O Estado do País

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Estado
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O que vai fazer cair o XVIII Governo Constitucional é o conteúdo das suas políticas contrárias ao interesse público e à Constituição da República.

Derrubar este Governo não antecipa o fim da luta contra as políticas de desregulação e destruição do papel essencial do Estado. Elas serão rapidamente assumidas por outros actores. A luta por um país mais justo e menos desigual deve assim prosseguir...
 
Quem paga?



Afinal, o aeroporto de Beja deverá começar a funcionar ainda antes de Maio, que era a data até agora anunciada. A estreia pode acontecer já em Abril, tendo como destino Cabo Verde, para assinalar a geminação entre os municípios de Ferreira do Alentejo e São Filipe. O voo entre Beja e o município cabo-verdiano de São Filipe, na ilha do Fogo, com escala na capital de Cabo Verde, a cidade da Praia, deverá realizar-se a 14 de Abril e poderá ser “o primeiro voo internacional do aeroporto de Beja”, disse esta segunda-feira à Lusa o presidente do município de Ferreira do Alentejo, Aníbal Costa. O voo será o ponto de partida para uma viagem com regresso previsto para 21 de Abril e que está a ser preparada pelos municípios de Ferreira do Alentejo e São Filipe, ANA - Aeroportos de Portugal, TACV - Cabo Verde Airlines, Esdime - Agência para o Desenvolvimento Local no Alentejo Sudoeste e Dynmed Alentejo - Associação para Estudos e Projectos de Desenvolvimento Regional.

http://fugaspublico.blogspot.com/20..._medium=feed&utm_campaign=Feed:+Fugas+(fugasB)
 
Bragança: SAP’s uma morte anunciada!

«O Governo/PS Sócrates, através do seu Secretário de Estado, Manuel Pizarro, reuniu “secretamente” com os Presidentes de Câmara do Distrito de Bragança para tramarem as populações do Nordeste Transmontano. Decidiram encerrar os SAP’s de 8 concelhos, durante a noite.

Os autarcas (do PS e o PSD) revelaram, mais uma vez, a sua subserviência perante o poder central. Esta atitude não os dignifica, antes os humilha: o seu silêncio remete-os para figuras pequenas e mesquinhas.»

«Se por outro lado, tivermos em conta o Despacho nº 19.264/2010, de 29 de Dezembro, que determina que o Serviço Nacional de Saúde deixará de pagar os transportes de doentes não urgentes e a cumplicidade de alguns autarcas na construção de hospitais privados em Bragança e Mirandela, é fácil concluir – porque a prova está feita – que o PS e o PSD pretendem e estão a conseguir destruir o Serviço Nacional de Saúde na região. O SNS é uma conquista indiscutível da Revolução de Abril!»

Excertos da Declaração de José Brinquete, Membro do Comité Central do PCP, sobre o encerramento de SAP's no Distrito de Bragança, uma das regiões que tem a pior rede de estradas a nível nacional, uma população idosa, dispersa e infelizmente pouco representativa...

 
Editado por um moderador:
Pela segunda vez Monchique contesta exploração mineira!

«Desta vez é a FELMICA-Minerais Industriais S.A. que requereu a atribuição de direitos de prospecção e pesquisa de depósitos minerais de feldspato numa área de 1,612 Km2, na encosta sul da Picota, entre a Fornalha e o Alto de Baixo, no concelho de Monchique!

Os moradores e proprietários daquela zona ficaram chocados quando viram no Jornal de Monchique de 31 de Janeiro último, o aviso da Direcção Geral de energia e Geologia, datado de 10 de Janeiro.

Como é possível que isto aconteça sem ninguém ser previamente consultado nem informado? Abrange uma zona extensa que, além de ser habitada, pertence à Rede Natura 2000 e à Rede Ecológica Nacional!

Onde existe o sobreiro mais antigo de Portugal! Onde reside a Águia de Bonelli…

Os proprietários e os moradores da zona afectada e circundantes estão preocupados com esta situação e solicitam o apoio da comunicação social.

Agradecemos desde já toda a vossa atenção a este assunto!»


Depois do granito rústico nas pedreiras da Nave de Monchique surge o feldspato para fabricar bidés e lavatórios!


