O Estado do País

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Gerofil, no secundário tomei conhecimento de turmas e horários feitos à medida da vontade de duas ou três pessoas do executivo. E eu fui um dos prejudicados, pois fiquei na turma dos repetentes. Na minha área fizeram uma turma só com raparigas, sem rapazes, e com as melhores alunas, as favoritas da professora x. E no Superior são constantes os horários feitos à medida do bem estar dos professores. Não menti, portanto.

Quanto à carência de horários, o problema mor está não na carga horária total, mas sim no tempo que se perde com coisas fúteis. Antigamente com carga horária idêntica os alunos absorviam um conjunto de conhecimentos largamente superior ao que absorvem actualmente, logo no ensino primário. Há muitas matérias que deveriam ser leccionadas bem mais cedo, e que são chutadas para o Secundário ou para o Superior. Entretanto, perde-se demasiado tempo com «tretas lúdicas» ou repetições de conteúdos.

Não se esqueça que uma das principais causas da elevada carga horária escolar na China é o seu complexo alfabeto, com perto de 50 mil caracteres!
 
Tens razão, Lousano! Estou plenamente de acordo.. Mas isso é o óptimo, e o óptimo como todos nós sabemos, é inimigo do bom! Se Portugal fosse um mercado fechado para fora, essa seria a solução ideal sem sombra de dúvida. Mas a realidade é outra.. É também uma questão de organização, de quanto se está disponível a produzir para um monte, ou então apenas uma questão de sobrevivência da empresa!

Será que o estado deve regular aqui cegamente? Enfim, meter a pata na definição dos horários sem ter em conta as especificidades de cada empresa? São cada vez mais tempos passados, é a minha opinião, apesar de estar de acordo com a importância da família, claro que sim!!

Mas eu sou suspeito, já trabalhei 12 a 14h por dia, e a 5min de casa! Para mim sem emprego nada somos nem nos sentimos realizados!


Se nas nossas faculdades tivéssemos horários «europeus» já seria um grande avanço para os estudantes e para a sociedade em geral!

E defendo a proibição da abertura das grandes superfícies ao Domingo e depois das 22 horas.
 
Tens razão, Lousano! Estou plenamente de acordo.. Mas isso é o óptimo, e o óptimo como todos nós sabemos, é inimigo do bom! Se Portugal fosse um mercado fechado para fora, essa seria a solução ideal sem sombra de dúvida. Mas a realidade é outra.. É também uma questão de organização, de quanto se está disponível a produzir para um monte, ou então apenas uma questão de sobrevivência da empresa!

Será que o estado deve regular aqui cegamente? Enfim, meter a pata na definição dos horários sem ter em conta as especificidades de cada empresa? São cada vez mais tempos passados, é a minha opinião, apesar de estar de acordo com a importância da família, claro que sim!!

Mas eu sou suspeito, já trabalhei 12 a 14h por dia, e a 5min de casa! Para mim sem emprego nada somos nem nos sentimos realizados!

Paulo H, como é óbvio o problema que refiro não é nacional, até estamos a importar um problema que é mais presente noutros países ocidentais.

A razão de ainda não temos tumultos, racismo, uma fractura extrema social, é devido a estarmos num país periférico, onde a economia não é extremamente competitiva.

O problema dos valores sociais totalmente perdidos numa sociedade sem regras é que irá gradualmente gerar o caos e pessoas desintegradas na sociedade, sem rumo.

O mais estranho é neste fórum apenas debaterem em ideais de direita ou de esquerda que nada abrangem este problema emergente.
 
Gerofil, no secundário tomei conhecimento de turmas e horários feitos à medida da vontade de duas ou três pessoas do executivo. E eu fui um dos prejudicados, pois fiquei na turma dos repetentes. Na minha área fizeram uma turma só com raparigas, sem rapazes, e com as melhores alunas, as favoritas da professora x. E no Superior são constantes os horários feitos à medida do bem estar dos professores. Não menti, portanto.

Ok, já percebi que foi na sua escola. :thumbsup:
 
Paulo H, como é óbvio o problema que refiro não é nacional, até estamos a importar um problema que é mais presente noutros países ocidentais.

A razão de ainda não temos tumultos, racismo, uma fractura extrema social, é devido a estarmos num país periférico, onde a economia não é extremamente competitiva.

