O Estado do País

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Estado
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Isso é de facto um problema dos países capitalistas, liberais (ou mesmo socialistas como o nosso país).

Noutros países, ditos comunistas, o que acontece é do género:

Classe operária, com emprego, mas ganha quase nada:
- Pai, hoje não comemos pão?
- Não, quando chegamos já não havia pão.

Sem emprego, vivem de alguma agricultura, ou biscates aqui e ali:

- Pai, hoje não comemos pão?
- Não, se bem te lembras, já comemos pão esta semana. E além disso, deviamos poupar para trocar os nossos produtos da horta por dólares dos turistas.
 
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O comunismo , nao estou a falar da esquerda em geral que tem o seu lugar , e um sistema que foi aplicado em diversos paises e falhou . Mas continua a existir gente que quer virar o disco e tocar o mesmo , nao compreendo . , a serio que nao compreendo .
 
o problema não são as ideias mas quem as usa em seu favor e nunca nada vai funcionar a 100% os políticos vivem num mundo a parte, para eles eu tu e o resto são números eles nem pensam bem nas consequências é psicopatia ( falta de empatia para com o outro)
 
O fascismo fiscal segue a sua marcha em Espanha e milhares de residentes comunitários estão a sair do país. Ingleses, alemães, holandeses, estão a vender a sua habitação em Espanha devido aos impostos altos. Aqui está uma oportunidade de ouro que poderia trazer muito dinheiro a Portugal! Deveríamos ser um paraíso fiscal, uma espécie de Malta em ponto grande... mas o socialismo da AR bloqueia o país!

:lmao::lmao::lmao::lmao:

De donde sacas estas tonterías???

FAscismo fiscal?? Residentes que marchan?
 
:lmao::lmao::lmao::lmao:

De donde sacas estas tonterías???

FAscismo fiscal?? Residentes que marchan?

Pelo menos 90.000 no ano passado:

According to the latest statistics, however, the Spanish sueño isn’t all it once seemed – as expats return to Britain in their droves. Nearly 90,000 abandoned their Mediterranean dream last year, with town hall registers across Spain recording a 23 per cent drop in expats since January 2013. And it’s not only Brits who are heading home: the German and French populations also fell, with Chinese the only nationality increasing their presence in the country.

Local estimates put the figures even higher, with reports in English language newspaper The Olive Press suggesting that some 20,000 Brits want to leave the Costa del Sol alone. Across other areas popular with UK expats, there could be as many as 50,000 more hoping to head home. The real figures might be even higher, experts add, but for the number of people who can’t sell their properties in the current economic climate.

http://www.telegraph.co.uk/news/features/10782662/Has-the-sun-set-on-the-expat-dream-in-Spain.html

Crise financeira, poucos empregos, valor das casas que diminuiu etc etc
 
O fascismo fiscal segue a sua marcha em Espanha e milhares de residentes comunitários estão a sair do país. Ingleses, alemães, holandeses, estão a vender a sua habitação em Espanha devido aos impostos altos. Aqui está uma oportunidade de ouro que poderia trazer muito dinheiro a Portugal! Deveríamos ser um paraíso fiscal, uma espécie de Malta em ponto grande... mas o socialismo da AR bloqueia o país!

tens q estar +atento.

Portugal se convierte en el nuevo paraíso fiscal para jubilados extranjeros
http://www.elconfidencial.com/mundo...iso-fiscal-para-jubilados-extranjeros_151747/

Le Portugal, nouveau paradis fiscal pour retraités français
http://www.lefigaro.fr/retraite/201...au-paradis-fiscal-pour-retraites-francais.php

Quem é que contribuiu mais para a venda de casas de luxo em Lisboa? François Hollande
http://www.jornaldenegocios.pt/empr...asas_de_luxo_em_lisboa_francois_hollande.html

Imposto de Hollande anima mercado algarvio
http://www.publico.pt/economia/noticia/imposto-de-hollande-anima-mercado-algarvio-1619213

Casal filipino ganha visto gold com a criação de 157 empregos
http://www.jornaldenegocios.pt/empr...visto_gold_com_a_criacao_de_157_empregos.html
 
Pessoalmente, não sei como é que simpatizantes/militantes do PSD criticam o PS pela bancarrota do país quando a sua própria "cor" fez o mesmo na Madeira.