AVISO

Faz-se público, nos termos e para efeitos do nº 1 do artigo 6º do Decreto-Lei nº 88/90, de 16 de Março e do nº 1 do artº 1º do Decreto-Lei nº 181/70, de 28 de Abril, que FELMICA – Minerais Industriais, S.A., requereu a atribuição de direitos de prospecção e pesquisa de depósitos minerais de feldspato, numa área “Corte Grande”, localizada no concelho de Monchique, distrito de Faro, delimitada pela poligonal cujos vértices se indicam seguidamente, em coordenadas Hayford-Gauss, DATUM 73, (Melriça):

Área total do pedido: 1,612 km2


Convidam-se todos os interessados a apresentar reclamações, ou a manifestarem preferência, nos termos do nº 4 do artº 13º do Decreto-Lei 90/90, de 16 de Março, por escrito com o devido fundamento, no prazo de 30 dias a contar da data da publicação do presente Aviso no Diário da República.

O pedido está patente para consulta, dentro das horas de expediente, na Direcção de Serviços de Minas e Pedreiras da Direcção-Geral de Energia e Geologia, sita na Avª 5 de Outubro, 87-5º Andar, 1069-039 LISBOA, entidade para quem devem ser remetidas as reclamações. O presente aviso e demais elementos estão também disponíveis na página electrónica desta Direcção-Geral.

Direcção-Geral de Energia e Geologia, em 10 de Janeiro de 2011.

O SUBDIRECTOR GERAL

Carlos A.A.Caxaria
 
Galp regista lucros de 840 mil €/dia

Os lucros da Galp em 2010 atingiram os 306 milhões de euros, registando um crescimento de 43 por cento relativamente a 2009. São 840 mil euros por dia. A apresentação dos melhores resultados de sempre da petrolífera portuguesa acontece numa altura em que os combustíveis em Portugal estão à beira de atingir os preços recorde de meados de 2008.

Ferreira de Oliveira, presidente da Galp, assegura que os lucros nada têm a ver com os preços dos combustíveis praticados em Portugal, assegurando que "sem impostos a gasolina é mais barata em Portugal do que em Espanha".

"Se a carga fiscal fosse mais baixa, até teríamos mais lucros, já que muitos portugueses se deslocam a Espanha para abastecer", disse ontem Ferreira de Oliveira.

São cada vez mais os portugueses que atravessam a fronteira para abastecer o carro. A Associação Nacional dos Revendedores de Combustíveis (ANAREC) estima que mais de 250 mil automobilistas (incluindo seis mil camiões TIR) metam regularmente gasóleo ou gasolina no país vizinho, o que corresponde a uma média de 1250 toneladas de combustíveis por dia. Feitas as contas, o Estado português deixa de encaixar uma receita de mais de 780 mil euros diários, e muitos postos de abastecimento próximos da fronteira continuam a abrir falência.

A 7 de Janeiro, o preço-base da gasolina 95 era em Portugal de 62,5 cêntimos; em Espanha era de 63,4. Só que em Espanha a carga fiscal era de 63,5 cêntimos e em Portugal de 86,1 cêntimos. Ontem, na Repsol de Tui o litro do gasóleo custava 1,251 euros e o da gasolina 95 estava nos 1,280. No posto da Galp de Valença, a cerca de 500 metros, o litro do gasóleo custava 1,374 e o da gasolina 95 estava nos 1,513. Entre as 14h00 e as 14h30, atestaram em Tui 59 carros de matrícula portuguesa; no da Galp de Valença apenas dois.

António Amaral, vice-presidente da ANAREC, diz que "está na altura de o Governo português analisar a sério esta questão".

NAS ELEIÇÕES VENDE-SE MAIS BETUME

A venda de betume, produto utilizado para a pavimentação das ruas, caiu 26 por cento. Para o presidente da Galp, Ferreira de Oliveira, a explicação é muito simples: "As 489 mil toneladas que vendemos em 2009 têm a ver com as eleições autárquicas. São anos em que há sempre um grande aumento de asfaltagem de estradas."

As vendas de gasolina desceram 5 por cento em 2010 (1,93 milhões de toneladas), do GPL caíram 4 por cento (690 mil toneladas) e do fuelóleo marítimo 5 por cento (63 mil toneladas).

O gasóleo manteve-se neutro (nos 6,45 milhões de toneladas), enquanto o combustível para aviação, o jetfuel, cresceu 8 por cento (1,17 milhões de toneladas).