O problema dos valores sociais totalmente perdidos numa sociedade sem regras é que irá gradualmente gerar o caos e pessoas desintegradas na sociedade, sem rumo.

O mais estranho é neste fórum apenas debaterem em ideais de direita ou de esquerda que nada abrangem este problema emergente.

Os políticos são na maior parte das vezes autistas (sem prejuízo para os autistas, por ex: einstein), teimam em defender o seu partido agarrando-se cegamente nas suas idealogias, quando por vezes o que o povo precisa é apenas e só da medida certa no momento certo.

Mas o povo também tem culpa, às vezes apenas por pensar que o estado deve distribuir mais, quando se esquece que o estado somos nós próprios contribuintes e não só, mas com a certeza que somos governados pela maioria de quem votou!

Os valores sociais, a família são muito importantes! Mas sem trabalho tudo se desagrega, até a família e o valor de cada individualidade! Quando o problema da nossa sociedade se deve directa ou indirectamente ao desemprego, não é lá muito boa idéia o estado regular os horários de funcionamento das empresas. As empresas querem o melhor para os seus trabalhadores, que estejam bem colocados, no turno que desejam. Os horários estão na maior parte dos casos optimizados, por forma a maximizar as suas necessidades!
 
Já repararam no paradoxo que esta discussão dos horários levanta ?

Se parte da população trabalha das x às y horas, isso implica que outra parte da população tem que trabalhar das y às z horas. Ou seja, se as pessoas trabalham até determinada hora e quando saem do trabalho tem que tratar de outras coisas que não o trabalho. Ir ao banco, ir tratar de alguma papelada num organismo do Estado, ir às compras, etc, o que implica que outras pessoas terão que estar a trabalhar nessas horas para os servir.

Certo Vince, e todos vemos para qualidade de sociedade estamos a caminhar.


Penso que o problema podia-se resolver nos dias de descanso, folgas.

O comércio, hotelaria e turismo poderiam beneficiar desse facto, de ter mais dias com grande potencial e não apenas 2 dias por semana excepcionais.

Penso que a discussão se resume mais ao número de horas de trabalho e horas em que se pode estar com a família. Alguns sectores de actividade podem ver as suas vidas um pouco melhoradas nas próximas décadas com recurso à tecnologia de tele-trabalho, etc. Noutros sectores terá que passar por aumentar a produtividade e trabalhar menos horas.

Todos podem até trabalhar mais horas, esse não é o problemas (só se for os problemas dos fanático-sindicais), mas já está provado que a tecnologia não ajudará o bem estar familiar do trabalhador, apenas poderá substituí-lo em certas tarefas.

Tele-trabalho?... - Nem tenho comentários.
 
Como já referi, e volto a repetir, temos excelentes exemplos de organização de horários e combinação de horários com qualidade de vida e produtividade nos países nórdicos, na Holanda ou na Alemanha. Penso que esse deve ser o nosso caminho, mais produtividade, começar a trabalhar mais cedo e sair mais cedo do trabalho também. E termos um dia de descanso que seja comum à maior parte da população, que na cultura Ocidental, por razões culturais/históricas/religiosas é o Domingo. Os nórdicos, mais do que nós, tal como os holandeses, já começaram a acordar para o problema há muito tempo. Na Holanda é muito comum os jovens de classe média ou mesmo média-alta começarem a trabalhar nas férias ainda no final da adolescência, e é comum trabalharem enquanto estudam, sem que isso afecte o seu rendimento. Conheço bem essa realidade porque a minha família tem amigos com filhos e netos na casa dos vinte e adolescentes, e são pessoas de classe média-alta. Lá é possível fazer esta vida por mil e uma razões, há uma excelente rede de transportes públicos, logo não se perde tempo em filas de trânsito ou a estacionar, os horários são muito organizados, as pessoas deitam-se cedo (mais rendimento no dia seguinte), etc. Desde a adolescência os jovens são incutidos a ser financeiramente e emocionalmente independentes da família, por isso é muito comum aos 18 anos já não receberem mesada porque trabalham, têm bolsa e direito a quarto em residência pública. Para um holandês seria impensável viver como se vive em Portugal, os holandeses são extremamente poupados, trabalhadores e organizados. Essa deve ser uma das batalhas em Portugal, a defesa da qualidade de vida e a defesa da família tradicional.
 