Tb tens q estar + atento. jardinismo tem vindo a perder eleicoes, pq sera'?. menezes no Porto levou surra epica d eleitores psd contra despesismo. jardim anda a passear-se c discursos contra lideranca do proprio partido psd. esta' acabado politicamente. finalmente. pelo menos a' direita o despesismo ja' n rende votos. na esquerda, parte esquerda ainda n chegaram la'.
 
Alfredo Barroso não gostou de ouvir António Costa recusar-se a alinhar no debate sobre a "política do pisca-pisca" (sobre se o PS deve aliar-se com os partidos à sua esquerda ou à sua direita).

Ontem, na sua página do Facebook e, hoje, em declarações à TSF, o socialista (um dos 25 fundadores do PS que há uma semana subscrevera um manifesto de apoio a António Costa) confessou-se "desiludido" com a indefinição do candidato, que considerou "uma fanfarronice", "uma deselegância em relação àqueles que, como eu, acham que esse é um debate incontornável, face ao estado a que o partido chegou".

"É mesmo caso para perguntar que novas 'teorias' António Costa irá inventar, para se furtar ao debate da questão do Tratado Orçamental, da questão da renegociação e/ou reestruturação da dívida, da questão das privatizações e da questão da promiscuidade entre o PS e os negócios? Será a 'teoria do gato asseado', que tapa com areia as suas necessidades? Ou a 'teoria da vassoura', que empurra para baixo do tapete tudo o que é desagradável?", escreveu ainda o histórico socialista.

Alfredo Barroso defendeu que António Costa não tem de dizer com quem se vai coligar, mas "tem de ter a coragem de explicar se vai ou não fazer um esforço para negociar uma plataforma de entendimento com os partidos da Esquerda".

Expresso
 
Os vistos "gold" portugueses são notícia hoje na agência Bloomberg (em inglês). Entre outros assuntos é mencionado como é que este tipo de programas de investimento criam apartheids modernos em que os mais pobres são 'empurrados' devido aos preços inflacionados do imobiliário.

Outra história mencionada refere-se a um trabalhador que apesar de estar a trabalhar há 7 anos em Portugal não consegue ter visto de residência mas meio milhão de euros garante um.

http://www.bloomberg.com/news/2014-...comes-with-visa-as-builder-waits-7-years.html
 
Os vistos "gold" portugueses são notícia hoje na agência Bloomberg hoje (em inglês). Entre outros assuntos é mencionado como é que este tipo de programas de investimento criam apartheids modernos em que os mais pobres são 'empurrados' devido aos preços inflacionados do imobiliário.

Outra história mencionada refere-se a um trabalhador que apesar de estar a trabalhar há 7 anos em Portugal não consegue ter visto de residência mas meio milhão de euros garante um.

http://www.bloomberg.com/news/2014-...comes-with-visa-as-builder-waits-7-years.html



Isso em teoria e muito bonito , mas na pratica o pais precisa de fontes de financianento .
 
Reformas. Países vão ter de encontrar alternativas aos sistemas públicos para não falirem

Contribuições dos trabalhadores e dos empregadores não chegam para manter o nível das pensões. O primeiro pilar, alimentado por estas taxas, vai diminuir quase 20% o peso na UE a 27. Na Grécia cai quase 53%

As mudanças demográficas na Europa, com o envelhecimento generalizado da população, vão obrigar a alterações profundas nos sistemas de pensões, com uma redução progressiva do peso do primeiro pilar - resultante das contribuições directas dos empregadores e dos trabalhadores - para o reforço do segundo e do terceiro pilar (descontos obrigatórios para fundos de pensões e descontos facultativos para sistemas de complemento de reformas). Na UE a 27, o decréscimo está avaliado em cerca de 19%.

Segundo um estudo de Matti Lepalla, secretário-geral das PensionsEurope, federação europeia que representa as associações nacionais de fundos de pensões, apresentado, esta semana num seminário em Lisboa promovido pela Associação Portuguesa de Fundos de Investimento, Pensões e Patrimónios, e com base em dados da Comissão Europeia, haverá uma redução do peso do primeiro pilar em praticamente todos os países da Europa em 2060 quando comparado com 2011, em percentagens que variam entre os 53% (caso da Grécia) e os 4% (República Checa).