BIODISEL SEM CONCORRÊNCIA

O aumento recente do preço do biodiesel, devido à escalada dos cereais nos mercados internacionais e ao facto de lhe ter sido introduzida taxa de IVA, também está a contribuir para o alto preço do gasóleo.

Ora a ANAREC quer saber porque é que o fornecimento à Galp é feito apenas por uma única empresa, considerando que "estamos perante mais um caso de ausência de concorrência no sector".

GASÓLEO PERTO DA GASOLINA

Nunca os preços do gasóleo em Portugal estiveram tão próximos dos da gasolina 95. Ontem, na maioria dos postos de abastecimento portugueses a diferença situava-se entre os 11 e os 14 cêntimos, estimando os especialistas que a tendência de aproximação vá continuar. Aliás, em Espanha a diferença entre estes dois combustíveis é de apenas três cêntimos, prevendo os revendedores que o gasóleo venha a ficar mais caro do que a gasolina.

Fonte: CM

Este deve pensar que os lucros que tem é da água mineral que vende, não é dos combustíveis. Será que a Galp vende outras coisas para além de combustíveis.:lmao: Este deve pensar que os portugueses são burros ou ingénuos. :angry:

Em Olhão, o posto da Galp vende o gasóleo e a gasolina um cêntimo mais caro do que em Valença.

Se o pessoal de Lisboa e Porto começasse a ir abastecer à Espanha e fosse rentável logo viam se os preços não desciam.
 
Pela segunda vez Monchique contesta exploração mineira!

«Desta vez é a FELMICA-Minerais Industriais S.A. que requereu a atribuição de direitos de prospecção e pesquisa de depósitos minerais de feldspato numa área de 1,612 Km2, na encosta sul da Picota, entre a Fornalha e o Alto de Baixo, no concelho de Monchique!

Os moradores e proprietários daquela zona ficaram chocados quando viram no Jornal de Monchique de 31 de Janeiro último, o aviso da Direcção Geral de energia e Geologia, datado de 10 de Janeiro.

Como é possível que isto aconteça sem ninguém ser previamente consultado nem informado? Abrange uma zona extensa que, além de ser habitada, pertence à Rede Natura 2000 e à Rede Ecológica Nacional!

Onde existe o sobreiro mais antigo de Portugal! Onde reside a Águia de Bonelli…

Os proprietários e os moradores da zona afectada e circundantes estão preocupados com esta situação e solicitam o apoio da comunicação social.

Agradecemos desde já toda a vossa atenção a este assunto!»


Depois do granito rústico nas pedreiras da Nave de Monchique surge o feldspato para fabricar bidés e lavatórios!


AVISO

Faz-se público, nos termos e para efeitos do nº 1 do artigo 6º do Decreto-Lei nº 88/90, de 16 de Março e do nº 1 do artº 1º do Decreto-Lei nº 181/70, de 28 de Abril, que FELMICA – Minerais Industriais, S.A., requereu a atribuição de direitos de prospecção e pesquisa de depósitos minerais de feldspato, numa área “Corte Grande”, localizada no concelho de Monchique, distrito de Faro, delimitada pela poligonal cujos vértices se indicam seguidamente, em coordenadas Hayford-Gauss, DATUM 73, (Melriça):

Área total do pedido: 1,612 km2


Convidam-se todos os interessados a apresentar reclamações, ou a manifestarem preferência, nos termos do nº 4 do artº 13º do Decreto-Lei 90/90, de 16 de Março, por escrito com o devido fundamento, no prazo de 30 dias a contar da data da publicação do presente Aviso no Diário da República.

O pedido está patente para consulta, dentro das horas de expediente, na Direcção de Serviços de Minas e Pedreiras da Direcção-Geral de Energia e Geologia, sita na Avª 5 de Outubro, 87-5º Andar, 1069-039 LISBOA, entidade para quem devem ser remetidas as reclamações. O presente aviso e demais elementos estão também disponíveis na página electrónica desta Direcção-Geral.

Direcção-Geral de Energia e Geologia, em 10 de Janeiro de 2011.

O SUBDIRECTOR GERAL

Carlos A.A.Caxaria

Hoje em dia poucos se preocupam com os impactos das minas e pedreiras, mas no futuro chamar-nos-ão ignorantes e selvagens.

É só observar como está a ficar a Serra dos Candeeiros e a Serra do Sicó.
 
