O Estado do País

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Estradas de Portugal só é viável com mais portagens



Interessante, como tudo se interliga.

É interessante como volta e meia, lá voltam a apontar o dedo às SCUTS.

Mas esquecem-se que o prejuízo anual que as empresas de transportes públicos de Lisboa e Porto, (metro, barco, carris,...) que é um sr. buracão imenso, é pago com os impostos de todos os portugueses!
 
Desemprego: Valores do Algarve são os piores das últimas décadas
Em plena época alta do turismo estavam inscritos no Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) mais de 20 mil desempregados na região, o pior registo oficial do mês de julho das últimas décadas.

Em comunicado, a União dos Sindicatos do Algarve (USAL) cita dados daquele instituto que indicam que em julho existiam na região 22.627 desempregados, 1.389 dos quais inseridos em programas ocupacionais, valores provavelmente "jamais atingidos".

Os mesmos dados apontam para um crescimento homólogo do desemprego na ordem dos 24,5 por cento, enquanto a média de crescimento homólogo no país foi de 10,3 por cento, refere a USAL.

"Em julho de 2010 existiam mais 3.997 desempregados do que no mesmo mês do ano anterior e, comparando com 2008, constata-se que em dois anos há mais 13.290 desempregados no Algarve", lê-se no comunicado.

Numa época em que o desemprego tende a diminuir - a região é fortemente marcada pelo emprego sazonal -, são legítimas as "piores expetativas" quanto à situação económica e social do Algarve para o próximo semestre, diz a USAL.

Por isso, aquela união de sindicatos defende ser urgente a implementação de um plano regional articulado de combate à crise e ao desemprego, insistindo para que o Governo "tome a iniciativa" de dialogar com os parceiros na região.

A agravar a situação, diz a USAL, está o previsível encerramento de "múltiplas micro e pequenas empresas" até ao final do ano na região, o que pode conduzir a que a atual crise tome ainda contornos mais graves.

Fonte: Observatório do Algarve

Nem com a época alta e o emprego sazonal, o desemprego do Algarve diminuiu, quase 23 mil desempregados no Algarve é gravíssima. Alguém do governo está preocupado para resolver a situação ninguém, ainda querem colocarem portagens na A22, que país vergonhoso.

Este governo que está prestes a encerrar mais de 700 escolas primárias, será isto que o país precisa, as Câmaras é que ficam a arder que têm que colocar transportes escolares para levarem as crianças para as escolas. Que pobreza de país, daqui a uns anos temos um país desertificado e apenas ruínas e mato por muitas aldeias do nosso Portugal interior. Portugal caminha para o abismo, a educação não passa de uma mera brincadeira, por mim, fechavam todas as escolas e tinham logo o 12ºano. Este governo é pelo facilitismo ou não fosse o nosso 1ºministro o exemplo disso mesmo quem tira um curso ao domingo será que merece a nossa confiança, para estar à frente dos nossos destinos. Claro que merece então os portugueses não votaram nele só têm aquilo que semearam nada mais que isso.
 
Em Portugal só se discute a floresta quando ela arde
Após quatro anos de acalmia, os grandes fogos florestais regressaram. Por entre mitos e verdades, o PÚBLICO foi à procura das causas e consequências deste flagelo

Um final de Julho e duas semanas do início de Agosto especialmente quentes e secas foram o suficiente para que o fogo voltasse a devorar importantes áreas da floresta portuguesa e para que o debate sobre o velho drama do Verão se incendiasse. Como habitualmente, as responsabilidades pela destruição de mais de 70 mil hectares de povoamentos florestais e de matos até 15 de Agosto foram atribuídas aos suspeitos do costume: aos madeireiros, aos proprietários absentistas, aos criminosos de delito comum e até, em casos mais raros, à alegada incompetência dos comandantes de bombeiros. Num palco dominado pelo ministro da Administração Interna, o congénere da Agricultura fez a sua aparição ocasional para advertir que o Governo estudava a possibilidade de intervencionar as explorações florestais abandonadas.

Onde está a razão neste debate, onde começam os mitos e acaba a realidade é uma equação para a qual nunca haverá uma resposta definitiva. No balanço até agora, o que é facto é que muitas das acusações, mesmo divergentes, lançadas por silvicultores, geógrafos, bombeiros, polícias ou ambientalistas fazem sentido. Porque é verdade que a falta de gestão da maior parte das explorações florestais permite a acumulação de material combustível que, em dias mais quentes e secos, torna as chamas incontroláveis; está provado que o abandono das zonas rurais e o fim do pastoreio tradicional alterou as regras do ancestral equilíbrio nas florestas, tornando-as vulneráveis aos incêndios; é verdade também que, apesar de o novo dispositivo de ataque aos fogos mostrar sinais de maior eficácia, os meios aéreos e humanos em acção só podem dar uma resposta a 200 ou 250 incêndios por dia, quando este Verão o número de ocorrências chegou a ultrapassar as 500; é certo que uma fatia importante dos fogos tem mão humana e criminosa, como o atesta o facto de 38 por cento das ignições acontecerem durante a noite; finalmente, é verdade que, como dizem os ambientalistas, a falta de ordenamento florestal está na origem dos grandes incêndios que, como este ano aconteceu no Soajo ou em São Pedro do Sul, podem devorar ao longo de dias milhares de hectares, o que plantações alternadas de folhosas e resinosas poderiam impedir (os especialistas notam que há uma pausa na "adaptação" das chamas quando há uma transição entre espécies).

O problema maior da floresta portuguesa, porém, não resulta da falta de discussão pública, de saber técnico ou de experiência acumulada. Quando os fogos se tornaram um problema público e político, na primeira metade da década de 1990, a floresta mobilizou a opinião pública e, por arrastamento, os decisores. Foi à luz dessa preocupação que se aprovou em Agosto de 1996 uma Lei de Bases na qual se concentraram receitas e depositaram esperanças ou se lançou um Plano de Desenvolvimento Sustentável da Floresta. Mas passaram anos, quase uma década, até que aparecessem as primeiras leis regulamentares para cumprir a missão da lei-quadro. E para que os Planos Regionais de Ordenamento Florestal ou as Zonas de Intervenção Florestal vissem a luz do dia, foi necessário aguardar pelas calamidades de 2003 e de 2005. Entretanto, o corpo dos serviços florestais foi integrado na orgânica da Agricultura, burocratizou-se e perdeu a sua ancestral ligação à realidade da floresta; e com o Governo de José Sócrates a prioridade deixou de ser a gestão, a propriedade ou o ordenamento para dar lugar à criação de um dispositivo de combate mais eficaz.