Esta diminuição do peso do primeiro pilar está directamente associada à necessidade de os estados-membros continuarem a reduzir a dívida e o défice: em 2010 havia em média quatro pessoas a trabalhar por cada pensionista mas em 2060 esse número irá cair para metade, o que levaria a que os sistemas públicos passassem a depender muito mais dos Orçamentos do Estado de cada país.

Outra constatação: são os estados que mais assentam os seus sistemas de pensões no primeiro pilar os que pagam menos aos seus reformados. Nos Países Baixos, que utiliza um mecanismo que se baseia nos três pilares, as reformas garantem 70% do salário mínimo líquido através do primeiro pilar, que depois são complementadas por um regime profissional de pensões e ainda por uma previdência privada facultativa que nada tem a ver com a relação entre empregador e empregado. O resultado é que os reformados com mais de 65 anos têm uma quebra mínima no rendimento que auferiam quando estavam no mercado de trabalho. Já no Reino Unido, cujo sistema é idêntico ao da Holanda, a quebra é de cerca de 11%. Em contrapartida, os trabalhadores portugueses passam a receber quase 17% menos que quando se encontravam no activo, segundo dados de 2011, sendo actualmente a quebra muito superior.

A dependência dos sistemas públicos de pensões varia muito de país para país dentro da Europa. Os anglo-saxónicos são os que menos financiam as reformas através do primeiro pilar. França, Espanha e Grécia pertencem ao grupo que mais assenta o pagamento das suas pensões no primeiro pilar, financiado pelas contribuições dos empregadores e dos trabalhadores, enquanto a Hungria, a Polónia e a Suécia estão a reformar este pilar no sentido de desenvolverem o segundo e terceiro pilares.

A Alemanha, a Itália e a Bélgica têm sistemas públicos de pensões complementados por sistemas privados de carácter voluntário. Finalmente, os Países Baixos, a Dinamarca, a Irlanda, a Suíça e o Reino Unido têm um segundo pilar bem desenvolvido. Alguns destes países, como o Reino Unido, deverão até ver crescer o peso do primeiro pilar nos próximos anos.

Curioso é o que tem vindo a acontecer na Holanda, onde os fundos de pensões representam 160,2% do PIB, o valor mais alto de todos os países analisados, contra os 8,8% de Portugal.

Desde 2010, o número dos fundos de pensões naquele país caiu de 1100 para 375, o que demonstra que quanto maiores são os fundos menores são os custos. O objectivo foram ganhos de economia de escala de forma a aumentar os benefícios dos pensionistas.

No longo caminho a percorrer na reforma dos sistemas de pensões em toda a Europa há outros exemplos a ter em conta, como o da Estónia, que alargou o financiamento das reformas de um para três pilares desde o final da década de 90. No entanto, para encorajar a participação no sistema complementar de pensões, foram introduzidos incentivos fiscais. Os montantes aplicados no seguro de pensões ou no fundo de pensões passaram a ser dedutíveis no imposto sobre o rendimento com o limite máximo de 15% do salário e os benefícios pagos por aqueles seguros de pensões ou fundos de pensões são tributados a taxas reduzidas. Um caminho radicalmente oposto ao adoptado em Portugal nos últimos anos.

Banco Mundial defende a introdução de mais dois pilares nos sistemas

O primeiro é de combate à pobreza enquanto o outro é para cuidados de saúde

Em Fevereiro de 2005, o Banco Mundial divulgou um relatório que actualiza o sistema dos três pilares previstos na maioria dos sistemas de pensões na Europa, ampliando-o para cinco, sendo o pilar zero e o quarto as principais alterações aos mecanismos vigentes.

O pilar zero, que seria englobado no sistema público de segurança social, teria como principal objectivo combater a pobreza na terceira idade, uma realidade cada vez mais presente sobretudo nos países do Sul e nos antigos estados da esfera da União Soviética. Ofinanciamento deste pilar seria feito integralmente pelos Orçamentos do Estado para garantir níveis mínimos de subsistência, tratando-se de um verdadeiro combate à pobreza.