Os radares e a vigilância da costa portuguesa

O Estado Novo gostava de exibir a sua grandeza colocando o mapa da metrópole e das colónias sobre o da Europa, não fosse alguém desconfiar da nossa pequenez. Era um orgulho ver que grande parte do Velho Continente ficava coberto por terras lusas. Aquele exercício não provava que Portugal fazia grande coisa com tantas possessões. Mas não havia dúvida de que todas aquelas terras eram uma coisa em grande.
Hoje, Portugal faz mais ou menos o mesmo, embora em relação ao mar. Orgulhamo-nos das imensas águas da nossa Zona Económica Exclusiva, que é 15 vezes maior do que o espaço que temos em terra firme, e até justificamos com essa imensidão marítima o pagamento de 800 milhões de euros por dois submarinos que nos entregam ainda a cheirar a tinta fresca. Mas falhamos num dos aspectos mais básicos da vigilância costeira: a rede de radares. Os que existiam foram desligados. Os novos, ainda não chegaram.
Neste momento, Portugal, que é um país de costa e de mar, não tem uma ferramenta essencial para vigiar essa área. E não há dúvidas de que este equipamento é fundamental, porque o próprio Governo o frisou para defender o investimento de quase 30 milhões de euros nessa rede chamada SIVICC.
Como não temos radares, o seu papel é agora desvalorizado. O MAI, que deu conta do perigo que corríamos sem eles, exibe números fantásticos de apreensões de droga e de pescado ilegal num período em que a rede antiga, moribunda, já mal funcionava. Em breve, adivinha-se, terá de fazer um difícil exercício que é o de inaugurar os novos equipamentos sem nos dar a ideia de que está a deitar dinheiro à rua. Não está, diga-se.
Numa altura em que do mundo árabe se foge aos milhares para a Europa de forma ilegal, a vigilância costeira é fundamental para prevenir estes fluxos migratórios.

Opinião no DN
 
António Saraiva diz que peso dos salários prejudica a competitividade

O presidente da CIP considera que a fatia dos salários em Portugal é excessiva e que alguns empresários sofrem de défice de qualificações. Ambos, diz, pesam negativamente na competitividade das empresas portuguesas.

António Saraiva, presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP) defendeu hoje no colóquio “Produtividade Portugal” que o peso dos salários em Portugal é excessivo e que isso pesa negativamente na competitividade das empresas portuguesas.

“Os nossos salários penalizam a competitividade das empresas”, disse o responsável, durante o colóquio organizado pela Associação Empresarial de Portugal (AEP), que decorre em Matosinhos.

Saraiva disse ainda que, nalguns casos, a insuficiente formação dos empresários também prejudica a capacidade de as empresas portuguesas concorrerem com as suas congéneres nos mercados externos.

“Nós empresários temos, nalguns casos, défice de formação. Temos de sair da ‘caixa’ e descobrir que há mais mundo para elevar as nossas empresas”, recomendou.

Referindo-se à meta apontada pelo Governo de aumentar para 40% o peso das exportações no PIB, o responsável da CIP sublinhou que “não chega dizer”. “Isto não se faz com varinha mágica. É preciso apoiar as empresas”.

Apontando o dedo também ao comportamento da classe política, Saraiva fez ainda referência às recentes moções de censura, considerando que “os nossos políticos continuam a digladiar-se por razões meramente eleitorais e deixam as discussões do país para segundo plano. Isto tem reflexos na produtividade”.

Jornal de Negócios

Tá tudo maluco, são os impostos que prejudicam a competitividade não os salários que são baixos :angry:
 
António Saraiva diz que peso dos salários prejudica a competitividade



Tá tudo maluco, são os impostos que prejudicam a competitividade não os salários que são baixos :angry:

Não podia estar mais de acordo, Mário! Este homem não sabe o que diz..

Uma coisa é falarmos de eficiência produtiva, enfim, custo homem/Hora, outra é afirmar cabalmente que a culpa de não sermos competitivos é de termos salários altos em relação aos países com quem competimos!

Eu diria que a tendência futura, é a de que iremos produzir bens que não teremos vontade/capacidade de comprar, isto é, são bens que produzimos para exportar, e ainda bem que assim é!
Ainda bem apesar de tudo, mas mal porque a continuar assim, cada vez mais seremos clientes de lojas do chinês, outlets, boutiques "C" (mercado da comunidade cigana) e afins..