Não vou dizer que em Inglaterra tudo é maravilhas, pois lá vi bullying, bebedeiras, raparigas a fazer propostas daquelas mais ousadas :lol: (mesmo muito hardcore às vezes) mas fiquei surpreendido porque os jovens ocupam o tempo livre de forma muito útil, há coros de música clássica, fazem cadeiras extra-curriculares, alguns trabalham mesmo dentro da própria universidade ou como guias turísticos! E sabem o que fazem centenas de jovens na UP? Ocupam boa parte do tempo em sessões de praxe, por vezes tardes inteiras ao longo de semanas a fio!

E isso tem também de mudar, temos de mudar, sermos mais independentes e ensinarmos os nossos futuros filhos a ser financeiramente independentes, a ocupar o tempo de forma útil e instrutiva, a terem iniciativa, a serem dinâmicos. Lamentavelmente, estou a crer que a geração dos meus pais falhou demasiado!
 
Certo Vince, e todos vemos para qualidade de sociedade estamos a caminhar.


Penso que o problema podia-se resolver nos dias de descanso, folgas.

O comércio, hotelaria e turismo poderiam beneficiar desse facto, de ter mais dias com grande potencial e não apenas 2 dias por semana excepcionais.



Todos podem até trabalhar mais horas, esse não é o problemas (só se for os problemas dos fanático-sindicais), mas já está provado que a tecnologia não ajudará o bem estar familiar do trabalhador, apenas poderá substituí-lo em certas tarefas.

Tele-trabalho?... - Nem tenho comentários.

Se numa semana num serviço de 4 pessoas (em que muito tempo será de férias já), 3 asseguram um serviço com qualidade pois irá haver períodos de menor trabalho irá haver o turno da manhã, do dia (que reforça com 2/3 pessoas ao serviço) e a das tardes. Logo uma semana tem a manhã livre, outra o dia, e outra a tarde.
Isso implica que todas as pessoas podem com um bom calendário ter uma vida bem facilitada! Redução para 36 horas semanais para dar 6h em 6d

Eu trabalho de noites 00h-08h, e isso é que faz mal e não estou a pedir a ninguém que não seja preciso fazer que o faça. Isso seria ser egoísta da minha parte! Nem pedir para trabalhar nos domingos nem nos feriados.
O meu serviço até joga futebol as segundas, alguns as quintas e por exemplo eu aos sábados. Paciência uma das semanas não jogo.
Agora que da para fazer todo o que preciso como cidadão sem tirar "dias" isso da, e quando estou no meu trabalho estou só para trabalhar. Atenção faço 39h30m em média anual por semana.
 
Tele-trabalho?... - Nem tenho comentários.

Oh Lousano não entendi... Mero exemplo: Tenho um amigo que qualquer dia apanha um esgotamento de tão pouco que dorme por causa do trabalho, e precisamente grande fatia é tele-trabalho. Telefone, computador, mail, conferências com clientes, reuniões on-line com os restantes colaboradores da sua empresa que se encontram espalhados pelo país! Trabalha que se desunha e felizmente tudo corre de vento em popa.

Isto para dizer que hoje em dia a noção de trabalho das 9 às 17h (ou 16, ou 15....) já não existe e muito menos a noção do trabalho de secretária ou de fábrica ou de mercearia... Os tempos mudaram.

Por acaso eu gosto da visão que o Frederico apresentou. Hoje falta tempo para tudo: Tempo para dedicar à família, aos filhos, aos amigos... E ás vezes até, e principalmente, a nós próprios, para reflectir, para traçar os nossos próprios rumos. E isto começa a ter consequências sociais, algumas graves como já foi aqui referido.

Contudo e embora concorde traços largos com o Frederico como disse, a própria definição de trabalho (ou emprego) hoje em dia é diferente e essa idealização é muito difícil de se "institucionalizar". Aliás penso que mesmo os países que seguem mais ou menos esse modelo vão deixa-lo esbater com o tempo.

Importa é a que a sociedade atinja um equilíbrio, que no mundo laboral se deve balancear entre uma flexibilidade q.b., um bem estar e satisfação no trabalhador, uma motivação que se deve promover dentro e fora do local de trabalho. Falta tempo neste mundo... é preciso imaginação para o esticar.
 
Há outra ideia muito errada que circula por aí, a parte do dia que o trabalho corre melhor é sem dúvida a tarde.
Tive aulas sempre de tarde e trabalhei de dia e estudei a noite com BOAS notas. É necessário organizar-se! Isso é, e comer pouco de cada vez embora quando entro as 16h às 12h almoço e faço La Siesta é tão bom para recuperar da natação das 10h :cool:
 
Tele-trabalho ? Sim !