A segunda novidade, o quarto pilar, deriva da constatação de que uma grande parte das necessidades de consumo dos reformados têm a ver com apoios informais, como o acesso a cuidados de saúde ou alojamento, cujos recursos não provêm de pensões institucionais mas mesmo assim precisam de ser salvaguardados.

O Banco Mundial defende que este pilar deve ser alimentado por uma série de fontes de financiamento que não têm a ver directamente com os sistemas de pensões tradicionais, mas podem incluir apoio familiar (transferências privadas de uma para outra geração), seguros de saúde e mesmo instrumentos financeiros emergentes, como por exemplo as hipotecas que permitem aos mais idosos com casa própria contrair empréstimos que convertem em capital uma parte das suas habitações.

Finalmente, o segundo e o terceiro pilar mantêm-se idênticos aos que hoje existem em vários países. O segundo é financiado por um plano contributivo obrigatório, normalmente através de fundos de pensões, na esmagadora maioria dos casos parcialmente geridos por entidades do sector privado. O terceiro pilar refere-se a modos de poupança voluntária para a reforma da responsabilidade dos próprios trabalhadores, regulados e estimulados pelos próprios governos e que podem assumir diversas formas, como contas poupança reforma voluntárias, benefícios patrocinados pelo empregador ou planos definidos de contribuições. O BM quer também uma apertada fiscalização sobre os sistemas de segurança social.

Jornal I
 
4) e se capitalismo e' tao evil, pq nao emigras tu p pais comunista qd todos dias emigram centenas tugas p outros paises capitalistas? qts emigram p paises comunistas ?

Grito Negro - José Craveirinha

Eu sou carvão!
E tu arrancas-me brutalmente do chão
e fazes-me tua mina, patrão.

Eu sou carvão!
E tu acendes-me, patrão,
para te servir eternamente como força motriz
mas eternamente não, patrão.

Eu sou carvão
e tenho que arder sim;
queimar tudo com a força da minha combustão.

Eu sou carvão;
tenho que arder na exploração
arder até às cinzas da maldição
arder vivo como alcatrão, meu irmão,
até não ser mais a tua mina, patrão.

Eu sou carvão
tenho que arder
queimar tudo com o fogo da minha combustão.

Sim!
Eu sou o teu carvão, patrão.
 
Publico aqui porque creio que esta medida, a curto/médio prazo, será aplicada um pouco por todo o lado. Há uma "guerra" contra os depósitos bancários. Depois do BCE com as taxas de juro baixas/negativas, a Espanha:

Imposto já existia, mas tinha carácter regional. Imposição nacional pretende universalizar o seu âmbito a todo o território.

O governo espanhol aprovou hoje um decreto-lei que fixa um imposto de 0,03% sobre todos os depósitos bancários existentes no país, como forma de promover o crescimento da economia, avança a imprensa.

A nova contribuição, prevista desde 2013, estava reservada a algumas comunidades autónomas, mas o executivo de Mariano Rajoy decidiu estender a sua influência a todo o país, como forma de promover a igualdade territorial e combater a concorrência entre regiões, segundo palavras da vice-primeira-ministra Soraya Saenz de Santamaria, proferidas após uma reunião do conselho de ministros que deu luz verde ao decreto.

As comunidades de Andaluzia, Canarias e Extremadura, e mais tarde as da Catalunha e das Astúrias, já haviam avançado com a imposição deste regime especial, que pretendia ser uma espécie de imposto regularizador dos equilíbrios regionais, mas o governo decidiu agora tornar a taxa nacional.

O novo imposto faz parte de um pacote mais vasto, com o qual o governo pretende impulsionar o crescimento económico e a criação de emprego.

Económico
 
Isso em teoria e muito bonito , mas na pratica o pais precisa de fontes de financianento .

exacto. no caso dos vistos gold e' uma coisa bastante imoral, sim concordo, mas se pais vive numa emergencia inedita, para problemas graves ha' q recorrer a solucoes extremas.
se entre vistos gold e politica fiscal activa q atrai reformados estrangeiros p portugal render p ex. 500 milhoes/ano ao estado, sao menos cortes de salarios ou aumento impostos e destruicao d empregos q se evita.

de boas intencoes e moralidades esta' inferno cheio, e imoral e' cada novo desempregado q o pais cria.