Eu não sei bem se não seria melhor acabar com o ordenado mínimo e deixar a economia definir-se por si própria, pois para algumas empresas o ordenado mínimo é elevado (em virtude da falta de eficiência produtiva mas também do valor acrescentado daquilo que produzem), mas para outras, na verdade, o ordenado mínimo é uma pechincha! Não estou a assumir nenhuma posição política, e na verdade seria uma opção a tomar quando o desemprego fosse menor que 5%, assim asseguraria a eficiência do mercado de trabalho, se é que me faço entender.. Existem países, por exemplo a áustria, compostos por estados onde alguns não têm ordenado mínimo e outros têm dentro do mesmo país.
 
O que prejudica a nossa economia não é o valor dos salários mínimos, mas sim a carga fiscal, a lentidão da justiça, a corrupção, o tráfico de influências, o nepotismo, o peso do Estado na sociedade, a falta de formação dos portugueses (e os diplomas ao estilo Novas Oportunidades), a falta de formação dos empresários, as leis laborais ou os salários e reformas de médicos, gestores, militares ou políticos.
 
O que prejudica a nossa economia não é o valor dos salários mínimos, mas sim a carga fiscal, a lentidão da justiça, a corrupção, o tráfico de influências, o nepotismo, o peso do Estado na sociedade, a falta de formação dos portugueses (e os diplomas ao estilo Novas Oportunidades), a falta de formação dos empresários, as leis laborais ou os salários e reformas de médicos, gestores, militares ou políticos.

Resumindo numa palavra:

TUDO
 
Contra a escola-armazém

por Daniel Sampaio

Merece toda a atenção a proposta de escola a tempo inteiro (das 7h30 às 19h30?), formulada pela Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap). Percebe-se o ponto de vista dos proponentes: como ambos os progenitores trabalham o dia inteiro, será melhor deixar as crianças na escola do que sozinhas em casa ou sem controlo na rua, porque a escola ainda é um território com relativa segurança. Compreende-se também a dificuldade de muitos pais em assegurarem um transporte dos filhos a horas convenientes, sobretudo nas zonas urbanas: com o trânsito caótico e o patrão a pressionar para que não saiam cedo, será melhor trabalhar um pouco mais e ir buscar os filhos mais tarde.

Ao contrário do que parecia em declarações minhas mal transcritas no PÚBLICO de 7 de Fevereiro, eu não creio à partida que será muito mau para os alunos ficar tanto tempo na escola. Quando citei o filme Paranoid Park, de Gus Von Sant, pretendia apenas chamar a atenção para tantas crianças que, na escola e em casa, não conseguem consolidar laços afectivos profundos com adultos, por falta de disponibilidade destes. É que não consigo conceber um desenvolvimento da personalidade sem um conjunto de identificações com figuras de referência, nos diversos territórios onde os mais novos se movem.

O meu argumento é outro: não estaremos a remediar à pressa um mal-estar civilizacional, pedindo aos professores (mais uma vez...) que substituam a família? Se os pais têm maus horários, não deveriam reivindicar melhores condições de trabalho, que passassem, por exemplo, pelo encurtamento da hora do almoço, de modo a poderem chegar mais cedo, a tempo de estar com os filhos? Não deveria ser esse um projecto de luta das associações de pais?

Importa também reflectir sobre as funções da escola. Temos na cabeça um modelo escolar muito virado para a transmissão concreta de conhecimentos, mas a escola actual é uma segunda casa e os professores, na sua grande maioria, não fazem só a instrução dos alunos, são agentes decisivos para o seu bem-estar; perante a indisponibilidade de muitos pais e face a famílias sem coesão onde não é rara a doença mental, são os promotores (tantas vezes únicos!) das regras de relacionamento interpessoal e dos valores éticos fundamentais para a sobrevivência dos mais novos.

Perante o caos ou o vazio de muitas casas, os docentes, tantas vezes sem condições e submersos pela burocracia ministerial, acabam por conseguir guiar os estudantes na compreensão do mundo. A escola já não é, portanto, apenas um local onde se dá instrução, é um território crucial para a socialização e educação (no sentido amplo) dos nossos jovens. Daqui decorre que, como já se pediu muito à escola e aos professores, não se pode pedir mais: é tempo de reflectirmos sobre o que de facto lá se passa, em vez de ampliarmos as funções dos estabelecimentos de ensino, numa direcção desconhecida.