Andámos pouco e devagar

Em 2006, 2007, 2008 e 2009 o registo dos fogos florestais pareceu dar razão a esta estratégia. Este ano constatou-se que, mesmo estando a área destruída ainda dentro dos objectivos traçados até 2012 (abaixo dos 100 mil hectares anuais), enquanto a floresta não tiver um dono, enquanto o país não for capaz de criar condições para multiplicar a gestão que se faz em zonas de intervenção florestal como a do vale do Sousa ou nos perímetros das empresas de celulose, a sorte da floresta continuará a depender dos caprichos do clima. Com o Estado incapaz de gerir as suas matas ou de cumprir a sua missão nos baldios, os melhores exemplos da gestão privada são, para muitos, a melhor garantia de que é possível travar o flagelo do fogo e aproveitar da melhor forma os recursos. Para que esta estratégia seja viável, é, no entanto, fundamental criar um cadastro florestal que identifique as propriedades e os seus donos e criar incentivos e penalizações fiscais que levem os proprietários a tratar das suas florestas ou, em caso de abandono, a vendê-las para não terem de pagar impostos. Em dois anos, criaram-se 127 Zonas de Intervenção Florestal que mobilizam proprietários, autarquias e técnicos. Sem incentivos suplementares, a maioria está ainda no papel, à espera de um empurrão para cumprir a sua missão ao nível da prevenção contra os fogos, da gestão e do negócio florestal.

Quase 30 anos depois de os fogos entrarem no centro das preocupações do país, verifica-se assim que se andou pouco e devagar. Seja ao nível da política, seja da economia, a aposta na floresta demora anos a gerar dividendos. Não há nada de espectacular num investimento em 300 hectares de sobreiros ou na criação de linhas corta-fogo numa serra perdida do interior. É mais vistoso, e mais imediato, comprar um Kamov do que financiar a recuperação de mil hectares de pinheiros. Os custos desta opção estão à vista. Ainda que os incêndios não tenham provocado uma grande razia na área florestal (em dez anos regrediu 62 mil hectares), há uma espécie importante que se transformou para já no símbolo da destruição: o pinheiro bravo. Entre 1995 e 2005/2006, data do último inventário florestal, a área de pinho reduziu-se 266 mil hectares. Ou seja, cerca de 30 por cento. E sem medidas de fundo, tudo indica que o pinhal continue a regredir. Pode haver mais um ano ou dois de relativo apaziguamento, mas, a prazo, a discussão de 30 anos sobre a incapacidade de o país aproveitar o seu mais importante recurso natural renovável continuará a regressar nos meses de Julho e Agosto.

Publico

Se fosse só nos incêndios...faz parte do tuga, está-nos no sangue.
 
Em Portugal só se discute a floresta quando ela arde


Se fosse só nos incêndios...faz parte do tuga, está-nos no sangue.

Passados 30 anos continuamos a andar pouco e devagar, continuamos a escrever rios e rios de tinta que não passam do papel! Continua-se a culpar uns e outros, é mais fácil apontar o dedo e isso é ser "Tuga".

No texto do público, são ditas muitas verdades, mas se formos um pouquinho mais minuciosos, as teorias das culpas tornam-se no descalabro total:
"uma fatia dos incêndios são criminosos, 38% ocorrem à noite..", eu acho piada a esta frase, vocês conseguem-me dizer que tipos de incêndio não são criminosos?? Eu digo:
- não são fogos criminosos: os que não resultem de fogo posto com único intuito de fazer arder floresta, ex: os que são provocados pelos bombeiros no combate e que se chamam contra-fogo. Aqueles que são provocados sem negligência, em actividades agrícolas ou florestais (corte ou desmatação) pois por vezes tratores, corta-sebes, motoserras, também provocam incêndios!

Então e quais são os fogos criminosos? Todos os restantes:
- fogo posto
- queimadas fora de época
- outros actos negligentes (ex: deitar o cigarro para fora do carro na floresta)
- espectáculos pirotécnicos sem licença
- despejo de lixo na floresta (vidros, latas de tinta, diluentes, resíduos combustíveis, pilhas,...)

Da análise ao texto, posso constatar que nos últimos 30 anos continua-se a querer confundir tudo, no texto escrevem-se causas, consequências, factores que dificultam a extinção dos incêndios, tudo no mesmo saco dos culpados, quando a verdade é que só existem 3 causas:
- crime com negligência ou não;
- causas naturais (a única possível: trovoada seca) e aqui não é possível culpar o clima, pois é o mesmo clima de verão que sempre tivemos durante séculos, quente e seco.
- sem crime, com acções permitidas (contrafogo de bombeiros que tenha corrido mal). Lixeiras autorizadas. Espectáculos pirotécnicos autorizados.

O que é que falha? Vou dizer o que falha, mas nenhuma das razões que vou apontar provocam incêndios, NENHUMA:
Falta o ordenamento florestal e a desmatação dos parques naturais do estado e dos pequenos proprietários, falta a vigilância e a ocupação das florestas com diversas actividades econômicas (mel, resina de pinheiro, madeira, pastoricia), faltam leis que funcionem com mão pesada mesmo sobre os inimputaveís!

Vamos todos imaginar uma floresta limpa, com pouco mato, composta de parcelas de digamos 10ha, florestada de pinheiro bravo, separada das restantes por aceiros corta-fogos, com acessos que permitam passar autotanques e florestada em todo o perímetro 100m de folhosas (2 a 3ha) de castanheiros, nogueiras, faias, betulas, outras mais.. Esta propriedade teria ainda um ponto de água, para abastecimento se necessário, e teria um ponto de vigia situado a não mais de 10km e de um helicóptero a não mais de 50km e um aerodromo a não mais de 100km!
Parece um paraíso de floresta, certo? Pois bem, desiludam-se porque ainda assim irá ser incendiada e talvez arder na totalidade!

Só há uma verdadeira causa: CRIME!
 
Peguei há uns dias numa publicação da Câmara Municipal de VRSA. A desfolhar a revista, deparei-me com anúncios de futuras obras que suscitaram a minha preocupação.

Uma diz respeito à construção de uma estrada alternativa à EN125, a norte do sítio das Hortas. Para quem não conheceu, há 15 anos atrás, a estrada entre a rotunda de Monte Gordo e a entrada de VRSA mais não tinha nas terras adjacentes que alguns conjuntos de moradias, hortas e hortejos. O planeamento urbano, entretanto, foi o que foi. Com o centro de VRSA desabitado e decadente, a população começou a habitar nas massas de betão que surgiam nas antigas terras agrícolas, sob a forma de moradias em banda, desenhadas tendo em vista o aproveitamento de todo o milímetro quadrado da propriedade ocupada. Claro que esta urbanização descontrolado, sem qualquer planeamento, sem qualquer crescimento em raio do centro da cidade, levou a que durante alguns quilómetros a estrada nacional se tornasse intransitável. Agora, volta a surgir a hipótese, já colocada no passado, de se construir uma nova via que contorne as massas de cimento entretanto edificadas. Ora a norte do referido sítio das Hortas situam-se o Esteiro da Carrasqueira e os sapais do Guadiana, reserva natural conhecido como Sapal de Castro Marim e VRSA. Ao que consta, a nova estrada já estará prevista num qualquer novo plano de ordenamento da reserva.

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O sapal de Castro Marim tem sido de certa forma vetado ao esquecimento. Ao longo de anos, foi local de despejo de lixos e detritos da construção civil, contornado por uma auto-estrada e atravessado pela Ponte Internacional, ocupado por uma sede de dimensões desproporcionais face à dimensão da área protegida, pela feira de VRSA e quiçás, futuramente, pela ETAR intermunicipal. Paulatinamente, as águas foram escoadas, mesmo em décadas recentes; e, nas áreas mais meridionais, junto da linha ferroviário, surgiram gradualmente habitações, urbanizações e áreas comerciais.

