No final da reunião com os representantes da 'troika' (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional), hoje em sede de Concertação Social, os dirigentes da CGTP, da UGT, da CCP, da CIP e da CAP afirmaram que não tiveram "qualquer resposta" por parte dos credores internacionais, que terão alegado que não tinham "informação suficiente", uma vez que era a primeira visita que faziam ao país.
Subir Lall, do FMI, e Sean Berrigan, da Comissão Europeia, juntaram-se agora pela primeira vez à missão da 'troika' em Portugal, mantendo-se apenas o representante do Banco Central Europeu, Rasmus Ruffer, que está desde o início do Programa de Assistência Económica e Financeira (PAEF) a acompanhar a situação portuguesa.
Arménio Carlos (Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses, CGTP), João Vieira Lopes (Confederação do Comércio e Serviços de Portugal, CCP) e António Saraiva (Confederação Empresarial de Portugal, CIP) deram conta de que o responsável da Comissão Europeia, Sean Berrigan, insistiu nos bons resultados do atual programa de ajustamento em Portugal. "O responsável da Comissão Europeia disse que o programa causou melhorias na economia portuguesa e que esta política está no bom caminho", referiu aos jornalistas António Saraiva, da CIP, após a reunião com os elementos da 'troika'.
Já João Vieira Lopes, da CCP, considerou que Sean Berrigan, da Comissão Europeia, foi o que apresentou "uma posição mais rígida" em relação à evolução da situação portuguesa. "O representante da Comissão Europeia foi sempre o elemento mais rígido na apreciação" da situação atual da economia portuguesa e do programa de ajustamento, afirmou Vieira Lopes.
Entre os elementos que os parceiros sociais apresentaram à discussão estava o aumento do salário mínimo, a flexibilização do défice, a legislação laboral e a adoção de um programa cautelar no período pós-'troika', sendo que tanto os sindicatos e como os patrões saíram da sala sem respostas.
Lucinda Dâmaso, da União Geral de Trabalhadores (UGT), disse mesmo que "não houve respostas nem verbais nem gestuais", mas afirmou que não estava à espera de um encontro diferente e prometeu que não vai aceitar a perda de direitos dos trabalhadores.
Arménio Carlos, da CGTP, que classificou o encontro como "surrealista" e "uma encenação", destacou "a insensibilidade e a postura de robô" dos elementos da 'troika'. Do lado das estruturas patronais, António Saraiva, da CIP, disse que a 'troika' vinha "com a lição estudada para manter o silêncio", acusando os responsáveis de "desresponsabilização". "O silêncio já é marca da 'troika', não estranho o silêncio, falo é da desresponsabilização", reiterou.
Para a CCP, a reunião foi "claramente negativa", tendo o presidente da organização, Vieira Lopes, afirmado que não houve "qualquer indício de que haja abertura". "Pelo contrário, o responsável da Comissão insistiu que a fórmula estava certa", acrescentou.
Já João Machado, da CAP, considerou que se tratou de "mais de um monólogo do que de troca de impressões". "Não me parece que haja grande flexibilidade para alterar os parâmetros do programa, mas isso não foi dito textualmente", disse João Machado, considerando que a falta de diálogo por parte da 'troika' não se deveu a uma "falha na passagem de testemunho".
"É propositado para deixar menos margem de manobra ao Governo. É uma posição concertada com quem manda na 'troika' em Portugal", adiantou.