Por isso entendo que a proposta de alargar o tempo passado na escola não está no caminho certo, porque arriscamos transformá-la num armazém de crianças, com os pais a pensar cada vez mais na sua vida profissional.

A nível da família, constato muitas vezes uma diminuição do prazer dos adultos no convívio com as crianças: vejo pais exaustos, desejosos de que os filhos se deitem depressa, ou pelo menos com esperança de que as diversas amas electrónicas os mantenham em sossego durante muito tempo.

Também aqui se impõe uma reflexão sobre o significado actual da vida em família: para mim, ensinado pela Psicologia e Psiquiatria de que é fundamental a vinculação de uma criança a um adulto seguro e disponível, não faz sentido aceitar que esse desígnio possa alguma vez ser bem substituído por uma instituição como a escola, por melhor que ela seja. Gostaria, pois, que os pais se unissem para reivindicar mais tempo junto dos filhos depois do seu nascimento, que fizessem pressão nas autarquias para a organização de uma rede eficiente de transportes escolares, ou que sensibilizassem o mundo empresarial para horários com a necessária rentabilidade, mas mais compatíveis com a educação dos filhos e com a vida em família.

Aos professores, depois de um ano de grande desgaste emocional, conviria que não aceitassem mais esta "proletarização" do seu desempenho: é que passar filmes para os meninos depois de tantas aulas dadas - como foi sugerido pelos autores da proposta que agora comento - não parece muito gratificante e contribuirá, mais uma vez, para a sua sobrecarga e para a desresponsabilização dos pais.
in www.publico.pt



Para reflectir...

Não consigo entender, de facto, o porquê de muitos pais, hoje em dia, quererem ser pais. É porque fica bem? É porque a sociedade assim o “obriga”? É porque um casal sem filhos está a ir contra a tradição? É porque o casal amigo tem um bom carro, uma boa casa e filhos, logo, também temos que ter um bom carro, uma boa casa e filhos?

Coloco estas questões porque, conhecendo alguns casos, muitos casais com filhos, durante a semana colocam o filho no infantário às 08h00 e vão buscá-los às 19h30, chegam a casa, dão-lhes banho, jantar e metem-nos na cama às 21h30. Ao fim-de-semana, esses mesmos casais, para poderem descansar de uma semana árdua de trabalho, vão colocar os filhos na sexta-feira à noite na casa dos avós e vão buscá-los no Domingo à noite. Perante isto, quanto tempo estiveram os filhos com os pais? Refazendo a questão, quanto tempo estiveram as crianças com aquele casal que lhes dá guarida à semana?

E depois há aqueles pais que perguntam no Infantário se não estão a pensar prolongar o horário até às 24h, ou se não haverá a hipótese de os miúdos tomarem banho e jantarem logo no infantário, para, assim que chegarem a casa, irem directos para a cama! Ou outros ainda que perguntam se o infantário está aberto aos Sábados…

Já para não falar dos casos em que os pais (os dois ou um dos progenitores) estão de férias e vão colocar os putos no infantário, para os irem buscar ao fim da tarde/noite, ainda com o bikini vestido…

E agora vem a Confederação Nacional das Associações de Pais propor um alargamento do tempo na escola, sob o pretexto de que os pais, coitadinhos, têm que trabalhar e os putos ficam mais seguros na escola até tão tarde?!! Acredito que alguns desses pais tenham, de facto, de trabalhar até tarde e não consigam mesmo ir buscar os filhos à escola, mas acho que este será mais um pretexto para todos os outros “pais virtuais” deixarem ainda mais tempo os “filhos virtuais” armazenados naquele local a que chamam de escola…

Se calhar sou eu (e felizmente também conheço mais pais assim) que vejo as coisas de maneira diferente! Se calhar eu é que sou o “pai/mãe alienígena” que vai buscar o filho à escola assim que sai do trabalho, que fica com o filho em casa nos dias de férias, que vais buscar o filho logo depois do almoço quando tem uma tarde de folga, que no dia de anos do filho pede para sair mais cedo do trabalho, reduzindo nesse dia a hora de almoço, que apesar de chegar cansado a casa, faz questão de brincar, falar, ensinar, educar, passar tempo com o filho, ainda que isso implique que ele se deita um pouco mais tarde que o suposto…

Se calhar, por isso, tenho o enorme prazer de o meu filho chegar ao pé de mim e, sem lhe pedir nada, ele me dar um abraço, um beijo e dizer “GOSTO DE TI PAI/MÃE”!