A construção de uma nova via mesmo ao lado do sapal não poderia ser mais funesto para a reserva. Conhecendo bem o nosso ordenamento, nova estrada significa a médio prazo novas habitações, stands, restaurantes ou tabernas «modernas» na sua beira, para a populaça idolatrar o deus futebol, sentada em cadeiras de plástico degradadas pelo sol, enquanto ulula inebriada pela imagens fornecidas pela pantalha do lcd.

Mas as ameaças não se ficam por aqui. A autarquia anuncia a deslocação do parque de campismo de Monte Gordo para a parte oeste da vila, e a ocupação urbana e hoteleira do actual camping park. Ora sucede que na região ocidental de Monte Gordo existe apenas pinhal, mata nacional. E mesmo o actual parque de campismo já ocupa uma antiga área de mata. Assim, teríamos parte do que resta do pinhal litoral, entre o betão da Retur e Praia Verde, e a antiga povoação de pescadores, com ocupação humana. Mas as ameaças à mata nacional não se ficam por aqui. Há muito tempo que se fala da construção de um campo de golfe junto da foz do Guadiana, atrás do actual farol de VRSA. E como todos nós sabemos, com a abjecta lei dos PIN tudo é possível, onde, como e quando se quiser. Haja, estou em crer, 25 milhões para investir, e promessas de muito emprego e desenvolvimento. Escrevo sobre o pinhal que alberga a mais importante e viável população de camaleão do país. Pinhal esse que em tempos teve a construção de uma estrada que o cortou em dois, quando existia a alternativa de se contornar a fronteira norte da mata com a nova via.

robinson-club-quinta-da-ria_011815_full.jpg


Entretanto, a deambular pela internet, deparei-me com isto:


«To ensure that Monte Rei continues to set standards that other developments can only aspire to, we intend to add extra facilities as the development grows - whilst still ensuring that the balance between the natural, unspoilt landscape and building area remains the same.

A large part of the nearby coastline, almost to the Spanish border, is lined by stretches of white sandy beaches and tidal marshlands which are an integral part of the Ria Formosa National Park, a conservation area of great beauty and ecological importance. In this protected environment and close to Monte Rei Golf & Country Club will be a beach club.

This idyllic, restful retreat, well away from the hustle and bustle of high rise hotels and holidaymakers, these 16 acres of beautifully landscaped grounds will offer stunning views across the Atlantic, a golden beach and sandbar where members can relax and enjoy the warm Algarvean sun, a choice of water sports, access to a wide range of amenities and a large swimming pool.

There are plans for a luxury hotel with an extensive spa complex, an equestrian centre and a stylish shopping centre to ensure that all our owners have everything they desire close at hand. And, naturally, the second Jack Nicklaus Signature Golf Courses in Portugal.»


http://www.monte-rei.com

O texto não é muito explícito. Por isso fiquei na dúvida: será que se avizinha mas um PIN para o Parque Natural da Ria Formosa, no seu trecho melhor conservado do ponto de vista paisagístico (Cabanas de Tavira-Manta Rota, já com dois campos de golfe pelo meio)?

Nota: não me tomem como um fanático ecologista contra o «progresso e desenvolvimento». Apenas considero que se dados valores naturais estão debaixo de protecção legal, então dever-se-á levar a sério, e não abrir gradualmente brechas e excepções legais aqui e acolá que beneficiam fulano, beltrano e sicrano, de forma arbitrária e não raras vezes pouco transparente.

E não deixo de sublinhar que este modelo de desenvolvimento betão+turismo do betão+golfe não passa de uma ilusão. Enquanto nós brincamos às casinhas e à relva, outros há que investem na tecnologia, no conhecimento, na produção de bens transaccionáveis. Eles ficam com os cérebros e com os bons técnicos, nós com os empregados de mesa, com os trolhas, com as sopeiras e com os jardineiros. E assim se perpetuará a dualidade Europa Média e do Norte versus Europa do Sul.
 
A taxa de desemprego anda perto dos 11%,

O RSI foi reduzido apenas à prestação individual de 189,52 euros mensais e passou a incluir no cálculo os rendimentos de todo o agregado familiar, descendentes e ascendentes em linha recta ou colateral até ao 2º grau,

Passou a ser obrigatório o Plano de Inserção na Vida Activa, para os desempregados comuns e para os RSI's,

Recusar trabalho mesmo que desadequado implica perder o conforto do Estado Social,

O Estado Social é monstruoso,

No Algarve no HDFaro o oftalmologista presente é requisistado ao HUCoimbra e não está presente todos os dias da semana,

Na clínica privada de Lagoa onde quase todas as seguradoras tinham convenções de assistência médica ninguém assume a responsabilidade,

A Ordem do Médicos não é capaz de avaliar o médico da clínica privada de Lagoa nem aquilo que lá se passava,

Um clínica privada não reconhecida, legalmente não existe,

No Algarve a assistência a doentes com problemas oculares chegou a fazer-se em Cuba,

A França começou a expulsar os ciganos com ou sem papeis e passou a incluir nessa avaliação de permanência todos os cidadãos com cadastro criminal. Em princípio as pessoas são devolvidas por avião, talvez o último conforto do Estado Social, e é entregue um cheque na embaixada da Roménia como forma de indeminização,

Napoleão Bonaparte foi expulso de França e tornou a regressar,

A França não sabe que Portugal tenta há 500 anos expulsar os ciganos,

Os ciganos uma vez expulsos voltaram sempre a entrar,

O conceito de cigano é hoje bastante abrangente e inclui toda a gente de má rés que não se dedica a nenhum trabalho sério,

Em Portugal os bancos não pagam os impostos no mesmo nível que qualquer outra empresa,

O Estado social é monstruoso.
 
«Ministério das Finanças deu autorização à Câmara
Castanheira de Pera contrai empréstimo de 8,6 milhões de euros a 20 anos para pagar dívidas
23.08.2010 - 15:12 Por Lusa
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A Câmara Municipal de Castanheira de Pera vai contrair um empréstimo de 8,6 milhões de euros para pagar dívidas na sequência da autorização do Ministério das Finanças, disse hoje à agência Lusa o presidente da autarquia.

“A autorização é uma boa notícia. Neste momento estamos a desenvolver o processo do concurso e esperamos satisfazer os nossos compromissos com os fornecedores muito rapidamente”, afirmou o socialista Fernando Lopes.

A contracção do empréstimo integra o plano de reequilíbrio financeiro do município que se declarou em situação de desequilíbrio financeiro estrutural em Março do ano passado, então com uma dívida a fornecedores e à banca na ordem dos 13 milhões de euros.

Estão sujeitos a um plano de reequilíbrio financeiro os municípios que se encontrem em situação de desequilíbrio financeiro estrutural ou de ruptura financeira.

No caso de Castanheira de Pêra, o desequilíbrio foi constatado no “endividamento líquido superior a 175 por cento das receitas previstas” e “existência de dívidas a fornecedores de montante superior a 50 por cento das receitas totais do ano anterior”.

