicos receberam cuidados médicos em Havana

Mais de trezentos portugueses com poucos recursos económicos viajaram até Havana, Cuba, onde receberam cuidados médicos, tendo regressado a Portugal, noticiou hoje a televisão estatal cubana.

Cuba_Havana_AP.jpg


Sem precisar em que circunstâncias e quando estes portugueses viajaram a Havana, o canal Cubavisión noticiou que recentemente vários portugueses "agradeceram a Cuba por lhes devolver a saúde" durante uma jornada promovida pela Sociedade José Marti, em Portugal. A jornalista da televisão cubana, Leslie Salgado, começou por divulgar imagens de Luís Filipe, uma criança que hoje "brinca sem dificuldades na Praça Marquês de Pombal de Vila Real de Santo António", vincando que "é um dos mais de 300 portugueses que chegaram a Cuba à procura de uma resposta para os seus problemas de saúde".
"O vitiligo agora quase impercetível era há anos muito evidente", explica a jornalista referindo-se ao caso de Luís Felipe. O vitiligo, também conhecido como leucoderma, é uma doença que se carateriza pela despigmentação da pele, cuja causa não está esclarecida.
Em declarações à Cubavisión, a portuguesa Ana Paula Santos, mãe de Luís Filipe, explica que "há um programa de saúde em Vila Real de Santo António" que conta com o apoio da Sociedade José Martí. "Inscrevi-me e mandaram-me para Cuba com o menino, fui à procura de um tratamento que não encontrei (em Portugal)", disse.
Ana Alexandra de Oliveira explica que foi a Cuba "em cadeira de rodas, com uma hérnia discal, foi operada a 18 de junho do ano passado e no dia 19 começou a andar muito bem". Também Ermelinda Mendez explica que levou o filho a Havana para "uma operação" a uma doença "que em Portugal já não tinha cura". "Já não tinha tratamento, ia ficar numa cadeira de rodas. Em Cuba, o meu menino fez uma operação rapidíssima e ficou maravilhoso", disse.
Segundo a Cubavisión, "os vínculos entre a Sociedade Cultural José Martí e a Câmara Municipal de Vila Real de Santo António devolveram a felicidade a alguns dos seus cidadãos, a pessoas com poucos recursos que têm sido atendidas por vários especialistas em Cuba". Por outro lado, a conselheira de assuntos sociais, Sílvia Duruo López, explica que os portugueses "tanto a nível dos olhos, como de ortopedia e dermatologia, têm obtido resultados muito bons".
A reportagem da televisão cubana conclui explicando que "através do conceito martiano de irmandade entre os povos, levou-se um pouco de Cuba a Portugal", onde "as duas Casas do Avô José Marti, a coleção da edição crítica das obras completas do apóstolo e a felicidade de Luís Filipe, falam desse fruto doce que abre portas e devolve vidas".

Fonte: SIC Notícias

Frederico, qual o teu comentário? :D
 
Lendo sobre a pouca vergonha que vai acontecer dentro de dias em Madrid no decurso de um espectáculo de culto religioso privado financiado com dinheiro público, leva-me a pensar que Portugal devia acabar imediatamente com as relações de favor que mantém com o Estado do Vaticano. A crise é para todos. :cool:
 
Lendo sobre a pouca vergonha que vai acontecer dentro de dias em Madrid no decurso de um espectáculo de culto religioso privado financiado com dinheiro público, leva-me a pensar que Portugal devia acabar imediatamente com as relações de favor que mantém com o Estado do Vaticano. A crise é para todos. :cool:

É capaz de necessitares de te informar bem... Parece que o Estado com pouco colabora...
 
Lendo sobre a pouca vergonha que vai acontecer dentro de dias em Madrid no decurso de um espectáculo de culto religioso privado financiado com dinheiro público, leva-me a pensar que Portugal devia acabar imediatamente com as relações de favor que mantém com o Estado do Vaticano. A crise é para todos. :cool:

Agreste, seja específico e não alimente dúvidas ... Extremamente lamentável as suas primeiras palavras :lmao: A sua mensagem em nada explicita que as relações do nosso país com o Vaticano sejam prejudiciais para Portugal. Se se refere a razões de ordem especificamente religiosas, então deve abrir outro tópico e discutir esse assunto mas de uma forma explicita e fundamentada.
 
Lendo sobre a pouca vergonha que vai acontecer dentro de dias em Madrid no decurso de um espectáculo de culto religioso privado financiado com dinheiro público, leva-me a pensar que Portugal devia acabar imediatamente com as relações de favor que mantém com o Estado do Vaticano. A crise é para todos. :cool:

Vergonha é aquilo que você aqui escreveu, até está a ir contra os seus camaradas de 'armas', não sei se sabe, mas a maioria dos católicos praticantes e devotos não está no CDS, mas antes no PCP.
 
Lendo sobre a pouca vergonha que vai acontecer dentro de dias em Madrid no decurso de um espectáculo de culto religioso privado financiado com dinheiro público, leva-me a pensar que Portugal devia acabar imediatamente com as relações de favor que mantém com o Estado do Vaticano. A crise é para todos. :cool:

As suas palavras ofendem a maioria da população Portuguesa. Este destilar de ódio que alguns "esquerdistas" apresentam pela igreja católica é no mínimo "suí generis". Felizmente que nem todos são assim. Conheço por exemplo inúmeros militantes do PCP católicos sendo que além disso são milhares os católicos que "alimentam" nas urnas esse partido com o seu voto.

Podia aqui falar dos milhões de pessoas que a igreja ajuda pelo mundo fora, mas não discuto isso com pessoas que deliberadamente não a respeitem. Para mim estão abaixo de consideração que qualquer ateu ou agnóstico... Porque com esses ainda é possível ter excelentes conversas.
 
Essa maioria da população portuguesa católica não lê a bíblia nem frequenta os templos. Não são por isso católicos.

O que se passa é que os transportes urbanos de Madrid foram aumentados em 50% no preço dos bilhetes devido à crise durante os dias normais de trabalho. Quando o indivíduo do vaticano for lá fazer o seu espectáculo privado passam a ser gratuitos.
 
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