Se calhar por isso, há pais que não têm o prazer de saber o que é ser pais… e apresentem propostas para que os filhos permaneçam o maior tempo possível na escola…

Aos casais que optam por não ter filhos, aplaudo a sua decisão, pois se acham que não teriam tempo (pelas mais variadas razões, que não estão aqui em causa) para se dedicarem aos filhos da forma que eles merecem ou por outras quaisquer razões que lhes levam a isso, então tomam a decisão acertada e não são levados pelo que a sociedade “obriga”!
 
Para reflectir...

Não consigo entender, de facto, o porquê de muitos pais, hoje em dia, quererem ser pais. É porque fica bem? É porque a sociedade assim o “obriga”? É porque um casal sem filhos está a ir contra a tradição? É porque o casal amigo tem um bom carro, uma boa casa e filhos, logo, também temos que ter um bom carro, uma boa casa e filhos?

Coloco estas questões porque, conhecendo alguns casos, muitos casais com filhos, durante a semana colocam o filho no infantário às 08h00 e vão buscá-los às 19h30, chegam a casa, dão-lhes banho, jantar e metem-nos na cama às 21h30. Ao fim-de-semana, esses mesmos casais, para poderem descansar de uma semana árdua de trabalho, vão colocar os filhos na sexta-feira à noite na casa dos avós e vão buscá-los no Domingo à noite. Perante isto, quanto tempo estiveram os filhos com os pais? Refazendo a questão, quanto tempo estiveram as crianças com aquele casal que lhes dá guarida à semana?

E depois há aqueles pais que perguntam no Infantário se não estão a pensar prolongar o horário até às 24h, ou se não haverá a hipótese de os miúdos tomarem banho e jantarem logo no infantário, para, assim que chegarem a casa, irem directos para a cama! Ou outros ainda que perguntam se o infantário está aberto aos Sábados…

Já para não falar dos casos em que os pais (os dois ou um dos progenitores) estão de férias e vão colocar os putos no infantário, para os irem buscar ao fim da tarde/noite, ainda com o bikini vestido…

E agora vem a Confederação Nacional das Associações de Pais propor um alargamento do tempo na escola, sob o pretexto de que os pais, coitadinhos, têm que trabalhar e os putos ficam mais seguros na escola até tão tarde?!! Acredito que alguns desses pais tenham, de facto, de trabalhar até tarde e não consigam mesmo ir buscar os filhos à escola, mas acho que este será mais um pretexto para todos os outros “pais virtuais” deixarem ainda mais tempo os “filhos virtuais” armazenados naquele local a que chamam de escola…

Se calhar sou eu (e felizmente também conheço mais pais assim) que vejo as coisas de maneira diferente! Se calhar eu é que sou o “pai/mãe alienígena” que vai buscar o filho à escola assim que sai do trabalho, que fica com o filho em casa nos dias de férias, que vais buscar o filho logo depois do almoço quando tem uma tarde de folga, que no dia de anos do filho pede para sair mais cedo do trabalho, reduzindo nesse dia a hora de almoço, que apesar de chegar cansado a casa, faz questão de brincar, falar, ensinar, educar, passar tempo com o filho, ainda que isso implique que ele se deita um pouco mais tarde que o suposto…

Se calhar, por isso, tenho o enorme prazer de o meu filho chegar ao pé de mim e, sem lhe pedir nada, ele me dar um abraço, um beijo e dizer “GOSTO DE TI PAI/MÃE”!

Se calhar por isso, há pais que não têm o prazer de saber o que é ser pais… e apresentem propostas para que os filhos permaneçam o maior tempo possível na escola…

Aos casais que optam por não ter filhos, aplaudo a sua decisão, pois se acham que não teriam tempo (pelas mais variadas razões, que não estão aqui em causa) para se dedicarem aos filhos da forma que eles merecem ou por outras quaisquer razões que lhes levam a isso, então tomam a decisão acertada e não são levados pelo que a sociedade “obriga”!


E eu andava para aqui feita parva à procura do botão like!

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