Nesta autarquia, o prazo médio de pagamento a fornecedores era àquela data superior a seis meses – concretamente 838,73 dias –, tendo ocorrido, ainda, a “violação das obrigações da redução dos limites de endividamento”.

Investimentos só com autorização das Finanças

O presidente do município mais pequeno do distrito de Leiria admitiu que a situação financeira resulta de investimentos realizados nos últimos anos, um dos quais a praia das Rocas, mas salientou que eram “absolutamente necessários”.

Por outro lado, apontou as dificuldades da autarquia – à semelhança de outras do Interior do país – em ter receitas. “São câmaras muito pequenas, com dificuldades em gerar receitas. Não é, infelizmente, um problema só de Castanheira de Pera”, declarou.

Com a autorização para contrair o empréstimo, a câmara fica vinculada à adopção das medidas constantes do plano de reequilíbrio financeiro, onde se inclui a diminuição de subsídios, a contenção da despesa de pessoal, o aumento para o valor máximo das taxas municipais, o lançamento de uma derrama sobre o lucro tributável e não isento de IRC ou a venda de património da autarquia.

Por outro lado, tem de reduzir o excesso de endividamento líquido total e os prazos médios de pagamentos até 60 dias.

A autarquia fica ainda dependente de autorização da tutela para realizar investimentos ou assumir encargos não previstos naquele plano, incluindo investimentos financiados por fundos comunitários.

“Nós ponderamos sempre os investimentos, mas teremos que os definir muito claramente”, reconheceu Fernando Lopes, adiantando que este empréstimo, a contrair por um período de 20 anos, representa “um esforço financeiro que resolve o problema”.
»

http://economia.publico.pt/Noticia/...de-euros-a-20-anos-para-pagar-dividas_1452537

Esta câmara municipal tem pouco mais de 66 km2, e apenas 3 317 habitantes. Tem duas freguesias, e uma conta apenas com 9,2 km2 e 152 habitantes!

No entanto, dá-se ao luxo de construir uma piscina «tropical» no meio da serra. Será para os ingleses deixarem de ir ao Algarve ou ao Sul de Espanha para se irem banhar numa piscina no meio da serra da Lousã? Isto de investir com o dinheiro dos outros é fácil não é? Mas ninguém acaba com um terço das câmaras e metade das freguesias? Fecham escolas e centros de saúde, mas ninguém toca na «vaca sagrada» do poder local?
 
"Já tivemos maternidade. Agora, nem uma farmácia"
Vivem longe de quase tudo, e o pouco que têm vai desaparecendo - urgências, atendimento 24 horas, médicos na consulta, enfermeiro a tempo inteiro. E são cada vez maiores as dificuldades destas populações no acesso à saúde. São as juntas de freguesia que tentam minorar os prejuízos, mas o sucesso é relativo. E só ficam os velhos...

Idalina Amiguinho, 63 anos, desfila um rol de queixas, que é preciso interromper para perceber do que fala. Mora em Santa Eulália, uma aldeia do interior do distrito de Portalegre. Mulher com "vários problemas de saúde e, até, da doença dos nervos", não se conforma com o fecho da Farmácia Cruz, há dois anos. "Estava afónica, por acaso até tinha consulta marcada, a médica, a Dra. Alexandra, está cá há seis meses - esteve cá uma espanhola, a Rebeca, engravidou e abalou -, passou os medicamentos para tomar às 16.00. Tive de estar à espera da minha filha para ir à farmácia de Arronches, sempre fica um bocadinho mais perto que Elvas [a 15 quilómetros, menos três]. O meu marido tem um carro velhinho comprado em segunda mão, mas é muito doente, tem colesterol... precisamos de muitos medicamentos, e são caros."

A Farmácia Cruz mudou-se para Elvas, deixando de ser o ponto de atendi-mento/triagem da aldeia. Beneficiou da portaria n.º 1430, de 2 de Novembro de 2007, que permite a deslocalização das farmácias dentro do concelho, sem que a transferência esteja sujeita a uma avaliação,por peritos, às necessidades da população.

"O problema dos medicamentos é importante, mas uma farmácia é mais do que isso. A maior parte das vezes, um técnico de farmácia é um psicólogo, um conselheiro. As pessoas sentem-se bem em lá ir. Enquanto esperam para ser atendidas, vão conversando. O nosso maior problema é a solidão: 60% da população tem mais de 65 anos e passa o ano inteiro só", lamenta Cláudio Carapuça, o presidente da Junta de Freguesia de Santa Eulália. Muitos dos seus eleitores não têm a 4.ª classe para poderem tirar a carta de condução, e muito menos dinheiro para comprar o carro.

"Ainda há dias tive de chamar um táxi para ir a Elvas; aqui não há bombeiros para pedir uma ambulância. Tem de ser, sou solteiro", desabafa José Francisco, 78 anos, agricultor, "trabalhava nas hortas". São pelo menos 45 euros, dinheiro que depois é reembolsado pelo Estado. "A minha reforma é de pouco mais de 300 euros... ", explica. E sempre que o médico de família lhe receita medicamentos, vai directo à casa do farmacêutico, que mantém a residência em Santa Eulália. "Entrego à mulher, e ele traz os remédios no dia seguinte." "Olhe, isso é que não faço", protesta Idalina Amiguinho. "Ele pintou-nos, e eu não vou lá."

"Diziam que a farmácia só ia fechar uns dias, mas fechou e nunca mais abriu. Agora, faz negócio em Elvas e aqui. Eu também levo às receitas à mulher dele." E, assim, José Charruadas, 78 anos, compensa a falta que lhe faz a farmácia. Charruadas também é solteiro. "Fui criado além, nos montes. Não havia mulheres", brinca.

Desenrolam o novelo das críticas no Largo de José da Silva Picão, "autor glorioso do livro Através dos Campos", à entrada da vila, junto ao cruzamento em que os semáforos são controlados por energia solar. Um banco à sombra serve de poiso a quatro reformados. Idalina passou e parou.

"Não se pode estar em casa com este calor", justificam. É a farmácia que fechou, a antiga estação de correios a cair (passaram para um "cubículo" da Junta), o médico que só vai à aldeia duas vezes por semana. "E se estiver doente ou de férias, ninguém o substitui", protestam. "Já nem o pão aqui é feito!"

"Andava aí um bocado manhoso. Tive de ir de táxi para Elvas, porque nunca sabemos se nos despachamos a tempo de apanhar a camioneta. Fizeram-me exames, meteram-me soro e não encontraram nada, mas o que é certo é que andava mal", conta Miguel Carpinteiro, 65 anos, ex-cabouqueiro. Os dois filhos deixaram a aldeia mal se tornaram adultos. "Não há trabalho...", justifica.