Nas actividades onde é possível só em filas de transito ou transportes públicos nas grandes cidades como Lisboa e Porto ganha-se uma ou até duas horas diariamente para a família. Além do que se poupa em combustíveis e stress. E as estradas ficam menos congestionadas para os outros que não tem uma actividade que permita tal coisa. Não se esqueçam que não é só o trabalho que nos ocupa,é também o tempo perdido que andamos de um lado para o outro, para os centros comerciais, para outras actividades, etc.

Obviamente que não é sempre, tele-trabalho é uma coisa que só funciona quando é muito bem gerida, podem ser por exemplo apenas uns dias por semana, alternados, etc. Hoje em dia podemos fazer reuniões, trabalharmos nas aplicações da empresa remotamente, até mesmo fazer atendimento telefónico. E muitas vezes tele-trabalho em casa quando bem gerido por uma pessoa responsável é compatível com cuidado dum bebé por exemplo, ou ir mais cedo buscar os filhos à escola e com estes em casa retomar algumas funções.

A tecnologia pode ajudar neste campo, afinal quanto tempo não poupamos hoje em idas ao banco, às finanças, etc, com o uso destes serviços via Internet ?

Pensei que falavas em tele-trabalho não como complemento, mas como substituição de forma de trabalho.
 
Essa concessão se ainda não foi para o terreno devia ficar desde já anulada devido a incumprimento de contrato.
 
Como já referi, e volto a repetir, temos excelentes exemplos de organização de horários e combinação de horários com qualidade de vida e produtividade nos países nórdicos, na Holanda ou na Alemanha. Penso que esse deve ser o nosso caminho, mais produtividade, começar a trabalhar mais cedo e sair mais cedo do trabalho também. E termos um dia de descanso que seja comum à maior parte da população, que na cultura Ocidental, por razões culturais/históricas/religiosas é o Domingo. Os nórdicos, mais do que nós, tal como os holandeses, já começaram a acordar para o problema há muito tempo. Na Holanda é muito comum os jovens de classe média ou mesmo média-alta começarem a trabalhar nas férias ainda no final da adolescência, e é comum trabalharem enquanto estudam, sem que isso afecte o seu rendimento. Conheço bem essa realidade porque a minha família tem amigos com filhos e netos na casa dos vinte e adolescentes, e são pessoas de classe média-alta. Lá é possível fazer esta vida por mil e uma razões, há uma excelente rede de transportes públicos, logo não se perde tempo em filas de trânsito ou a estacionar, os horários são muito organizados, as pessoas deitam-se cedo (mais rendimento no dia seguinte), etc. Desde a adolescência os jovens são incutidos a ser financeiramente e emocionalmente independentes da família, por isso é muito comum aos 18 anos já não receberem mesada porque trabalham, têm bolsa e direito a quarto em residência pública. Para um holandês seria impensável viver como se vive em Portugal, os holandeses são extremamente poupados, trabalhadores e organizados. Essa deve ser uma das batalhas em Portugal, a defesa da qualidade de vida e a defesa da família tradicional.

Concordo contigo :thumbsup: O problema em Portugal em que os políticos que temos são muito reles (a começar pelo actual Presidente da República e pelos sucessivos governos...), dando exemplos ao país daquilo que nunca se deve fazer. E depois gastam-se milhares de milhões de euros em coisas que nada irão servir para o país.
Depois, os pais nunca são responsáveis pelos actos que os filhos praticam na escola e fora da escola; os criminosos são quase sempre libertados e a justiça em Portugal é uma das maiores vergonhas que temos. Relativamente aos jovens, já podem obter o cartão jovem até aos 30 anos (herança de Sócrates, talvez o pior primeiro ministro que houve em Portugal após o 25 de Abril de 1974).
Hoje tive conhecimento de várias pessoas que morreram em ambulâncias antes de receber cuidados médicos, porque agora já não se pode chamar uma ambulância dos bombeiros em casos de urgência; é necessário perder largo tempo dando explicações ao 112, mesmo estando à frente de uma pessoa que esteja quase a morrer. E quanto ganham quem está à frente do 112? Que eu saiba nenhuma vida tem preço.
 
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