Eu sou o teu carvão, patrão.

triste mentalidade, desafio, pq n te transformas tu no patrao ?
ha' apoios e subsidios na tua regiao de Aljezur, pq nao teres a tua propria producao ?
e meteres a cabeca n cepo como metem os “patroes” ?
nao respondeste a nenhuma pergunta. a resposta a qs todas perguntas e' “capital”, e' isso q traz prosperidade 'as pessoas.
sim, capitalismo pode ser uma m****, p vezes mesmo uma m**** mt mal cheirosa, mas ainda ninguem inventou melhor. as solucoes alternativas ja' demonstraram ha' mt serem bem piores
 
A portuguesa que manda nos alemães: "A Alemanha tem muito mais proteção laboral e social que Portugal"

Filha de uma administrativa e de um mecânico de automóveis, ambos com a 4.ª classe, ex-basquetebolista de competição fascinada por comboios, Maria João Guerra passou pela Sorefame/Bombardier. Hoje, aos 39 anos, gere 600 funcionários e um orçamento de dezenas de milhões de euros numa empresa multinacional na Alemanha. O perfil de uma emigrante que diz não pensar trabalhar mais em Portugal mas que desconstrói estereótipos sobre o país de Merkel.

É alta, bem alta - como é suposto ser, como jogadora de basquetebol federada que foi quando jovem (ou mais jovem, vá) - e move-se com a informalidade impositiva que associamos às pessoas habituadas a ocupar o seu espaço sem pedir desculpa, o sorriso fácil em permanente reserva de ironia. É, dir-se-ia, alguém capaz de encontrar motivo de diversão mesmo no que a aborrece - mas não deve ser fácil, em todo o caso, quando a aborrecem; sente-se que se habituou a comandar e a ser obedecida e, por vezes, a fazer show disso. Com plena consciência: "Sou muito teatral."

Como quando, na Bombardier (Maria João Guerra fez o trabalho de final de curso de Engenharia Mecânica na Sorefame, comprada em 2001 pela empresa canadiana, e foi aí o seu primeiro emprego), correu os cacifos todos dos funcionários à procura de álcool, retirando de lá as garrafas com estardalhaço. "Descobri bares autênticos, cervejas, uísque... Também mandei tirar os calendários de mulheres nuas." Faz uma careta.

"O drama, quando fui nomeada para um cargo na Bombardier, foi: "Ai agora quem é que vai levar os inspetores do cliente ao strip?"" Mesmo assim, nomearam-na - facto em que, releva, há que prestar tributo ao seu chefe à época, "o engenheiro Rui Loureiro, atual presidente da Refer, que entre mim e um homem escolheu-me a mim, e depois despediu o meu chefe e pôs-me a chefiar 50 homens, quase todos do PC, que me tratavam por Margaret Thatcher".

Porque uma mulher, prossegue, "é sempre vista com desconfiança para cargos de chefia. Há o preconceito ancestral, essa coisa primitiva de as mulheres não terem andado a matar mamutes. O instinto das organizações é serem sexistas, e o dos homens é protegerem-se uns aos outros. Sempre trabalhei em indústrias muito de homens e as mulheres que se movem neste meios são mais afirmativas. As que chegam a estes níveis, quando comparadas com os homens nos atributos de liderança, são muito mais fortes, mais destemidas."

Dá como exemplo o facto de ter sido ela a fazer os ensaios dos comboios na Bombardier, quando a empresa, em 2002, produziu as composições para o Metropolitano de Lisboa e a linha suburbana do Porto: "Era a chefe da montagem final, e depois da montagem tínhamos de fazer uma série de testes, num espaço muito pequeno. Toda a gente tinha medo de fazer aquilo, menos eu - desde miúda tenho pancada por comboios (a minha mãe trabalhou no metro de Lisboa e eu ia para o Rossio só para ver as composições em manobras) e nunca me diverti tanto na minha vida."