E quem não vai a casa do técnico de farmácia, tem a junta de freguesia como alternativa, entre as 07.00 e as 13.00, horário contínuo. Na volta, é uma carrinha que distribui os remédios pelos doentes, mas Cláudio Carapuça, o presidente, faz coro com os que protestam contra o farmacêutico, e não se abastece na Farmácia Cruz, em Elvas. "Não tenho de levar a mal, é um negócio, mas como presidente da junta, não posso concordar", justifica o jovem autarca. Não fala sentado à secretária, mas na igreja, e como servente de pedreiro; com Adriano Carlos, 50 anos, o secretário, e Paulo Carpinteiro, 44 anos, o tesoureiro, colocam um altar para a imagem de Santa Eulália.

Foi o "avó da Fatinha" que instalou a farmácia na freguesia, "há muitos anos. A população sempre se lembra da sua existência, mas é pequena a lista de potenciais clientes: 1100 eleitores nas últimas eleições. Cláudio Carapuça acredita que o Censos 2011 indicará mais habitantes do que há dez anos. A Câmara Municipal de Évora disponibiliza lotes de terreno para construção, a 5000 euros, o que tem levado pessoas para as zonas mais despovoadas. Muitos têm os empregos na cidade.

Já Juliana Sousa, 17 anos, tem poucas hipóteses de sair da aldeia. Não tem meios para se deslocar à cidade; tem família para ajudar. Sentada no degrau da porta da casa, com a avó Maria do Carmo Bolaixo, 85 anos, lamenta: "Se tivesse um emprego efectivo, ficava aqui; gosto disto. Mas está tudo a sair, cada vez há menos coisas para fazer. Estivemos mais de três meses sem médica. E se a minha avó piorava, era à farmácia que ia medir a tensão quando não havia enfermeiro." É um dos poucos rostos jovens da aldeia. Completou o 9.º ano em Vila Boim - na freguesia deixou de haver o 7.º ano -, e a única coisa que conseguiu foi seis meses de trabalho, através do programa Ocupação Municipal Tempos Livres, a ganhar 250 euros por mês. Não tirou a roupa do serviço, e percebe-se que esteve a pintar. "Faço tudo o que for preciso: tirar erva, caiar, tudo..."

Também a população de Colos protesta por a Farmácia Colense, Odemira (Beja), ter mudado para Vila Nova de Mil Fontes. E a história que contam já não é nova. Um estabelecimento secular, tão antigo que deu o nome à rua - Rua da Farmácia -, servia as freguesias em redor. Era um apoio; o problema foi ser vendida a alguém que não "sente aquele amor" pela terra.

"Era a farmácia que a gente aqui queria. Como era dantes. Tenho 64 anos, e já existia quando eu era nova. A minha mãe tem 95 anos e diz que toda a vida houve aqui farmácia. Era do senhor Militão Camacho, sabia muito, fazia medicamentos e tudo. Ele pôs--se muito velhote, e ficou um sobrinho a trabalhar. Depois abalou, e foi vendida a uma senhora que não era daqui. Há tanto tempo que se ouvia dizer que ela abalava, mas custava-me a acreditar... Agora, vai mesmo acabar", conta Joana Correia.

Chegou a trabalhar na casa da proprietária da farmácia, e também por isso lhe dá mais pena. A unidade ainda abre de manhã, mas é só até o processo de transferência estar concluído. "Há aqui muita gente e a escola veio dar vida a isto. Há menos crianças, mas ainda há muitos jovens. Temos centro de saúde (extensão), a Cruz Vermelha, os Correios, a Caixa Geral de Depósitos, a GNR... Temos tudo, é uma pena", lamenta Joana. E têm uma parafarmácia, do proprietário da farmácia de Odeceixe, que se disponibiliza a trazer os medicamentos, e sem pagamento de porte. E um número de telefone para as emergências. "Ah tem? olhe, não sabia. Mas fica à saída da vila; é longe, e não é a mesma coisa", conclui a mulher.

Em São Barnabé, Almodôvar, distrito de Beja, não se protesta contra o fecho da farmácia, a diminuição das horas de atendimento do médico ou o encerramento das urgências. "Nunca tivemos nada disso. Sentimos a falta... mas o que é que quer? O pior foi quando fechou a escola; foi uma escuridão". Lamentações de Lisete Maria, 73 anos. Sentada do lado de fora da taberna local, acompanha Maria Catarina, 78 anos, mais nos silêncios do que nas palavras. Fazem tempo para "comer qualquer coisinha", o jantar.

São poucos os habitantes, na maioria velhos. E só no Verão, com a vinda dos emigrantes, há algum movimento nas ruas. Um médico desloca-se uma vez por semana à Casa do Povo - "é a Dra. Maria, veio da Holanda, que aqui não há doutores, mas quando for embora, lá voltamos a estar à espera". A visita do enfermeiro também é espaçada. Pede-se aos vizinhos para "aviar as receitas", ou então entregam-se na junta de freguesia. E nem os incentivos à natalidade, entre 750 euros (primeiro filho) e 1750 (terceiro e seguintes), fazem inverter a tendência de envelhecimento; há uma criança...

"Sou dos mais novos, mas quem é que pode aqui viver? Não há emprego. E até nos tiraram a aguardente de medronho. Sou mecânico, mas acabo por fazer um pouco de tudo: monto bombas, arranjo motores de tirar água, o que aparecer", explica José Reis, 54 anos. É, também, dos poucos que tem carro. "Pedem-me para que lhes leve as receitas quando vou à cidade; faço-lhes os recados. Tem de ser", acrescenta.

São Barnabé fica a 29 quilómetros de Almodôvar, a mais distante das oito freguesias do concelho. E são 29 quilómetros às curvas pela serra do Caldeirão, estrada estreita e a descer até à vila. As urgências (Serviço de Atendimento Complementar) em Almodôvar encerraram, o que quer dizer que são mais 24 quilómetros até à unidade de Castro Verde. É, seguramente, mais de uma hora de caminho, a prova de que a distância ao quilómetro não é igual para todos.

"A nossa preocupação é a falta de pessoal, não chegamos para as necessidades da população. Se há uma urgência, temos de ir para Castro Verde, sem esquecer o regresso. Desde que as urgências fecharam, que se torna complicado gerir os funcionários. Além disso, somos a reserva do INEM, mas não foi fornecida viatura, e eles têm de levar uma ambulância nossa", conta José Marques, 56 anos, 2.º comandante, dirigente dos Bombeiros Voluntários de Almodôvar.

Em tempo de férias, aumenta a população local. E as preocupações. E, além dos motoristas e técnicos para dar assistência em cuidados de saúde, há o combate aos incêndios. A corporação tem 24 funcionários (condutores, socorristas, administrativos, atendimento), além dos voluntários. "Claro que não posso concordar que fechem as urgências. Os acidentes e as doenças não escolhem as horas, e uma boa parte dos habitantes não tem meios próprios para se deslocarem", protesta.

"E os transportes são maus. O meu pai tem 89 anos e tem de ir à consulta a Beja. Como é que ele vai de camioneta para Beja?! Antigamente, ainda se deslocava de carroça e burro, mas agora nem isso. As camionetas são poucas e é preciso apanhar várias. Estou aposentada e gostava de dar mais assistência, mas moro em Portimão e não conduzo. Nem sei como é que poderia chegar aqui de transportes públicos. Felizmente, arranjou-se uma equipa para lhes levar a comidinha. Mas as pessoas aqui vivem muito isoladas", diz Maria do Carmo Martins, 59 anos, ex-professora do ensino básico. E sublinha: "As pessoas têm de vir a Almodôvar para ver como as coisas ainda funcionam."

A falta de recursos, em especial no acesso à saúde, levaram Luís Monteiro, 42 anos, a voltar a fazer contas à vida. Pequeno empresário na área dos mármores, pensava deixar definitivamente a Bélgica, onde viveu 20 anos, para se fixar em Poiares, a sua terra. Mas esta, em vez de progredir, só "tem regredido". "A Farmácia Portugal fechou há dois anos. Temos de ir a Peso da Régua ou a Vila Real comprar os medicamentos. O hospital é o de Peso da Régua; uma estrada estreita com curvas e inclinada. No Inverno, e com gelo, é um perigo. Agora querem fechar a escola. Tenho um filho de seis anos e uma filha de 14, e não vejo aqui futuro para eles. Qualquer dia é o centro de saúde que fecha. Que futuro lhes vou dar? Não venho para cá e vou vender o que aqui tenho", argumenta.

A Farmácia Portugal mudou-se há ano e meio para Vila Real, e é uma funcionária da junta de freguesia que recebe as receitas. "É um serviço que prestamos aos utentes, sobretudo às pessoas de idade. Os medicamentos chegam no dia seguinte, e se for urgente, ligo e vêm no próprio dia", conta Conceição Rodrigues, 42 anos, que muitas vezes recebe os pedidos da população na sua própria casa; afinal, são os seus vizinhos. É o antigo presidente da Junta, agora técnico da farmácia, que traz os remédios.

As juntas de freguesia tentam colmatar as falhas no acesso aos cuidados de saúde. E lamentam que as decisões sejam tomadas a nível central e sem consulta aos dirigentes locais. E sentem-se de mãos atadas. "Íamos à farmácia a Poiares, a 10 quilómetros, e agora temos que nos deslocar a Peso da Régua, que fica a 31 quilómetros. Já me prometeram que não fechavam o centro de saúde (extensão)... É muito complicado. Em Agosto, não temos médico na maior parte do tempo", diz José Maria Leonor, 58 anos, aposentado da GNR, presidente da Junta de Freguesia de Galafura. E sublinha: "São as leis do Governo, não são as câmaras nem as juntas que decidem. Eles é que lá sabem o que andam a fazer, mas está mal, a saúde é muito importante!"

DN

:disgust::disgust::disgust:
 
Em Portugal, fecham-se escolas e serviços públicos de saúde, falta dinheiro para restaurar os monumentos, anulam-se disciplinas do Ensino Secundário para poupar uns trocos, mas nas «vacas sagradas» dos partidos ninguém toca. Se há reforma urgente que o país precisa é a do mapa do poder local, com a extinção de pelo menos metade das freguesias e de um quarto a um terço dos concelhos. Chegou-se ao ridículo de termos freguesias minúsculas com menos de 500 habitante! E quem diz câmaras e juntas, diz governos civis, institutos, observatórios, fundações, cargos de ministérios, etc.




Em declarações à agência Lusa, o presidente dos Autarcas Sociais Democratas (ASD) afirmou que o pagamento em causa decorre de obrigações legais que o Governo não assumiu no início do Orçamento do Estado 2010 e que levou a Assembleia da República a rectificar a situação para providenciar que os autarcas recebessem legitimamente as remunerações pelo serviço que prestam às populações.

“Agora vir dizer que não há dinheiro para pagar aos presidentes de junta que exercem a tempo inteiro, nas juntas que têm mais de cinco mil habitantes, aquelas que têm muitas solicitações e muito trabalho diário para resolver, é completamente inacreditável”.

Para Manuel Frexes, o Governo não está a cumprir as suas próprias leis, incluindo a Lei das Finanças Locais, que aprovou sob a contestação dos autarcas de todas as sensibilidades políticas.

O autarca, que preside à Câmara do Fundão, aponta duas “soluções fáceis” para resolver o problema dos ordenados: “Se não há dinheiro e estamos a falar de quantias irrisórias (5,1 milhões de euros) e cada unidade orgânica do Governo cortasse num assessor, seguramente que dava para pagar a todos os presidentes de junta e ainda sobrava muitíssimo”.

Outra proposta que acredita poder ajudar a resolver este problema é incluir no mesmo diploma toda a remuneração de titulares de cargos políticos.

“O secretário de Estado [da Administração Local], ao dizer que não quer ou não tem dinheiro para pagar aos presidentes de junta, a primeira coisa que devia pensar é que não estando a remunerar um cargo político, o seu cargo político está em risco. Também não devia ser pago, porque deve haver o princípio da igualdade”.

“Deveria haver um diploma unificador onde todos os cargos políticos fossem remunerados. Não se compreende que, sistematicamente, tentem cortar nas câmaras municipais e nas juntas de freguesia, porque é a parte mais fraca, mais fácil”, acrescentou Manuel Frexes.

O presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses, Fernando Ruas, manifestou já também “total solidariedade” para com os presidentes de junta em regime de permanência que este ano ainda não receberam as respectivas remunerações.

O presidente da Associação Nacional de Freguesias, Armando Vieira, denunciou a situação, tendo motivado um coro de críticas ao Governo e reacções por parte dos partidos da oposição.

O Governo justificou-se dizendo estar à espera que a Assembleia da República fixe os critérios de distribuição da verba para pagamento destes autarcas, porque a quantia prevista no orçamento é insuficiente para pagar a todos.


http://www.publico.pt/Política/auta...a-de-pagamento-a-presidentes-de-junta_1453325
 
Editado por um moderador:
Ontem no Porto ruíram dois prédios devolutos. Felizmente não houve vítimas, mas três carros ficaram danificados. Nos últimos anos, de Braga a Coimbra, de Elvas ao Porto, têm-se multiplicado as derrocadas de edifícios abandonados.

Os prédios situavam-se na Rua Miguel Bombarda, conhecida pela elevada concentração de galerias de arte e de lojas de criadores. Ou seja, uma das ruas «chiques» da cidade tem prédios em ruínas, e acrescento, não raras vezes está suja e a descaracterização é gritante.

Gradualmente, as cidades portugueses têm vindo a transforma-se em cidades típicas do Norte de África. A descaracterização arquitectónica, o abandono e a ruína dos centros históricos, a sujidade, a substituição dos materiais tradicionais pelo alumínio e pela marquise bimba têm afastado Portugal da Europa que tanto almeja copiar.

Em blogues dito de direita, a lei das rendas tem sido o bode expiatório da degradação das nossas cidades. Contudo, é apenas parte do problema. Muitos prédios estão abandonado há décadas, sem qualquer morador; e por sua vez, os patrões recusam-se a fazer obras ou a vender. Mas não são só os privados que detêm prédios em risco. As autarquias e os ministérios também possuem n edifícios em risco de ruína, sem que haja obras à vista.

Enquanto os centros das cidades permanecem paralisados, os subúrbios, mesmo em plena crise, continuam a crescer. Os planos urbanísticos são pensados de acordo com os interesses de cada autarquia, e não de uma forma global.