Foi a Bombardier que, em 2006 (depois de passar três anos no Porto por causa do novo metro da cidade), a desafiou pela primeira vez a trabalhar fora do país. Esteve em Bruxelas, Madrid e Berlim. A primeira experiência alemã, a que se segue, desde 2012, a de dirigir a Supply Chain (centro de abastecimento/logística) europeia da TE Connectivity, empresa americana de componentes eletrónicas que "faz mundialmente 13 mil milhões de dólares/ano (perto de 10 mil milhões de euros) e emprega 90 mil pessoas de mais de 50 países." Concorreu e foi escolhida, depois de um regresso a Portugal no final de 2009, por motivos pessoais, vindo assumir a direção de uma fábrica de turbinas eólicas.

Na Alemanha, garante, não sentiu qualquer tipo de reação por ser uma mulher a chefiar uma empresa com uma força de trabalho sobretudo masculina - "Ninguém parece sequer gastar um minuto a pensar nisso, e assim devia ser sempre." - e acaba até de ser promovida: entregaram-lhe em maio a direção de mais uma fábrica com 400 funcionários, a principal fábrica do setor energético da empresa. Mas confrontou-se com outros preconceitos.

"Basicamente os alemães estão intoxicados pela verdade oficial que também ouvimos em Portugal. Que gastámos de mais e agora temos de sofrer. Dizem: "Andamos a pagar para vocês". E eu respondo: "Nós é que andamos a pagar para salvar os vossos bancos, vocês é que ainda não perceberam isso.""

O viés manifesta-se também na retração do investimento estatal: "Há esta ideia de que o dinheiro dos impostos não se pode gastar. O que implica, no caso da Alemanha, com a decisão de fechar as centrais nucleares e a ausência de investimento do Estado em energias limpas - seria necessário investimento estatal na infraestrutura -, ir-se provavelmente acabar a comprar energia a França, que a produz em centrais nucleares."

Ironias em catadupa, mas nenhuma tão aparatosa como a de confirmar a impressão com que ficara na sua primeira incursão no país: "A Alemanha é, do ponto de vista das leis, muito mais protecionista da força de trabalho, porque a empresa é entendida como uma entidade social, até comunitária, que pertence não só aos donos como aos trabalhadores. Há o entendimento social de que os trabalhadores são tão importantes como os patrões. O poder de comissões de trabalhadores e de sindicatos, de facto e no espírito da lei, é muito maior do que em Portugal. Os direitos legais protegem muito mais. Se eu quiser pôr um trabalhador a trabalhar num feriado ou ao domingo, tenho de justificar. Um funcionário público é que decide, com base na lei alemã, se as empresas podem ou não trabalhar ao domingo."

Além disso, garante, "as pessoas têm muito mais garantias sociais e muito mais apoio. O subsídio de desemprego é mais curto, mas a seguir chama-se outra coisa, passa a outros subsídios. O Estado paga a renda de casa, mais um rendimento por cada membro do agregado familiar... A Alemanha tem muito mais proteção laboral e social do que Portugal." Sorri. "E na Baviera, onde estou (vivo em Munique), temos 30 dias de férias, fora os feriados: é a zona com mais feriados na Europa."

A cereja no topo do bolo é, porém, a história de uns portugueses de Viseu que levou para trabalhar no Norte da Alemanha. "Ficaram chocados. Vieram contar-me que os alemães, no turno da noite, iam dormir para a casa de banho, e que eles, portugueses, é que trabalhavam. Que o que se vendia sobre os alemães era mentira." Maria João assente. "Na Alemanha pode estar tudo definido, mas sucede ninguém fazer o que é suposto. Em Portugal o problema é bem diferente: as organizações não dizem às pessoas o que esperam delas."

Entre outros: para Maria João Guerra, que vem a Portugal de três em três semanas para estar com a família e os amigos, é um país "em que não existe meritocracia, e com elites que são capazes de ser as piores do mundo civilizado". E para ela, nascida em novembro de 1974, numa família lisboeta de Alcântara, mãe administrativa e pai mecânico de automóveis, ambos com a quarta classe - "A minha vida não seria possível se não tivesse havido o 25 de Abril" -, que tem o objetivo de "chegar à vice-presidência (mais acima acho que não, preciso de ter contacto com as pessoas)", nada menos do que uma meritocracia serve.

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