Infelizmente, não há coragem para atacar o problema pela raiz. E isso implica profundas alterações legislativas e fiscais que o regime não está disposto a fazer. É fundamental estancar a especulação imobiliária sobre os solos, através de uma lei de tributação das mais valias imobiliárias. Para além disso, os edifícios em risco de ruína deverão ser imediatamente expropriados e vendidos em haste pública, e as leis relativas a heranças e partilhas devem ser revistas: existe um número incontável de edifícios sem proprietário porque os herdeiros chegam ao cúmulo de estar décadas sem se entenderem. Os proprietários de prédios devolutos devem ser severamente punidos do ponto de vista fiscal, e as rendas «antigas» devem ser imediatamente «congeladas»: se tal não for feito, dentro de décadas teremos quarteirões inteiros demolidos.

No entanto, estou em crer que nada será feito. Mesmo que um dia morra alguém debaixo dos destroços de um edifício. Por isso, sempre que passearem pelas cidades portuguesas há que ter cuidados redobrados, pois nunca se sabe quando poderemos ficar soterrados sob um monte de ruínas.
 
"Por tudo isto, é surpreendente que não se queiram discutir mudanças. Que nem se olhe, por exemplo, para o que está a acontecer a uma velocidade estonteante no Reino Unido, onde a coligação conservadores-liberais desencadeou um processo de reformas que a revista The Economist – antes céptica em relação a este Governo – designou, num editorial intitulado “Radical Britain“, o “grande jogo”. Prevendo que, “tarde ou cedo, muitas outras nações do mundo desenvolvido terão de seguir pelo mesmo caminho”.

Discordo apenas desta nova visão faraónica do JMF. A única coisa que vai sobrar desse reformismo é a própria reforma dos liberais que nunca mais farão parte de qualquer governo. E palpita-me que as eleições não devem tardar... :p

Até agora não tivemos nenhum progresso económico resultante dos planos de austeridade anunciados pelos vários países da UE para reduzir os défices. Nenhum dos países, excepto a Alemanha e bem sabemos porquê, nenhum dos vários países conseguiu melhorar a sua situação económica nem passou a ser "solvente". O melhorzinho de todos até é a Islândia que não seguiu as «regras de ouro». :)
 
O sempre divertido mundo da finança da rédea larga, da desregulação e do mercado livre pós anos 80...

O Anglo Irish Bank precisou num comunicado que sofreu uma perda líquida de 8200 milhões de euros, nos primeiros seis meses do ano, o que é a mais elevada perda semestral alguma vez sofrida por um grupo irlandês, face a uma perda de 3800 milhões de euros nos primeiros seis meses de 2009.

Esta perda recorde vem a público num momento em que as dificuldades do sector bancário irlandês obrigam o Estado a grandes despesas para recapitalizar os bancos, aumentando a pressão sobre as finanças públicas do país, que já estavam em bastante mau estado.

Na semana passada, a agência de notação financeira Standard & Poor’s reavivou as inquietações sobre a Irlanda, ao baixar de AA para AA- a nota atribuída ao risco associado à dívida do país.

A colossal perda do Anglo Irish Bank deve-se a uma menos-valia de 3500 milhões de euros, devido à cessão pelo banco de parte dos créditos tóxicos acumulados durante a crise ao NAMA, o banco criado por Dublin para livrar os principais grupos bancários da Irlanda dos seus activos de maior risco.

Além disso, o banco registou um abate de 4800 milhões de euros nas suas contas devido também ao afundamento do valor da sua carteira de crédito.

O Anglo Irish recordou também que na semana passada o Governo, tal como previsto, injectou 8580 milhões de euros no banco, o que eleva a 22.880 milhões de euros a soma que recebeu para se recapitalizar desde o início da crise do crédito, em 2007.

O Banco já tinha colocado no seu balanço uma perda de 12.700 milhões de euros no exercício terminado em Dezembro do ano passado, o que já constituía um montante recorde na história das empresas irlandesas. Esta perda também está já associada ao afundamento do valor da sua carteira de créditos.

A minha única preocupação é apenas a falência deste projecto que é só o maior investimento feito em Silves depois do caminho de ferro.

O Amendoeira Golf Resort é um empreendimento totalmente dedicado ao golfe e lazer. Está situado no histórico concelho de Silves e espraia-se por uma área de 640 hectares. Foi concebido para ser um dos mais elegantes resorts europeus de golfe, com dois campos de alta competição - um assinado por Nick Faldo outro por Christy O'Connor Jr. Não obstante tem um grande um leque de instalações desportivas e de lazer, que incluem seis campos de ténis, um campo de futebol, dois campos de bowling de relva, piscinas, galeria interactiva para crianças, creche, restaurantes e bares.

De inspiração mourisca, o empreendimento inclui luxuosas moradias de quatro e cinco quartos, com piscina privativa, moradias de três quartos com opção de piscina privativa e apartamentos de tipologia T2 e T3, que terão piscina comum. Todos os imóveis têm vista para os campos de golfe e a primeira fase será finalizada em 2009.

O grupo é administrado por dois sócios – Gerry Fagan e Simon Burgess. Simon é Quantity Surveyor e foi director na Charles Church, antes de ter montado a sua própria empresa de promoção imobiliária no Reino Unido. Em 1999 resolveu vir viver para Portugal e conheceu Gerry Fagan em 2000. Gerry, antes de se ter dedicado à promoção imobiliária e de ter vindo viver para Portugal em 1999, foi director do Grupo Campbell Bewley, na Irlanda, onde exerceu funções durante mais de 25 anos.

Ainda recupero esta preciosidade de 2006 quando tudo era dourado...

GRUPO ALGARVIO ALARGA ACTIVIDADE NO CONTINENTE, AÇORES E CABO VERDE

Oceânico Developments investe 1500 milhões

Um grupo do sector imobiliário-turístico liderado por um irlandês e um britânico avança a partir da sua sede em Silves para a construção de empreendimentos de luxo com golfe noutras regiões de Portugal e nos PALOP, Os empresários esperam vendas globais da ordem dos dois mil milhões de euros.

O grupo Oceânico vai investir nos próximos quatro anos um total de 800 milhões de euros em empreendimentos turísticos de alta qualidade, revelaram ao Semanário Económico os dois únicos detentores do capital, o irlandês Gerry Fagan e o britânico Simon Burgess. Esse montante, a aplicar em projectos em Óbidos, nos Açores e no Algarve, soma-se aos 700 milhões já investidos nesta região, onde o consórcio foi criado e ganhou ímpeto no início da década.

Sob a designação Oceânico Developments, o sector imobiliário desenvolve-se também através de empresas inteiramente portuguesas, tal como as restantes componentes do grupo, a Oceânico Resorts, orientada para o aluguer e gestão de propriedades, e a Oceânico Leisure, destinada à gestão das infra-estruturas de lazer existentes nos seus empreendimentos.

Simon Burgess salienta que "a Oceânico Developments, orientada para a projecção, construção e promoção de elevada qualidade de empreendimentos, se tornou líder no barlavento algarvio, ganhando notoriedade, em especial na ilhas Britânicas, pelo desenvolvimento de casas de férias e áreas residenciais de quatro e cinco estrelas, baseadas num conceito de luxo e lazer, que vão desde apartamentos com tipologia de estúdio até vivendas com piscinas privativas em empreendimentos de elevada qualidade".

Apostando desde o arranque "num "Portugal real", a Oceânico centrou a sua actividade na cidade histórica de Lagos, em especial nas zonas da Praia da Luz, Meia Praia e Porto de Mós, desenvolvendo projectos assentes na estabilidade, valorização, beleza e características locais".

No concelho de Silves está pronto para arrancar, com um investimento de 400 milhões de euros, o "Amendoeira Golf", que se desenvolve numa quinta de 259 hectares, com oito centenas de unidades de alojamento, num total de 2100 camas em apartamentos, moradias e aparthotel. Tudo num ambiente mediterrânico com referências arquitectónicas mouriscas em torno de dois campos de golfe, um com desenho de Nick Faldo e o outro projectado por Christy O'Connor Jr.

Para tal opção "contribuíram factores fundamentais como o clima, as fáceis acessibilidades proporcionadas pela nova Via do Infante, a proximidade ao Aeroporto Internacional de Faro, que proporciona voos regulares de ligação ao Norte da Europa em apenas duas horas por várias companhias aéreas, e a estabilidade social e política do País", acrescenta Gerry Fagan.

Aposta na América passa pelos Açores

Para os dois empresários, a opção pelo Algarve, onde estão radicados com as respectivas famílias há mais de uma década, é definitiva, tendo mudado recentemente a sede da empresa para o concelho de Silves, onde já constituíram um fundo social para apoio das ONG locais.

Daqui partem novas iniciativas de parceria em Portugal, para já em Óbidos, com a MSF, e nos Açores, mediante acordo com a SIRAM, havendo igualmente perspectivas relativamente aos PALOP e muito em concreto em Cabo Verde. Esta nova estratégia do Grupo Oceânico comporta igualmente a aposta em novos mercados, com relevo para o nacional, da Escandinávia, dos Estados Unidos e do Canadá.

Segundo Gerry Fagan, "faz sentido confiar no interesse em investir nos Açores por parte dos emigrantes portugueses e irlandeses na costa leste do continente americano, pois estas ilhas atlânticas ficam a umas escassas quatro horas de voo e a meio caminho das suas terras de origem.

Açores na rota dos projectos

A privatização da Verde Golf, SA permitiu a compra recente, pela SIRAM Turismo e pela Oceânico Developments, da participação pública do Governo Regional dos Açores na empresa, num total de 9223% das acções, por um valor global de nove mitos de euros.

O consórcio paritário visa desenvolver e promover os dois campos de golfe existentes na Ilha de São Miguel - Furnas e Batalha, bem como a construção do campo projectado para a ilha do Faial, num terreno de 19 hectares, encontrando-se em estudo o desenvolvimento imobiliário.

O montante de investimento é de 300 milhões de euros aplicado em 620 unidades de imobiliário e 330 unidades turísticas, com um total de três mil camas. Clubhouse, clube de ténis, SPA e health club, country, cibercafé, biblioteca, restaurante e bar, além de piscinas interiores e exteriores, completam o equipamento.

A administração da SIRAM Turismo - SGPS, SA foi entregue a Carlos Martins, que exerceu as funções de secretário de Estado nos sectores do Turismo e da Saúde, respectivamente no XVI e no XV Governo Constitucional. Trata-se de uma das nove sub-holdings que compõe o Grupo SIRAM - SGPS, SA, com sede na Madeira e presidido por Silvio Santos. Sob a alçada da SIRAM Turismo estão organizados os investimentos do grupo nesta área, concentrados essencialmente nas regiões autónomas da Madeira e dos Açores.

Óbidos terá golfe desenhado por Ballesteros

A estratégia do grupo Oceânico visa diversificar a oferta noutros destinos, tendo estabelecido uma parceria com o Grupo MSF destinada a desenvolver um projecto turístico-imobiliário, o Pinhal das Rainhas, na zona de Óbidos, com arranque da construção previsto para 2008. Num terreno com 130 hectares, serão Investidos 160 milhões de euros para criar um campo de golfe desenhado por Severiano Ballesteros, estruturas de lazer, 800 unidades de apartamentos e moradias e um aparthotel, com um total de 2360 camas. A construção será dividida em cinco fases.

Encaixe de 126 milhões em apenas seis horas

A expectativa das vendas com os novos empreendimentos atinge os dois mil milhões de euros. Esta confiança radica no êxito verificado com o lançamento do Amendoeira Golfe, que se saldou, num só dia, por compromissos de aquisição no montante de 126 milhões de euros, garantidos por entradas de 20% do valor das fracções, por parte de investidores britânicos e irlandeses. Sucesso semelhante já se tinha verificado com a apresentação do Belmar Spa & Beach Resort, na praia de Porto de Mós, junto à cidade de Lagos, em Abril de 2005, que permitiu em seis horas a venda da grande maioria dos apartamentos.

A estratégia de marketing, explica Gerry Fagan, um dos dois sócios do grupo Oceânico, assenta no encorajamento das pessoas a visitarem o Algarve". Na prática traduz-se por visitas gratuitas de grupos de potenciais clientes em charters aos locais dos projectos no Algarve, seguindo-se um período de total contenção de vendas durante cerca de um mês até ao lançamento, que é precedido por intensa campanha de promoção publicitária em todos os media.

O empresário salienta que o mercado algarvio é atraente para investimentos das famílias, devido à possibilidade de remuneração regular para os que optam por ceder a exploração das fracções adquiridas durante um número variável de semanas por ano, acrescido do potencial de valorização dos imóveis, que tem sido regular e seguro desde há muitos anos. De facto, cerca de 70% dos proprietários contrataram com a Oceânico Resorts a exploração hoteleira das suas fracções.

Isenção do Imposto sucessório como argumento do venda

"Conheço quase todos os destinos concorrentes no mundo e considero que é muito difícil bater o Algarve, pelo clima, proximidade, segurança, paisagem, golfe e praia, sem esquecer as afinidades culturais e até a riqueza da gastronomia. Além disso, Portugal apresenta agora uma vantagem, a isenção do imposto sucessório bastante alargada, que constitui um argumento praticamente inédito na Europa e é em muitos casos irresistível para os compradores na hora da decisão".

Como factores que concorrem no mesmo sentido avultam no caso da Irlanda o crescimento económico do país, que tem facultado às famílias poupanças significativas, e, no que se refere ao Reino Unido, as taxas de juros elevadas e que tornam as hipotecas mais onerosas que na zona euro. Até ao momento as vendas têm incidido sobretudo no mercado da Irlanda, com 60%, sendo o restante da Grã-Bretanha.

O financiamento dos projectos tem sido feito quase exclusivamente com os resultados dos primeiros empreendimentos, com o apoio do Anglo-Irish Bank e com os encaixes proporcionados entregas iniciais dos compradores na fase de desenvolvimento. Tal tem sido possível, observa Simon Burgess, "pela credibilidade adquirida no mercado, que sabe que nós fazemos exactamente aquilo que prometemos".
 
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